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Ao redor... (Revista Sábado) Comportamento Desafios da Psicologia Futuro da Psicologia Política Psicologia

Sozinho na Organização: Segurança Psicológica, bem-estar e potencial humano

“Vivemos um momento do Mundo que nos recorda a cada dia, não necessariamente pelos melhores motivos, que a história se pode repetir. Ou, pelo menos, conforme a frase que se atribui a Mark Twain, que a história, não se repetindo, rima. (…) Pensemos em George Floyd e Rodney King. Ambos cidadãos norte americanos, brutalmente espancados por polícias num momento banal das suas vidas, situações que desencadearam o “Black Lives Matter”, os “Distúrbios de Los Angeles de 1992” e a célebre frase do advogado de King: “Finalmente conseguimos filmar o Monstro do Lago Ness.”

“Sozinho na Organização: Segurança Psicológica, bem-estar e potencial humano”, 71º artigo da rubrica “Ao redor” (Revista Sábado; link abaixo) não trata o racismo, a misoginia ou o fundamentalismo religioso, antes outro “monstro”. “Por vezes invisível, mas perturbador, impactante, bloqueador, que rima entre tempos e equipas e organizações. A insegurança psicológica.”

É que “falamos em baixos salários e precariedade, e ainda bem. Falamos em desmotivação das equipas, e ainda bem. Em dificuldades de conciliação da vida pessoal, familiar e profissional, e ainda bem. Falamos de cansaço, de burnout, e ainda bem. De modelos de trabalho, e ainda bem. Não falamos, geralmente, da segurança psicológica enquanto elemento fundamental ao bem-estar no contexto de uma equipa ou organização, ao desenvolvimento, ao potencial humano e à produtividade.”

No artigo abordo, com detalhe, a importância da segurança psicológica. Como é “fundamental à boa comunicação, importantíssima em contextos de e com diversidade. À coesão, fulcral à flexibilidade, honestidade e confiança, tão relevantes, por exemplo, aos modelos de trabalho híbrido e personalizados a cada trabalhador/a. À possibilidade de expressão emocional, de diferentes emoções, de podermos estar sem estar sempre bem, estar com as nossas vulnerabilidades, sentindo-nos apoiados, suportados e não ameaçados e julgados. Como é fundamental ao trabalho em equipa, à aprendizagem e desenvolvimento profissional de trabalhadoras/es e equipas. À boa tomada de decisão, à exploração de cenários, soluções e ao pensamento crítico. À investigação. À criatividade.”

Também, como, “ao contrário, a ausência de segurança psicológica obstaculiza o envolvimento, a relação, o auto e heterocuidado. Como promove a desresponsabilização individual e colectiva e a desconfiança.” Ainda, como a formação de lideranças lhe deve, necessariamente, atender, estimulando, entre outros, a “criação de climas organizacionais inclusivos e positivos”.

Que Dezembro, momento de encontro e reencontro para muitas pessoas, de segurança, incluindo psicológica, “nos inspire a um maior compromisso com a promoção da segurança psicológica nos diversos contextos, equipas e organizações. Que nos inspire a rimar a época ao longo do ano, projectando o conforto, afecto e carinho. Possibilitando mais bem-estar, florescimento e maior potencial de cada pessoa se cumprir com o apoio e suporte de todos nós.”

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+ Jornadas SPC

“D’antigamente à livre mente”, foi o mote das II Jornadas do Serviço de Psicologia Clínica do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa . Encontro que fez do passado 29 de Novembro, dia de partilha, reflexão e de desenvolvimento profissional, é certo, mas também pessoal, porque foi momento de (re)encontro de um conjunto alargado de psicólogas/os e outras/os profissionais.

Tive duas intervenções nestas Jornadas. A primeira, na sessão de abertura, permitiu que reforçasse o pioneirismo da equipa do Centro Hospitalar em fazer crescer e consolidar o Serviço de Psicologia Clínica e fazer dele, há anos, o primeiro de Portugal Continental a receber e financiar anualmente um conjunto de psicólogas/os júnior, alguns hoje plenamente integrados na equipa.

Sublinhei o momento que vivemos na saúde (nomeadamente a organização da ULS) que, comportando naturalmente a complexidade da mudança, traz também oportunidades, particularmente na área da psicologia, reforçando a disponibilidade de contributo da Ordem dos Psicólogos Portugueses, também com a equipa que tem apoiado este processo coordenada pelo Eduardo Carqueja. Finalmente, deixei um estímulo a que o pioneirismo continuasse numa melhoria e capacitação do Serviço para o aprofundamento da diferenciação das suas respostas; para a consolidação de intervenções baseadas na melhor evidência disponível (what works), para a forma como devemos atender, mais, aos acontecimentos / momentos de transição desenvolvimental e ter uma atitude de prevenção dos problemas de saúde mental ancorada na promoção e na protecção em momentos chave; e, finalmente, para o imperativo do investimento no desenvolvimento profissional e na possibilidade de auto e heterocuidado da equipa.

Fi-lo agradecendo o acolhimento na pessoa do presidente do CA, Carlos Alberto, a toda a equipa. Fi-lo, ainda, na pessoa da Marcia Mendes a todo o Serviço, a organização das Jornadas e o convite para a segunda intervenção.

Esta na mesa “Locais de Trabalho Saudáveis – Motivação das Equipas”, moderada pela filipa carneiro e que contou com interessantes intervenções, experiências e perspectivas do Hugo Lopes e do Ricardo Costa.

Na intervenção, que apelidei de “+ Jornadas SPC”, foquei-me nestas iniciais do Encontro, transformando-as para sublinhar a importância da jornada (conjunta) e do incrementalismo na motivação das equipas. Motivação enquanto factor importante mas não único responsável pelo nosso comportamento, reforçando o papel da capacidade, oportunidade e do envolvimento que, necessariamente, decorre também da Segurança Psicológica dos contextos (de trabalho), para terminar com a importância da Comunidade (equilibrando a hiperespecialização e dispersão de actos) e da Confiança, fundamental a todas as equipas/processos.

Espero que tenham sido contributos interessantes e espero, também, pelas III Jornadas, enquanto marco do caminho de afirmação do Serviço de Psicologia na resposta integrada de promoção de saúde e bem-estar daquela grande comunidade.

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Cumprir a Convenção sobre os Direitos da Criança – Um desígnio e Quatro propostas (Ao redor…; 21.11.2023)

Ontem levei o meu filho mais novo à Creche de pijama. Comemorou, com as amigas e os amigos, mais um Dia Nacional do Pijama e, em simultâneo, mais um aniversário da adopção pela Assembleia Geral das Nações Unidas da Declaração dos Direitos da Criança (1959) e da Convenção sobre os Direitos da Criança (1989).

A convenção, quase universalmente ratificada, assenta em quatro pilares fundamentais que incluem: a não discriminação e a aplicação dos direitos a todas as crianças; o princípio do seu superior interesse nas decisões que lhes digam respeito; a sua participação e consideração das suas posições e opiniões; e a garantia de sobrevivência, desenvolvimento integral e da promoção da sua qualidade de vida e bem-estar.

Mesmo considerando as enormes melhorias, Mundo fora, nestes quatro pilares desde 1959 ou de 1989, pensemos por um momento nos últimos anos. Este meu filho nasceu em Junho de 2021 e, em menos de 30 meses de vida, viveu parte da pandemia por COVID-19 e um conjunto de outras crises e catástrofes em lugares diversos do Mundo, a continuação de um conjunto de Guerras, incluindo civis, e o início da Guerra desencadeada pela Federação Russa na Ucrânia. Viveu o hype da inteligência artificial (generativa), as primeiras mortes em contexto de guerra por armas autónomas, o início das viagens turísticas espaciais e, mais recentemente, a (a cada dia mais) trágica situação na Faixa de Gaza, os tenebrosos ataques de 7 de Outubro e a escalada assombrosa da Guerra Israel-Hamas, com bombardeamento e invasão pelo exército Israelita da Faixa de Gaza e incursões na Cisjordânia. Pergunto, portanto, estarão, Mundo fora, melhor as crianças nestes quatro pilares desde 2021?

Mesmo com esta vertigem, com esta ambiguidade, com esta incerteza, penso em pessoas que responderiam, taxativamente, sim e noutras que responderiam não. Penso, também, em pessoas que responderiam sim e não, mas não taxativamente. Mais, penso em pessoas que teriam dificuldade em responder, reconhecendo as profundas diferenças entre diferentes lugares no Mundo e Portugal, fugindo a uma generalização estatística que pode suportar a resposta à pergunta, mas desafiar a universalidade dos direitos e ser profundamente injusta para muitas crianças, Mundo fora. Que pode ser muito injusta para muitas crianças, até, em qualquer país, independentemente do seu nível de desenvolvimento. Que pode ser muito injusta para muitas, em Portugal.

Em Portugal, apesar de alguns indicadores terem melhorado nos últimos anos e de termos hoje compromissos políticos significativos, persistem níveis de pobreza e exclusão, na primeira infância e juventude, que condicionam decisivamente o cumprimento da Convenção, os direitos e a possibilidade de desenvolvimento integral, qualidade de vida e bem-estar de muitas crianças e jovens. Que o impossibilitam no presente e que o obstaculizam para o futuro, gerando injustas e continuadas iniquidades e perigando o desenvolvimento futuro do país. Também por isso, cumprir a Convenção deve ser nosso desígnio. Também por isso, humilde mas comprometidamente, deixo quatro propostas para aprofundarmos e sermos mais efectivos nesse caminho:

  1. Uma estratégia, ancorada em políticas de promoção da natalidade e sociais, que aponte aos primeiros 1000 dias de vida de um bebé, considerando os 9 meses de gestação e os dois primeiros anos de vida extrauterina. Considerando os impactos negativos no seu desenvolvimento integral[1], incluindo mesmo nas suas estruturas cerebrais e neuronais, da exposição a situações de stresse significativo (particularmente presente em famílias expostas a situação de pobreza, exclusão ou marginalização), devemos desenvolver medidas que permitam eficazmente a redução da exposição a estas condições no período da gravidez e primeiros dois anos de vida do bebé, acompanhadas de suporte emocional e de desenvolvimento de competências parentais, disponíveis para todas as famílias;
  1. A revitalização do modelo de intervenção precoce na infância e do conjunto de intervenções educativas, sociais e de saúde que permitam responder, precocemente e de forma contingente, a primeiras necessidades de bebés, crianças e famílias, activando e promovendo competências das e dos cuidadores e comunidade para a identificação e resposta a crianças, nos seus direitos. Revitalização de um modelo, referência internacional na área, fortemente dependente de um compromisso para maior afectação de recursos e para a garantia de condições de continuidade, enquadramento e desenvolvimento sócio-profissional das equipas técnicas e respectivas coordenações;
  1. Ao objectivo de generalizarmos a possibilidade de acesso a contextos educativos de bebés e crianças dos 0 aos 3 anos, juntarmos o importante objectivo de garantirmos a qualidade dos ambientes educativos, ainda pouco considerada, contribuindo para o desenvolvimento integral de bebés e crianças. Neste âmbito, creio relevante acompanharmos o importantíssimo trabalho que o laboratório colaborativo ProChild, presidido pela Isabel Soares, recentemente agraciado pela Assembleia da República com o Prémio Direitos Humanos de 2023 (em conjunto com a P.A.J.E.) e promotor do “Pacto para a Infância”[2], tem desenvolvido e apoiarmos a sua disseminação e generalização;
  1. Sabendo-se hoje o papel que as educadoras e educadores e as professoras e professores, particularmente nos primeiros ciclos de estudo, têm na possibilidade de prevenir o aprofundamento dos desfasamentos educativos de bebés, crianças e jovens provenientes de contextos mais vulneráveis, investir em programas de formação e desenvolvimento profissional da classe docente, fortemente comprometidos com a redução das desigualdades, com a capacidade de responder às situações de maior vulnerabilidade e com a avaliação de impacto. Neste âmbito, creio também relevante conhecermos o trabalho que o Ambition Institute (UK), que tem como Director Associado o Miguel Herdade, tem realizado e a forma como os seus programas contribuem para a diminuição dos desfasamentos nos resultados educativos e no desenvolvimento da crianças e jovens provenientes de contextos mais vulneráveis.

Quatro propostas assentes na ciência e evidência, que melhorariam e tornariam mais efectivas as políticas públicas. Quatro propostas que sedimentariam o desígnio de cumprirmos a Convenção sobre os Direitos das Crianças e minimizar obstáculos e barreiras que se colocam à equidade e ao desenvolvimento futuro de crianças e jovens expostos a contextos de pobreza, exclusão ou marginalização, com foco intergeracional e de investimento para o desenvolvimento económico e coesão social futura do país.

Na verdade, aqui e ali, no Mundo ao redor, considerar “que a criança deve estar plenamente preparada para uma vida independente na sociedade e deve ser educada de acordo com os ideais proclamados na Carta das Nações Unidas, especialmente com espírito de paz, dignidade, tolerância, liberdade, igualdade e solidariedade”, conforme a Convenção define, depende de contribuirmos para a universalização destes direitos, tornando-os mais equitativos no país e entre países. No presente e para o futuro.

 

Tiago Pereira

Cumprir a Convenção sobre os Direitos da Criança – Um desígnio e Quatro propostas

in Sábado (Ao redor…); 21.11.2023

https://www.sabado.pt/opiniao/convidados/tiago-pereira/detalhe/cumprir-a-convencao-sobre-os-direitos-da-crianca—um-designio-e-quatro-propostas

 

[1] https://www.sabado.pt/opiniao/convidados/tiago-pereira/detalhe/1000-dias

[2] https://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=pacto-para-infancia

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LL – Longlife

Tendo eu nascido na primeira metade da década de 80, pertenço a uma geração capaz de descrever, trautear, repetir um conjunto de anúncios de publicidade a marcas e serviços que ouvimos e vimos, alguns ainda a preto e branco, e que pertencem ao nosso imaginário. Lembro, como tantas e tantos outros acredito, o coelhinho de uma marca de pilhas que “durava” sempre mais, em actividade. Vivíamos o tempo de promoção das pilhas longlife, das pilhas LL.

Lembrei-as a propósito da ligação literacia-liderança que a Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde promove por estes dias através do seu “Programa de Liderança” que propõe pensar e responder à pergunta “O que é preciso para ser um jovem líder na saúde?”.

Pergunta desafiante, mas, particularmente, tema muito relevante à formação e ao desenvolvimento, pessoal e profissional, de jovens estudantes e profissionais das mais diversas áreas da saúde. Sobretudo num tempo e num Mundo onde a complexidade dos problemas, exige ampla literacia e capacidade de leitura e mobilização de recursos junto de nós mesmo, de outras pessoas, da sociedade. Num tempo e num Mundo onde a complexidade dos problemas, exige lideranças cada vez mais preparadas, com propósito e com valores.

O programa (que convido a descobrir/participar) é concretizado através de sessões com jovens líderes, de diferentes áreas da saúde, tendo ontem decorrido a sessão dinamizada pelo Sérgio Alves, presidente da ANEP (Associação Nacional de Estudantes de Psicologia), hoje referência junto das e dos estudantes de psicologia em Portugal e um inspirador e muito promissor líder. A convite da Cristina Vaz de Almeida e com o apoio da Vânia Lima (a ambas muito agradeço), coube-me o enquadramento do tema e a apresentação do Sérgio.

Nessa curta intervenção falei de literacia e da sua importância, da liderança e dos caminhos de influência, inspiração e mobilização no sentido de um objectivo comum. Abordei o papel da confiança e da segurança psicológica nesse caminho. Reflecti sobre a importância da comunicação, mas, também, sobre o quão imperativo (ético) é o autocuidado e o desenvolvimento pessoal e profissional. Discuti, finalmente, como cada uma destas iniciativas representa como que “água” que deve encher “barragens”, permanecendo disponível e alimentando-nos, também de energia. E de como temos o dever, a cada dia, de cuidar com justiça do legado que deixamos e, logo, de quem vem depois de nós, contribuindo para que cada uma dessas pessoas encontre a sociedade e as instituições mais e melhor capacitadas do que nós encontramos, conforme eu e nós encontramos face à geração que nos antecedeu.

Longlife à (promoção da) literacia e liderança, com propósito e com valores. Longlife a esta e a estas iniciativas.

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V Encontro DRNorte e “Os Ninguéns”.

 

“Não me sinto responsável por coisa nenhuma”. Esta frase, parte de uma conversa da Sr.ª Procuradora Geral da República com jornalistas foi amplamente abordada e debatida na última quinta-feira, véspera do V Encontro Anual dos Psicólogos do Norte, promovido pela Delegação Regional do Norte da Ordem dos Psicólogos Portugueses, com o apoio da Câmara Municipal de Vila do Conde.

Foi exactamente trazendo esta frase da véspera que comecei a moderação de uma das sessões do encontro, não pela reflexão que possa(mos) fazer da mesma, antes porque a sessão reunia uma psicóloga e dois psicólogos (três colegas a que me junto) exactamente nos antípodas de uma visão de “não se [nos] sentirem[sentirmos] responsáveis por coisa nenhuma”. Muito pelo contrário.

Uma sessão onde o Jorge Gato abordou as questões da “inclusão e da(s) equidade(s)”, a partir da reflexão sobre uma “prática culturalmente competente e afirmativa com pessoas LGBTQ+”, assente numa importantíssima triangulação entre as dimensões do “conhecimento, da técnica/prática e das atitudes e valores das psicólogas e psicólogos”, enquanto elementos estruturantes de uma intervenção psicológica de qualidade junto de populações vulnerabilizadas.

Uma sessão onde a Himali Bachu reflectiu sobre os contributos da psicologia e das psicólogas e psicólogos para uma “visão multicultural para os dias de hoje”, pensando as novas realidades (nomeadamente pelo crescimento das migrações, também em Portugal) e dos novos desafios, de adaptação, por exemplo, dos serviços públicos às mesmas, enquanto contributo fundamental para a adaptação e para a qualidade de vida das populações migrantes.

Uma sessão onde o Jorge Pereira, a partir da sua experiência, discutiu as dimensões da relação entre a deficiência e a sexualidade a partir do contributo da psicologia, desde logo, na promoção da literacia e contributo para a transformação de estereótipos e preconceitos, bem como no trabalho de promoção de comportamentos desde momentos de vida precoces, fundamentais à vivência deste aspecto fulcral do bem-estar ao longo da vida.

Uma sessão, finalmente, em que todas e todos nos referimos a como a psicologia e em como psicólogas e psicólogos podem, a partir dos seus múltiplos contributos e papéis, influenciar positivamente as vidas de pessoas, famílias e comunidades mas, também, contribuir para transformações políticas e socais, fundamentais à possibilidade de saúde, bem-estar e autodeterminação de todas as pessoas.

Um obrigado ao Eduardo Carqueja e, nele, a toda a equipa que organizou e preparou mais um magnifico encontro, marcado pela qualidade científica, claro está, mas, também, pela dimensão humana. Dimensão humana, expressa nos afectos, na forma como o encontro foi enquadrado (incluindo o poderoso “Os Ninguéns” do Eduardo Galeano) e no papel destinado ao desenvolvimento pessoal e profissional que procuramos (e encontramos) na passada sexta-feira. Obrigado. Muito obrigado.

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Somos a Nossa Melhor Ferramenta – Autocuidado na Gestão Pessoal de Carreira

“Somos a Nossa Melhor Ferramenta – Autocuidado na Gestão Pessoal de Carreira“. Foi este o tema da edição de 2023 da “PsiCarreiras on.Summit” (Ordem dos Psicólogos Portugueses) que ontem decorreu.

Somos. Porque cada psicóloga e psicólogo é, naturalmente, uma pessoa. Porque é um/a profissional com intervenção na área da saúde e bem-estar. Uma pessoa e um/a profissional integrada/o numa sociedade vertiginosa e incerta e num contexto, não raras vezes, de desafio que comporta, por vezes, precariedade, não reconhecimento, dilemas frequentes e obstaculiza a missão, propósito e significado. Somos, somos a nossa melhor ferramenta porque somos uma profissão de fortíssimo desafio e responsabilidade onde o autocuidado, também enquanto processo de desenvolvimento pessoal e profissional, é fundamental.

 

Disse-o a abrir a Summit, reforçando o papel que a OPP tem assumido na disponibilização de recursos nesta área, no investimento na formação e apoio ao desenvolvimento profissional contínuo na profissão ou na tentativa de integração destas dimensões na formação inicial e contínua, enquanto elementos centrais da profissão, também por via do Diploma Europeu em Psicologia e do advogar de processos de intervisão e supervisão, entendendo o auto e heterocuidado como imperativo ético.

 

À abertura seguiram-se intervenções/debates tocando, entre outros, temas como o “Autocuidado ao Longo do Ciclo de Desenvolvimento Profissional”, as “Transições (In)Esperadas e seus Desafios”, a conciliação de (diferentes) papéis ou o “Auto e Heterocuidado na Construção de Carreiras Sustentáveis”, a partir dos riscos específicos da profissão e do que nos diz a ciência psicológica sobre o autocuidado. Autocuidado que, como escrevi há meses (“Benefícios e limites do autocuidado” | https://www.linkedin.com/pulse/benefícios-e-limites-do-autocuidado-tiago-pereira/), por ser tão fundamental, não pode ser gerador de “processos de (auto)culpabilização, pela dificuldade de algumas pessoas se mobilizarem ou concretizarem comportamentos e estratégias de autocuidado (…) é colectiva a responsabilidade de não acrescentarmos novos factores de stresse decorrentes da impossibilidade de priorizar e realizar estas acções, a factores de stresse por vezes já significativos.”

 

Agradeço à equipa responsável pelo evento, particularmente à Ana Sofia Nobre, Joana Almeida Monteiro, Mafalda Reis, Rita Tavira Santos, Rodrigo Dumas Diniz e à equipa de comunicação da OPP. Agradeço às e aos oradores: Katia Almeida, Marucia Bardagi, Sofia Andrade, Djamila Correia e Silva, Irina Chaves, Joana Amen, Sara Bahia, Sónia Pinote Bernardes, Filipa Maló Franco, Rita Santos, Tânia Correia, Mafalda Esteves, ao Renato Gomes Carvalho, Ana Nunes da Silva, Sónia P. Gonçalves e ao Nuno Costa. Agradeço a todas e todos quantos participaram.

 

Agradeço porque lhes sou grato na minha actual condição, transitória e finita. Agradeço porque lhes sou grato na minha condição não transitória e não finita, de psicólogo, para a vida. Obrigado.

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Cumprir a Convenção sobre os Direitos da Criança – Um desígnio e Quatro propostas

“Ontem levei o meu filho mais novo à Creche de pijama”. Assim começo referindo-me a anteontem, explicando, depois, que para comemorar “com as amigas e amigos mais um Dia Nacional do Pijama e, em simultâneo, mais um aniversário da (quase universalmente ratificada) Convenção sobre os Direitos da Criança.”

“Cumprir a Convenção sobre os Direitos da Criança – Um desígnio e Quatro propostas”, 70º artigo da rubrica “Ao redor” (Revista Sábado) reflecte sobre o facto de, apesar de alguns indicadores terem melhorado nos últimos anos e de termos hoje compromissos políticos significativos, persistirem em Portugal “níveis de pobreza e exclusão, na primeira infância e juventude, que condicionam decisivamente o cumprimento da Convenção, os direitos e a possibilidade de desenvolvimento integral, qualidade de vida e bem-estar de muitas crianças e jovens.”

Defende, também, que “cumprir a Convenção deve ser nosso desígnio” e apresenta “humilde mas comprometidamente quatro propostas para aprofundarmos e sermos mais efectivos nesse caminho”. A saber:

 

  1. Uma estratégia, ancorada em políticas de promoção da natalidade e sociais, que aponte aos primeiros 1000 dias de vida de um bebé (…) que permita eficazmente a redução da exposição a condições de pobreza e exclusão no período da gravidez e primeiros dois anos de vida do bebé, acompanhadas de suporte emocional e de desenvolvimento de competências parentais, disponíveis para todas as famílias;

2. A revitalização do modelo de intervenção precoce na infância e do conjunto de intervenções educativas, sociais e de saúde que permitam responder, precocemente e de forma contingente, a primeiras necessidades de bebés, crianças e famílias;

 

3. Ao objectivo de generalizarmos a possibilidade de acesso a contextos educativos de bebés e crianças dos 0 aos 3 anos, juntarmos o importante objectivo de garantirmos a qualidade dos ambientes educativos (ver o trabalho do @ProChild, presidido pela @Isabel Soares, recentemente agraciado pela Assembleia da República com o Prémio Direitos Humanos de 2023 (em conjunto com a P.A.J.E.) e promotor do “Pacto para a Infância”);

4. Investir em programas de formação e desenvolvimento profissional da classe docente, fortemente comprometidos com a redução das desigualdades (ver o trabalho do Ambition Institute (UK), que tem como Director Associado o @Miguel Herdade).

 

Quatro propostas assentes na ciência e evidência, que melhorariam e tornariam mais efectivas as políticas públicas. Quatro propostas que sedimentariam o desígnio de cumprirmos a Convenção sobre os Direitos das Crianças e minimizar obstáculos e barreiras que se colocam à equidade e ao desenvolvimento futuro de crianças e jovens expostos a contextos de pobreza, exclusão ou marginalização, com foco intergeracional e de investimento para o desenvolvimento económico e coesão social futura do país.

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Comportamento Democracia Ordem dos Psicólogos Portugueses Psicologia Tomada de Decisão

ADSE

Se fora viva, Nadine Gordimer completaria hoje 100 anos. Não os completa porque perdemo-la em 2014 com 90 anos, depois de uma vida intensa, também centrada nos direitos humanos e na luta contra o apartheid. Depois de uma obra intensa, também, que lhe valeu, entre outros prémios, o Nobel da Literatura em 1991. Jamais esquecerei o “Um Mundo de Estranhos”, livro que escreveu ainda cedo na sua vida e que trata com um misto de mestria, simplicidade e genuinidade a diversidade e, particularmente, uma amizade improvável, inaceitável mesmo, para tantas pessoas.

Já Charles Lindblom faleceu, exactamente, com 100 anos. Menos mediático que Nadine Gordimer, também escreveu bastante, embora textos e livros técnicos, sendo essencialmente conhecido pela descrição que fez do “incrementalismo”. Método que remete para a realização de mudanças e para a incorporação de inovação (por ex. na sociedade e nas políticas e administração pública) através de pequenas alterações / incrementos evolutivos, prescindindo da necessidade de permanentes revoluções. Lindblom, apesar de bastante criticado pelo conservadorismo intuído destas posições, defendia-o, particularmente, em contextos de forte divisão política, face a problemas complexos e em períodos de incerteza. Se mais exemplos precisássemos de que o vivemos, Milei acaba de se tornar presidente eleito da Argentina.

Penso no trabalho da Nadine e do Lindblom a propósito de, finalmente, se ter concluído um processo/trabalho de anos com potencial transformador. Falo dos desenvolvimentos e investimento tecnológico realizado pela Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) que, num projecto conjunto com a ADSE, IP, permitem, hoje, a validação automática e “on time” da inscrição na OPP da/o profissional que prestou o serviço, possibilitando, sem “esforço” a verificação automática da sua condição para a realização do acto, validação do reembolso e, ainda e para futuro (que espero curto), com a informação de ser (ou não) especialista com possibilidade de aceder a um reembolso diferenciado porque valorizado, conforme já acontece, hoje, com uma das maiores seguradoras de saúde e algo que  a OPP tem sempre advogado. 

Uma pequena grande mudança, única no contexto da ADSE, que impacta, melhorando, a administração pública. Que facilita e acelera processos de reembolso, simplificando, digitalizando, desburocratizando. Que obstaculiza más práticas, previne potenciais erros e fraudes e, essencialmente, garante segurança e saúde pública.

Compete-nos tornar menos “estranho” o Mundo (para algumas pessoas ainda estranho) dos profissionais de saúde e da intervenção psicológica, também pela garantia de acesso, contingente e o mais equitativo possível, a cuidados de saúde nesta área, praticados por profissionais qualificados, capazes de prestar serviços e garantir respostas competentes e eficazes. Incremental ou não, este é também um contributo para isso e para a afirmação do acto das psicólogas e psicólogos, do seu valor e da sua relevância.

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A dúvida e o regresso aos outros (Ao redor…; 08.11.2023)

O Mundo em que vivemos é desafiador e complexo. Sabemo-lo, muitas vezes de forma desconcertante, por vezes de forma irónica, outras vezes, infelizmente, com muito sofrimento. Cada um de nós tem exemplos disso e não faltam histórias que o tratam, na nossa memória colectiva, umas reais, outras ficcionadas. Pensemos, por exemplo, no Titanic e na forma como a “White Star Line”, sua promotora, o promovia com uma narrativa assente numa suposta “inafundabilidade”, questionada pelas consequências sobejamente conhecidas do embate num iceberg meros quatro dias após o início da sua primeira viagem. Pensemos, por exemplo, no conto do “Patinho Feio” de Hans Christian Andersen e de como a narrativa evolui da ostracização e rejeição de um suposto “patinho” para o mais deslumbrante cisne do lago.

Sendo o Mundo em que vivemos desafiador e complexo, a dúvida é hoje, para muitas pessoas e usando das metáforas anteriores, um “patinho feio” e a ausência de dúvida, responsável por embates que as e nos afundam. Há diversas razões que o justificam. Da polarização, causa e consequência, também, da maior ausência de dúvida, à sobrecarga de informação e facilidade e rapidez de acesso à mesma, que estimula uma maior passividade na aceitação da informação. Passando pela forma como as redes sociais e os seus algoritmos tendem para a amplificação das crenças e opiniões próximas de quem procura informação ou pelo efeito descrito como Dunnig-Kruger, relacionado com a forma como os conhecimentos limitados das pessoas sobre determinados fenómenos podem conduzir, paradoxalmente, a crenças fortes e a uma confiança injustificada da pessoa nas suas próprias capacidades de compreensão desse fenómeno. Como um menor conhecimento sobre algo pode, ao invés de suscitar dúvida e estimular a curiosidade e procura de mais informação, gerar certezas e encerramento nas mesmas.

Estes factores contextuais potenciam-se e potenciam estas características profundamente humanas, às quais acrescem, ainda, a nossa necessidade de pertença e enquadramento num grupo social e um conjunto de heurísticas (por exemplo de disponibilidade, que nos conduz a considerar como mais provável um evento que facilmente podemos evocar face a outros não tão automáticos) e de vieses (por exemplo de confirmação e ancoragem, respectivamente a forma como procuramos ou damos mais atenção a informação que confirme as nossas crenças e opiniões e como confiamos na primeira informação, informação âncora, que recebemos sobre um determinado fenómeno) que, ao simplificarem e automatizarem processos cognitivos e mentais geram, muitas vezes, erros sistemáticos no pensamento e na tomada de decisão.

Os nossos abundantes “nunca” e “sempre” navegam os ventos deste Mundo desafiador e complexo em que vivemos onde a dúvida parece não ter lugar. Rigidificam e limitam opções, diálogos e processos de adaptação no dia-a-dia e ao longo da vida. Afastam-nos de pessoas e de opiniões, polarizando-nos. Promovem a desconfiança que, essa sim e ao contrário da dúvida, floresce com consequências severas na diminuição da coesão social e da qualidade das instituições e da democracia.

É neste quadro que cultivar a dúvida, a possibilidade de não estarmos (sempre) certos, é um contributo fundamental para respondermos aos desafios contextuais que se nos colocam. Devemos fazê-lo ao longo da vida e conjugá-lo com o desenvolvimento da capacidade de escuta, de relação e de competências socio-emocionais, que garantam níveis de auto-estima e auto-confiança. Devemos fazê-lo com a promoção do interesse, da curiosidade e de literacia científica e capacidade de pesquisa, organização e interpretação da informação e, ainda, com a promoção de contextos que promovam a segurança psicológica e uma comunicação aberta. Fazermo-lo pode, mesmo, ser um antídoto para interpretações, decisões e comportamentos automáticos e precipitados associados a processos como os de desinformação, de oposição e destruição e do extremar de posições. Pode, ainda e nesse sentido, ser fundamental a um questionamento essencial ao progresso social e científico, ser gerador de espaço de construção e co-criação, de um espaço de entendimento entre polos e posições diversas, permitindo mais crítica construtiva, colaboração e potenciado melhores e mais participadas respostas aos problemas e desafios mais significativos.

Deixo um exemplo, também porque curioso, o “RTO – Return to Office” [Regresso ao Escritório]. Com o irromper do teletrabalho, necessariamente exponenciado pela pandemia que recentemente enfrentamos, muitas pessoas, incluindo “especialistas”, afirmaram que as transformações no mercado de trabalho e no modo de trabalhar seriam, sem dúvida, permanentes. Sabemos que, no geral, os seres humanos não são bons a prever o futuro mas, ainda que o saibamos, não deixa de ser assinalável que em 2023 as maiores empresas, incluindo consultoras ou tecnológicas como a “Zoom” (cujo negócio principal é exactamente a disponibilização de ferramentas que permitem e facilitam o trabalho à distância), estejam a solicitar aos e às trabalhadoras que, com algumas condições, regressem ao trabalho presencial, ao menos em parte do tempo de trabalho, considerando, entre outros, os impactos que o teletrabalho em exclusivo demonstra ter na vinculação, qualidade de trabalho e produtividade de equipas. Que este “RTO”, possibilitado pela dúvida, informado pela ciência e respeitando a diversidade de trabalhadoras e trabalhadores, seja estímulo para um outro “RTO”, o “Return to Others” [Regresso às Outras e Outros].

Na verdade, aqui e ali, no Mundo ao redor, a dúvida, ao invés de uma demonstração de fraqueza ou de vulnerabilidade, é virtuosa. Assume um papel muito relevante, protegendo-nos de heurísticas, vieses e de um contexto que nos rodeia que periga a sua utilização e utilidade, cristalizando-nos e polarizando-nos. A dúvida, particularmente se assente em princípios de confiança e não de desconfiança, é elemento central de construção de soluções em áreas muito diversas, incluindo o respeito e a paz, de aproximação de comunidades e de progresso da sociedade, dependendo isso de que, dia-a-dia, nos nossos diferentes papéis, pratiquemos e utilizemos pensamento crítico e a dúvida construtiva… Dúvida que nos permite melhores tomadas de decisão, sobre as quais versará o próximo texto deste “Ao redor”.

 

Tiago Pereira

A dúvida e o regresso aos outros

in Sábado (Ao redor…); 08.11.2023

https://www.sabado.pt/opiniao/convidados/tiago-pereira/detalhe/a-duvida-e-o-regresso-aos-outros

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Comportamento Desafios da Psicologia Pobreza e Desigualdade Política Psicologia

Mental Talks, Lo(u)cotorio

Contribuir para uma comunidade mais informada em saúde mental e participativa no combate ao estigma associado à doença mental. É esta a relevante visão (missão, acrescento) do “Lo(u)cotório”, projecto de literacia em saúde mental, promovido pela ARTAC na Região Autónoma dos Açores.

Do conjunto das iniciativas previstas fazem parte três debates televisivos designados de Mental Talks, incidindo, exactamente, sobre a promoção da informação e literacia, combate ao estigma e de identificação de factores protectores, de risco e de estratégias de actuação (precoce e contingente) individuais, comunitárias e societais no âmbito da promoção e protecção da saúde mental e prevenção da doença mental.

Sob uma activa moderação do jornalista Rúben Medeiros, gravei ontem o primeiro destes três debates com o Daniel Rijo e com a Marta Bulhões. Neste “(Des)equilíbrios em Saúde Mental”, exploramos e reflectimos, com o enquadramento específico da realidade específica da RAAçores, os determinantes sociais de saúde/doença mental, qual a sua importância, como a literacia e o estigma impactam e por vezes determinam a saúde mental e a relevância das emoções, comportamentos e estilos e hábitos de vida na saúde mental. Apresentamos e discutimos, ainda, projectos e estratégias concretas e como podem as pessoas, as comunidades, as organizações da sociedade civil, os serviços públicos e as políticas públicas contribuir para mais oportunidades de saúde, bem-estar e autodeterminação para todas as pessoas.

Fizemo-lo num debate “com tempo”, também motivado por uma interessante reportagem inicial onde participa o Nuno Pavão Nunes. Num primeiro de três debates, dizia, os seguintes dedicados a “(Des)construir a identificação e o tratamento da doença mental” e a “(Des)stressar e (con)viver com a ansiedade” e num contexto de um projecto cientificamente sólido – conta com a coordenação científica da Célia Maria Barreto Carvalho – e superiormente coordenado e produzido pela Sara Ponte e pelo Filipe Tavares, respectivamente, e em boa hora apoiado por um conjunto de entidades diversas, que inclui o @Governo Regional dos Açores, a RTP Açores, a Fundação Gaspar Frutuoso e a FLAD – Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento. Um projecto com uma imagem forte, com qualidade, pertinência, seriedade e, creio, impacto. Um projecto a seguir, a continuar e com potencial de inspiração para a acção de outras pessoas e entidades, de outros territórios, nesta importante área.

Aqui e a vós voltarei quando, muito em breve, a RTP Açores transmitir o debate. Hoje agradeço à equipa o empenho, o convite que me fizeram e o facto de sentirem como potencialmente útil o meu contributo. Oxalá tenha correspondido.