Ontem, no “Factos que Contam” da SIC Notícias, o Gonçalo Saraiva Matias trouxe-nos uma reflexão informada sobre uma realidade por todas e todos percepcionada e, creio, aceite – as profundas transformações demográficas em Portugal das últimas décadas e o significativo envelhecimento da população. Trouxe, ainda, uma outra talvez não aceite por todas as pessoas – o importantíssimo contributo da população imigrante para a mitigação desta realidade, para a prosperidade e desenvolvimento do país e sustentabilidade dos seus serviços.
Fê-lo suportado num conjunto amplo de dados dos quais destaco dois: em 2050 prevê-se que 27% do PIB em Portugal seja dedicado ao que apelidou de “custos do envelhecimento” e que inclui valores associados a pensões, saúde ou aos cuidados continuados; que hoje 1 milhão de pessoas vive só, metade delas com mais de 65 anos contribuindo este dado para relevantes problemas de solidão e isolamento, não sendo expectável que esta situação se possa rapidamente interverter nos próximos anos.
Cenários que configuram um desafio tremendo para o país e que implicam políticas públicas multissectoriais e integradas que, com eficácia, respondam a diversas dimensões que para ela contribuem (políticas de juventude, de emprego, …) e, simultaneamente, para mitigar as suas consequências (políticas de promoção do envelhecimento activo e saudável; de combate ao isolamento, …).
Também, e mais conceptualmente, que na sociedade como um todo se reforce a literacia sobre os processos de envelhecimento e a necessidade de pensarmos que, independentemente da nossa idade e papel, todas e todos devemos participar e envolver-nos na discussão e advocacia sobre este tema e pensar o envelhecimento como uma processo ao longo de toda a vida… E como isso poderá significar maior possibilidade de se viver mais anos com maior qualidade de vida e mitigar alguns dos desafios acima identificados.
A convite da Médis participei recentemente numa conversa com a Margarida Dias da Graça Santos (uma extraordinária comunicadora) exactamente sobre estes temas. Faço-o a propósito da relação com o que atrás sublinho mas, também, porque foi – para mim – um momento muito interessante. O mote foi o “envelhecimento activo e vida saudável” e caminhamos, juntos, pela forma como (e quando) decorre o tal processo de envelhecer (já envelheceu ao ler este texto, até esta frase), o que pode significar o tal “envelhecimento activo” e como podemos promovê-lo, o papel das relações e da comunidade nestes processos e como os nossos diferentes papéis os podem influenciar.
Sempre, sempre, numa conversa fluída e leve e com um toque permanente para as questões da desigualdade / equidade, para a necessidade de políticas públicas mais efectivas e para os impactos destes processos na saúde, incluindo saúde mental, bem-estar e coesão social.
Convido-vos a ver, aqui: https://www.youtube.com/watch?v=EM-X9mEhuPY&embeds_referring_euri=https%3A%2F%2Fwww.medis.pt%2F