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Putin

“O medo é um catalisador de bom senso.” Frase de Putin (1992) que Malmgren partilha num texto onde explica como este usa o medo como veículo de pressão em conflitos e disputas e como racionaliza a sua utilização (estímulo ao bom senso).

Sabemos, no entanto e porventura porque já o sentimos, que o medo, quando extremo, paralisa. Interfere negativamente na vida de pessoas e comunidades, provoca sofrimento psicológico e faz-nos sentir encurralados e indisponíveis para prosseguirmos actividades e projectos de vida, nos cumprirmos, realizarmos e libertarmos para um futuro diferente. Como usa do passado para impactar o presente e o futuro, podendo determiná-lo.

Sabemos, ainda, que o medo é por vezes utilizado para enfraquecimento do(s) outro(s) e para garantir atenção mediática. Assim é quando um atentado provoca terror, quando o Estado Islâmico mostra imagens que horrorizam ou quando Putin ameaça, agride (física e psicologicamente) ou invade.

Parte de um conjunto de iniciativas e contributos, dirigidos à sociedade civil, a decisoras/es e a psicólogas/os (Psicologia | Construir a Paz – https://www.ordemdospsicologos.pt/pt/p/psicologia-construir-a-paz), “Psicologia em tempo de guerra” resulta da colaboração entre a CNN PORTUGAL e a ORDEM DOS PSICÓLOGOS PORTUGUESES e consubstancia-se num artigo diário que cruza contributos da ciência e prática psicológica para a compreensão da situação de guerra que vivemos e para a possibilidade de construção de Paz. Depois de artigos de @FRANCISCO MIRANDA RODRIGUES; RENATO CARVALHO; PAULO CUNHA; DANIEL COELHO; MIGUEL OLIVEIRA; EDUARDO CARQUEJA; ANA ISABEL MOTA TELES; RAQUEL RAIMUNDO e MIGUEL RICOU, partilho o que escrevi.

Nele reflicto sobre um Putin que se apresenta ao Mundo como medindo 170cm mais, pelo menos, 5cm do que efectivamente medirá e, simbolicamente, tem como referência Pedro, o Grande. Como usa – em proveito de uma narrativa que construiu, que se alimenta de uma “bolha” fechada e que se baseia num ideal identitário de não reconhecimento do outro e da diversidade – o medo, as TIC, as vulnerabilidades de lideres políticas/os e de pessoas que sofrem com situações de pobreza, precariedade e/ou exclusão e a incompreensão generalizada que, do outro lado da guerra, não está a ausência de guerra, mas a Paz – Paz essa impossível quando existe qualquer tipo de violência, agressão, opressão ou deslegitimação.

Nele discuto como a psicologia contribui para a compreensão do papel do medo, da solidão, do encerramento e do efeito de “bolha” de grupos fechados ou da percepção das forças/fraquezas/vulnerabilidades e como pode (e deve) contribuir para a construção da Paz.

Nele pergunto se “conseguirá a Rússia, além de reconhecer que não precisa(va) de Putin, sair da sua propaganda e desvincular-se dele?”, para que possamos aspirar a um Mundo sem medo que possa olhar e reparar o passado para se projectar no futuro. Um Mundo sem medo de ser o que é, do tamanho que é. Sem medo da autodeterminação dos povos, dos direitos humanos e de se cumprir. Um Mundo de Paz.

Ps. Dia da Mulher. Que nunca esqueçamos porquê. Obrigado a vocês

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