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(Des)informação e conflito violento

“É mais um tabu que cai”.

J.Borrell, líder da diplomacia europeia, disse-o no anúncio da inédita utilização do Mecanismo Europeu para Apoio à Paz para reembolso aos países da UE dos custos da assistência prestada à Ucrânia, seja militar, de equipamento não-letal, de protecção ou de primeiros socorros. No novo pacote de restrições inclui-se o encerramento do espaço aéreo europeu a aviões de entidades/personalidades russas e, não menos relevante/polémico, a proibição da emissão de canais de TV associados ao governo russo. “Não vão mais poder espalhar as suas mentiras para justificar a guerra de Putin e para semear a divisão na nossa União”, disse Von der Leyen.

A gestão de conflitos entre grupos ou países (e a sua “evolução” para formas violentas) vive muito da comunicação e, desde sempre, mas com cada vez maior intensidade/ rapidez, do binómio informação/desinformação. Os inimagináveis e trágicos últimos dias, que se sucedem a meses e anos deste binómio, demonstram-no. Como demonstra o Roskomnadzor, serviço federal de supervisão de telecomunicações, tecnologias de informação e media, apelidado de “regulador” da comunicação social russo, que proíbe as palavras “invasão” e “guerra” sugerindo a descrição da invasão e guerra como “operação militar especial de manutenção da paz”. Serviço criado por Medvedev, hoje Vice-Presidente do Conselho de Segurança presidido por Putin, que sugeriu o “rompimento com todos os países ocidentais” e a possibilidade da Rússia sair do “New START” (acordo de controlo de armamento nuclear), horas antes da Bielorrússia “votar” ontem o fim da sua neutralidade nuclear.

“Há aqui uma mudança. Nessa altura [há décadas] era para decidirmos entre champôs. Agora sobre pessoas para presidir países (…) ou para excluir países da UE”. Excerto da conversa que tive com a Gabriela Moita para o “Impaciência do Coração” (RTP2) que volto a partilhar. Conversa sobre (des)informação, impactos e sobre o contributo da ciência psicológica para a sua compreensão, mitigação e prevenção, há qual hoje acrescentaríamos a situação no Leste Europeu. Ou, como a desinformação influi na polarização da sociedade e na quebra de confiança, base da coesão social, discutido numa conversa com a Marisa Anastácio promovida pela CM Torres Vedras.

A comunicação é fundamental na mobilização e no apoio à gestão emocional da população em situações complexas, como crises ou catástrofes, conforme testemunhamos na pandemia e nos incêndios rurais de 2017. Fundamental a comportamentos pró-saúde, de cuidado connosco e com as e os outros, e pró-sociais, de compaixão e empatia. É certo que a verdade tende a ser a 1ª vítima da guerra mas, é também certo, que a verdade (e confiança) é, também, o 1º caminho para a Paz. Pela réstia de previsibilidade na imprevisibilidade. Pelo que representa de empatia, compaixão e de esperança em que se inverta rapidamente o cenário e caminhemos em direcção à Paz.

 

https://www.rtp.pt/play/p8960/e564277/impaciencia-do-coracao

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