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COVID-19 Psicologia Tomada de Decisão

A vacinação nas e nos jovens.

“Nós, os de então, já não somos os mesmos.” Verso do poema 20 do livro “20 poemas de amor e uma canção desesperada” escrito aos 20 anos por Pablo Neruda. No dia do seu nascimento (1904) evoco-o trazendo a memória da forma como olhava a irrequietude transformadora (em certa medida utópica) da juventude, o seu potencial e a sua complexidade.

“Nós, os de então, já não somos os mesmos”, não precisamos do mesmo, da mesma forma, no mesmo momento. Entendê-lo, aceitando-o, é fundamental para compreendermos a forma como nos comportamos, relacionamos e tomamos decisões em diferentes momentos. É fundamental para compreendermos que o que necessitamos (também na promoção da adesão a determinados comportamentos) se altera ao longo da nossa vida.

Sobre isto tenho procurado reflectir. Escrevi um artigo/ensaio intitulado “Pessoas que não cumprem medidas ou medidas (e comunicação) que não cumprem as pessoas?” e contribuo, sempre que possível, em diversos fóruns, junto de decisores, de colegas e profissionais de outras áreas, e da sociedade civil, também através da comunicação social.

No Sábado foi publicada a peça da @Mariana Caeiro da agência LUSA (aqui) sobre a vacinação na população mais jovem. Nela reforço que, sendo a hesitação da vacinação um desafio complexo (1 das 10 ameaças globais à saúde segundo a OMS já pré-pandemia), Portugal é um dos países com melhores indicadores a este nível, tendo um Plano Nacional de Vacinação de referência e com impacto significativo na saúde e bem-estar da população. Conforme o é o Plano de Vacinação contra a COVID-19, também com resultados relevantes e forte impacto na população.

Em todo o caso, noto que o plano é, na sua comunicação e logística, “desaproximado dos mais jovens”, por ter sido essencialmente desenhado para faixas etárias mais prioritárias, sugerindo que procuremos: 1) prevenir a sua complacência, lembrando benefícios para todas e todos do processo mas também os impactos no presente – por ex. os “custos” de um isolamento profilático no Verão e do que isso implica para esta faixa etária em termos de sofrimento psicológico; 2) promover a conveniência, aproximando a comunicação (clara,  personalizada e pensada também para redes sociais) e a logística dos espaços, saindo com segurança dos pavilhões e utilizando espaços associados ao seu bem-estar (de encontro, lazer e iniciativas), usando da experiência de sucesso das campanhas nas áreas das doenças sexualmente transmissíveis ou consumos; 3) promover a confiança no processo sendo essencial “não só que toda a gente seja vacinada, mas que toda a gente queira ser vacinada, confiando que isso é o melhor”.

Tudo, confiando (mais uma vez), nas autoridades e nos e nas jovens. “Empatizando ao invés de [embarcando] num discurso negativo”, em nada gerador de confiança (ainda outra vez), adesão às recomendações ou coesão.

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