Quase 50.000 jovens iniciam por estes dias o seu percurso no Ensino Superior. Tempo para perguntar se “estaremos a investir adequadamente no desenvolvimento de competências facilitadoras das relações interpessoais [neste] momento-chave da formação das e dos profissionais do presente e para o futuro? Estaremos a valorizar estas competências e a utilizar a ciência e a evidência no seu desenvolvimento?
“O Ensino Superior e a promoção das relações interpessoais”, 90º artigo da rubrica “Ao redor” (Sábado) traz estas questões quando a crise climática, a par de outros desafios sociais complexos, “exigem mais relação interpessoal, capaz de estimular mais trabalho em equipa, colaboração interdisciplinar e comportamentos pró-sociais de cooperação entre cidadãos”.
O artigo discute porque a resposta às primeiras perguntas é “não, não o estamos a fazer suficientemente”. Fá-lo em 6 pontos que sustentam possíveis explicações e pistas para uma mudança no sentido do reforço deste caminho:
a) “A progressiva fragmentação e atomização da comunidade educativa” e o seu contributo “para a quebra da ligação, identidade, sentido de coesão e comunidade” e como devemos “reforçar o envolvimento e possibilidade de participação, os valores comuns e o trabalho colaborativo e em equipa nas instituições”;
b) “O desafio da transição e integração na Universidade/Politécnico” e a importância de se desenharem “estratégias que apoiem a integração de novas/os estudantes, com destaque para programas de mentoria e tutoria”;
c) “O agravamento nos últimos anos (e a situação tenderá a piorar nos próximos) dos problemas e das condições relacionadas com a saúde mental das e dos jovens estudantes” e o quão urgente é “investir estruturalmente na saúde mental, numa perspectiva, também, de prevenção e da sua promoção”;
d) “A necessidade de balancear o desenvolvimento de competências técnicas com competências facilitadoras, nomeadamente de âmbito pessoal e social como a capacidade de reconhecimento e gestão das emoções, de comunicação ou de resolução de problemas”;
e) “A não-valorização e não-intencionalização da colaboração” e o caminho a percorrer para a inclusão de acções de colaboração “enquanto indicadores principais da actividade e sustentabilidade das organizações e de avaliação de desempenho”;
f) “A necessidade de repensar o acesso e/ou escolha das lideranças” abandonando o modelo da liderança da equipa corresponder ao “topo de carreira” ou à “maior competência técnica instalada” e considerando as competências de liderança e a possibilidade do seu desenvolvimento.
Termino apelando a que na formação “das e dos profissionais e líderes do presente e do futuro invistamos, significativamente, no reforço das suas competências sócio-emocionais, considerando o quão prementes serão as relações interpessoais na resposta aos desafios. Desafios que que necessitarão de um novo e renovado impulso de colaboração e cooperação entre seres humanos.”
Que nele participemos, juntos e por todos.



