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Quando tinha 8 anos e quem tem 8 anos hoje…

Tinha 8 anos quando em Novembro de 1991 vi imagens que, viajando 15.000 km, se alojaram imediatamente em mim, perdurando até hoje na minha memória. Na nossa memória. Tinha acontecido o massacre do cemitério de Santa Cruz (Díli) e algo mudou em mim nesse dia. Sei (sinto), ainda hoje, o quão me foi importante uma ideia de mobilização e de esperança que se seguiu a esse momento, simbolizada em acções que parecem simples (uma carta que na Escola escrevemos a crianças Timorenses; um cordão humano que organizamos;…) mas que me fizeram, nos anos seguintes, sentir-me parte, ainda que insignificante, da procura da possibilidade de auto-determinação daquele povo e país.

Eis-nos 3 décadas depois a viver a invasão (palavra proibida I) de um país europeu por uma Rússia que, além de proibir palavras, faz hoje guerra (palavra proibida II) na Ucrânia. Que condena e procura vergar um povo e um país, privando-o do direito à democracia, aos direitos humanos e à auto-determinação. Como foi importante para mim, tenho procurado que também neste momento, quando conversamos com crianças/jovens sobre guerra, procuremos promover compaixão, reflexão sobre formas não violentas de resolução de conflitos e a procura de propósito/significado, também com acções e ainda que pareçam insignificantes. Aqui partilhei outras intervenções neste âmbito. Partilho hoje uma peça da Patrícia Pires (CNN Portugal) e a entrevista da Iva Domingues (TVI) de apresentação de um documento da OPP sobre o assunto – um primeiro de futuros contributos, pela promoção de literacia e disponibilização de informação de base científica, para o momento que vivemos.

Eis-me 3 décadas depois, psicólogo e, por isso, membro de uma profissão “empenhada, preparada e motivada” para, também nesta grave crise, contribuir para a resposta aos desafios que se colocam às pessoas em Portugal e no Mundo. Para advogar, mobilizar-se e contribuir para a criação de respostas de suporte às populações, conforme assinalamos (OPP) neste comunicado, onde condenamos veementemente esta trágica e indecente guerra.

Após a prontidão, Putin e o seu comando militar terão iniciado exercícios no mar de Barents com submarinos nucleares. Poucas horas antes de o sabermos, dizia Timothy G. Ash que não devemos começar frases por “estou certa/o que Putin não faria isso”. Não, não devemos. Antes podemos, com segurança, começar com “estou certa/o que as psicólogas e os psicólogos não deixarão de contribuir com a sua ciência (desenvolvendo-a e transferindo-a) e prática para os principais desafios societais, “sejam a pobreza e exclusão, crises de saúde pública, a crise climática ou a paz.” Sempre pela possibilidade de auto-determinação e de bem-estar de todas e todos. Sempre pela coesão social.

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