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Desafios da Psicologia Futuro da Psicologia Ordem dos Psicólogos Portugueses Psicologia

A primavera há-de chegar…

“A primavera há-de chegar”, título de um “grande” livro de Fante. Evoco-o, sugerido por uma música de um filme que trata a complexidade da guerra: “E todos os anos; pássaros livres voam (…) a floresta suspira; esperando pela primavera; para os trazer de volta.” Ontem, a primavera chegou. Ontem, como há muitos anos não sucedia, chegou com a complexidade de uma (trágica e obscena) guerra na Europa. Um trabalho da Sílvia Maia (LUSA) para o qual contribui, resultou em três notícias que, creio, demonstram esta complexidade e os seus múltiplos impactos:

  1. “Escolas apoiam alunos afetados pelas imagens da guerra na Ucrânia”, tratando os impactos (naturais) da guerra no comportamento das crianças, “sensíveis à situação que estão a viver, dispostas a lutar por um mundo melhor e que estão disponíveis para os outros”. Na peça assinalo que “as escolas estão hoje muito mais bem preparadas do que estavam há 10 anos, mas tendo em conta estes dois acontecimentos – a pandemia e agora a guerra – todos os recursos são poucos”.
  2. “Psicólogos defendem urgência na integração de crianças refugiadas nas escolas”, onde sublinho a importância da rápida integração nas Escolas de crianças/jovens, potenciando a criação de rotinas (fundamentais à previsibilidade e controlo) e de suporte social (fundamental à resiliência e ao bem-estar). Reforço a importância de, numa primeira fase, se privilegiar as relações e os espaços de espontaneidade e de brincar face ao currículo, bem como da criação de espaços seguros, investindo-se numa rede de mediadoras/es ucranianas/os. Abordo, ainda, o papel reparador que a Escola pode assumir, bem como a universalidade das emoções, das referências (a Frozen, o Harry Potter ou o Tik Tok) e a capacidade de adaptação das crianças como “antídotos” à adversidade/dificuldades (ex. língua).
  3. “Psicólogos portugueses dão formação a colegas ucranianos”, onde abordo a resposta da OPP à solicitação da Associação Nacional de Psicólogos Ucraniana e apoio à formação de 32 psicólogas/os (que em cascata formarão outras/os) em intervenção psicológica em situações de crise e catástrofe, considerando que “a intervenção psicológica precoce (nomeadamente os Primeiros Socorros Psicológicos) é de extrema importância na estabilização inicial e na prevenção do desenvolvimento de psicopatologia”.

Da inspiração de quem, mesmo em condições extremas, procura apoiar outras/os ao apoio à minimização dos impactos da guerra e recuperação de quem escolhe ou chega a Portugal proveniente dela… Contributos das/os psicólogas/os que se complementam com o seu apoio à construção e manutenção da Paz.

Porque, “a floresta suspira; esperando pela primavera; para os trazer de volta”.

Porque, a “primavera há-de chegar”.

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Ao redor... (Revista Sábado) Desafios da Psicologia

Telefone Laranja para os Direitos Humanos (Ao redor…; Sábado; 03.10.2022)

São muitas as pessoas que, quase 50 anos depois, se sentem inspiradas pelo discurso de Martin Luther King em Washington a 28 de Agosto de 1963. I have a dream [Eu tenho um sonho], confessou, perante cerca de 250.000 pessoas que em marcha exigiram consigo o fim da segregação racial, justiça social e liberdade. São muito menos as que, também quase 50 anos depois, se sentem inspiradas pela abertura da ligação directa entre os EUA e a URSS 48 horas depois. Esta linha directa, apelidada de “telefone vermelho”, fora decidida no acordo de Genebra a 20 de Junho desse mesmo ano e terá sido fundamental na redução dos riscos de uma guerra (nuclear), prevenindo acidentes, confrontos, erros de cálculo e falhas de comunicação. Dois dias e dois acontecimentos muito distintos que mudaram o Mundo. Que o mudaram no sentido de mais Direitos Humanos. De maior possibilidade de autodeterminação, de equidade, de bem-estar.

 

Em parte significativa dos quase 50 anos que distam desses momentos, o Mundo fez progressos notáveis. Na pobreza extrema, por exemplo, que no início da década de 80 ainda afectava 44% da população mundial (cerca de 2 mil milhões de pessoas), descendo para 35% em 1990 e entre esse ano e 2015 cerca um ponto percentual ao ano. Caminhávamos, embora não ao ritmo desejado, para um valor apresentado como possível pelo Banco Mundial de 3% em 2030 quando vimos a descida progressiva interrompida por um aumento em 2020 e 2021, estando os valores hoje em cerca de 9,5% ao invés dos esperados 7,5% (mais cerca de 150 milhões de pessoas). Ou no modelo de governação, onde em 1980 existiam apenas 22% de países no Mundo com democracias, crescendo este número para 35% em 1990 e subindo consecutivamente até 2017 (54%), ano a partir do qual passou, também, a existir um decréscimo anual até aos 49% de 2021. A COVID-19 e o recrudescimento do autoritarismo e dos sistemas autocráticos demonstraram-nos, nos últimos anos, que não existe irreversibilidade no progresso e que dimensões sociais que podemos dar como adquiridas ou garantidas podem ser questionadas. Como nos mostraram, com incredulidade e brutalidade, explosões e sirenes, primeiro em Kyiv na madrugada de 24 de Fevereiro de 2022, e nos últimos dias em diversas cidades e regiões da Ucrânia.

 

“Conforme sucede com a saúde mental [face à doença mental], também a Paz é comummente definida como a ausência de guerra. Creio que 2022 será um ano particularmente desafiante no que à Paz diz respeito e que, também por isso, será importante que pessoal ou profissionalmente, em contexto privado ou público, conversemos sobre ela e disseminemos que, indo muito além da ausência de guerra, a Paz representa a harmonia, a civilidade entre pessoas e comunidades e a serenidade, e que compreendê-lo será fundamental para a promovermos.” Isto escrevi, nesta mesma rúbrica a 30 de Dezembro de 2021[i], num desejo para um 2022 consubstanciado num investir contínuo na construção de Paz, não a dando por adquirida, antes sempre em co-construção, em qualquer lugar do Mundo.

 

Sabemos que a imprevisibilidade e a incerteza são aspectos sempre presentes na nossa vida. Sabemos, por experiência própria e cidadã, que em Portugal esta máxima é especialmente verdadeira. Sou psicólogo há cerca de 15 anos e vivi, como cidadão e como profissional, nos últimos dez anos, a complexa crise socioeconómica que vivenciamos, os graves incêndios de Junho e Outubro de 2017, a disruptiva pandemia de COVID-19 e, agora, a tragédia da invasão ilegítima de um país Europeu e da Guerra na Ucrânia. Todos factos que acrescentam e somam imprevisibilidade, incerteza e insegurança sobre imprevisibilidade, incerteza e insegurança. Todos factos que comportam perdas, sofrimento psicológico e colocam em risco a saúde psicológica e o bem-estar de todas e todos. Todos factos que são marcados pelo passado (por traumas não reparados, por vulnerabilidades não respondidas, por problemas não atendidos), que condicionam o presente e que impactam para o futuro. Tudo factos que se cruzam, criando o que penso podermos nomear enquanto uma sindemia, conforme originalmente Merril Singer definiu, ou seja a conjugação de problemas de saúde, neste caso saúde psicológica, e o seu cruzamento com problemas sociais e económicos de pessoas e famílias, aprofundando-os, perpetuando-os e criando vulnerabilidades e adversidades nas pessoas ao redor, incluindo crianças e jovens.

 

Se assim é em Portugal, imaginemos, por um momento, o que acontece hoje na Ucrânia e com o povo ucraniano. Confrontados com uma guerra e com um cenário de total disrupção. Vidas interrompidas, relações coartadas, migração forçada. Trauma. Realidades e fenómenos complexos, pessoais e colectivos, que o tempo, apenas o tempo, não resolverão. Se em Portugal é fundamental recuperar as pessoas para recuperar o país e o projectar para o futuro depois de crises sucessivas, mais assim é com as Ucranianas e Ucranianos. Recuperação, reparação, reconciliação. Isso se espera dos países que, como o nosso, acolherão, acompanharão e integrarão as refugiadas e os refugiados desta guerra, pessoas como cada uma e cada um de nós, mas especialmente vulneráveis neste momento e, também por isso, a necessitarem de intervenções e de respostas verdadeiramente especializadas, qualificadas, integradas e continuadas. Temos, felizmente, entidades e organizações muito competentes e experientes para tal. Temos, felizmente, uma população que se mobiliza e se constituiu como uma rede de coesão e suporte social, em momentos desta natureza. Temos um dever de humanidade e humanismo e uma tarefa pela frente: garantir que quem, escolhendo ou não o nosso país como destino a ele acorra, seja recebida/o com empatia, compaixão e com apoio, também técnico, capaz de responder às suas necessidades e promover o seu agenciamento sobre os problemas. Garantir uma linha directa, um telefone laranja, para com os Direitos Humanos. Garantir que essa linha previne acidentes, confrontos, erros de cálculo e falhas de comunicação, como a linha vermelha, que advirão, também, das consequências socioeconómicas da crise que vivemos e da grande incerteza associada às próximas semanas (meses?; anos?) da Europa e do Mundo e da forma como as sociedades e as pessoas a elas reagirão.

 

Na verdade, aqui e ali, no Mundo ao redor, vivemos dias de pesadelo que necessitam de um sonho que se concretize numa realidade inspiradora. De um sonho que se concretize na criação de espaço de pacificação e, mais do que apenas a ausência de guerra, promova a Paz. De um sonho que se concretize na retoma de um caminho de progresso em indicadores fundamentais à autodeterminação das pessoas, à equidade, à coesão social e à possibilidade de bem-estar de todas e todos. De um sonho que se concretize na garantia de mais saúde psicológica e, também por ela, mais resiliência individual e colectiva para enfrentar a complexidade e a adversidade que nos espera num Mundo de rápidas e profundas transformações e de muitas dúvidas e ambiguidades. De um sonho que se concretize na inviabilização de espaço de complacência com tudo quanto interfira com direitos fundamentais e de neutralidade em disputas ou matérias de violação de direitos humanos. De um sonho que se concretize na projecção de um futuro de Direitos Humanos globais. Que Portugal possa para tal contribuir e nisso ser exemplo. É este o (seu) momento.

Ps. Hoje, dia do Pai, pensemos nos Pais, nas filhas e nos filhos, nas companheiras e companheiro e amigas e amigos dos Pais. Pensemos nos nossos e nos de outras e outros. Pensemos. Façamos.

[i] Um desejo para 2022? Construirmos mais Paz | https://www.sabado.pt/opiniao/convidados/tiago-pereira/detalhe/um-desejo-para-2022-construirmos-mais-paz

 

Tiago Pereira

in Sábado (Ao redor…); 10.03.2022

https://www.sabado.pt/opiniao/convidados/tiago-pereira/detalhe/telefone-laranja-para-os-direitos-humanos

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Desafios da Psicologia Ordem dos Psicólogos Portugueses Psicologia

Conferência de imprensa. Documentário. Estudo.

Conferência de imprensa. Documentário. Estudo.

Na conferência de imprensa após o Conselho de Estado, o Presidente da República disse que a guerra terá “custos na vida de todos” que deveremos enfrentar “com a mesma coragem e determinação dos últimos dois anos, em espírito de unidade, coesão, solidariedade e eficácia”. Assim é e será.

“Depois de uma pandemia que nos trouxe muita incerteza, vivemos agora uma guerra que nos entra diariamente em casa”, escreveu @MARIA AUGUSTA CASACA (@TSF) na peça (“A guerra afeta-nos a todos – Psicólogos lançam estratégias para prevenir angústia causada pelo conflito”) que partilho. Nela, procuro, divulgando o documento da OPP, sublinhar a naturalidade de nos sentirmos impactadas/os, angustiadas/os e/ou ansiosas/os com esta situação. Também, reforçar que algumas pessoas – quem experienciou contextos de guerra (algo ainda muito comum em Portugal), tem amigas(os)/familiares na Ucrânia ou tem maiores vulnerabilidades socioeconómicas, temendo o futuro incerto – podem ter especiais vulnerabilidades e, por isso, estarem mais expostas à situação, ao sofrimento e, até, ao potencial trauma dela decorrente. E ainda, a necessidade de prevenção da sobre-exposição à guerra e a importância do agenciamento decorrente de acções que comportem e nos tragam significado/propósito.

“Na minha infância o que tornava o meu dia suportável? Tinha uma tia já idosa que me via. As crianças têm de ser vistas e cuidadas. Têm de sentir carinho. Foi isso que me salvou. Nos momentos sombrios, pensava: Tenho a tia Hilma. Acho que todas as crianças nascidas da guerra precisam de uma tia Hilma.” Parte do documentário “A guerra nunca acaba” que versa 5 histórias de crianças filhas de soldados da Alemanha Nazi e de mães Norueguesas (ocupação na II Guerra Mundial) que viveram toda a vida sob a égide de “genes Nazis” e da discriminação daí decorrente.

Sobre discriminação e “dupla penalização” (assim apelidei), discuti a situação da população russa com a @CATARINA SILVA (@JN) (https://www.noticiasmagazine.pt/2022/ser-russo-nao-e-ser-dono-de-uma-guerra/historias/273141/). Recuperação de traumas passados. Lembrar que, algumas destas pessoas, saíram da Rússia à procura de um país livre e que hoje são penalizadas pelas opções de um regime que já as havia penalizado. Racionalizar, prevenir generalizações abusivas, simplificações e, essencialmente, humanizar por via da história das pessoas.

E o estudo. Do instituto Jacques Delors, sublinha que “a distribuição desigual das dificuldades [da guerra] nos diferentes estados-membros não é apenas um problema económico – tem importância política”, reforçando a necessidade da “união” dos países. União que deve prevenir a possível fragmentação, diminuição da coesão e da confiança, essenciais à vivência desta crise e a um futuro de possibilidade de autodeterminação e de direitos humanos globais.

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COVID-19 Desafios da Psicologia Ordem dos Psicólogos Portugueses

Quem diria que nos 2 anos do gabinete de crise COVID-19…

Ontem passaram 2 anos do dia (13.3.20) em que a Ordem dos Psicólogos Portugueses criou o gabinete de crise COVID-19 que coordeno. Em 13.3.21 publiquei esta mesma imagem e escrevi: “Ano incerto, intenso e exigente, que nos colocou à prova nas capacidades de adaptação, resiliência e de superação. Ano em que a responsabilidade (propósito) que me foi confiada – a par do apoio/carinho da nossa casa, do empenho de toda a nossa OPP e da inspiração de tantas pessoas, incluindo colegas psicólogas/os – foi essencial ao meu bem-estar.”

Reflectia, grato pela confiança em mim depositada (agradeço ao Francisco Miranda Rodrigues) para uma tarefa de enorme responsabilidade, suportado numa equipa de um empenho incrível e por centenas de psicólogas/os que se envolveram no desenvolvimento/operacionalização do conjunto significativo (e importante a muitas pessoas) de iniciativas, contributos e recursos disponibilizados pela OPP. Acções que complementaram o trabalho imenso das/os cerca de 25.000 psicólogas/os que, ao longo destes 2 anos, mesmo com desafios/dificuldades consideráveis à sua intervenção, um pouco por todo país e em todos os contextos, estiveram junto das pessoas num período de disrupção das suas vidas, de perda e em que se viram desafiadas na sua saúde psicológica e bem-estar.

Hoje caminhamos já para uma 6ª vaga. Mas hoje a COVID-19 não é já o tema central. Também pelo que se avançou na gestão da pandemia mas, particularmente, pela angustiante invasão de um país Europeu e uma catastrófica guerra, com significativas consequências no presente e para o futuro da Ucrânia, da Europa e do Mundo. Uma Guerra que traz perdas, trauma. Incerteza e imprevisibilidade. Que questiona Direitos Humanos e que afecta, ainda que de forma distinta, todas e todos. Uma Guerra que reforça a necessidade de contributo da ciência e da prática das/os psicólogas/os na reparação e recuperação das pessoas e na necessidade de construção, em qualquer momento e lugar do Mundo, da Paz. Uma Guerra que nos volta a ocupar como grupo de missão e que, mais uma vez, levou a que já dezenas de psicólogas/os se envolvessem no contributo da OPP nesta grave crise.

Há um ano, também escrevi: “Pensar um dia pode passar por pensarmos 3 aspectos bons dele (aumenta a percepção de controlo) e agradecermos/celebrarmos algo com alguém (aumenta o sentimento de pertença). Faço-o, assim por importante, para este ano. Muitos desafios nos esperam. As pessoas e o país precisam de mais (e melhor) psicologia junto de si.” Reescrevo-o hoje com a mesma convicção e com a certeza reforçada da necessidade de desenvolvermos a nossa ciência e profissão para cada vez mais e melhor podermos contribuir para a autodeterminação e possibilidade de bem-estar de todas/os. Para a equidade e coesão social.

“O Mundo ou será salvo pelos psicólogos ou não será salvo de todo”. 64 anos após esta frase de Maslow, conhecemos, a cada dia mais, o contributo da psicologia para um Mundo “salvo”. Um Mundo de Direitos Humanos globais e de Paz.

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Ao redor... (Revista Sábado) Democracia Desafios da Psicologia

Telefone Laranja para os Direitos Humanos

São muitas as pessoas que ainda se sentem inspiradas pelo discurso de Martin Luther King a 28.8.1963 – I have a dream – e menos as que se sentem inspiradas pela abertura da ligação directa entre os EUA e a URSS 48 horas depois. Apelidada de “telefone vermelho” terá sido fundamental na redução dos riscos de uma guerra (nuclear). Dois dias e dois acontecimentos muito distintos que mudaram o Mundo no sentido de mais Direitos Humanos.

Em parte significativa dos quase 50 anos que distam desses momentos, o Mundo fez progressos notáveis, verificando-se melhorias progressivas até há poucos anos, momento a partir do qual a COVID-19 e o recrudescimento do autoritarismo nos demonstraram que não existe irreversibilidade no progresso e que algo que podemos dar por garantido pode ser questionado. Como nos mostrou, com incredulidade e brutalidade, a guerra na Ucrânia.

“Telefone Laranja para os Direitos Humanos”, 28º artigo da rubrica “Ao redor” (Sábado) parte desta constatação para discutir a necessidade de não darmos a Paz por adquirida, antes sempre em co-construção como defendi nesta rubrica a 30.12.2021, para pensar como um conjunto de acontecimentos (crise socioeconómica, incêndios rurais de 2017, COVID-19, agora uma absurda Guerra) somam(ar) imprevisibilidade, incerteza e insegurança à imprevisibilidade, incerteza, insegurança colocando em risco a saúde psicológica e o bem-estar de todas e todos e criando o que penso podermos nomear enquanto uma sindemia, ou seja a conjugação de problemas de saúde, neste caso saúde psicológica, e o seu cruzamento com problemas sociais e económicos, aprofundando-os, perpetuando-os e criando vulnerabilidades e adversidades nas pessoas ao redor, incluindo crianças/jovens.

No artigo convido a pensarmos se assim é em Portugal como será na Ucrânia e com o povo ucraniano. Vidas interrompidas, relações coartadas, migração forçada. Trauma. Se em Portugal é fundamental recuperar as pessoas para recuperar o país e o projectar para o futuro depois de crises sucessivas, mais assim é com as Ucranianas e Ucranianos. Recuperação, reparação, reconciliação. Garantir a tal linha directa, um telefone laranja, para com os Direitos Humanos.

Vivemos dias de pesadelo que necessitam de um sonho que se concretize numa realidade inspiradora. De um sonho que se concretize na criação de espaço de pacificação e Paz; de progresso em indicadores fundamentais à autodeterminação das pessoas, à equidade, à coesão social e à possibilidade de bem-estar de todas e todos; na inviabilização de espaço de complacência com tudo quanto interfira com direitos fundamentais e de neutralidade em disputas ou matérias de violação de direitos humanos. De um sonho que se concretize na projecção de um futuro de Direitos Humanos globais.

Que Portugal possa para tal contribuir e nisso ser exemplo. É este o (seu) momento.

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Desafios da Psicologia Emergência Climática Psicologia

10.03.2020… 10.03.2022

10.3.2020. Há 2 anos, António Costa admitia a possibilidade do encerramento das Escolas. Tínhamos (apenas) 41 casos confirmados no país de infecção por COVID-19 mas preparávamos o que inevitavelmente viria. Neste dia foi, também, anunciada a suspensão de todos os voos de e para Itália.

Nestes 2 anos muitas e muitos de nós certamente reconsideraram, alteraram, cancelaram viagens dentro e fora do país, fossem de lazer, convívio com familiares/amigos ou de trabalho. Muitas e muitos trabalharam dias, semanas, meses a partir das suas casas. A pandemia COVID-19 foi altamente disruptiva de um certo funcionamento social de sociedades por todo o Mundo e numa Europa muito conectada. Se assim foi com uma pandemia, imaginemos, por um momento, a disrupção provocada por uma invasão ilegítima de um país. A disrupção provocada por uma guerra.

Estaria (estarei?) em Julho com uma colega psicóloga num congresso e simpósio onde discutiríamos contributos da psicologia para a crise climática. Hoje ela está numa Kyiv naturalmente interrompida, corajosa e inspiradoramente procurando, em condições inimagináveis, disponibilizar o apoio psicológico possível a uma população que desesperadamente necessita, não apenas dele, mas de Paz, de autodeterminação e de ver os seus Direitos Humanos cumpridos. A guerra tudo interrompe, sabemos e sentimos a partir do que vemos, ouvimos e conhecemos. Mais, a guerra e os seus efeitos não terminam no dia em que termina a guerra. A ausência de guerra está, não raras vezes, muito distante da Paz e esta guerra é um incidente brutal com “ondas de choque” que durarão anos e atingirão todas as pessoas, de forma diferente é certo, mas todas as pessoas. Mas…

Desengane-se quem acha que sozinho não vai a lado nenhum…”, diz-nos a Catarina Mota, activista portuguesa que com outras/os 5 jovens entregou uma acção no TEDH contra um conjunto de governos a propósito da sua “inacção nas questões referentes à crise climática”. Foi directora do PÚBLICO no seu 32º aniversário numa edição dedicada à crise climática na qual participei num trabalho da Mariana Durães (que partilho) acerca da inquietação/ansiedade face à crise climática, particularmente em crianças e jovens e dos contributos da psicologia (dias antes havia gravado o podcast Compromisso Verde com a Cristina Nascimento da Radio Renascenca sobre este tema que também partilho).

“…Porque é com pequenos passos que se começa. Com pequenos passos, quem sabe, influenciamos a nossa família, os nossos vizinhos, os nossos colegas, e juntamo-los, eles e muitos mais, a esta luta contra as alterações climáticas, para que o mundo continue a ser uma casa habitável.” Desenganemo-nos, também, na construção da Paz. Porque é com pequenos passos que se começa e é responsabilidade de todas e todos, em qualquer momento e lugar do Mundo, a co-construir. Sempre.

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Democracia Política Psicologia

Putin

“O medo é um catalisador de bom senso.” Frase de Putin (1992) que Malmgren partilha num texto onde explica como este usa o medo como veículo de pressão em conflitos e disputas e como racionaliza a sua utilização (estímulo ao bom senso).

Sabemos, no entanto e porventura porque já o sentimos, que o medo, quando extremo, paralisa. Interfere negativamente na vida de pessoas e comunidades, provoca sofrimento psicológico e faz-nos sentir encurralados e indisponíveis para prosseguirmos actividades e projectos de vida, nos cumprirmos, realizarmos e libertarmos para um futuro diferente. Como usa do passado para impactar o presente e o futuro, podendo determiná-lo.

Sabemos, ainda, que o medo é por vezes utilizado para enfraquecimento do(s) outro(s) e para garantir atenção mediática. Assim é quando um atentado provoca terror, quando o Estado Islâmico mostra imagens que horrorizam ou quando Putin ameaça, agride (física e psicologicamente) ou invade.

Parte de um conjunto de iniciativas e contributos, dirigidos à sociedade civil, a decisoras/es e a psicólogas/os (Psicologia | Construir a Paz – https://www.ordemdospsicologos.pt/pt/p/psicologia-construir-a-paz), “Psicologia em tempo de guerra” resulta da colaboração entre a CNN PORTUGAL e a ORDEM DOS PSICÓLOGOS PORTUGUESES e consubstancia-se num artigo diário que cruza contributos da ciência e prática psicológica para a compreensão da situação de guerra que vivemos e para a possibilidade de construção de Paz. Depois de artigos de @FRANCISCO MIRANDA RODRIGUES; RENATO CARVALHO; PAULO CUNHA; DANIEL COELHO; MIGUEL OLIVEIRA; EDUARDO CARQUEJA; ANA ISABEL MOTA TELES; RAQUEL RAIMUNDO e MIGUEL RICOU, partilho o que escrevi.

Nele reflicto sobre um Putin que se apresenta ao Mundo como medindo 170cm mais, pelo menos, 5cm do que efectivamente medirá e, simbolicamente, tem como referência Pedro, o Grande. Como usa – em proveito de uma narrativa que construiu, que se alimenta de uma “bolha” fechada e que se baseia num ideal identitário de não reconhecimento do outro e da diversidade – o medo, as TIC, as vulnerabilidades de lideres políticas/os e de pessoas que sofrem com situações de pobreza, precariedade e/ou exclusão e a incompreensão generalizada que, do outro lado da guerra, não está a ausência de guerra, mas a Paz – Paz essa impossível quando existe qualquer tipo de violência, agressão, opressão ou deslegitimação.

Nele discuto como a psicologia contribui para a compreensão do papel do medo, da solidão, do encerramento e do efeito de “bolha” de grupos fechados ou da percepção das forças/fraquezas/vulnerabilidades e como pode (e deve) contribuir para a construção da Paz.

Nele pergunto se “conseguirá a Rússia, além de reconhecer que não precisa(va) de Putin, sair da sua propaganda e desvincular-se dele?”, para que possamos aspirar a um Mundo sem medo que possa olhar e reparar o passado para se projectar no futuro. Um Mundo sem medo de ser o que é, do tamanho que é. Sem medo da autodeterminação dos povos, dos direitos humanos e de se cumprir. Um Mundo de Paz.

Ps. Dia da Mulher. Que nunca esqueçamos porquê. Obrigado a vocês

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Pelo futuro e pelo bem comum – evitar ou promover conversas difíceis? (Ao redor…; Sábado; 22.02.2022)

Não evitar, mas sim, promover conversas difíceis. “A chave para ter experienciado o que experienciei não foi a minha estupidez, mas não saber o que procurar fora e para onde dirigir a minha atenção.” Alexandra Stein, hoje especialista em psicologia social e mais especificamente em fenómenos de extremismo, foi durante cerca de 10 anos membro do “The 0”, um “culto” (porque grupo clandestino, com um líder carismático e com um ambiente de controlo total dos membros) declarado por quem nele participou, incluindo pela própria, como “bizarro” e responsável por “experiências dolorosas e traumatizantes”. Não saber o que procurar fora e para onde dirigir a minha atenção…

Da gestão da pandemia às migrações, da política à religião, todas e todos já nos vimos perante situações cuja sensibilidade dos temas redundam em conversas difíceis, seja junto de pessoas amigas, familiares, colegas de trabalho ou de equipa. Um estudo da American Psychological Association de Novembro de 2020, mês das últimas eleições presidenciais dos EUA, revelou que 40% da população americana adulta considera que as diferentes e diversas posições políticas causam tensões junto de pessoas da sua família. Não conhecendo estudos semelhantes para o contexto português, todas e todos sabemos existirem em muitas famílias pessoas que, quando se aproximam celebrações ou convívios familiares, tentam ou mesmo planeiam evitar conversas difíceis sobre assuntos sensíveis. No entanto, não evitar, mas sim, promover conversas difíceis é essencial à relação com outras e outros, ao não afastamento e à promoção de diferentes pontos de vista, sendo, por isso, importante que tenhamos presentes algumas pistas para melhor gerir estas conversas.

Procurar pontos de convergência e entendimento, mesmo em temas em que não se concorda, aceitando que podemos divergir de pessoas que consideramos ou gostamos. Sermos respeitantes, empáticos e abertos às perspectivas das outras pessoas, adoptando posturas de conexão, validação, aceitação e escuta activa, evitando “ataques” pessoais, atribuição de intenções e prosseguindo propósitos e objectivos com a conversa baseados na tentativa proactiva de entendimento. Procurarmos escolher momentos e contextos adequados, manter a racionalidade e a calma, também porque as nossas emoções influenciam e são influenciadas pelas das outras pessoas, e promover a não escalada na tensão, sabendo como e quando fazer uma pausa ou mesmo terminar a conversa, se necessário. Procuramos, também, questionar, reflectir, e, quando necessário, concordar em discordar. Não evitar, mas sim, promover conversas difíceis e confrontar-nos com estas dificuldades pode permitir definir relações de maior entendimento, reconhecimento e benefício mútuo.

Neste processo importa que tenhamos sempre presente os muito humanos viés da sobrevalorização e a ansiedade face ao desconhecido. O primeiro, com impacto na avaliação de diferentes situações / competências, algo que tende a verificar-se também na forma como podemos considerar a priori como mais desconfortável determinada conversa sobre um tópico sensível, face ao que depois se verifica. O segundo, implicando que tenhamos capacidade de lidar e gerir esta ansiedade, permitindo-nos ultrapassar a sensação de “ameaça”, possibilitando a “experimentação” de outras opiniões e a abertura à possibilidade de com elas ou através delas mudarmos. Também a propósito destes fenómenos psicológicos e do mal-estar potencial deles resultantes, é fundamental criar ambientes seguros do ponto de vista psicológico para relações e conversas livres, para a divergência, para a discussão de erros e “arrependimentos” e para o conflito não violento, algo fundamental para o encontro de pessoas, famílias, grupos e sociedade com a diferença e a construção da polis assente na diversidade e na riqueza dela resultante em termos de segurança, criatividade, prosperidade, desenvolvimento e paz. Também aqui, importa não evitar, antes promover espaços de encontro, de diálogo, de sobreposição e de penumbra (social), porquanto as relações, quer a nível individual, quer a nível grupal ou social, são feitas de luzes e sombras, de pontos de encontro e de conhecimento e de experiências pessoais que, por vezes, se sobrepõem a ideias, ideais ou crenças prévias.

Ao contrário de promover, evitar conversas difíceis e conflitos construtivos pode ser destrutivo. Pode permitir que uma “má ideia ou prática” floresça e vingue sem contraditório e sem ser questionada, quer seja essa ideia política ou social ou essa prática relativa à parentalidade ou a um local de trabalho. O medo do conflito estende-se, criando-se hábitos e práticas que o dificultam, com impacto na perda de confiança, na diminuição da crença na mudança e promovendo o fechamento quando a vida colectiva, como a pandemia acaba de demonstrar e os enormes e complexos desafios societais que viveremos exigirão, determina que as nossas acções e os seus resultados vivem e dependem das de outras e outros e vice-versa.

Na verdade, aqui e ali, no Mundo ao redor, vivemos um tempo em que “cada pessoa quer promover a sua ideia de verdade”, conforme afirmou Steven Pinker em entrevista a um jornal nacional publicada no início desta semana – semana de lançamento, ainda que condicionado, da rede social “Truth Social” [Verdade Social] criada por uma empresa de Donald Trump, rede em que cada post [publicação] é apelidado de truth [verdade]. Também por isso, e numa sociedade crescentemente polarizada e que procura soluções simplistas, por vezes acientíficas e até salvíficas para problemas complexos, devemos prepararmo-nos e mobilizarmo-nos, bem como preparar e estimular outras e outros, particularmente crianças e jovens, para o importante desígnio de não evitar, mas sim, promover, construir e experimentar conversas difíceis. Mantê-las, com resiliência e optimismo, é um extraordinário compromisso com a e o outro, pelo futuro e pelo bem-comum. É um extraordinário contributo para maior florescimento próprio e dos outros e outras, para a relação e para a edificação da igualdade, da não discriminação e de ambientes psicológicos seguros para a diversidade. É um extraordinário contributo para a confiança, para a coesão e para a construção da paz.

 

Tiago Pereira

in Sábado (Ao redor…); 22.02.2022

https://www.sabado.pt/opiniao/convidados/tiago-pereira/detalhe/pelo-futuro-e-pelo-bem-comum—evitar-ou-promover-conversas-dificeis

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Democracia Desafios da Psicologia Ordem dos Psicólogos Portugueses

Quando tinha 8 anos e quem tem 8 anos hoje…

Tinha 8 anos quando em Novembro de 1991 vi imagens que, viajando 15.000 km, se alojaram imediatamente em mim, perdurando até hoje na minha memória. Na nossa memória. Tinha acontecido o massacre do cemitério de Santa Cruz (Díli) e algo mudou em mim nesse dia. Sei (sinto), ainda hoje, o quão me foi importante uma ideia de mobilização e de esperança que se seguiu a esse momento, simbolizada em acções que parecem simples (uma carta que na Escola escrevemos a crianças Timorenses; um cordão humano que organizamos;…) mas que me fizeram, nos anos seguintes, sentir-me parte, ainda que insignificante, da procura da possibilidade de auto-determinação daquele povo e país.

Eis-nos 3 décadas depois a viver a invasão (palavra proibida I) de um país europeu por uma Rússia que, além de proibir palavras, faz hoje guerra (palavra proibida II) na Ucrânia. Que condena e procura vergar um povo e um país, privando-o do direito à democracia, aos direitos humanos e à auto-determinação. Como foi importante para mim, tenho procurado que também neste momento, quando conversamos com crianças/jovens sobre guerra, procuremos promover compaixão, reflexão sobre formas não violentas de resolução de conflitos e a procura de propósito/significado, também com acções e ainda que pareçam insignificantes. Aqui partilhei outras intervenções neste âmbito. Partilho hoje uma peça da Patrícia Pires (CNN Portugal) e a entrevista da Iva Domingues (TVI) de apresentação de um documento da OPP sobre o assunto – um primeiro de futuros contributos, pela promoção de literacia e disponibilização de informação de base científica, para o momento que vivemos.

Eis-me 3 décadas depois, psicólogo e, por isso, membro de uma profissão “empenhada, preparada e motivada” para, também nesta grave crise, contribuir para a resposta aos desafios que se colocam às pessoas em Portugal e no Mundo. Para advogar, mobilizar-se e contribuir para a criação de respostas de suporte às populações, conforme assinalamos (OPP) neste comunicado, onde condenamos veementemente esta trágica e indecente guerra.

Após a prontidão, Putin e o seu comando militar terão iniciado exercícios no mar de Barents com submarinos nucleares. Poucas horas antes de o sabermos, dizia Timothy G. Ash que não devemos começar frases por “estou certa/o que Putin não faria isso”. Não, não devemos. Antes podemos, com segurança, começar com “estou certa/o que as psicólogas e os psicólogos não deixarão de contribuir com a sua ciência (desenvolvendo-a e transferindo-a) e prática para os principais desafios societais, “sejam a pobreza e exclusão, crises de saúde pública, a crise climática ou a paz.” Sempre pela possibilidade de auto-determinação e de bem-estar de todas e todos. Sempre pela coesão social.

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(Des)informação e conflito violento

“É mais um tabu que cai”.

J.Borrell, líder da diplomacia europeia, disse-o no anúncio da inédita utilização do Mecanismo Europeu para Apoio à Paz para reembolso aos países da UE dos custos da assistência prestada à Ucrânia, seja militar, de equipamento não-letal, de protecção ou de primeiros socorros. No novo pacote de restrições inclui-se o encerramento do espaço aéreo europeu a aviões de entidades/personalidades russas e, não menos relevante/polémico, a proibição da emissão de canais de TV associados ao governo russo. “Não vão mais poder espalhar as suas mentiras para justificar a guerra de Putin e para semear a divisão na nossa União”, disse Von der Leyen.

A gestão de conflitos entre grupos ou países (e a sua “evolução” para formas violentas) vive muito da comunicação e, desde sempre, mas com cada vez maior intensidade/ rapidez, do binómio informação/desinformação. Os inimagináveis e trágicos últimos dias, que se sucedem a meses e anos deste binómio, demonstram-no. Como demonstra o Roskomnadzor, serviço federal de supervisão de telecomunicações, tecnologias de informação e media, apelidado de “regulador” da comunicação social russo, que proíbe as palavras “invasão” e “guerra” sugerindo a descrição da invasão e guerra como “operação militar especial de manutenção da paz”. Serviço criado por Medvedev, hoje Vice-Presidente do Conselho de Segurança presidido por Putin, que sugeriu o “rompimento com todos os países ocidentais” e a possibilidade da Rússia sair do “New START” (acordo de controlo de armamento nuclear), horas antes da Bielorrússia “votar” ontem o fim da sua neutralidade nuclear.

“Há aqui uma mudança. Nessa altura [há décadas] era para decidirmos entre champôs. Agora sobre pessoas para presidir países (…) ou para excluir países da UE”. Excerto da conversa que tive com a Gabriela Moita para o “Impaciência do Coração” (RTP2) que volto a partilhar. Conversa sobre (des)informação, impactos e sobre o contributo da ciência psicológica para a sua compreensão, mitigação e prevenção, há qual hoje acrescentaríamos a situação no Leste Europeu. Ou, como a desinformação influi na polarização da sociedade e na quebra de confiança, base da coesão social, discutido numa conversa com a Marisa Anastácio promovida pela CM Torres Vedras.

A comunicação é fundamental na mobilização e no apoio à gestão emocional da população em situações complexas, como crises ou catástrofes, conforme testemunhamos na pandemia e nos incêndios rurais de 2017. Fundamental a comportamentos pró-saúde, de cuidado connosco e com as e os outros, e pró-sociais, de compaixão e empatia. É certo que a verdade tende a ser a 1ª vítima da guerra mas, é também certo, que a verdade (e confiança) é, também, o 1º caminho para a Paz. Pela réstia de previsibilidade na imprevisibilidade. Pelo que representa de empatia, compaixão e de esperança em que se inverta rapidamente o cenário e caminhemos em direcção à Paz.

 

https://www.rtp.pt/play/p8960/e564277/impaciencia-do-coracao