Recuemos 8 décadas. Pensemos numa Europa devastada pela II Guerra Mundial. Nesse tempo não existia o World Press Photo (WPP) cuja fotografia vencedora em 2021 retrata, segundo o autor, uma “história de amor e esperança em tempos difíceis” e a sua tentativa de sugerir empatia por que sofre através do “plástico de abraços”. Não havia WPP mas existia sofrimento, histórias de amor e esperança em tempos também difíceis e dele sobram 3 reflexões importantes:
1) a relevância atribuída ao estoicismo, na adaptação do conceito com 24 séculos a situações de stress, crise ou caos, enquanto possibilidade de mantermos controlo e operação sobre a nossa vida, fundamentais à resiliência;
2) o receio das autoridades de que a “mentalidade de abrigo” e o recolhimento prolongado redundasse em ansiedade e medo paralisantes que pusessem em causa a reconstrução do país;
3) as situações de stress pós-traumático (PTST) que, anos depois, ainda ou se passavam a manifestar.
Amanhã cumpriremos o 218º dia desde 19.3.20 em estado de emergência. 54% dos nossos últimos 406 dias.
Estoicamente chegamos a este fim.
Abracemos, agora e sem plásticos, a tarefa de apoiar as e os que continuem a sofrer, tenham dificuldade em “sair” ou venham a manifestar PSTP.
Promovamos resiliência. Recuperemos as relações. Reconstruamos o país.