“Vivemos um momento do Mundo que nos recorda a cada dia, não necessariamente pelos melhores motivos, que a história se pode repetir. Ou, pelo menos, conforme a frase que se atribui a Mark Twain, que a história, não se repetindo, rima. (…) Pensemos em George Floyd e Rodney King. Ambos cidadãos norte americanos, brutalmente espancados por polícias num momento banal das suas vidas, situações que desencadearam o “Black Lives Matter”, os “Distúrbios de Los Angeles de 1992” e a célebre frase do advogado de King: “Finalmente conseguimos filmar o Monstro do Lago Ness.”
“Sozinho na Organização: Segurança Psicológica, bem-estar e potencial humano”, 71º artigo da rubrica “Ao redor” (Revista Sábado; link abaixo) não trata o racismo, a misoginia ou o fundamentalismo religioso, antes outro “monstro”. “Por vezes invisível, mas perturbador, impactante, bloqueador, que rima entre tempos e equipas e organizações. A insegurança psicológica.”
É que “falamos em baixos salários e precariedade, e ainda bem. Falamos em desmotivação das equipas, e ainda bem. Em dificuldades de conciliação da vida pessoal, familiar e profissional, e ainda bem. Falamos de cansaço, de burnout, e ainda bem. De modelos de trabalho, e ainda bem. Não falamos, geralmente, da segurança psicológica enquanto elemento fundamental ao bem-estar no contexto de uma equipa ou organização, ao desenvolvimento, ao potencial humano e à produtividade.”
No artigo abordo, com detalhe, a importância da segurança psicológica. Como é “fundamental à boa comunicação, importantíssima em contextos de e com diversidade. À coesão, fulcral à flexibilidade, honestidade e confiança, tão relevantes, por exemplo, aos modelos de trabalho híbrido e personalizados a cada trabalhador/a. À possibilidade de expressão emocional, de diferentes emoções, de podermos estar sem estar sempre bem, estar com as nossas vulnerabilidades, sentindo-nos apoiados, suportados e não ameaçados e julgados. Como é fundamental ao trabalho em equipa, à aprendizagem e desenvolvimento profissional de trabalhadoras/es e equipas. À boa tomada de decisão, à exploração de cenários, soluções e ao pensamento crítico. À investigação. À criatividade.”
Também, como, “ao contrário, a ausência de segurança psicológica obstaculiza o envolvimento, a relação, o auto e heterocuidado. Como promove a desresponsabilização individual e colectiva e a desconfiança.” Ainda, como a formação de lideranças lhe deve, necessariamente, atender, estimulando, entre outros, a “criação de climas organizacionais inclusivos e positivos”.
Que Dezembro, momento de encontro e reencontro para muitas pessoas, de segurança, incluindo psicológica, “nos inspire a um maior compromisso com a promoção da segurança psicológica nos diversos contextos, equipas e organizações. Que nos inspire a rimar a época ao longo do ano, projectando o conforto, afecto e carinho. Possibilitando mais bem-estar, florescimento e maior potencial de cada pessoa se cumprir com o apoio e suporte de todos nós.”