“Hoje é um dia de esperança na batalha contra a COVID”, disse Fernando Araújo no início da semana, aquando da desmontagem do Hospital de campanha, instalado no Centro Hospitalar Universitário de São João desde praticamente o início da pandemia.
Este é um momento que tem uma componente simbólica muito forte e importante. Porque o CHSJ teve, tem e certamente terá um papel relevantíssimo na resposta à pandemia (e ao que ainda viveremos das suas consequências directas e indirectas) e é, não raras vezes, visto como um barítono da resposta do SNS; porque o CHSJ ousou liderar alguns processos de forma visionária, como é exemplo a resposta que o seu serviço de psicologia, em boa hora criado e superiormente dirigido pelo Eduardo Carqueja, teve ao longo deste período; porque, finalmente, este “desmontar” corresponde a um movimento de adaptação que as pessoas, os serviços e a sociedade foram capazes de fazer face a este enorme desafio, muito apoiado na imunização significativa da população, cumprindo-se um dos principais propósitos do esforço colectivo dos últimos longos meses.
A esse dia sucede-se o dia hoje (1.9). Para algumas pessoas dia de fim de férias e para muitas famílias dia em que crianças/jovens retomam algumas actividades (ainda não curriculares) e preparam o novo ano lectivo. Diria, portanto, que toda esta semana é, simbolicamente, uma semana de esperança na batalha contra a COVID-19 e uma semana de regressos. Regressos esses que, sendo muito importantes na necessidade de conciliação de medidas de segurança sanitária com medidas de promoção e protecção da saúde psicológica e do bem-estar das pessoas, nos devem manter “alerta” para a necessidade de apoiarmos aquelas e aqueles de nós que possam neles sentir mais dificuldades, sejam elas por circunstâncias do seu contexto, da sua experiência ou até por vulnerabilidades prévias. Além deste apoio, creio fundamental mantermo-nos também “alerta” para recomendações que ainda existem, nomeadamente no que toca à necessidade de continuarmos a protegermo-nos também protegendo as outras e os outros, dando significado ao esforço e aos resultados que se obtiveram.
Sobre isto conversei com o Rui Gustavo para a peça “Máscara até quando” publicada no Expresso (20.8) que partilho e que abre com uma passagem sobre o “hindsight bias”: “Há um ano era difícil imaginar um mundo em que toda a gente usasse máscara. Agora, é difícil imaginar o mesmo mundo com pessoas a conviverem umas com as outras sem máscara”. Nela reflicto sobre o facto da acessibilidade, experiência e da possibilidade hoje existente do uso de máscara conduzir a que, mesmo quando não obrigatória, o seu uso com múltiplos fins possa persistir, durante algum tempo, junto de algumas pessoas, em algumas situações.
Adpatamo-nos às restrições. Adaptar-nos-emos ao seu levantamento. Num e noutro processo, alguns e algumas de nós com dificuldades que devem, sempre, ser validadas e apoiadas a bem do bem-comum e da possibilidade de bem-estar de todas e todos.
