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Psicologia Tecnologia Tomada de Decisão

Ética, Psicologia e Tecnologia em 3 Harris

Ed Harris – Actor que, pelas feições e pela voz, dificilmente esquecemos. Não creio possível que quem viu tenha ficado indiferente a como interpretou e realizou o filme Pollock onde nos mostra o pintor referência do expressionismo abstracto e autor do “A chave” que aqui partilho. O abstracto, tão empolgante na arte, não pode ser trazido para o contexto das novas tecnologias e isso é uma das chaves para a ética nas e das mesmas.

Sydney J. Harris – Jornalista e Escritor, afirmou que o real “perigo não era que os computadores começassem a pensar como seres humanos mas que estes viessem a pensar como computadores”. Uso-o para, dizendo-o de outra forma, me associar à defesa de que toda a nova tecnologia deve considerar, em desenvolvimento e implementação, os seus impactos nas pessoas e na sociedade. Afirmo-o alertando para a necessidade de uma atitude ética neste processo e para o contributo da ciência psicológica na mesma e faço-o num momento especialmente relevante porque o Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida passou a ter como Conselheiro o Miguel Ricou, representando a Ordem dos Psicólogos Portugueses e as psicólogas e psicólogos portugueses.

Tristan Harris – Co-fundou e dirige o Centro de Tecnologia Humana e reflecte sobre os impactos de uma tecnologia que “nos conhece melhor do que nos conhecemos a nós próprios”. Quando assim é, a Psicologia é fulcral. Digo-o eu e di-lo a psicóloga A.Sethumadhavan que na Microsoft dirige uma unidade centrada na experiência dos Utilizadores, IA,Ética e Sociedade. Recentemente explicava como a sua Unidade trabalha para garantir que, no desenvolvimento de novos produtos, são considerados 6 pilares éticos (inclusão, justiça, privacidade/segurança, transparência, confiança e prestação de contas), dando exemplos de como trabalhava não apenas questões importantíssimas (mas hoje mais óbvias) relacionadas com dimensões sociais e culturais, mas também aspectos relacionados com a personalidade. Explicava como, por ex., tratavam o binómio extroversão/introversão das utilizadoras e utilizadores, não apenas numa dimensão de literacia e desmistificação de preconceitos junto das equipas (nomeadamente a valorização normalmente atribuída à extroversão – a este propósito leia-se o excelente artigo da Raquel Raimundo | https://www.publico.pt/2021/05/06/impar/noticia/extrovertido-nao-qualidade-introvertido-nao-defeito-1961095), mas como investigavam formas de tornar a tecnologia mais inclusiva de pessoas mais introvertidas, garantindo maior responsividade dos produtos ao maior tempo de reflexão para reacção que necessitam face às e aos mais extrovertidas.

Um exemplo apenas de um amplo conjunto de conhecimento e de evidência científica que pode ser mobilizada para junto das equipas que desenvolvem/implementam novas tecnologias e que, quem sabe, pode ser “chave” para uma tecnologia mais ética e responsiva às pessoas e por isso mais promotora de bem-estar e coesão social.

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Emergência Climática Psicologia Tomada de Decisão

Evitar.

Evitar.

Harari defende que devemos conhecer a história não para prever o futuro mas para, com “a libertação do passado”, sermos mais capazes de “imaginar destinos alternativos”. Assume que isso, não significando “liberdade total” (por não podermos evitar a influência do passado) é, ainda assim, muito importante.

Evitar (ou não) o que existiu, existe e existirá ocupa-nos enquanto pessoas e sociedade bastando pensar hoje em Portugal a discussão do passado colonial, a COVID-19 ou a crise climática.

Sustein no seu último livro (Averting Catastrophe) debate uma potencial teoria da decisão para catástrofes a partir de contributos da ciência psicológica e dos conhecidos desconhecimentos e dos ainda desconhecidos desconhecimentos. Reflecte sobre o maximin e em que circunstâncias devemos procurar eliminar o pior dos piores cenários, o seu custo e como enviesamentos (ex optimismo) e heurísticas (disponibilidade) influenciam decisões, sempre partindo de que potencialmente não viveríamos (pessoas) ou decidiríamos (sociedade) se procurássemos, sempre, eliminar o pior dos piores cenários.

Como não podemos evitar a influência do passado, não podemos evitar a influência de como tomamos decisões no presente/futuro. Num e noutro caso reconheçamo-lo para imaginar e construir destinos alternativos.

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Ordem dos Psicólogos Portugueses Psicologia

Magazine – Quando, Como e Porquê?

“Senhores espectadores, boa noite! Vamos apresentar a 1ª edição do Telejornal da RTP constituída por noticiário e actualidades do país e do estrangeiro”. Estávamos em 1959 e foram estas as palavras com que Mário Pires abriu o 1º Telejornal em Portugal, um “programa” inspirado no Telegiornale da RAI Italiana que se iniciara 5 anos antes.

Passaram 61 anos, vivemos outro tempo e outros desafios, um sistema político diferente e com outras possibilidades e direitos no acesso à informação e liberdade. 61 anos sempre com os Telejornais como modelo procurado por milhões de pessoas para acesso ao “noticiário e actualidades”.

Procurando aumentar as formas disponíveis para acesso à informação sobre a OPP, tornando-a mais acessível e presente junto de todas/os as/os psicólogas/os, a Ordem dos Psicólogos Portugueses, num trabalho exclusivamente realizado pela sua equipa, disponibilizou um novo Magazine Informativo (“Quando, Como e Porquê”) que vos convido a ver e que pretende resumir “notícias e actualidades” da associação de todas/os as/os psicólogas/os e do que a rodeia.

É mais uma forma de estarmos cada vez mais próximos e de estando mais próximos sermos uma OPP cada vez mais forte e com maior capacidade de responder aquilo que o país, as pessoas e as/os psicólogas/os dela esperam.

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COVID-19 Pobreza e Desigualdade Psicologia

Odemira…

A 22.10.2014 deixamos o concelho de Odemira onde vivêramos os anos anteriores. Nesse dia nasceria uma das filhas de uma amiga e um amigo que são do que melhor guardamos desse período e viajaríamos no “popular” IC1 com o nosso 1º filho a 7 semanas de nascer. A 24.04.2021, a 7 semanas da data prevista para o nascimento do nosso 2º filho, Odemira era o concelho com maior taxa de incidência de casos COVID-19 e sabemos o que se seguiu.

“Pareto, Penumbras e Prevenção – 3 “P” para Odemira”, 7º artigo da rubrica “Ao redor…” (Sábado) centra-se no facto de no “pára-arranca de casos” o país se ter confrontado com o problema social complexo que Odemira vivencia.

Nele proponho 3 “P”: Pareto – perseguir uma economia de bem-estar assente na eficiência de Pareto, visando a melhor alocação de recursos possível e um sistema que não permita que “uma das partes melhore” se tal implicar que “outra piore”; Penumbras – o seu crescimento entre grupos (de interacções e das sombras delas resultantes), diminuindo preconceitos e potenciando a empatia; Prevenção – da desumanização, adaptação e dessensibilização, fadiga de compaixão e “normalização” do que não é nem pode ser o esperado ou sequer o possível.

Singelo contributo sobre tão complexo e impactante desafio de um território tão significativo para mim

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COVID-19 Psicologia

17.5

Neste 17.5, dia muito importante para a minha família, comemora-se o Dia Internacional de Luta contra a Homofobia, Transfobia e Bifobia. Nele celebra-se o caminho percorrido pela não discriminação e pelos direitos LGBTIQ enquanto direito humano fundamental. Com ele celebram-se, também, todos os direitos humanos na sua universalidade e a aspiração da cabal concretização dos mesmos junto de cada pessoa em cada circunstância ou lugar deste Mundo.

Este dia e as conquistas nesta matéria, importantes ainda que insuficientes, resultam em parte de uma ligação entre o activismo social e político com o aprofundar do conhecimento e evidência da ciência.

Sobre a necessidade de nos activarmos e de não “normalizarmos” o que não é nem pode ser o esperado, conversei com a Margarida Alpuim para o trabalho “Que apatia é esta que andamos a sentir?” onde reflectimos sobre o continuum entre um certo “definhamento” e o florescimento – enquanto capacidade de nos cumprirmos e de cumprirmos o nosso potencial – adaptação, autocuidado e ajuda profissional e a necessidade de termos objectivos, propósitos, algum controlo e previsibilidade.

Também sobre a necessidade de nos activarmos escrevi um artigo para a minha rubrica (Ao redor…) da Revista Sábado a propósito de Odemira que aqui partilharei em breve.

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Psicologia Tomada de Decisão

Escolher.

Escolher.

Vivemos (n)um Mundo de complexidade crescente com mais informação, actividades, produtos, estudos, desafios, artigos, reflexões, comentários.

A cada dia mais possibilidade de escolha, necessidade de escolher e rapidez na informação/confirmação das escolhas, porém:
1) a escolha “infinita”, pela paralisia que provoca ou pela insatisfação associada à escolha vs potenciais outras escolhas, não aumenta o bem-estar, defendendo B. Schwartz que algumas escolhas o provocam mais do que nenhuma ou muitas escolhas possíveis;
2) reforça o “paradoxo do omnívoro” definido por C. Fischer como a incerteza que a possibilidade de escolha introduz na alimentação e o contrassenso de co-existir com pessoas que não têm recursos/condições para escolher… Por vezes para se alimentar.

Escolher “melhor”, como K. Lewin defendeu na década de 1930, pode depender de ousarmos ir além da “força” e, quando forças puxam para lados opostos, não colocar mais força num dos lados mas remover as barreiras que nos impedem de chegar a um dos lados. A uma escolha.

Sendo desafiante, é bom escolher. Usar da possibilidade e da liberdade para, com responsabilidade, escolher. Escolher e, eventualmente, errar, falhar.

Acreditando na possibilidade de reparação. Acreditando, como Beckett, que falharemos melhor depois.

 

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Política Psicologia

Que cidade e território queremos?

“Autárquicas 2021 – Por um Portugal de ABC”, 6º artigo da rubrica “Ao redor…” (Sábado), centrado na feliz coincidência de 2021 ser ano de Autárquicas e do seu potencial papel “no repensar e no recuperar a que estamos obrigados e na mudança que daí pode e deve resultar”.

Ao expor “vulnerabilidades, iniquidades e a forma como intrinsecamente se relacionam”, a pandemia reforçou “a importância da proximidade e a pertinência da adaptação e personalização das respostas em crises às características, necessidades e aspirações das pessoas, grupos e comunidades”. Noutro prisma, permitiu-nos reiniciar e “voltar ao mais básico do que queremos das cidades e dos territórios (a possibilidade de fruição dos mesmos por todas e todos que os habitam ou visitam) e aspirar a um Portugal de ABC – Autarquias de Bem-estar e Coesão social”.

Considerando-o, o artigo é um singelo estímulo para que as equipas candidatas promovam a participação activa da população neste processo (do desenho de projectos considerando as suas necessidades/aspirações à sua concretização futura) e nele recorram a contributos de diversas áreas científicas, nomeadamente da ciência psicológica.

A vós que, ao ler-me, me estimulam a reflectir, pergunto: que cidade e território querem? O que podem(os) fazer para a/o tornar possível?

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Ao redor... (Revista Sábado) Democracia Psicologia

Honestidade

Declaro que as palavras que em seguida partilho resultam do meu pensamento e da minha leitura da investigação da ciência comportamental sobre um tema muito complexo, multifactorial e que impacta significativamente a sociedade, a honestidade. Pretendendo, com elas, suscitar reflexão sobre algumas das suas dimensões. Asssinado: Tiago Pereira.

“Qual é o primeiro passo para curar e recuperar [as pessoas, para recuperar o país]?”, perguntaram-me num programa de rádio onde recentemente participei. Num segundo, o mais emergente em mim: “o primeiro passo é retomarmos uma dimensão de confiança em nós e nos outros”. Após, continuei: “recuperarmos a confiança em nós e isso nos ligar aos outros é muito importante para o futuro até porque isto não é algo novo (…) há uma crise de confiança [nas instituições, nas outras e nos outros] que se instalou já pré-pandemia e que pode ser preocupante”.  Todas e todos, mais presentes, já passados ou até perspectivados, teríamos diferentes, mas múltiplos exemplos do que pode contribuir para esta crise de confiança, sejam situações mais ou menos específicas ou exemplos (casos) mais ou menos mediáticos.

Quando se vivem crises colectivas ou mesmo globais, a confiança, sempre importante, torna-se essencial e decisiva. É ela que previne o deslaçar das relações em sociedade, a desfragmentação e o potencial “passa culpas” entre grupos populacionais, quer seja pela sua pertença comunitária, etária, partidária ou sócioeconómica. Por isso, construir confiança nas instituições e nas autoridades e suas recomendações é essencial e, para que tal suceda, a verdade e a honestidade devem sempre nortear a comunicação com a população.

 

Creio que todas e todos temos presente que o nosso comportamento e tomada de decisão não são 100% racionais bastando, para tal, que reflictamos sobre o que comemos no sofá em alguns dias das últimas semanas para, imagino, identificarmos comportamentos menos racionais. Quando reflectimos sobre exemplos de irracionalidade em nós e em quem nos rodeia tendemos também a identificar outro tipo de comportamentos – comportamentos desonestos. Importa, porém, que tenhamos presente que a desonestidade não resulta sempre de irracionalidade.

Na realidade muitas e muitos de nós já fomos em alguma situação desonestos e nem por isso deixamos de nos considerar “boas pessoas”. Algo também explicado pelo “fudge factor” (numa tradução possível, mas incompleta – factor de correcção) descrito pela equipa do psicólogo Dan Ariely enquanto factor que permite beneficiarmos com a desonestidade enquanto simultaneamente nos consideramos pessoas honestas e que explica porque algumas e alguns de nós consideramos “aceitável” ver um filme ou um jogo utilizando um stream ilegal, viajar a 130km/hora numa autoestrada ou dizer que um prato estava delicioso quando nem bom estava. Dito de outra forma, explica o hiato máximo (e comportamento) possível através desse efeito de correcção para nos sentirmos bem connosco e beneficiarmos de algo não legal (ilegal) ou não honesto (desonesto). Esse hiato varia de pessoa para pessoa (“um stream ilegal nunca, quando muito um artigo científico”) e, na pessoa, de momento para momento (“130 normalmente… se atrasada 140 km/hora”) e de tema para tema (“a uma peça de roupa sugerida numa loja digo que não gosto quando não gosto mas num restaurante não consigo”). Esta variância e as racionalizações (razões que encontramos) que justificam os nossos comportamentos desonestos, fazem da desonestidade algo não meramente irracional. Antes um fenómeno subjectivo, multifactorial, complexo e com significativo impacto na confiança nas pessoas, na sociedade e na integridade das instituições.

Ao depender da realidade, experiência e motivações, ou seja, da subjectividade de cada pessoa, a honestidade expõe-se particularmente ao tal “fudge factor” e, compreendê-lo, oferece-nos pistas necessárias para prevenirmos a desonestidade, desde a pequena à grande que deslaça sociedades. Diferentes estudos têm invariavelmente apontado para um significativo número de pessoas (por vezes superior a 70%) que podem ter comportamentos desonestos considerando-os legítimos através do factor de correcção. Em todo o caso, grande parte destas pessoas têm comportamentos desonestos de pequena dimensão e é pequena a percentagem de pessoas que têm comportamentos desonestos de grande dimensão. Nos estudos “Matrix” da equipa de Dan Ariely, onde mais de 28.000 pessoas (em 40.000) têm um comportamento desonesto (mentem no número de respostas correctas que dão, valendo cada uma 1 dólar), apenas 20 pessoas demonstram “grande desonestidade” e 28.000 “pequena desonestidade”. O primeiro grupo “custa em desonestidade” 400 dólares (20 em média por pessoa). O segundo mais de 50.000 dólares (um pouco menos de 2 por pessoa). Este dado deve fazer-nos reflectir sobre a quase totalidade de energia e atenção que colocamos no primeiro grupo, deixando pouco espaço para se investir em favorecer, também do ponto de vista comportamental, o comportamento honesto, motivando-o e reforçando-o.

Mais isto é importante quando sabemos que a norma social é um dos principais impulsionadores do “fudge factor”. Se e quando existe a percepção de que “todas/os o fazem” e a atenção mediática é colocada no comportamento desonesto, salientando-o, mais que desincentivá-lo muitas vezes isso legitima-o. Tal como quando ao comportamento desonesto é associada a ideia de que este “não prejudica ninguém” ou é “justo pelo seu fim”, sendo essencial que as consequências indirectas da desonestidade sejam sempre consideradas. Além da possibilidade de contágio a outras/os, a desonestidade pode potenciar mais desonestidade na própria pessoa, pelo impacto na sua identidade e pela sua adaptação, nomeadamente a que resulta das reações emocionais a este tipo de comportamento, diminuindo sucessiva e progressivamente os processos cerebrais que provocam sensações de desconforto aquando do comportamento desonesto. Finalmente, tem-se investigado o papel da ambiguidade, da desmaterialização e da dimensão ética e moral na desonestidade, sendo hoje muito claro que processos mais despersonalizados e/ou ambíguos e com menos clareza oferecem mais espaço para a legitimação da desonestidade e, pelo contrário, que quando se associam os processos a dimensões morais da própria pessoa se promove o comportamento honesto.

Na verdade, aqui e ali, no Mundo ao redor, o investimento na promoção da honestidade é e será amplamente mais eficaz, menos custoso e, pela confiança que produzirá e pelo impacto positivo na economia, fará mais pela sociedade e sua coesão do que o investimento exclusivo na também importante penalização da desonestidade, particularmente em Portugal onde, segundo o Eurobarómetro de Dezembro de 2019, 94% da população considerava a corrupção generalizada. Isto faz-se intencionalizando a utilização do conhecimento e da ciência, promovendo, salientando e reforçando o comportamento honesto. Isto faz-se, como continuei na resposta ao programa de rádio, recuperando as pessoas porque “as pessoas estarem bem do ponto de vista da saúde psicológica as ajuda a estar mais abertas, empáticas e disponíveis para os outros e isso, por si, reforçará a confiança e os laços”, também pelo contágio emocional que resulta de quando cuidamos de nós, cuidarmos das outras e dos outros, e pelo contágio comportamental que resulta de ao sermos honestos promovermos a honestidade.

 

Tiago Pereira
in Sábado (Ao redor…); 21.04.2021
https://www.sabado.pt/opiniao/convidados/tiago-pereira/detalhe/honestidade
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COVID-19 Psicologia

The first embrace

Recuemos 8 décadas. Pensemos numa Europa devastada pela II Guerra Mundial. Nesse tempo não existia o World Press Photo (WPP) cuja fotografia vencedora em 2021 retrata, segundo o autor, uma “história de amor e esperança em tempos difíceis” e a sua tentativa de sugerir empatia por que sofre através do “plástico de abraços”. Não havia WPP mas existia sofrimento, histórias de amor e esperança em tempos também difíceis e dele sobram 3 reflexões importantes:

1) a relevância atribuída ao estoicismo, na adaptação do conceito com 24 séculos a situações de stress, crise ou caos, enquanto possibilidade de mantermos controlo e operação sobre a nossa vida, fundamentais à resiliência;

2) o receio das autoridades de que a “mentalidade de abrigo” e o recolhimento prolongado redundasse em ansiedade e medo paralisantes que pusessem em causa a reconstrução do país;

3) as situações de stress pós-traumático (PTST) que, anos depois, ainda ou se passavam a manifestar.

Amanhã cumpriremos o 218º dia desde 19.3.20 em estado de emergência. 54% dos nossos últimos 406 dias.

Estoicamente chegamos a este fim.

Abracemos, agora e sem plásticos, a tarefa de apoiar as e os que continuem a sofrer, tenham dificuldade em “sair” ou venham a manifestar PSTP.

Promovamos resiliência. Recuperemos as relações. Reconstruamos o país.

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COVID-19 Psicologia

25.04.1974

“Estava a pensar como seria a vida antes do dia da liberdade”, respondeu. Ontem, quando ouvia(mos) o discurso de 25 de Abril do Presidente da República, olhei o meu filho que olhava o vazio parecendo que procurava compreender aquelas muitas e muito complexas palavras que ouvia e sabia importantes. Perguntei-lhe se o fazia. Não. Pensava…

Reflectia como me parece importante que todas/os façamos a partir desse importante discurso pois, para compreendermos e vivermos o presente, é fundamental termos perspectiva sobre o passado também para projectarmos o futuro.

Sobre este caminho (passado-presente-futuro), a conexão e relação, o humanismo e o papel da cultura (pela possibilidade de fruição e de abertura) na promoção da saúde psicológica, conversei com a Ana Pinto-Coelho em mais uma M-Talk, contributo para a construção de narrativa(s) sobre o período que vivemos.

Quanto ao meu filho, não pensava sobre o que ouvia mas sobre como seria a vida pré 25.04.1974… A sua desconcertante resposta fez-me pensar em tantas/os que antes não podiam ouvir palavras como aquelas que eu e nós podemos ouvir. Em tantas/os que, para que as escutemos, estavam privadas/os de olhar os seus filhos de 6 anos como eu ali fazia.

Pensei, grato. Celebro, sempre, grato.