Evitar.
Harari defende que devemos conhecer a história não para prever o futuro mas para, com “a libertação do passado”, sermos mais capazes de “imaginar destinos alternativos”. Assume que isso, não significando “liberdade total” (por não podermos evitar a influência do passado) é, ainda assim, muito importante.
Evitar (ou não) o que existiu, existe e existirá ocupa-nos enquanto pessoas e sociedade bastando pensar hoje em Portugal a discussão do passado colonial, a COVID-19 ou a crise climática.
Sustein no seu último livro (Averting Catastrophe) debate uma potencial teoria da decisão para catástrofes a partir de contributos da ciência psicológica e dos conhecidos desconhecimentos e dos ainda desconhecidos desconhecimentos. Reflecte sobre o maximin e em que circunstâncias devemos procurar eliminar o pior dos piores cenários, o seu custo e como enviesamentos (ex optimismo) e heurísticas (disponibilidade) influenciam decisões, sempre partindo de que potencialmente não viveríamos (pessoas) ou decidiríamos (sociedade) se procurássemos, sempre, eliminar o pior dos piores cenários.
Como não podemos evitar a influência do passado, não podemos evitar a influência de como tomamos decisões no presente/futuro. Num e noutro caso reconheçamo-lo para imaginar e construir destinos alternativos.