
O Pedro Teixeira, PhD dedicou-se a escrever um ensaio que considero especialmente relevante. Editado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, chama-se “Psicadélicos em Português” (https://ffms.pt/pt-pt/livraria/psicadelicos-em-portugues) e concentra um conjunto de informação, olhando o passado, o presente e potenciais futuros da utilização dos psicadélicos, do seu potencial e riscos.
Escreve o Pedro, na nota de abertura do livro, que os psicadélicos “transportam a mente humana e também os sentidos para lugares deslumbrantes ou inóspitos (…) perdidos nos mil atalhos da memória”. Perdidos nos mil atalhos da memória e determinados pelos milhões de ligações da nossa experiência, do nosso sentir e do nosso conhecimento na relação connosco e com o que nos rodeia, acrescento.
Esta multiplicidade e diversidade fascina-me. Fez-me querer estudar psicologia para a poder compreender um pouco melhor. Ou, talvez, apenas para a (e me) questionar melhor. Fez-me ser psicólogo, depois, pelo que sinto que a profissão pode contribuir, com este conhecimento e as práticas que dele resultam, para intervir junto de pessoas e comunidades e, ainda, para informar políticas públicas, sempre no sentido da promoção de maior equidade e coesão social e, nesse sentido, de mais saúde, bem-estar e possibilidade de autodeterminação para todas as pessoas.
É neste sentido – do fascínio pela multiplicidade, pela diversidade, pela compreensão do que nos rodeia – que entendo o convite do Pedro para estar no debate (“Psicadélicos: Para quê e para quem?”) em torno do livro e organizado pela SafeJourney, no próximo Domingo (22.09) em Lisboa. Nesse e no sentido em que também prefiro (e opto por) recusar o conformismo, conforme uma característica que o Pedro diz, também nessa nota de abertura, ser comum às pessoas que encontra nesta “comunidade”.
O mote do debate será a partilha de “impressões, questões e inquietações que a leitura do livro” nos suscitou e, estou certo, será um debate construtivo, porque feito com a segurança de termos pessoas que se respeitam e aceitam mutuamente. Eu acrescento, por ter pessoas que admiro. Estarei com o Fernando Alvim, a Joana Bértholo, o Joaquim Evangelista e o Pedro Marques Lopes e será moderado pelo José Maria Pimentel, sendo que a expressão moderação quando se trata do José Maria Pimentel ganha outra expressão e significado. Isto, além do Pedro Teixeira, claro está.
Em 2020, para um trabalho do Expresso, o João Taborda da Gama dizia que “porventura, na nossa geração, não vamos apanhar outro tema de mudança social tão grande como este”, os psicadélicos. Num tempo de crise climática, de inteligência artificial generativa, de conflitos militares significativos e de alterações sócio-económicas e demográficas por todo o Mundo, os psicadélicos. Venha ou não a ser o mais significativo do nosso tempo, impõe-se que reflictamos. Hoje e amanhã. Vêm fazê-lo comigo e connosco?
Mais informações: https://www.tickettailor.com/events/safejourney/1385343