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Wild Robot

Afinal… “A bondade é uma técnica de sobrevivência”.

Há dias partilhei por aqui um artigo que escrevi que resulta de uma reflexão que faço sobre a profunda articulação entre a empatia e a democracia, nos seus princípios e fundamentos de organização, onde o reconhecimento, a confiança, a equidade, a justiça integeracional e a coesão social são princípios e missões fundamentais.

Princípios estes profundamente ligados à possibilidade de bem-estar e autodeterminação para todas as pessoas e, logo, à psicologia enquanto objecto e enquanto profissão, como bases da sua identidade.

Este Sábado, eu e o meu filho mais velho fomos ver um filme – Wild Robot | Robot Selvagem – que parte de uma narrativa curiosa que imagina um Robot “inteligente” e o seu enquadramento e contexto (a imaginação de um futuro possível) num cenário de uma “selva” (a imaginação de um passado possível), em que animais e Robot comunicam e interagem entre si. Para quem não viu e para quem nada sabe sobre o filme, creio que as linhas anteriores são suficientes para pensarem o conjunto de poderosas metáforas e alegorias que resultam da maior – este enquadramento.

Deixo-vos, também por isso, uma espécie de convite a que, na continuidade do que havia escrito no tal artigo, possam ver o filme e sobre ele, como o tenho feito, reflectir um pouco… E deixo duas sugestões de reflexão:

a) A forma como possibilita, à sua maneira, colocar milhões de crianças e jovens (e adultas/os) Mundo fora a pensar a triangulação entre a bondade, a relação e a nossa interdependência. Como, muitas vezes “contra” os nossos instintos e vieses, é a cooperação, a relação e um pensamento mais a médio e longo prazo e não a competição, o conflito destrutivo e um certo hiperimediatismo e procura de “ganhos imediatos e individuais”, que mais contribuem para a nossa sobrevivência, para o nosso bem-estar e para um futuro de médio e longo prazo, melhor para nós e para todas e todos.

b) A forma como, à sua maneira, coloca milhões de crianças e jovens (e adultas/os) perante paradoxos: o do filme e de um “acidente” que, sendo mortal para a família de uma personagem, a “salva”; o do Mundo que, hoje com muita reflexão sobre estes temas, com um maior foco nas últimas décadas nos Direitos Humanos e Objectivos de Desenvolvimento Sustentável caminha como caminha. Num e noutro caso a fazer-me (fazer-nos?) pensar o que poderá estar a falhar (para melhorarmos), mas também onde estaríamos se atravessássemos o actual contexto sem esse caminho que, apesar de tudo, fomos capazes de percorrer e que urge ser reforçado, continuado e aprofundado.

Até porque, como o filme bem mostra, parece que tudo pode mudar. E que se abrem múltiplas possibilidades quando acreditamos que é possível um Mundo melhor e que “para (sobre)viver temos que ser mais do que aquilo para o qual nos programam”.

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Empatia rima com Democracia

Dizia eu no início do artigo que, quando o escrevia, não conhecia “os resultados eleitorais das presidenciais de 2024 dos EUA.” De umas eleições que, dizia também, são “porventura das eleições mais importantes no Mundo contemporâneo e, simultaneamente, umas das mais divididas, polarizadas e questionadoras de uma prática e posicionamento dos EUA das últimas décadas.”

Agora já sei. Já sabemos. E os resultados, particularmente no contexto do qual decorrem, exigem uma profunda reflexão de quem, como eu, defende vigorosamente os valores dos direitos humanos universais, da justiça intergeracional e da procura de uma sociedade justa, equitativa e tendente à possibilidade de auto-determinação de todas as pessoas.

Uma reflexão e a mobilização de quem partilha estes valores, independentemente das potenciais discordâncias, implicando isso que pensemos como nos posicionamos em sociedade… Como contribuímos (ou não) para debates construtivos, como somos capazes de nos descentrarmos de nós e das/os nossas/os quando isso importa para a preservação da confiança nas instituições e nas/os outras/os e/ou construção de soluções… Como somos capazes de abdicar em prol do bem-comum e maior… De pensar em quem nos rodeia e se nos seguirá. Como retomarmos um caminho de maior empatia e de como a empatia rima como democracia.

“Empatia rima com Democracia”, 94º artigo da rubrica “Ao redor” (Revista SÁBADO) pensa a empatia, a sua definição e papel e como é “profundamente influenciada por fenómenos que, tendo sempre existido, têm hoje outra propagação, expansão e abrangência, considerando o impacto das novas tecnologias, redes sociais e da IA. Da politização da “desgraça”, do ódio e do ressentimento; à utilização com fins políticos dos vieses que resultam em darmos mais atenção (e projecção) aos acontecimentos negativos, hipervalorizando-os e considerando-os mais prováveis e frequentes do que realmente são ou do presente, dando mais atenção ao que acontece no momento face ao passado, tendendo-se para um hiperimediatismo, que faz do caso específico, por efeito de generalização, estímulo para a divisão simplista em dois pólos e para a condenação e estigmatização de grupos de pessoas.

Estes mecanismos, a par dos desafios sociais globais de enorme complexidade “criam um contexto propício à quebra da confiança nas instituições e governos e ao aumento do autoritarismo. Criam, ainda, um contexto propicio à quebra da empatia.”

“Importa que voltemos à empatia. Que pensemos colectivamente que, conceitos e problemas complexos, implicam que consigamos ver pela lente das outras e dos outros (…) Que pensemos que o sistema democrático é pouco compatível com a “hiperimediatez”, ausência de reciprocidade e com incentivos crescentes que dirigem a política para a resposta ao que pretendo para mim e agora, tendo-se pouco presente que a possibilidade de bem-estar de cada pessoa está iminentemente relacionada com a possibilidade de bem-estar das outras e outros, hoje e para o futuro.

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Ao redor... (Revista Sábado) Política Psicologia Tecnologia

Das televendas às aplicações digitais: o negócio à volta da vulnerabilidade e do bem estar (Ao redor…; Sábado)

Quem, com mais alguns anos que eu ou mais ou menos da minha idade, assistiu à emergência do fenómeno das televendas, não esquece os inúmeros e pomposos anúncios a produtos que prometiam mudanças profundas da nossa vida. Não sabendo porquê, recordo especialmente os extraordinários sprays que se propunham compensar a calvície. Não os cheguei a experimentar, mas era fascinante a forma, apesar de tudo básica e simplista, como se apresentavam, como se vendiam, como, naturalmente, acabavam a frustrar anseios e expectativas de clientes. Era só mais um passo na história da monetização e do negócio em torno da vulnerabilidade e da comercialização de uma certa ideia de beleza e de bem-estar.

Hoje, outro passo tem sido dado. A reboque do crescimento da utilização e das funcionalidades da internet, da expansão das aplicações digitais e, por outro lado, da crescente maior procura de respostas na área da saúde mental e bem-estar, estamos hoje perante um enormíssimo mercado em forte desenvolvimento, com dezenas de milhar de aplicações na área da saúde mental, segmento da saúde digital mais financiado nos últimos anos nos Estados Unidos, principal mercado na criação (e de clientes) do Mundo (o segundo, a oncologia representava em 2022 cerca de 40% menos investimento face à saúde mental). Esta forte expansão, normalmente sem utilização suficiente de ciência quer no desenho das aplicações (o que necessariamente diminui uma boa experiência de utilização e provoca níveis de abandono das aplicações muito significativos), quer no estudo dos seus impactos (estima-se que apenas 3 a 4% das aplicações são baseadas em ciência e muitas não têm quaisquer estudos sobre os seus reais impactos), tende a descredibilizar e dificultar a exploração do incrível potencial que as aplicações digitais podem ter em dimensões de promoção da saúde, incluindo saúde mental, e bem-estar e na melhoria do acesso e da equidade no acesso a respostas na área da saúde mental.

Mas, mais, esta forte expansão, quando não assente em valores e numa regulação que priorize princípios éticos, deontológicos e de salvaguarda de dados, determina que milhões de pessoas, algumas delas em situações especialmente vulneráveis (por exemplo com problemas diversos de saúde mental), com maior ou menor consciência, partilhem pensamentos, emoções e dados biométricos com aplicações, muitas vezes sem a devida salvaguarda de segurança e confidencialidade. Há diversos exemplos destas práticas, um deles particularmente mediatizado. Trata-se da BetterHelp’s, uma plataforma que “liga” clientes a prestadores de serviços na área da saúde mental e que recentemente acordou um pagamento de 7,8 milhões de dólares a 800.000 clientes por ter reconhecido que, sem autorização expressa, cedeu a plataformas como o Facebook ou Pinterest os seus dados de informação, de rotinas, de questionários e de contacto, permitindo que estas plataformas identificassem “potenciais clientes” por similitudes de práticas e comportamentos nestas redes, podendo dessa forma criar, dirigir e personalizar os anúncios e rentabilizando / monetizando significativamente essas informações .

Ainda, esta expansão, a partir de clusters muito específicos de pessoas, empresas e start-ups que desenvolvem tendem a dois tipos de movimentos: a) de simplificação (pela criação de algoritmos que, muitas vezes de forma abusiva e descontextualizada, transformam fenómenos muito complexos e multideterminados em lógicas lineares e de causalidades inexistentes ou inapropriadas); b) de generalização/universalização das aplicações e do seu conteúdo, algo que resulta, muitas vezes, numa menor identificação, utilização e eficácia em comunidades de pessoas com menor educação e/ou literacia ou mesmo em países com organizações sociais e práticas sociais e culturais distintas das dos países onde são desenvolvidas ou das pessoas que as desenvolvem, sendo importante que recordemos que, apesar da investigação e criação de resposta em saúde mental estar maioritariamente cingido aos países tradicionalmente apelidados de “ocidentais”, 80% da população global habita em países “não ricos”, estimando-se que nesses países esteja também 80% da população do Mundo que vive com doença mental, países onde habitualmente até 3 em cada 4 pessoas não têm acesso a qualquer tipo de serviço/tratamento nesta área.

A carência de mais e melhor ciência no desenho das aplicações e na avaliação do seu impacto; a forma como, infelizmente, se tende para universalização ao invés da personalização das e dos seus utilizadores; e o não respeito e priorização das questões associadas aos direitos, segurança e privacidade de quem utiliza estão a contribuir decisivamente para que os elementos centrais na maior saliência das questões da saúde mental hoje – o direito de acesso a serviços nesta área e a necessidade de caminharmos para uma verdadeira equidade nesse acesso – não estejam a ser respeitados e promovidos e a tecnologia e o seu potencial mobilizado para apoiarem mais significativamente na resposta a este desafio.

Neste sentido, e para que possamos aumentar o acesso e a equidade de acesso em saúde mental, é fundamental intencionalizarmos o papel que a saúde digital e as aplicações digitais podem ter além das sessões e consultas online, práticas, apesar de tudo, mais utilizadas, desenvolvidas e estudadas nos últimos anos. Importa que, enquanto cidadãos utilizadores, profissionais, investigadoras/es ou decisoras/es participemos no debate sobre as aplicações digitais e o seu enquadramento, nomeadamente em como será fundamental, a partir da tecnologia, potenciar a saúde e as suas intervenções, a recolha de dados fundamentais e a disponibilidade contínua e mais próxima. Nisto e, também, na importância do desenvolvimento de alguma regulamentação que permita e estimule a continua inovação, mas, em simultâneo, contribua segurança, privacidade e saúde pública.

Na verdade, aqui e ali, no Mundo ao redor, podemos, com mais e melhor informação, literacia, ciência e regulação caminhar para um maior impacto positivo do papel da digitalização e das aplicações em saúde e saúde mental na promoção do auto e heterocuidado, do acesso a serviços de saúde mental e da melhoria da eficácia das suas intervenções. Tal não é apenas possível, pode, verdadeiramente, mudar para melhor a vida de muitas pessoas. Contribuir para mudar para melhor o Mundo.

 

 

Tiago Pereira

Das televendas às aplicações digitais: o negócio à volta da vulnerabilidade e do bem estar

in Sábado (Ao redor…); 22.10.2024

https://www.sabado.pt/opiniao/convidados/tiago-pereira/detalhe/das-televendas-as-aplicacoes-digitais-o-negocio-a-volta-da-vulnerabilidade-e-do-bem-estar

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Envelhecimento activo e vida saudável

Ontem, no “Factos que Contam” da SIC Notícias, o Gonçalo Saraiva Matias trouxe-nos uma reflexão informada sobre uma realidade por todas e todos percepcionada e, creio, aceite – as profundas transformações demográficas em Portugal das últimas décadas e o significativo envelhecimento da população. Trouxe, ainda, uma outra talvez não aceite por todas as pessoas – o importantíssimo contributo da população imigrante para a mitigação desta realidade, para a prosperidade e desenvolvimento do país e sustentabilidade dos seus serviços.

Fê-lo suportado num conjunto amplo de dados dos quais destaco dois: em 2050 prevê-se que 27% do PIB em Portugal seja dedicado ao que apelidou de “custos do envelhecimento” e que inclui valores associados a pensões, saúde ou aos cuidados continuados; que hoje 1 milhão de pessoas vive só, metade delas com mais de 65 anos contribuindo este dado para relevantes problemas de solidão e isolamento, não sendo expectável que esta situação se possa rapidamente interverter nos próximos anos.

Cenários que configuram um desafio tremendo para o país e que implicam políticas públicas multissectoriais e integradas que, com eficácia, respondam a diversas dimensões que para ela contribuem (políticas de juventude, de emprego, …) e, simultaneamente, para mitigar as suas consequências (políticas de promoção do envelhecimento activo e saudável; de combate ao isolamento, …).

Também, e mais conceptualmente, que na sociedade como um todo se reforce a literacia sobre os processos de envelhecimento e a necessidade de pensarmos que, independentemente da nossa idade e papel, todas e todos devemos participar e envolver-nos na discussão e advocacia sobre este tema e pensar o envelhecimento como uma processo ao longo de toda a vida… E como isso poderá significar maior possibilidade de se viver mais anos com maior qualidade de vida e mitigar alguns dos desafios acima identificados.

A convite da Médis participei recentemente numa conversa com a Margarida Dias da Graça Santos (uma extraordinária comunicadora) exactamente sobre estes temas. Faço-o a propósito da relação com o que atrás sublinho mas, também, porque foi – para mim – um momento muito interessante. O mote foi o “envelhecimento activo e vida saudável” e caminhamos, juntos, pela forma como (e quando) decorre o tal processo de envelhecer (já envelheceu ao ler este texto, até esta frase), o que pode significar o tal “envelhecimento activo” e como podemos promovê-lo, o papel das relações e da comunidade nestes processos e como os nossos diferentes papéis os podem influenciar.

Sempre, sempre, numa conversa fluída e leve e com um toque permanente para as questões da desigualdade / equidade, para a necessidade de políticas públicas mais efectivas e para os impactos destes processos na saúde, incluindo saúde mental, bem-estar e coesão social.

Convido-vos a ver, aqui: https://www.youtube.com/watch?v=EM-X9mEhuPY&embeds_referring_euri=https%3A%2F%2Fwww.medis.pt%2F

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The Handbook of International Psychology

Estou certo que em algum momento já se cruzaram com uma das múltiplas e variadas possibilidades de utilização da frase “quem só de x sabe, nem de x sabe”. Abel Salazar fez dela lema para a medicina, conforme a compreendia, defendia, praticava. Julgo-a útil também a quem procura compreender, defender e praticar a psicologia.

Mas mais. Além da ligação entre ciências e saberes que procura suscitar, diria merecer ser complementada, hoje e num momento de maior complexidade, não linearidade e não isolamento a determinado local/território dos principais desafios societais, com uma dimensão contextual: “quem só sabe de x em y, verdadeiramente não sabe de x.”

É esta a matriz base do “The Handbook of International Psychology” que procurar “narrar a disciplina da psicologia, à medida que ela evolui em diferentes regiões, a partir da perspectiva daqueles que vivem e trabalham nos países sobre os quais escrevem”. A segunda edição, editada pela Routledge Taylor & Francis Group e a partir de hoje em pré-venda (link abaixo), compreende capítulos que descrevem e tratam mais de 100 países, organizados por região e continente.

A partir de um convite das e dos editores (Merry Bullock, Michael Stevens, Danny Wedding e Amanda Clinton, Ph.D.), eu, a Carolina Garraio, a Telma Miranda e a Sofia Ramalho dedicamo-nos a escrever aquele que é o capítulo do Handbook sobre Portugal.

Procura reflectir uma visão mais geral da evolução história e da participação e contributo para a sociedade portuguesa da psicologia, bem como questões relacionadas com a formação e treino de psicólogas e psicólogos em Portugal, organização da profissão, dimensões relacionadas com a investigação e a ciência psicológica e, ainda, perspectivas e desafios para o futuro da psicologia em Portugal.

Foi escrito por quatro psicólogas/os, de três diferentes gerações, que têm em comum a forma como pensam o presente da psicologia e como imaginam o futuro, na perspectiva em como pretendemos contribuir para que seja melhor e mais fácil para quem se nos segue, como o presente o é face ao passado, pelo contributo inestimável das enormes figuras que co-construíram o edifício da psicologia em Portugal que temos hoje, em momentos em que era ainda mais desafiante e duro face ao que é hoje (e, espero, seja amanhã) ser-se psicóloga/o em Portugal.

Uma palavra de agradecimento à Carla Moleiro, ao Daniel Rijo, ao Gün Semin, à Luisa Faria, à Maria Paula Paixão, à Paula Mena Matos e ao Telmo Mourinho Baptista por toda a colaboração na recolha de informação para este nosso contributo para um livro que, conforme Lori Foster e Christine Roland-Lévy referem, procura “captar a essência da psicologia global” e “compreender as dimensões internacionais da psicologia e das diversas formas como a profissão está organizada”.

Link para Pré-Venda: https://www.routledge.com/The-Handbook-of-International-Psychology/Bullock-Stevens-Wedding-Clinton/p/book/9781138925120?srsltid=AfmBOooUbElXBJvS-zxKc5B04D8i5QlI7q58O6HjdP8ODo-seZR-U2xJ

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Das televendas às aplicações digitais: o negócio à volta da vulnerabilidade e do bem estar

Lembram-se dos sprays extraordinários que prometiam resolver a calvície com a produção de “cabelo instantâneo” das televendas?

“Não os cheguei a experimentar, mas era fascinante a forma, apesar de tudo básica e simplista, como se apresentavam, como se vendiam, como, naturalmente, acabavam a frustrar anseios e expectativas de clientes. Era só mais um passo na história da monetização e do negócio em torno da vulnerabilidade e da comercialização de uma certa ideia de beleza e de bem-estar (…) Hoje, a reboque do crescimento da utilização e das funcionalidades da internet, da expansão das aplicações digitais e, por outro lado, da crescente maior procura de respostas na área da saúde mental e bem-estar, há um enormíssimo mercado em forte desenvolvimento: as dezenas de milhar de aplicações na área da saúde mental, segmento da saúde digital mais financiado nos últimos anos nos EUA.”

“Das televendas às aplicações digitais: o negócio à volta da vulnerabilidade e do bem estar”, 93º artigo da rubrica “Ao redor” (Revista SÁBADO) trata “esta forte expansão, normalmente sem utilização suficiente de ciência, quer no desenho das aplicações (o que necessariamente diminui uma boa experiência de utilização e provoca níveis de abandono muito significativos), quer no estudo dos seus impactos (estima-se que apenas 3 a 4% das aplicações são baseadas em ciência e muitas não têm estudos de impacto).”

Esta realidade “tende a descredibilizar e dificultar a exploração do incrível potencial que as aplicações digitais podem ter na promoção da saúde, incluindo saúde mental, e bem-estar e na melhoria do acesso e equidade no acesso a respostas na área da saúde mental.” Mas, mais, “quando não assente em valores e numa regulação que priorize princípios éticos, deontológicos e de salvaguarda de dados e confidencialidade” pode determinar a utilização abusiva de pensamentos, emoções e dados biométricos de pessoas, algumas em situação especialmente vulnerável (no texto descrevo o caso da BetterHelp’s).

Ainda, esta expansão, “a partir de clusters muito específicos de pessoas, empresas e start-ups potencia: a) a simplificação, pela criação de algoritmos que tendem a transformar fenómenos complexos e multideterminados em lógicas lineares e de causalidades inexistentes ou inapropriadas); b) a generalização/universalização das aplicações e do seu conteúdo, gerando menor identificação, utilização e eficácia em pessoas com menor educação, práticas culturais diversas, etc.

Neste sentido, “para que possamos aumentar o acesso e a equidade de acesso em saúde mental, é fundamental intencionalizarmos o papel que a saúde digital e as aplicações podem ter, além da utilização do online para sessões/consultas (…) Podemos, com mais e melhor informação, literacia, ciência e regulação caminhar para um maior impacto positivo do papel da digitalização e das aplicações em saúde mental na promoção do auto e heterocuidado, do acesso a serviços de saúde mental e melhoria da eficácia das intervenções.

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Revolta-Apaziguamento

“Existem momentos na vida em que não gostamos do que sentimos… Nem sempre é fácil gerir essas emoções e encontrar um caminho no qual nos sentimos melhor”. Foi assim que a @Irina Gomes iniciou o “Descubra as Diferenças”, programa do Canal @Saude + em que conversou comigo sobre o binómio que apelidou de “revolta-apaziguamento”.

Também a propósito de uma boa conversa que ontem tive e porque ainda não o tinha aqui e convosco feito, partilho essa recente conversa onde, resumidamente, procuro:

. Sublinhar que é natural que em determinados momentos da nossa vida possamos sentir alguma revolta (ou mesmo sentir-nos revoltados), fazendo isso parte da nossa existência;

. Referir que, todavia, não podemos “atingir” uma existência plena e completa se nos sentirmos permanentemente em revolta;

. Discutir a subjectividade inerente ao sentimento (quando mais permanente) de revolta e à emoção (por vezes mais próxima da raiva) e como, apesar das suas expressões físicas e emocionais, cada pessoa os descreve à sua maneira;

. Como a revolta se liga com sentimentos de injustiça e, não raras vezes, com a ausência de sensação de controlo e de agência sobre o que nos provoca este sentir;

. A importância de reconhecermos o que estamos a vivenciar, incluindo os “gatilhos” (triggers), sendo a literacia emocional muito importante para tal. Bem como, a relevância dos mecanismos de autocontrolo (emocional e comportamental) e da forma como crenças (por vezes irracionais) podem surgir associadas a este sentir;

. Como a agência – e procuro discutir exemplos concretos – sobre potenciais contributos para a alteração dos fenómenos que nos provocam, por vezes, emoções ou sentimentos desta natureza, pode ajudar-nos num caminho de maior sensação de equilíbrio, paz e bem-estar;

. Como a revolta está presente na adolescência e os seus impactos nas e nos mais jovens e nas pessoas ao redor e como a revolta também vive do e com o Mundo hoje, nomeadamente no que se refere às redes sociais, ao acesso e difusão de informação e a diferentes desafios societais contemporâneos;

. Sobre o apaziguamento, procuro enquadrar e distinguir do termo e significado quando utilizado em contextos mais bélicos (de cedência) para o situar na aproximação a um caminho para um maior equilíbrio e paz, desatacando o papel das relações, do significado e das actividade do dia-a-dia;

. Finalmente, um conselho para quando nos sentirmos revoltados? Tentarmos definir exactamente o que nos está a fazer sentir o que estamos a sentir (não deixar que fique difuso) e perceber o que podemos fazer para o alterar, mesmo que decidamos nada fazer. Se assim fizermos estaremos a garantir agência e controlo sobre a situação. Esgtamos a criar perspectivas e diversificar o que pode ser a nossa actuação e como podemos lidar com a situação, ajudando-nos isso a lidar melhor com a situação, a sentimo-nos mais equilibrados e potencialmente a sentirmo-nos melhor.

Mais em paz.

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Psicadélicos: Para quê e para quem

Na sexta-feira, a convite da Delegação Regional da Madeira da Ordem dos Psicólogos Portugueses (obrigado Renato Gomes Carvalho e toda a equipa pela confiança, pelo excelente evento e pelo que ele significa do vosso dedicado trabalho), realizei uma intervenção no Congresso das/os Psicólogas/os da Madeira sobre os contributos da psicologia para a compreensão (e mitigação) de fenómenos como a polarização e o extremismo. Intervenção desafiante também pelo momento, temática e carga emocional associada.

Nela sublinhei o paradoxo dos instrumentos da prática da psicologia e da ciência psicológica serem utilizados, simultaneamente, para a promoção da solidariedade e da perspectiva mas também para a manipulação e condicionamento, para a desinformação ou para a promoção da empatia (a propósito do papel fundamental da empatia nas dimensões sociais e políticas aconselho este excelente artigo do Pedro Adão e Silva ontem no Público: https://www.publico.pt/2024/10/20/opiniao/opiniao/declinio-empatia-risco-democratico-2108621).

Nela defendi que ao afastamento (polarização) devemos contrapor com o reforço da cooperação, dos diálogos construtivos e do reconhecimento.

Elementos que considero fundamentais e de coesão, particularmente em debates e temas que, por razões diversas (históricas, ideológicas, de estigma ou preconceito) podem ser divisivos.

Por isso, e porque passa amanhã um mês, aqui regresso para partilhar o vídeo-resumo de um debate com muito das características do que atrás refiro: “Psicadélicos: Para quê e para quem?”, organizado pela SafeJourney a propósito do livro “Psicadélicos em Português”, escrito pelo Pedro Teixeira, PhD e editado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos.

Debate moderado pelo José Maria Pimentel, em que estive com o Fernando Alvim, a Joana Bértholo, o Joaquim Evangelista e o Pedro Marques Lopes e onde, entre outros, procurei sublinhar:

a) A importância da participação da psicologia na investigação em curso e no debate sobre as potenciais utilizações dos psicadélicos, particularmente no que se refere à doença mental e aos processos de desenvolvimento;

b) Uma ideia de não conformismo que, creio, enquanto cidadãos e profissionais devemos ter perante o sofrimento e, especificamente, na procura de respostas seguras, eficazes e assentes em evidência para problemas que se demonstram resistentes a outras intervenções/tratamentos;

c) O não sucumbir a convenções e, quando a evidência científica o suporta, ousar contribuir para debates que apontem à “transformação social” visando maior equidade e possibilidade de autodeterminação, conforme aconteceu com a participação da psicologia em debates como os da homoparentaliade e co-adopção por casais homossexuais ou da utilização de telemóveis nos espaços escolares, para dar apenas dois exemplos.

Um debate estimulante, importante e que, julgo, merecedor de atenção e de ser continuado.

Vídeo-Resumo: “Psicadélicos: Para quê e para quem”

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Um tema em que as bases do Partido Socialista (PS) e a Confederação do Turismo de Portugal (CTP) parecem concordar com a reflexão do Ministério Público? As mulheres e a sua participação (Ao redor…; Sábado)

Comecemos hoje com um pequeno quiz:

O que é que os seguintes nomes: António Brochado Correia, Bernardo Trindade, Carlos Abade, Carlos Moura, Fernando Nunes da Silva, Filipe Anacoreta Correia, Francisco Calheiros, Gonçalo Oliveira, Hugo Moreira Luís, José Luís Arnaut, Luís Amado, Luís Marques Mendes, Luís Montenegro, Luís Rodrigues, Mário Centeno, Miguel Maya, Paulo Portas, Pedro Machado, Pedro Reis, Roberto Antunes e Fernando Nunes da Silva…

Têm que ver com estes nomes: Alexandre Lote, André Pinotes Batista, Armando Mourisco, Benjamim Rodrigues, Brian Silva, Francisco César, Gonçalo Lopes, Hugo Costa, Hugo Oliveira, João Portugal, Luís Dias, Luís Graça, Luís Moreira Testa, Nelson Brito, Nuno Araújo, Paulo Cafôfo, Ricardo Leão, Rui Santos, Victor Hugo Salgado, Vítor Paulo Pereira e Vítor Pereira?

Ambos os grupos terem 21 nomes? Terem esses 21 nomes organizados por ordem alfabética? Corresponderem, grosso modo, a pessoas mais ou menos com a mesma idade e a mesma pertença cultural? Também estariam correctas estas respostas, mas a resposta que procurava, para um quiz por sinal fácil, era serem todos nomes de homens.

São, também, e respectivamente, os nomes de todos os 21 oradores da VII Cimeira do Turismo Português, organizada pela Confederação do Turismo de Portugal e apresentada como “um evento que reúne importantes líderes e personalidades políticas e empresariais” que pretende “apelar à reflexão e ao debate construtivo sobre a atividade que mais contribui para o crescimento da economia em Portugal”. Um debate construtivo, certamente, mas, digamos, pouco diverso em termos de género, idade ou pertença cultural, mesmo reunindo, certamente, importantíssimas personalidades políticas e empresariais.

Debate que, coincidentemente, aconteceu a 27 de Setembro, dia em que o Partido Socialista (PS) elegeu os novos 19 líderes das federações distritais que se juntam aos 2 líderes anteriormente eleitos das regiões autónomas, corporizando os seus agora 21 líderes federativos e regionais atrás listados. Todos homens. Um processo democrático, certamente também, construtivo, mas, digamos, pouco diverso em género, idade ou pertença cultural, mesmo reunindo, também certamente, importantíssimas personalidades distritais e regionais.

Mas, se parece existir alguma coerência relativamente ao evento e ao facto de todo o Conselho Directivo da Confederação do Turismo de Portugal que o organiza ser, hoje, constituído por homens (10) que, por sua vez, lideram Associações ou Grupos Empresariais ligados ao Turismo, já parece mais incoerente que a liderança de todas as estruturas federativas e regionais, de um partido em que o seu Secretário-Geral foi eleito com uma moção apelidada de “Portugal Inteiro”, caiba apenas a homens. Moção essa que afirma como 1ª missão que o PS se deve assumir como “um partido reformista e progressista para uma social-democracia moderna”, detalhando dever ser “um partido transformador e progressista”, promover “reformas para melhorar a vida das pessoas” e ser “portador de sentido de justiça, esperança e de ambição para chegar mais longe”.

Talvez este sentido de justiça, esperança e de ambição obrigasse a uma reflexão profunda sobre como podem estar representadas as mulheres (segundo os últimos dados públicos, cerca de 37% do total de militantes do PS) nas lideranças locais e de proximidade e quais as razões que levam à absoluta desproporção nas candidaturas (nas 19 eleições houve apenas duas candidatas, ambas derrotadas, face a 21 candidatos Homens) e como pode essa desproporção, a bem de todas e todos, ser mitigada. Talvez esta reflexão trouxesse uma outra coerência. Talvez pudesse pensar-se que, tal qual um conselho diretivo só de homens mais facilmente organiza um evento em que só homens são oradores, em eleições internas dos partidos políticos, onde as estruturas são maioritariamente lideradas por homens, estes tendem a mobilizar-se e movimentar-se mais, perpetuando-se e determinando, ou pelo menos influenciando com o mesmo viés, as escolhas futuras.

É por isto que, saudando algum caminho, mesmo que com os retrocessos dos últimos anos, no sentido da maior representatividade política em determinadas estruturas, o “sentido de justiça, de esperança e (particularmente) de ambição” que o PS e, felizmente outros partidos, preconizam tem de resultar em mais que listas que se aproximam da paridade por imposição das estruturas nacionais dos partidos e/ou regras externamente definidas, por vezes por oposição às estruturas regionais onde as lideranças permanecem longe da paridade e, ainda mais, da representatividade em termos de idade e pertença cultural. Aumentar a diversidade nas lideranças e, particularmente, nas lideranças políticas de proximidade, é urgente e fundamental à criação de contextos mais seguros e inclusivos e a processos de mudança “de baixo para cima”, logo mais naturais, de diversificação e representatividade das estruturas, algo fundamental para complementar o necessário impulso “de cima para baixo”, menos natural, que procura, apesar de tudo, contribuir para a correção das iniquidades e garantia de oportunidades.

Isto, naturalmente, se não quisermos que o “debate construtivo sobre a atividade que mais contribui para o crescimento da economia em Portugal” e as bases do partido português que se assume progressista, reformista e “portador de sentido de justiça, de esperança e de ambição para chegar mais longe” sejam consequentes com a reflexão do Ministério Público para o seu relatório de actividades de 2023, partilhada pela Sr.ª Procuradora Geral da República, referindo que uma proporção significativa de mulheres jovens (“especialmente abaixo dos 30 anos”) na instituição resulta num “agravamento de constrangimentos” nos seus trabalhos em virtude de “situações de gravidez, de gravidez de risco, de baixa para assistência a filhos menores, gozo de licença parental e ausência para efeitos de amamentação”. Um péssimo contributo para a informação e debate público proveniente de uma instituição com especiais responsabilidades com a agravante das mulheres com menos de 30 anos representarem apenas 1,6% do seu universo de trabalhadores.

Na verdade, aqui e ali, no Mundo ao redor, necessitamos da diversidade em posições de visibilidade e liderança. Precisamos de mais mulheres, desde logo, mas também de mais jovens e de pessoas com diferentes pertenças culturais e experiências. Penso-o relativamente a partidos, eventos, estruturas e organizações da administração pública, privada ou do sector social. Penso-o e, certamente com muitas falhas, tento fazer algo de consequente. Sugiro que todas e todos façamos esse exercício, à nossa forma, nos nossos contextos, nas nossas escolhas no dia-a-dia e para o futuro. Certamente se o fizermos caminharemos no sentido da promoção de maior segurança psicológica, de maior coesão social e da prevenção de retrocessos que hoje nos parecem tão absurdos quanto pensávamos absurdo, há anos, que um ex-presidente e novamente candidato a presidente dos EUA afirme que se ganhar a eleição poderá ser a última vez que as/os eleitoras/es votam. Todas e todos temos de fazer muito mais. Fazer a nossa parte.

 

Tiago Pereira

Um tema em que as bases do Partido Socialista e o Turismo de Portugal parecem concordar com a reflexão do Ministério Público? As mulheres e a sua participação

in Sábado (Ao redor…); 09.10.2024

https://www.sabado.pt/opiniao/convidados/tiago-pereira/detalhe/as-mulheres-e-a-sua-participacao

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Saúde Mental no Trabalho

“Não pode haver assédio no local de trabalho e ioga à hora de almoço… E quem lidera não pode entender que, por haver ioga, os problemas estão todos resolvidos.”

Foi esta a frase que a CNN Portugal destacou da conversa que tive com a Diana Bouça-Nova no Domingo que aqui partilho.

Conversa a propósito do Dia Mundial da Saúde Mental, da Saúde Mental no trabalho (tema em 2024) e que tocou:

a) A preocupação crescente de empresas e organizações com este tema, mas a necessidade de se continuar e aprofundar este caminho;

b) O papel da World Health Organization na promoção de literacia da população e no reforço da importância, também, dos factores psicológicos e sociais na saúde mental;

c) O destacar que o tema do dia em 2024 assinale a importância dos locais de trabalho, quer no quanto podem ser um factor protector, como um factor de risco da saúde mental das/os trabalhadoras/es;

d) Os custos, também económicos, que acarretam às empresas e organizações o absentismo e presentismo relacionado com situações de stresse e problemas de saúde mental (https://www.ordemdospsicologos.pt/ficheiros/documentos/opp_relatorio_prosperidadeesustentabilidadedasorganizacoes2023.pdf);

e) Como até 30% destes custos podem ser preveníveis com intervenções de avaliação e prevenção de riscos psicossociais e o quanto poderia ser importante a concretização das recomendações da Direção-Geral da Saúde e de grupos de peritos ao Governo visando alterações legislativas para a criação da figura da/o “Psicóloga/o do Trabalho” e sua inclusão nas equipas de saúde ocupacional;

f) O quão relevante poderá ser generalizar, por via dessa alteração, padrões e actividades mínimas que permitam avaliar e gerir riscos psicossociais com equidade (para todas e todos os trabalhadores e não apenas em empresas / organizações mais sensíveis a estes temas) e, dessa forma, estabelecerem-se planos de acções visando os factores que concorrem para a emergência dos problemas (exigências cognitivas e/ou emocionais; problemas de conciliação; problemas de confiança, relação e comunicação; horários de trabalho; …) e não apenas actuar sobre as consequências dos mesmos;

g) Como, além do rendimento disponível, naturalmente muito importante, um foco na promoção da saúde e bem-estar no trabalho em Portugal pode ser, também, factor de atração e vínculo ao país, particularmente da população mais jovem;

h) Com a intervenção que destaco no início, salientar a necessidade das respostas de promoção da saúde mental e bem-estar no trabalho serem integradas, alinhadas, priorizadas e generalizadas em toda a organização e que “nem tudo serve”, reforçando que existe ciência e evidência científica e que existem profissionais preparados para com eficácia apoiar organizações e empresas neste objectivo.

Grosso modo, assim foi a conversa mas convido-vos a ver…A ver e a comentar, se desejarem. Até porque, como a Diana Bouça-Nova diz no final, também eu gostava que continuássemos esta conversa. Esta importante conversa.