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Pobreza e desigualdades (ECP2023)

Quando estou fora de Portugal, num país onde compreendo a língua, alargo a rotina de “olhar” as primeiras páginas dos principais jornais portugueses aos principais jornais do país onde estou. Assim o fiz na passada semana com os jornais do Reino Unido e, apesar do momento que vivemos, apesar dos problemas sociais e económicos que a Europa enfrenta e em semana de comemoração do 75º aniversário de um @NHS (SNS do UK) particularmente desafiado na sua sustentabilidade, não vi as palavras “pobreza” ou “desigualdades” nessas primeiras páginas, mesmo quando fundamentais nestas questões.

Continuamos a falar desproporcionalmente muito pouco de pobreza e de iniquidades face ao quanto são determinantes da saúde (incluindo saúde mental), da educação e do bem-estar. Fazêmo-lo porque enquanto sociedade, erradamente, tendemos a olhar estes problemas como problemas das pessoas que vivem em situação de pobreza ou em risco de pobreza e não como problemas de todas as pessoas, ao perigarem a coesão social e impactarem toda a sociedade. Fazêmo-lo enquanto sociedade e, também de certa forma, enquanto psicólogas/os, quando pensamos apenas estes problemas como parte do “problema”/”circunstância” de um/a cliente específica/o e não enquanto problemas macro, sempre e necessariamente presentes na sociedade.

Assim comecei a minha intervenção inicial no Main Stage Event “Poverty and inequalities and the impact of these on mental health” [Pobreza e iniquidades e seus impactos na saúde mental] do 18º Congresso Europeu de Psicologia, um interessante debate com Bridgette Ricketts, Philip Murphy e Germán Gutiérrez, presidente da IUPsyS, moderado pelo @Jon Sutton.

No dia seguinte, procurei aprofundar este tema no meu Keynote no congresso: “Multiple contributions of psychology to a “Full Stop to Poverty” – The role of psychological science, practice and professional associations” [“Múltiplos contributos para um “.Final à Pobreza” – O papel da ciência e da prática psicológica e das suas associações profissionais”]. Discuti-o na sua centralidade para a psicologia e nos contributos da ciência e da prática das/os psicólogas/os para a sua compreensão e erradicação, a par do papel particularmente importante das associações profissionais no estímulo a que isto possa acontecer.

A fechar, e a partir de uma questão da @Claudia Hammond que me acompanhou no Keynote, afirmei o quão poderá ser diferenciador ter 27.000 psicólogas/os em Portugal nos níveis mais micro (contextos de intervenção profissional) e cívicos (contextos de cidadania) a contribuírem para o aumento de literacia da população e sociedade sobre este tema, para a advocacia no mesmo e para (a necessidade de) intervenções baseadas na evidência e na transferência da ciência para as políticas locais, regionais e nacionais. Mais, o quão poderá ser transformador se aos 27.000 juntarmos, criando comunidade e mobilizando, centenas de milhares na Europa e no Mundo a contribuírem para um .Final à Pobreza.

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