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O MEC…

“Viver com preconceitos é como passear de tanque.”

Faço parte do conjunto de pessoas que com regularidade lê o Miguel Esteves Cardoso. Leio-o e, como ele, reflicto sobre o Mundo ao redor. Aprendi e aprendo muito com ele. Pensei e penso, senti e sinto muito com ele.

Ontem, sobre como os nossos preconceitos e vieses influenciam a nossa tomada de decisão e comportamento. Influenciam a nossa vida e, nesse sentido, porque todas e todos os temos, a nossa sociedade.

“Espreita-se a rua, vêem-se as pessoas e até podemos arriscar e mostrar a cabeça, para poder falar directamente com alguém, ou respirar o vento. Mas estamos dentro de um tanque. E não é assim que se mexem os animais deste planeta”.

Não, não é. E o MEC descreve, à sua maneira, porque não, não é, e porque isso nos retira oportunidades de experimentar, de sentir, de ser. Porque pode encerrar-nos, mas…

“Temos tantos preconceitos porque os preconceitos nos protegem…”

Diz, com propriedade. Efectivamente os vieses que suscitam que, com maior ou menor intensidade – também dependendo das nossas características e experiências, do nosso momento de vida e do tema/acontecimento a que se apliquem – automaticamente consideremos mais o presente e o imediato (face ao passado e mais distante), o negativo (face ao positivo), que confirmemos as nossas ideias prévias e preconceitos tiveram e têm um papel na nossa protecção enquanto indivíduos e espécie.

Um bom exemplo é o viés da intencionalidade que, muitas vezes, surge associado a explicações sobrenaturais para fenómenos naturais ou a teorias da conspiração. A crença de que se algo aconteceu, aconteceu porque algo ou alguém intencionalmente o provocou (desde logo, retirando espaço ao fundamental acaso das nossas vidas), foi muito importante numa perspectiva de evolução da espécie para a defesa e protecção face a ameaças externas. Historicamente, a “perda” associada a se pensar que podia existir um “elemento ameaçador” que fez com que caísse um fruto duma árvore atrás de nós sem que esse elemento existisse gerou, apesar de tudo, decisões e comportamentos com menor perda potencial relativamente a achar-se que o fruto tinha simplesmente caído por si e existir mesmo um “elemento ameaçador” na árvore atrás de nós, de onde caiu o fruto.

“Temos tantos preconceitos porque os preconceitos nos protegem. Mas também nos protegem do que é bom.”

Protegem do que é bom…

Hoje, embora alguns vieses não contribuam para o pensarmos e sentirmos assim, o Mundo, para a maioria das pessoas (infelizmente não para todas), é menos ameaçador.

Experimentemos, portanto, pensar diferente, fazer diferente. Permitamo-nos sentir diferente. Quem sabe gostaremos. Quem sabe compreenderemos melhor a/o outra/o. Quem sabe sentir-nos-emos mais e melhor…

Dia bom para vocês… Hoje é um bom dia para ser um dia bom.

Ps. Experimente ler o “Experimente que vai ver” [MEC | 05.09.24]

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