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A primavera há-de chegar…

“A primavera há-de chegar”, título de um “grande” livro de Fante. Evoco-o, sugerido por uma música de um filme que trata a complexidade da guerra: “E todos os anos; pássaros livres voam (…) a floresta suspira; esperando pela primavera; para os trazer de volta.” Ontem, a primavera chegou. Ontem, como há muitos anos não sucedia, chegou com a complexidade de uma (trágica e obscena) guerra na Europa. Um trabalho da Sílvia Maia (LUSA) para o qual contribui, resultou em três notícias que, creio, demonstram esta complexidade e os seus múltiplos impactos:

  1. “Escolas apoiam alunos afetados pelas imagens da guerra na Ucrânia”, tratando os impactos (naturais) da guerra no comportamento das crianças, “sensíveis à situação que estão a viver, dispostas a lutar por um mundo melhor e que estão disponíveis para os outros”. Na peça assinalo que “as escolas estão hoje muito mais bem preparadas do que estavam há 10 anos, mas tendo em conta estes dois acontecimentos – a pandemia e agora a guerra – todos os recursos são poucos”.
  2. “Psicólogos defendem urgência na integração de crianças refugiadas nas escolas”, onde sublinho a importância da rápida integração nas Escolas de crianças/jovens, potenciando a criação de rotinas (fundamentais à previsibilidade e controlo) e de suporte social (fundamental à resiliência e ao bem-estar). Reforço a importância de, numa primeira fase, se privilegiar as relações e os espaços de espontaneidade e de brincar face ao currículo, bem como da criação de espaços seguros, investindo-se numa rede de mediadoras/es ucranianas/os. Abordo, ainda, o papel reparador que a Escola pode assumir, bem como a universalidade das emoções, das referências (a Frozen, o Harry Potter ou o Tik Tok) e a capacidade de adaptação das crianças como “antídotos” à adversidade/dificuldades (ex. língua).
  3. “Psicólogos portugueses dão formação a colegas ucranianos”, onde abordo a resposta da OPP à solicitação da Associação Nacional de Psicólogos Ucraniana e apoio à formação de 32 psicólogas/os (que em cascata formarão outras/os) em intervenção psicológica em situações de crise e catástrofe, considerando que “a intervenção psicológica precoce (nomeadamente os Primeiros Socorros Psicológicos) é de extrema importância na estabilização inicial e na prevenção do desenvolvimento de psicopatologia”.

Da inspiração de quem, mesmo em condições extremas, procura apoiar outras/os ao apoio à minimização dos impactos da guerra e recuperação de quem escolhe ou chega a Portugal proveniente dela… Contributos das/os psicólogas/os que se complementam com o seu apoio à construção e manutenção da Paz.

Porque, “a floresta suspira; esperando pela primavera; para os trazer de volta”.

Porque, a “primavera há-de chegar”.

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