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Saúde Mental no Trabalho

“Não pode haver assédio no local de trabalho e ioga à hora de almoço… E quem lidera não pode entender que, por haver ioga, os problemas estão todos resolvidos.”

Foi esta a frase que a CNN Portugal destacou da conversa que tive com a Diana Bouça-Nova no Domingo que aqui partilho.

Conversa a propósito do Dia Mundial da Saúde Mental, da Saúde Mental no trabalho (tema em 2024) e que tocou:

a) A preocupação crescente de empresas e organizações com este tema, mas a necessidade de se continuar e aprofundar este caminho;

b) O papel da World Health Organization na promoção de literacia da população e no reforço da importância, também, dos factores psicológicos e sociais na saúde mental;

c) O destacar que o tema do dia em 2024 assinale a importância dos locais de trabalho, quer no quanto podem ser um factor protector, como um factor de risco da saúde mental das/os trabalhadoras/es;

d) Os custos, também económicos, que acarretam às empresas e organizações o absentismo e presentismo relacionado com situações de stresse e problemas de saúde mental (https://www.ordemdospsicologos.pt/ficheiros/documentos/opp_relatorio_prosperidadeesustentabilidadedasorganizacoes2023.pdf);

e) Como até 30% destes custos podem ser preveníveis com intervenções de avaliação e prevenção de riscos psicossociais e o quanto poderia ser importante a concretização das recomendações da Direção-Geral da Saúde e de grupos de peritos ao Governo visando alterações legislativas para a criação da figura da/o “Psicóloga/o do Trabalho” e sua inclusão nas equipas de saúde ocupacional;

f) O quão relevante poderá ser generalizar, por via dessa alteração, padrões e actividades mínimas que permitam avaliar e gerir riscos psicossociais com equidade (para todas e todos os trabalhadores e não apenas em empresas / organizações mais sensíveis a estes temas) e, dessa forma, estabelecerem-se planos de acções visando os factores que concorrem para a emergência dos problemas (exigências cognitivas e/ou emocionais; problemas de conciliação; problemas de confiança, relação e comunicação; horários de trabalho; …) e não apenas actuar sobre as consequências dos mesmos;

g) Como, além do rendimento disponível, naturalmente muito importante, um foco na promoção da saúde e bem-estar no trabalho em Portugal pode ser, também, factor de atração e vínculo ao país, particularmente da população mais jovem;

h) Com a intervenção que destaco no início, salientar a necessidade das respostas de promoção da saúde mental e bem-estar no trabalho serem integradas, alinhadas, priorizadas e generalizadas em toda a organização e que “nem tudo serve”, reforçando que existe ciência e evidência científica e que existem profissionais preparados para com eficácia apoiar organizações e empresas neste objectivo.

Grosso modo, assim foi a conversa mas convido-vos a ver…A ver e a comentar, se desejarem. Até porque, como a Diana Bouça-Nova diz no final, também eu gostava que continuássemos esta conversa. Esta importante conversa.

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Um tema em que as bases do Partido Socialista (PS) e a Confederação do Turismo de Portugal (CTP) parecem concordar com a reflexão do Ministério Público? As mulheres e a sua participação

“Comecemos hoje com um pequeno quiz”. Assim começa o artigo perguntando o que um conjunto de 21 nomes tem que ver com um outro conjunto de 21 nomes. “…Corresponderem, grosso modo, a pessoas mais ou menos com a mesma idade e a mesma pertença cultural? Também estariam correctas estas respostas, mas a resposta que procurava, para um quiz por sinal fácil, era serem todos nomes de homens”, escrevo.

“Um tema em que as bases do Partido Socialista (PS) e a Confederação do Turismo de Portugal (CTP) parecem concordar com a reflexão do Ministério Público? As mulheres e a sua participação”, 92º artigo da rubrica “Ao redor” (Sábado) parte da coincidência temporal entre a realização da VII Cimeira do Turismo Português, organizada pela CTP e que teve 21 oradores (todos homens) e as 19 eleições federativas do PS cujos eleitos se juntam aos 2 regionais perfazendo 21 líderes (todos homens). Esse dia 27.09.24 foi dia de um “debate construtivo, certamente, mas, digamos, pouco diverso em termos de género, idade ou pertença cultural, mesmo reunindo, certamente, importantíssimas personalidades políticas e empresariais”, conforme foi apresentado o evento da CTP. Foi dia de um “processo democrático, certamente também, construtivo, mas, digamos, pouco diverso em género, idade ou pertença cultural, mesmo reunindo, também certamente, importantíssimas personalidades distritais e regionais” do PS.

“É por isto que, saudando algum caminho, mesmo que com os retrocessos dos últimos anos, no sentido da maior representatividade política em determinadas estruturas, o “sentido de justiça, de esperança e (particularmente) de ambição” que o PS e, felizmente outros partidos, preconizam tem de resultar em mais que listas que se aproximam da paridade por imposição das estruturas nacionais dos partidos e/ou regras externamente definidas, por vezes por oposição às estruturas regionais onde as lideranças permanecem longe da paridade e, ainda mais, da representatividade em termos de idade e pertença cultural. Aumentar a diversidade nas lideranças e, particularmente, nas lideranças políticas de proximidade, é urgente e fundamental à criação de contextos mais seguros e inclusivos e a processos de mudança “de baixo para cima”, logo mais naturais, de diversificação e representatividade das estruturas, algo fundamental para complementar o necessário impulso “de cima para baixo”, menos natural, que procura, apesar de tudo, contribuir para a correção das iniquidades e garantia de oportunidades.”

“…necessitamos da diversidade em posições de visibilidade e liderança. Precisamos de mais mulheres, desde logo, mas também de mais jovens e de pessoas com diferentes pertenças culturais e experiências (…) Penso-o e, certamente com muitas falhas, tento fazer algo de consequente. Sugiro que todas e todos façamos esse exercício, à nossa forma, nos nossos contextos, nas nossas escolhas no dia-a-dia e para o futuro. (…) Todas e todos temos de fazer muito mais. Fazer a nossa parte.”

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Ao redor... (Revista Sábado) Comportamento Desafios da Psicologia Educação Política Psicologia

Um ditado popular a propósito das práticas agressivas e violência em contexto escolar (Sábado; Ao redor…; 24.09.2024)

Como muitos de nós cresci a ouvir um conjunto de ditados populares que, invariavelmente, tendiam para uma aproximação a complacência e/ou justificação de situações diversas e múltiplas de violência. “Entre marido e não se mete a colher” é disso um exemplo paradigmático. Quero, porém, e numa perspectiva de reversibilidade, usar neste texto de um outro ditado popular – “não deixes para amanhã o que podes fazer hoje” – para destacar como, ao contrário, é fundamental adoptar-se uma postura individual e colectiva de não aceitação, justificação e de não complacência com as diversas práticas agressivas e formas de violência.

Há hoje razões significativas para o termos presente. Razões que vão além de casos naturalmente muito relevantes pelo seu impacto e pela dimensão de sobressalto e de alarme social que comportam, ainda que excepcionais, como foi o recente caso na Escola Básica da Azambuja. Razões que incluem, desde logo, o que António Guterres sublinhou no passado Sábado, quando assinalava o Dia Internacional da Paz, num ano e momento com a maior incidência de conflitos armados activos no Mundo desde a II Guerra Mundial. Disse Guterres que precisamos de uma acção conjunta de promoção da paz e de prevenção da violência, em todas as suas formas.

Razões que incluem, também, os fortes desafios que crianças e, particularmente, jovens enfrentam hoje e que condicionam significativamente a sua saúde, particularmente a saúde mental, e bem-estar. Sobre isso aqui escrevi, por exemplo, em Novembro de 2023 num artigo intitulado “Cumprir a Convenção sobre os Direitos da Criança – Um desígnio e Quatro propostas”, destacando a importância da resposta precoce a dificuldades e necessidades, nomeadamente com uma “estratégia ancorada em políticas de promoção da natalidade e sociais, que aponte aos primeiros 1000 dias de vida de um bebé”, “a revitalização do modelo de intervenção precoce na infância e do conjunto de intervenções educativas, sociais e de saúde”, a generalização da “possibilidade de acesso a contextos educativos de bebés e crianças dos 0 aos 3 anos” com a “garantia da qualidade dos ambientes educativos” e o investimento “em programas de formação e desenvolvimento e das condições de exercício profissional de pessoal docente, não docente e de técnicas/os especializadas/os, incluindo psicólogas e psicólogos, fortemente comprometidos com a redução das desigualdades, com a capacidade de responder às situações de maior vulnerabilidade e com a avaliação de impacto”. Sobre isso também aqui havia escrito em Setembro de 2022 num artigo intitulado “(Rosa dos) Ventos da saúde mental da população jovem”, onde procurei reflectir sobre o impacto das “notas” e da centralização nos resultados no processo de desenvolvimento do conjunto mais amplo de competências, incluindo sócio-emocionais e relacionais, e de promoção do bem-estar e da saúde mental. Isto a par da pressão, que resulta em parte das redes sociais, para a necessidade de “reconhecimento no espaço virtual”, de alguma ausência de suporte que advém da inacessibilidade de recursos de apoio ou da sua inconstância porque muitas vezes resultam de projectos ou contratações não permanentes que implicam alterações / interrupções frequentes e do crescimento da instabilidade e imprevisibilidade face ao futuro que, afectando todas as pessoas, impacta desproporcionalmente a população mais jovem. Precisamos, portanto, de uma acção conjunta de promoção da saúde mental e do bem-estar e de uma atitude de prevenção e resposta aos problemas contingente e precoce, empoderada e eficaz.

Razões, finalmente, que decorrem do ambiente social e político que vivemos hoje. Um espaço público onde em cerca de 20 anos aumentaram em 100% as notícias dos órgãos de comunicação social cuja mensagem base é o “ódio” e em 150% as em que é o “medo”. Em que pessoas e grupos constroem, por vezes artificialmente, conflito não construtivo porque prosperam, proliferam e lideram nesse âmbito, autopromovendo-se ou promovendo as e os do seu grupo, sem qualquer consideração dos impactos a médio e longo prazo dessa atitude nos indivíduos e na sociedade. Geram e gerem desconfiança que gera mais desconfiança, conflito não construtivo que gera mais conflito não construtivo validando, explicita ou implicitamente, os receios das outras pessoas, diversas de nós, o ódio, o ressentimento e, por vezes, até comportamentos agressivos, criando na sociedade espaço para atitudes de complacência com diferentes práticas agressivas e violentas. Precisamos de uma acção conjunta de promoção da resolução construtiva de conflitos e de prevenir a complacência com atitudes e comportamentos de discriminação, ódio e de não cumprimento dos Direitos Humanos.

Ora, diz-se, sabe-se, que a Escola não é uma ilha e, logo, não é imune a este conjunto de fenómenos. Debate-se, necessariamente, com desafios ao nível dos seus recursos humanos, mas também com outros que resultam dos importantes objectivos da inclusão de todas as crianças e jovens, do aumento da escolaridade obrigatória, da escola de qualidade a “tempo inteiro” ou de fenómenos como as migrações, a desigualdade social ou a transição digital e a utilização de novas tecnologias. É com todo este enquadramento que devemos pensar o aumento reportado dos fenómenos violentos em contexto escolar (por exemplo da Escola Segura) e olhando a que:

  1. A violência em contexto escolar não é um problema apenas do presente (embora, enquanto seres humanos, tendamos o colocar o foco no presente e nas questões mais negativas), sendo as formas de violência historicamente presentes no contexto das Escolas. Apesar deste cenário é fundamental que sublinhemos, a cada momento, o valor da não inevitabilidade das mesmas;
  2. É fulcral alterarmos a forma como a sociedade olha e pensa a Escola e valoriza, além da promoção do conhecimento, aprendizagem e resultados escolares (naturalmente muito importantes), os seus contributos para preparar crianças e jovens para a sua autorregulação comportamental e emocional, para a resolução de problemas e de conflitos, para a abertura ao outro e para a empatia;
  3. Tendendo à prevenção das práticas agressivas, a importância da Escola contribuir para a promoção da possibilidade de ocupação com segurança e com propósito de tempos livres;
  4. É fundamental que grupos de trabalho e outras estruturas considerem e tenham capacidade operativa para imprimir uma dinâmica de consequência sobre as medidas propostas, prevenindo riscos de descrédito, descrença e de utilização destes mecanismos como justificativos de eventuais inações.

Na verdade, aqui e ali, no Mundo ao redor, é fundamental promovermos uma postura individual e colectiva de não aceitação e de não complacência para com qualquer fenómeno de violência e, logo, para com as práticas agressivas e a violência em contexto escolar. Uma acção individual e colectiva mais ampla de promoção da paz e de prevenção da violência, em todas as suas formas. Não deixemos para amanhã o que podemos fazer hoje, com evidente benefício para alunas e alunos, profissionais, comunidade educativa e sociedade. Hoje. Para o futuro.

 

Tiago Pereira

Um ditado popular a propósito das práticas agressivas e violência em contexto escolar

in Sábado (Ao redor…); 24.09.2024

https://www.sabado.pt/opiniao/convidados/tiago-pereira/detalhe/um-ditado-popular-a-proposito-das-praticas-agressivas-e-violencia–em-contexto-escolar

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Comportamento Futuro da Psicologia Ordem dos Psicólogos Portugueses Política Psicologia

Deve a psicologia influenciar as pessoas a partir de valores pró-sociais? Reflexões a propósito da Ética Aplicada à Psicologia

Estamos no início da semana onde, 5ª feira (10.10), se comemora o Dia Mundial da Saúde Mental. Felizmente, nos últimos anos e num processo crescente desde antes da pandemia (acelerado nesse período), escrevemos, conversamos, partilhamos e educamos muito mais sobre saúde mental todos os dias do ano. Como em tudo, esse facto, não tendo apenas aspectos positivos, é algo muito importante e relevante e tem um forte contributo da ciência psicológica e das psicólogas e psicólogos que para ele contribuem com o seu trabalho e com a sua participação.

Outra, creio, vem mais paulatinamente a caminho. Também muito importante e relevante e com um forte contributo da ciência psicológica e das psicólogas e psicólogos, refere-se à forma como se escreve(rá), conversa(rá), partilha(rá) e educa(rá) sobre os processos de tomada de decisão e o conjunto de factores pessoais, interpessoais, sociais e contextuais que apoiam a sua compreensão. E como, paralelamente, podemos crescer em quantidade, qualidade e impacto os contributos das ciências comportamentais – particularmente da psicologia – para o desenho, implementação e avaliação de políticas públicas.

Ambas as alterações carecem de uma ciência psicológica sólida e confiável e de uma profissão de psicóloga/o com um exercício claramente assente em padrões éticos e deontológicos co-construidos, partilhados e consequentes.

Também por isso, em boa hora, a Ordem dos Psicólogos Portugueses viu finalmente consagrada a sua representação no Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida onde é superiormente representada pelo Miguel Ricou. Ele e a presidente do CNECV (Maria do Céu Patrão Neves ) editaram o “Ética Aplicada – Psicologia” e, simpaticamente, convidaram-me a escrever um capítulo: “A psicologia nos processos de tomada de decisão: das razões e das emoções” (sobre isso aqui escrevi).

Ora, amanhã (na FPCE da Universidade do Porto), estarei numa conversa/apresentação do livro com o Miguel Ricou e o Luís Fernandes com o mote: “Deve a psicologia influenciar as pessoas a partir de valores pró-sociais? Reflexões a propósito da Ética Aplicada à Psicologia”. Tenho viés porque admiro-os muito mas tenho cá para mim que vai ser estimulante. Junta(m)-se a nós?

Ps. Hoje passa um ano sobre os hediondos acontecimentos resultantes da invasão por combatentes do Hamas de Israel. Faltam-me palavras para os descrever. Como me faltam para descrever tudo quanto nestes 365 dias, incluindo os graves crimes cometidos pelo exército de uma Democracia/Estado de Direito, aconteceu em sua consequência e/ou por eles justificado. Proponho, hoje, um pequeno texto que escrevi sob forma de pequena e singela de reflexão e proposta acção. Chamei-lhe “Reconhecer”.

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Congresso Democracia Desafios da Psicologia Futuro da Psicologia Ordem dos Psicólogos Portugueses Pobreza e Desigualdade Política Psicologia

Ainda o 6º Congresso OPP/XIII FIAP

O 6º Congresso da OPP/XIII da FIAP terminou há uma semana mas continua aqui. Associo-me a esse belo movimento com uma mensagem última em forma de agradecimento(s):

. Ao Francisco Miranda Rodrigues por ter confiado e me ter convidado a presidir à sua Comissão Organizadora e, nele, a todas as largas dezenas de psicólogas/os com diferentes papéis na Ordem dos Psicólogos Portugueses pelos seus múltiplos contributos para o sucesso do congresso;

. À Clara Silva e nela a toda equipa de trabalhadoras/es da OPP que formam, particularmente quando perante exigências complexas, uma força coesa, empenhada, criativa e segura. São inexcedíveis e são ainda capazes de agregar outras pessoas, no caso do Congresso o grupo de voluntárias/os (a quem também agradeço) que são a base (e que importante é a base) para que tudo funcione;

. À comissão científica excepcionalmente liderada pela Isabel Soares que teve um papel determinante da preparação da recepção das mais de 7 centenas de submissões à organização e moderação das sessões de comunicações, pósteres digitais e espaço jovem (especial agradecimento à Carolina Oliveira, força motriz desta iniciativa). Incrível trabalho.

. Ao João Reis, com quem tive uma impactante (pelo menos para mim) conversa sobre “um só planeta”; à Raquel Corval , Leonor Carvalho, Sandra Araújo e Isabel Soares com quem conversei sobre os primeiros mil dias (e que orgulho serem tema no congresso da OPP); à Ana Rita Gomes, Inês Pimenta de Castro, Andresa Oliveira, João Salgado, Maria João Mosca e Daniel Maia com quem conversei sobre a intervenção psicológica à distância e seus desafios e oportunidades. Neles agradeço às quase 5 centenas de oradoras/es e às/aos restantes quase 2500 participantes;

. Aos patrocinadores e stands que confiaram no congresso para associarem as suas marcas e produtos e que co-construiram a sua experiência, também fora das salas de sessões;

. Às organizações internacionais participantes, nomeadamente do espaço ibero-americano, países língua oficial portuguesa e à EFPA (European Federation of Psychologists’​ Associations), American Psychological Association e COP.

A todas e todos agradeço o sentido de comunidade, o espaço de celebração.

“…e este percurso”, disse o Sr. Presidente da República na sessão Solene falando do processo de afirmação da psicologia e da valorização do contributo das psicólogas e psicólogos na sociedade portuguesa, “foi um percurso que explica estes congressos. Quem chega aqui aos congressos a sensação que tem é que este duplo congresso [OPP/FIAP] é uma festa. Não é o cumprimento de um dever, de uma obrigação, é uma festa. Se quiserem, uma festa de autodeterminação”.

A celebração da autodeterminação e da procura incansável da promoção da sua possibilidade para todas as pessoas por parte de 28.000 psicólogas/os, dia após dia, nos mais variados contextos. 28.000 psicólogas/os, cidadã(o)s.

Foi uma honra ter tido esta oportunidade e ter podido dar este meu contributo para este nosso Congresso.

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Ao redor... (Revista Sábado) Comportamento Democracia Desafios da Psicologia Educação Política Psicologia

Um ditado popular a propósito das práticas agressivas e violência em contexto escolar

“Como muitos de nós cresci a ouvir um conjunto de ditados populares que, invariavelmente, tendiam para uma aproximação a complacência e/ou justificação de situações diversas e múltiplas de violência. “Entre marido e não se mete a colher” é disso um exemplo paradigmático. Quero, porém, e numa perspectiva de reversibilidade, usar neste texto de um outro ditado popular – “não deixes para amanhã o que podes fazer hoje” – para destacar como, ao contrário, é fundamental adoptar-se uma postura individual e colectiva de não aceitação, justificação e de não complacência com as diversas práticas agressivas e formas de violência.”

“Um ditado popular a propósito das práticas agressivas e violência em contexto escolar”, 91º artigo da rubrica “Ao redor” (Sábado) procura enquadrar o porquê de, hoje, isso ser particularmente relevante para, depois, “pensar o aumento reportado dos fenómenos violentos em contexto escolar (por exemplo da Escola Segura)” a partir de quatro dimensões:

  1. A violência em contexto escolar não é um problema apenas do presente (embora, enquanto seres humanos, tendamos o colocar o foco no presente e nas questões mais negativas), sendo as formas de violência historicamente presentes no contexto das Escolas. Apesar deste cenário é fundamental que sublinhemos, a cada momento, o valor da não inevitabilidade das mesmas;
  2. É fulcral alterarmos a forma como a sociedade olha e pensa a Escola e valoriza, além da promoção do conhecimento, aprendizagem e resultados escolares (naturalmente muito importantes), os seus contributos para preparar crianças e jovens para a sua autorregulação comportamental e emocional, para a resolução de problemas e de conflitos, para a abertura ao outro e para a empatia;
  3. Tendendo à prevenção das práticas agressivas, a importância da Escola contribuir para a promoção da possibilidade de ocupação com segurança e com propósito de tempos livres;
  4. É fundamental que grupos de trabalho e outras estruturas considerem e tenham capacidade operativa para imprimir uma dinâmica de consequência sobre as medidas propostas, prevenindo riscos de descrédito, descrença e de utilização destes mecanismos como justificativos de eventuais inações.

Termino advogando e apelando a “uma postura individual e colectiva de não aceitação e de não complacência para com qualquer fenómeno de violência e, logo, para com as práticas agressivas e a violência em contexto escolar. Uma acção individual e colectiva ampla de promoção da paz e de prevenção da violência, em todas as suas formas.”

“Não deixemos para amanhã o que podemos fazer hoje, com evidente benefício para alunas e alunos, profissionais, comunidade educativa e sociedade. Hoje. Para o futuro.”

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Psicadélicos

O Pedro Teixeira, PhD dedicou-se a escrever um ensaio que considero especialmente relevante. Editado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, chama-se “Psicadélicos em Português” (https://ffms.pt/pt-pt/livraria/psicadelicos-em-portugues) e concentra um conjunto de informação, olhando o passado, o presente e potenciais futuros da utilização dos psicadélicos, do seu potencial e riscos.

Escreve o Pedro, na nota de abertura do livro, que os psicadélicos “transportam a mente humana e também os sentidos para lugares deslumbrantes ou inóspitos (…) perdidos nos mil atalhos da memória”. Perdidos nos mil atalhos da memória e determinados pelos milhões de ligações da nossa experiência, do nosso sentir e do nosso conhecimento na relação connosco e com o que nos rodeia, acrescento.

Esta multiplicidade e diversidade fascina-me. Fez-me querer estudar psicologia para a poder compreender um pouco melhor. Ou, talvez, apenas para a (e me) questionar melhor. Fez-me ser psicólogo, depois, pelo que sinto que a profissão pode contribuir, com este conhecimento e as práticas que dele resultam, para intervir junto de pessoas e comunidades e, ainda, para informar políticas públicas, sempre no sentido da promoção de maior equidade e coesão social e, nesse sentido, de mais saúde, bem-estar e possibilidade de autodeterminação para todas as pessoas.

É neste sentido – do fascínio pela multiplicidade, pela diversidade, pela compreensão do que nos rodeia – que entendo o convite do Pedro para estar no debate (“Psicadélicos: Para quê e para quem?”) em torno do livro e organizado pela SafeJourney, no próximo Domingo (22.09) em Lisboa. Nesse e no sentido em que também prefiro (e opto por) recusar o conformismo, conforme uma característica que o Pedro diz, também nessa nota de abertura, ser comum às pessoas que encontra nesta “comunidade”.

O mote do debate será a partilha de “impressões, questões e inquietações que a leitura do livro” nos suscitou e, estou certo, será um debate construtivo, porque feito com a segurança de termos pessoas que se respeitam e aceitam mutuamente. Eu acrescento, por ter pessoas que admiro. Estarei com o Fernando Alvim, a Joana Bértholo, o Joaquim Evangelista e o Pedro Marques Lopes e será moderado pelo José Maria Pimentel, sendo que a expressão moderação quando se trata do José Maria Pimentel ganha outra expressão e significado. Isto, além do Pedro Teixeira, claro está.

Em 2020, para um trabalho do Expresso, o João Taborda da Gama dizia que “porventura, na nossa geração, não vamos apanhar outro tema de mudança social tão grande como este”, os psicadélicos. Num tempo de crise climática, de inteligência artificial generativa, de conflitos militares significativos e de alterações sócio-económicas e demográficas por todo o Mundo, os psicadélicos. Venha ou não a ser o mais significativo do nosso tempo, impõe-se que reflictamos. Hoje e amanhã. Vêm fazê-lo comigo e connosco?

Mais informações: https://www.tickettailor.com/events/safejourney/1385343

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O Ensino Superior e a promoção das relações interpessoais

Quase 50.000 jovens iniciam por estes dias o seu percurso no Ensino Superior. Tempo para perguntar se “estaremos a investir adequadamente no desenvolvimento de competências facilitadoras das relações interpessoais [neste] momento-chave da formação das e dos profissionais do presente e para o futuro? Estaremos a valorizar estas competências e a utilizar a ciência e a evidência no seu desenvolvimento?

“O Ensino Superior e a promoção das relações interpessoais”, 90º artigo da rubrica “Ao redor” (Sábado) traz estas questões quando a crise climática, a par de outros desafios sociais complexos, “exigem mais relação interpessoal, capaz de estimular mais trabalho em equipa, colaboração interdisciplinar e comportamentos pró-sociais de cooperação entre cidadãos”.

O artigo discute porque a resposta às primeiras perguntas é “não, não o estamos a fazer suficientemente”. Fá-lo em 6 pontos que sustentam possíveis explicações e pistas para uma mudança no sentido do reforço deste caminho:

a) “A progressiva fragmentação e atomização da comunidade educativa” e o seu contributo “para a quebra da ligação, identidade, sentido de coesão e comunidade” e como devemos “reforçar o envolvimento e possibilidade de participação, os valores comuns e o trabalho colaborativo e em equipa nas instituições”;

b) “O desafio da transição e integração na Universidade/Politécnico” e a importância de se desenharem “estratégias que apoiem a integração de novas/os estudantes, com destaque para programas de mentoria e tutoria”;

c) “O agravamento nos últimos anos (e a situação tenderá a piorar nos próximos) dos problemas e das condições relacionadas com a saúde mental das e dos jovens estudantes” e o quão urgente é “investir estruturalmente na saúde mental, numa perspectiva, também, de prevenção e da sua promoção”;

d) “A necessidade de balancear o desenvolvimento de competências técnicas com competências facilitadoras, nomeadamente de âmbito pessoal e social como a capacidade de reconhecimento e gestão das emoções, de comunicação ou de resolução de problemas”;

e) “A não-valorização e não-intencionalização da colaboração” e o caminho a percorrer para a inclusão de acções de colaboração “enquanto indicadores principais da actividade e sustentabilidade das organizações e de avaliação de desempenho”;

f) “A necessidade de repensar o acesso e/ou escolha das lideranças” abandonando o modelo da liderança da equipa corresponder ao “topo de carreira” ou à “maior competência técnica instalada” e considerando as competências de liderança e a possibilidade do seu desenvolvimento.

Termino apelando a que na formação “das e dos profissionais e líderes do presente e do futuro invistamos, significativamente, no reforço das suas competências sócio-emocionais, considerando o quão prementes serão as relações interpessoais na resposta aos desafios. Desafios que que necessitarão de um novo e renovado impulso de colaboração e cooperação entre seres humanos.”

Que nele participemos, juntos e por todos.

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A Alhambra e a atomização…

Não começando com o “Al” das palavras de origem árabe (como Algarve e a sua alfarroba), tenho pensado muito na Alhambra e na sua relação com o verbo atomizar.

Este Verão visitei a Alhambra (Granada), provavelmente o melhor preservado conjunto de monumentos representativos da história da cultura e arquitectura islâmica da Península Ibéria. Aconselho vivamente a visita a quem ainda não teve essa oportunidade, pela beleza e pela história que encerra, naturalmente, mas, também, pela coesão e identidade daquele aglomerado de edifícios, jardins, caminhos e espaços públicos e pela intencionalidade com que foi construído. Cada peça, cada canto e recanto, cada jardim, cada pormenor parece perspectiva de pensado, planeado e executado na perfeição e com atenção ao mais ínfimo detalhe, criando sentido, dando significado ao espaço e melhorando a sua eficiência. Isto, nas dimensões de promoção do bem-estar de quem lá habitava, na rentabilização dos recursos naturais e na segurança e força (poder) que passava a quem visitava a Alhambra ou pensava “conquistá-la”.

A Alhambra é um exemplo, naturalmente contextualizado ao seu tempo, de construção de comunidade. A Alhambra é um exemplo, naturalmente contextualizado ao seu tempo, do que pode ser construído em comunidade.

Recorda-nos a importância da colaboração, do trabalho em equipa, das relações e do foco na coerência do conjunto, do todo. Recorda-nos a importância de resistirmos aos processos de atomização e fragmentação em sociedade, hoje muito comuns em particular nos serviços públicos. Não raras vezes, quer por processos de redução de custos, ausência de recursos e/ou resposta mais imediata a necessidades, quer por processos de desconfiança e de falta de colaboração entre profissionais, quer por processos de hiperespecialização, temos, enquanto comunidade e sociedade, optado pela desagregação de conjuntos coerentes (partes que fazem um todo) de resposta/serviços, pulverizando acções, segmentando-as e dividindo as acções. Na saúde. Cada vez mais na Educação, perdemos comunidade e conjunto em função da dispersão e individualização de processos e acções.

Perdemos comunidade e perdemos a capacidade de na diversidade edificarmos mais e melhores respostas às pessoas. Perdemos a capacidade de na diversidade edificarmos mais e melhor e, com isso, espaço de construir comunidade.

Também por isso, importa que pensemos nos impactos para o futuro das respostas que hoje construímos para os desafios que se nos colocam no presente mais imediato. Na sua sustentabilidade e impacto a médio e a longo prazo. Eventualmente na forma como podem, essas respostas, criar desafios e como os consideramos.

A Alhambra é, para mim, não sem problemas e sem a necessária contextualização, uma expressão viva do poder da comunidade e de como comunidade gera comunidade e, em sentido contrário, atomização gera fragmentação.

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O MEC…

“Viver com preconceitos é como passear de tanque.”

Faço parte do conjunto de pessoas que com regularidade lê o Miguel Esteves Cardoso. Leio-o e, como ele, reflicto sobre o Mundo ao redor. Aprendi e aprendo muito com ele. Pensei e penso, senti e sinto muito com ele.

Ontem, sobre como os nossos preconceitos e vieses influenciam a nossa tomada de decisão e comportamento. Influenciam a nossa vida e, nesse sentido, porque todas e todos os temos, a nossa sociedade.

“Espreita-se a rua, vêem-se as pessoas e até podemos arriscar e mostrar a cabeça, para poder falar directamente com alguém, ou respirar o vento. Mas estamos dentro de um tanque. E não é assim que se mexem os animais deste planeta”.

Não, não é. E o MEC descreve, à sua maneira, porque não, não é, e porque isso nos retira oportunidades de experimentar, de sentir, de ser. Porque pode encerrar-nos, mas…

“Temos tantos preconceitos porque os preconceitos nos protegem…”

Diz, com propriedade. Efectivamente os vieses que suscitam que, com maior ou menor intensidade – também dependendo das nossas características e experiências, do nosso momento de vida e do tema/acontecimento a que se apliquem – automaticamente consideremos mais o presente e o imediato (face ao passado e mais distante), o negativo (face ao positivo), que confirmemos as nossas ideias prévias e preconceitos tiveram e têm um papel na nossa protecção enquanto indivíduos e espécie.

Um bom exemplo é o viés da intencionalidade que, muitas vezes, surge associado a explicações sobrenaturais para fenómenos naturais ou a teorias da conspiração. A crença de que se algo aconteceu, aconteceu porque algo ou alguém intencionalmente o provocou (desde logo, retirando espaço ao fundamental acaso das nossas vidas), foi muito importante numa perspectiva de evolução da espécie para a defesa e protecção face a ameaças externas. Historicamente, a “perda” associada a se pensar que podia existir um “elemento ameaçador” que fez com que caísse um fruto duma árvore atrás de nós sem que esse elemento existisse gerou, apesar de tudo, decisões e comportamentos com menor perda potencial relativamente a achar-se que o fruto tinha simplesmente caído por si e existir mesmo um “elemento ameaçador” na árvore atrás de nós, de onde caiu o fruto.

“Temos tantos preconceitos porque os preconceitos nos protegem. Mas também nos protegem do que é bom.”

Protegem do que é bom…

Hoje, embora alguns vieses não contribuam para o pensarmos e sentirmos assim, o Mundo, para a maioria das pessoas (infelizmente não para todas), é menos ameaçador.

Experimentemos, portanto, pensar diferente, fazer diferente. Permitamo-nos sentir diferente. Quem sabe gostaremos. Quem sabe compreenderemos melhor a/o outra/o. Quem sabe sentir-nos-emos mais e melhor…

Dia bom para vocês… Hoje é um bom dia para ser um dia bom.

Ps. Experimente ler o “Experimente que vai ver” [MEC | 05.09.24]