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As e os jornalistas… E eu.

Sábado, manhã. Muitas e muitos de nós iniciam o seu de fim de semana, com outras rotinas. Para outras e outros, porém, não é assim… Ao pensá-lo, ocorrer-nos-ão, certamente, diversas profissões, mas, dificilmente, as e os jornalistas. Nesta, como noutras reflexões. Pensamos pouco neste grupo profissional, com desafios incomensuráveis, particularmente quando assistimos a um processo de “dissolução” dos mediadores na sociedade. Profissionais de importância vital à sociedade, aos seus desafios e a uma ideia e perspectiva de desenvolvimento assente nos direitos humanos, na sustentabilidade, equidade e na possibilidade de autodeterminação das pessoas.

Recentemente, a propósito de uma reflexão sobre o bem-estar nas e nos jornalistas, li um (para mim) impactante artigo da jornalista Alex Sujong Laughlin. Descreve a forma como acompanhou a Convenção que nomeou Hillary Clinton como candidata às presidenciais e lhe foi impossível, num momento, não demonstrar as suas emoções (“eu sabia que naquele momento tinha que escolher entre o profissionalismo e a minha humanidade”), mesmo quando “eram menos a propósito de Hillary e mais sobre o que o momento simbolizava”. O artigo (É possível ser-se jornalista e um ser humano) reflecte sobre a sua visão da desactualização da forma como se pretende que as e os jornalistas sejam “objectivos” hoje, na sociedade contemporânea, com os meios existentes e com a desconfiança na comunicação social tradicional. É o “dizer a verdade” (não a mera objectividade) que melhor protege e preserva a confiança pública, defende.

Pensemos no desafio. No sofrimento ético. Na dúvida que lhe sobra se deveria ou não ter retirado as credenciais ao emocionar-se. Pensemos no quão hoje as e os jornalistas lidam com a desinformação num combate desigual, para que o jornalismo não seja “eliminado”. Com o contar de cliques/audiências, não lhes sucumbindo, para que o jornalismo não seja “condicionado”. Com a voracidade e sensacionalismo, para o que o jornalismo não seja “desvirtuado”.

Vem isto a propósito do recente e (para mim) lindíssimo texto que partilho da jornalista Phoebe Greenwood (“Ao acompanhar a morte [o processo] da minha psicoterapeuta, finalmente aprendi como viver”). Ele trata, também, os limites da relação (aqui terapêutica) com dimensões humanas e de vida. “Tínhamos 2 meses [tempo de vida estimado da psicoterapeuta] e, ao invés de interromper as sessões, aumentou-as, recusou o seu pagamento e, miraculosamente, teve tempo para me ensinar a viver sem ela”. Pediu-lhe [a psicoterapeuta] que escrevesse acerca dela… Disse-lhe: “Pensei que no meu funeral – eu vou morrer – te quero lá. Gostaria muito que lá estivesses, como jornalista”.

E lá estava.

Obrigado, jornalistas, por me fazerem companhia e me falarem. Obrigado por escreverem para e por mim. Por me ajudarem a pensar melhor, a ser mais livre e mais pessoa. A ser mais eu, hoje e amanhã.

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Ao redor... (Revista Sábado) Democracia Desafios da Psicologia Futuro da Psicologia Pobreza e Desigualdade Psicologia

A dúvida, a literacia e a defesa psicológica das sociedades democráticas, de Direitos e livres

A crise das democracias e como podemos vir a ser confrontados com uma realidade política que não consideraríamos imaginável no nosso tempo de vida. Ontem, no Fórum da DRCentro da @Ordem dos Psicólogos Portugueses (obrigado @Paulo Cunha e equipa), depois da recolha de contributos que dinamizei para https://finalapobreza.pt, a @Sofia Ramalho questionou-nos, a propósito do “Futuro da Profissão”, sobre crises que imaginamos no futuro. Falou-se de saúde mental, de ecrãs, de natalidade e longevidade, da crise climática e de coesão. Eu falei de ameaças à democracia, sistema que, com as suas limitações, mais protege a possibilidade de autodeterminação de todas e todos.

“A dúvida, a literacia e a defesa psicológica das sociedades democráticas, de Direitos e livres”, 47º artigo da rubrica “Ao redor” (Sábado) reflecte esta potencial crise a partir da dúvida. Dúvida que “embora por vezes útil e até oportuna face a algumas situações, não por acaso é explorada, da indústria à política. Da “dúvida é o nosso produto”, com que as tabaqueiras procuravam acrescentar dúvida à cada vez mais significativa evidência das consequências nocivas do tabaco, à forma como políticas/os (veja-se Donald Trump) a usam. “Lá, nos EUA, mas também na Europa ou até em Portugal, onde é crescente um discurso de estímulo e legitimação da desconfiança sobre pessoas, grupos, instituições e dados oficiais, porquanto líderes partidários afirmam, por exemplo, “desconfiar da informação sobre a criminalidade que tem sido divulgada nos Relatórios Anuais de Segurança Interna”.

“Este movimento, com exemplos históricos e de consequências nefastas para os Direitos Humanos, para o respeito e convivência e para a acção conjunta dos povos face a desafios globais, tende a legitimar a violência e a desumanização, caucionando-a e limitando possibilidades de actuação sobre a mesma de instituições e autoridades do Estado. Mina “a confiança, introduzindo desconfiança e questionamento de dados, da ciência, da racionalidade. Dos factos, inclusivamente.”

O reconhecimento deste fenómeno deve motivar-nos a atitudes proactivas para a sua prevenção e mitigação, considerando os impactos nas sociedades democráticas, de Direitos e livres.” Deve impelir-nos a reflectir e considerar acções, como são exemplo (aprofundados no texto), a introdução na Finlândia da literacia mediática no currículo das Escolas e a criação na Suécia da Agência de Defesa Psicológica, iniciativas de combate à desinformação e protecção da sociedade democrática e livre.

Áreas para as quais “também num processo de adaptação e reinvenção constante da ciência e da prática das psicólogas e psicólogos, aproximando-as dos desafios das pessoas e sociedades, podemos e devemos, a par com outras ciências e profissionais, contribuir”. Áreas “que devemos valorizar e investir considerando o quão fulcral é a coesão social e a possibilidade de autodeterminação de todas e todos ao bem-estar e a sociedades democráticas, de Direitos e livres.”

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Placebo.

“Dava-lhe um litro de gasolina com açúcar.” Ontem, no seu programa e comentando a notícia de um acidente causado por um “camião que perdeu os sentidos”, Ricardo Araújo Pereira brincava assim com o lapso na notícia. Brincava com o “copo de água com açúcar”, muito presente no meu (nosso, imagino) passado. Muito presente, ainda, como conversava com amigas/os há dias, nas Escolas, onde serve o propósito de cuidar de uma dor nas costas ou braço, de uma má notícia ou angústia.

Vem isto a propósito da reflexão que me acompanha sobre o “efeito placebo”. Esse curioso e estimulante (de reflexão) “efeito psicológico” que pode ter um “comprimido que não é comprimido” ou uma “intervenção inexistente” sobre problemas e sobre a qualidade de vida da pessoa, a partir da convicção ou no acreditar pela pessoa nos seus efeitos. Como a expectativa de um resultado pode induzir/activar mecanismos cerebrais que resultam mesmo, por exemplo, na diminuição da dor.

Este efeito, cuja investigação recente parece suportar que é hoje mais forte que há 20 anos, pode explicar em parte como podem intervenções sem evidência científica apresentar resultados positivos para algumas pessoas. Como pode o copo de água com açúcar persistir como resposta, mas, também, como pode este efeito psicológico ter resultados impactantes na redução de sintomas (em alguns casos quase semelhantes) quando comparado com a utilização de alguns medicamentos, por exemplo, junto de algumas pessoas com doença de Parkinson ou Depressão.

O conhecimento desta realidade deve, a meu ver e particularmente quando se consideram pessoas em situação de maior vulnerabilidade, motivar:

a) Cuidarmos este aspecto em intervenções experimentais e inovadoras, reforçando a nossa exigência na discussão de protocolos e resultados – neste sentido saúdo o trabalho e, particularmente, as cautelas e o cuidado expresso por Albino Oliveira-Maia à Inês Chaiça (PUBLICO) relativamente aos resultados promissores (“interessante[s], mas não extraordinariamente entusiasmante[s]”) de estudos sobre a utilização de psilocibina em pessoas com depressão, sublinhando a necessidade de continuarmos a investir nos estudos, melhorar protocolos e investigar formas de mitigação de efeitos secundários;

b) Recordarmos que o efeito placebo se resume a sintomas e é, crescentemente, utilizado como suporte da pseudociência – neste sentido importa prevenir a substituição de acções/terapêuticas que incidem sobre o problema base por outras, sem evidência, focadas nos sintomas e como devemos ser em simultâneo exigentes, mas sabedores das nossas características… Da nossa não permanente racionalidade e da natural (mas não inconsequente) procura de soluções simples e rápidas para problemas complexos.

Na saúde, onde o efeito placebo é hoje muito estudado e (por vezes mal) utilizado… Na sociedade ou política.

Um bom dia internacional da Cobertura Universal de Saúde… Que contribuamos para um “futuro saudável para todas e todos”, conforme seu mote.

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Menina – Rapariga – Mulher (Sábado; Ao redor…; 23.11.2022)

“Alcançar a igualdade de género e empoderar todas as mulheres e raparigas”. Penso em nomes, em todos os nomes. Penso na minha família, nas meninas, depois raparigas, hoje Mulheres. A promoção da igualdade de género é o objectivo 5 dos Objectivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) mas… “o que significa [hoje] ser Mulher?”, interpela-nos a sinopse do Woman, documentário dirigido por Yann Arthus-Bertrand e Anastasia Mikova. Na resposta, que no fundo é também o próprio documentário, agradecem às 2000 Mulheres de 50 países que “corajosamente partilharam a sua história”, que poderia ser a história de outras tantas cujo nome e história conheço. Na segunda década do século XXI partilhamos um Mundo onde Mulheres necessitam coragem, por vezes física, para se fazerem ouvir, contarem a sua história e ousarem direitos iguais aos dos Homens. Partilhamos um Mundo onde em 2019 é provavelmente mais necessária esta coragem que há alguns anos, senão em todo, em muitos dos seus países.

Por exemplo, no Afeganistão onde as Mulheres deixaram de poder entrar em parques ou feiras populares, frequentar todo o sistema educativo ou ter determinadas profissões. No Irão, onde raparigas e Mulheres são detidas e enviadas para supostos “centros de reeducação” pela não utilização ou “utilização incorrecta” do hijab. Nos Estados Unidos da América, onde uma sociedade profundamente polarizada faz da discussão sobre a (i)legalidade da interrupção voluntária da gravidez, incluindo em situações de especial complexidade (más formações do feto, perigo para a Mulher ou gravidez resultante de abuso sexual), tema, não de saúde pública, mas de política e de afirmação ideológica, quando não de tribalismo. Também na Polónia, onde a interrupção voluntária da gravidez não é hoje permitida, mesmo em situações de malformações ou de doenças incuráveis, ou na Hungria, onde um decreto governamental procura “obrigar” as Mulheres a ouvirem o batimento cardíaco do feto antes de interromperem voluntariamente uma gravidez. Ainda no Reino Unido onde Liz Truss, na sua curta passagem pelo Governo, propôs a dispensa das organizações com menos de 500 trabalhadoras/es de publicarem o seu relatório sobre o “gender pay” (disparidade salarial por género), justificando-o com a necessidade de diminuição de burocracia. Ou, finalmente, em Portugal, onde apesar das Mulheres serem ainda mais expostas a situações de precariedade e pobreza e existir uma enorme desigualdade salarial, o Acordo de Médio Prazo de Melhoria de Rendimentos, recentemente assinado pelo Governo e um conjunto significativo de parceiros sociais, estranhamente exclui a igualdade salarial do seu objecto e das suas metas.

Nesta rápida viagem pelo Mundo creio ficar claro que a desigualdade de género, além do objectivo 5 dos ODS, impacta outros. Da erradicação da pobreza às cidades e comunidades sustentáveis, passando pela redução das desigualdades. Do trabalho digno e crescimento económico à saúde de qualidade. Da paz, justiça e instituições eficazes à educação de qualidade. Conforme impacta outras dimensões, porquanto as meninas, raparigas e Mulheres são mais atingidas por problemas de saúde e de saúde mental (ansiedade e depressão, por exemplo), mais e diferentemente impactadas em situações de crise (conforme aconteceu com a pandemia por COVID-19) e mais expostas a formas diversas de discriminação e violência, conforme se assinalará no próximo dia 25 de Novembro, quando se comemorar o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres.

Uma sociedade ainda assente nesta desigualdade é, necessariamente, uma sociedade que condiciona e dificulta a dignidade, o cumprimento integral dos Direitos Humanos e a possibilidade de bem-estar e autodeterminação das Mulheres. Uma sociedade em que urge desenvolver contextos protectores e de segurança (também psicológica) para meninas, raparigas e Mulheres, capazes de fomentar a confiança, a autonomia, a liberdade económica e de mitigar iniquidades.

Uma sociedade ainda assente nesta desigualdade é, necessariamente, uma sociedade com menor competitividade e desenvolvimento económico sustentável, com maiores desafios demográficos e com menor qualidade das suas instituições. Uma sociedade que necessita reconhecer o trabalho invisível não remunerado, quer seja doméstico ou de cuidado informal, maioritariamente exercido por Mulheres. Trabalho que, além dos condicionalismos e desafios que comporta para a conciliação de papéis das Mulheres, se considerado, poderia significar um aumento de cerca de 36% no PIB de Portugal, aumento próximo do que tivemos nos últimos 30 anos. Uma sociedade que deve estimular a distribuição equilibrada de tarefas entre géneros, prevenindo a discriminação das Mulheres no mercado de trabalho, promovendo melhores condições para a natalidade e parentalidade e mitigando a reprodução de modelos e papéis junto das novas gerações e, particularmente, das meninas e raparigas. Uma sociedade que deve permitir que mais Mulheres participem em processos de decisão, melhorando a inclusão, diversidade e representatividade das instituições e a sua qualidade.

Na verdade, aqui e ali, no Mundo ao redor, “acabar com todas as formas de discriminação contra todas as Mulheres e meninas em todos os lugares; eliminar todas as formas de violência contra todas as Mulheres e meninas nas esferas pública e privada, incluindo tráfico, exploração sexual e outros tipos; reconhecer e valorizar o trabalho de assistência e doméstico não remunerado, por meio da disponibilização de serviços públicos, infraestrutura e políticas de proteção social, bem como a promoção da responsabilidade partilhada dentro do lar e da família, conforme os contextos nacionais; e garantir a participação plena e efetiva das mulheres e a igualdade de oportunidades de liderança” são a explanação e operacionalização da igualdade de género enquanto meta dos Objectivos do Desenvolvimento Sustentável. São-no, mas são também garantes do cumprimento da dignidade e dos Direitos Humanos de todas as pessoas, particularmente as meninas, raparigas e Mulheres, conheçamos ou não os seus nomes e história, enquanto algo essencial ao bem-estar de cada um e uma de nós e a uma sociedade mais justa e coesa. Interpelemo-nos, envolvamo-nos e enfrentemos o desafio de promover e acelerar a igualdade de género e a não-discriminação pois, como Baldwin afirmou, “nem tudo o que enfrentamos pode ser mudado, mas nada pode ser mudado enquanto não for enfrentado”.

 

Tiago Pereira

Menina – Rapariga – Mulher

in Sábado (Ao redor…); 23.11.2022

https://www.sabado.pt/opiniao/convidados/tiago-pereira/detalhe/menina—rapariga—mulher

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Agnotologia

Agnotologia: um termo desaparecido para descrever a produção cultural da ignorância (e o seu estudo). Este é o título do 1º capítulo do livro “Agnotologia: a construção e a desconstrução da ignorância”, escrito por R. Proctor e L. Schienbinger a partir, também, da reflexão sobre o potencial impacto na saúde pública das práticas da indústria do tabaco. Discute-se um memorando de 1979, primeiro secreto, hoje público, que reúne um conjunto de iniciativas de empresas – “O tabagismo e a proposta de saúde”. Nele assumia-se que “a dúvida é a melhor maneira de competir com o volume de informação que existe na mente do público em geral” e ser fundamental promover e financiar (também usando a ciência) a dúvida e intencionalizar a “criação de controvérsia” sobre os “impactos nocivos do consumo de tabaco”. Sendo este um caso “extremo” creio que temos presente que, também em 2022, talvez nunca com tantos recursos e de forma tão estrutural e complexa, a agnotologia é estimulada e alimentada, com profundas consequências na sociedade, nas relações entre pessoas e comunidades, na resposta aos principais desafios societais e na saúde (pública) e bem-estar.

E, se este movimento ocorre em muito patrocinado por organizações, empresas e até países que pretendem que os seus produtos / matérias-primas continuem a ser vendidos/utilizados, também decorre no seio político, na procura de agregação de pessoas a grupos/ideais políticos, não raras vezes usando a dúvida e as dimensões emocionais (como a raiva ou o ódio a outras/os) como força de mobilização. Num Mundo com complexidade e incerteza crescente e com redes sociais que permitem (e estimulam) a propagação “supersónica” da informação (particularmente a movida a emoções, dúvidas e “polarizadora”), creio fundamental o termos presente e, individual e colectivamente, contribuirmos para mitigação da agnotologia, algo só possível com mais e melhor ciência (inclusive nas políticas públicas), mais e melhor transferibilidade da ciência (inclusive junto das políticas públicas), mais e melhor comunicação da ciência (inclusive junto de decisoras/es) e mais e melhor informação e literacia científica da sociedade, possibilitando a reflexão consciente e a prevenção dos efeitos de grupo e massas, pela mudança de atitudes e comportamentos através da informação.

Por isso quem, por exemplo aqui, me lê/ouve sabe que, na medida das minhas possibilidades, o procuro fazer. Sabe, também, que estimulo, particularmente, psicólogas e psicólogos a fazerem-no mais, a partir da nossa ciência e prática. Sabe, ainda, que o procuro fazer junto de problemas societais complexos que muito influenciam a sociedade e a possibilidade de saúde, bem-estar e autodeterminação das pessoas. Partilho um exemplo, uma entrevista à Revista Visão (13.11) que toca estes pontos – um singelo contributo meu, focando a pobreza e a saúde mental; um estímulo a outras e outros para o fazerem/fazermos mais).

Mais e mais, individual e colectivamente. Por todas e por todos. Sim?

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Comportamento Desafios da Psicologia Dia Internacional da Mulher Educação Política Psicologia

Menina – Rapariga – Mulher

“O que significa [hoje] ser Mulher?”, interpela-nos a sinopse do Woman, documentário dirigido por Y. Arthus-Bertrand e A. Mikova. Nele agradecem às 2000 Mulheres de 50 países que “corajosamente partilharam a sua história”, que poderia ser a história de outras tantas cujo nome e história conheço. “Na segunda década do século XXI partilhamos um Mundo onde Mulheres necessitam coragem, por vezes física, para se fazerem ouvir, contarem a sua história e ousarem direitos iguais aos dos Homens. Partilhamos um Mundo onde em 2019 é provavelmente mais necessária esta coragem que há alguns anos, senão em todo, em muitos dos seus países.”

“Menina – Rapariga – Mulher”, 46º artigo da rubrica “Ao redor” (Sábado) “viaja” a várias latitudes do Mundo para assinalar exemplos de retrocessos na igualdade de direitos que justificam a afirmação/inquietação anterior, sublinhando quanto a desigualdade de género impacta diversos Objectivos do Desenvolvimento Sustentável, além ODS5 (Igualdade de Género). “Conforme impacta outras dimensões, porquanto as meninas, raparigas e Mulheres são mais atingidas por problemas de saúde e de saúde mental (ansiedade e depressão, por ex.), mais e diferentemente impactadas em situações de crise (por ex. na pandemia por COVID-19) e mais expostas a formas diversas de discriminação e violência.”

“Uma sociedade ainda assente nesta desigualdade é, necessariamente, uma sociedade que condiciona e dificulta a dignidade, o cumprimento integral dos Direitos Humanos e a possibilidade de bem-estar e autodeterminação das Mulheres (…) Em que urge desenvolver contextos protectores e de segurança (também psicológica) para meninas, raparigas e Mulheres, capazes de fomentar a confiança, a autonomia, a liberdade económica e de mitigar iniquidades (…) Também estimular a distribuição equilibrada de tarefas entre géneros, prevenindo a discriminação das Mulheres no mercado de trabalho, promovendo melhores condições para a natalidade e parentalidade e mitigando a reprodução de modelos e papéis junto das novas gerações e, particularmente, das meninas e raparigas. Uma sociedade ainda assente nesta desigualdade é, necessariamente, uma sociedade com menor competitividade e desenvolvimento económico sustentável, com maiores desafios demográficos e com menor representatividade e qualidade das suas instituições.”

Termino o texto sugerindo que nos interpelemos, envolvamos e que “enfrentemos o desafio de promover e acelerar a igualdade de género”. Procurei fazê-lo, também, num artigo que escrevi (“O bem-estar psicológico como promotor da igualdade de género nas organizações”) no livro “Igualdade de Género nas Organizações em Portugal”, coordenado por @Susana Almeida Lopes e @Margarida Couto e, cuja apresentação amanhã (29.11) partilharei com a @Helena Pita Soares, @José Sintra e @Paulo Simões (informações/inscrições aqui).

Pois como Baldwin afirmou: “nem tudo o que enfrentamos pode ser mudado, mas nada pode ser mudado enquanto não for enfrentado”.

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Ao redor... (Revista Sábado) Desafios da Psicologia Ordem dos Psicólogos Portugueses Política Psicologia

Psicologia – Uma ciência e uma profissão recurso do país (Sábado; Ao redor…; 14.11.2022)

Há palavras e expressões não de língua portuguesa que, também porque as fomos ouvindo e usando no dia-a-dia, temos dificuldade de traduzir em palavras portuguesas capazes de abarcar todo o seu significado. Pensemos em ferry, briefing ou startup. Pensemos em hub. Habitualmente associamo-lo à aviação, porque, com regularidade, vamos ouvindo a expressão “Hub de Lisboa”, associada ao Aeroporto Humberto Delgado, por este se assumir como um centro de conexão e distribuição de passageiros. Apesar da associação mais ou menos automática à aviação, existem outros hubs, por exemplo, de ciência.

Em 2007, John Cacioppo escreveu um importante artigo que tratava os 7 hubs identificados da ciência. O artigo (“A psicologia é um hub de ciência”) termina com uma relevante passagem que sublinha que a “centralidade da ciência psicológica pode ainda não ser totalmente compreendida pelos decisores políticos”, mas que a evidência era já clara, dado que “o mapeamento da ciência demonstra a psicologia como uma disciplina hub com muito a oferecer a outras disciplinas científicas (mas também a aprender)”. Ora, num momento de crescente complexidade dos desafios que se colocam às pessoas e à sociedade (pensemos na incerteza e stresse, na pobreza, na exclusão ou na crise climática), são fundamentais respostas integradas, informadas pela melhor evidência científica disponível e de foro interdisciplinar, com participação e colaboração de diferentes áreas científicas, incluindo a ciência psicológica.

Venho defendendo que, além de um hub de ciência, a psicologia se deve assumir como um hub enquanto profissão. Enquanto grupo profissional com muito a oferecer a outras actividades profissionais (e a aprender, claro está), às pessoas e sociedade no geral. Isto implica que as e os profissionais o assumam e se empenhem em diferentes áreas, reforçando a disseminação e a utilização do conhecimento e contributo da ciência psicológica junto de outros grupos profissionais. Nas equipas multidisciplinares, desde logo, diferenciando e valorizando as respostas com contributo da ciência e dos actos psicológicos. Também na consultoria e apoio às lideranças das diversas organizações, com maior inclusão do conhecimento da área nas práticas e maior sensibilidade às questões relacionadas com a saúde e bem-estar das equipas. Ainda junto das decisoras e decisores políticos, na informação a políticas públicas, promovendo a sua eficácia e eficiência. Na promoção de competências e no desenvolvimento das pessoas ao longo de toda a vida ou, até, nas dimensões de cidadania das psicólogas e psicólogos, nas suas actividades e participações no dia-a-dia além das profissionais. Finalmente, quando também estas e estes profissionais lideram e têm a oportunidade de tomar decisões que influenciem grupos ou comunidades, algo que numa profissão ainda jovem no contexto português tenderá a acontecer mais num futuro breve.

Venho defendendo que tal depende do envolvimento da profissão com as dimensões associadas aos desafios individuais que se colocam a uma pessoa em específico, em complementaridade, com os desafios societais que condicionam os individuais e que podem estimular ou comprometer a possibilidade de saúde (incluindo a saúde mental), bem-estar e autodeterminação das pessoas e a equidade, justiça e coesão social da sociedade. Venho defendendo que isso implica mais ciência psicológica centrada nos desafios societais, melhor disseminação, comunicação e democratização do conhecimento da psicologia junto de diferentes áreas da sociedade civil e que isso deriva da capacidade de, enquanto profissionais, as psicólogas e psicólogos participarem em diferentes processos de participação pública, incluindo junto da comunicação social, e colaborar nas mais diversas iniciativas, incluindo políticas.

Se assim for, considerando o aumento galopante da investigação e da evidência científica disponível a partir da ciência psicológica (700% no período entre 1980 e 2014) e do número de profissionais (estimativa de aumento de 19% no Mundo e 67% em Portugal entre 2014 e 2024), a psicologia, enquanto ciência e profissão, pode ser no Mundo e particularmente em Portugal um importante recurso. Um porto de abrigo. Quando ainda vivemos as consequências de uma pandemia por COVID-19 ainda inacabada; quando aumenta o número de pessoas a viver situações de privação e em situação de pobreza e estamos sentimos uma nova crise socioeconómica; quando vivemos um tempo líquido, marcado pela complexidade, pela incerteza e pela insegurança associada, entre outros, aos novos riscos de guerra(s) ou à crise climática; pensar o presente e o futuro de Portugal deve conduzir-nos à exigência do melhor aproveitamento dos recursos e, nesse sentido, a ser mais estimulado e possibilitado o contributo das/os 26.000 psicólogas e psicólogos e garantidas mais e melhores condições para o mesmo, fazendo jus ao investimento do país e das famílias nas últimas décadas na formação e no desenvolvimento deste grupo profissional inestimável do país.

Na verdade, aqui e ali, no Mundo ao redor, a psicologia, enquanto hub científico e profissional, é hoje um importante porto de abrigo para as pessoas e para a sociedade. Porto de abrigo, porque protector nos desafios e “tempestades” individuais, no apoio a pessoas e famílias, ao longo de todo o ciclo de vida e numa proximidade fundamental para suporte aquando das adversidades e necessidade de adaptação e desenvolvimento. Porto de abrigo, porque aberto ao Mundo e ao que é a concretização, em Portugal, da carta de direitos humanos e dos objectivos do desenvolvimento sustentável, influenciando e promovendo a compreensão dos desafios e a mudança societal necessária num caminho para uma sociedade de maior equidade, justiça e coesão social. Porto de abrigo, porque capaz de se ir construindo e reinventando, adaptando-se a novas necessidades, a novos desafios ou a novas realidade, nomeadamente as que se relacionam com o crescente papel da tecnologia na sociedade. Porto de abrigo, finalmente, porque em tempos desafiantes, de imprevisibilidade e de menor controlo e segurança, é um recurso confiável e fundamental à promoção da saúde, bem-estar e possibilidade de autodeterminação de todas as pessoas e ao desenvolvimento sustentável do país.

 

Tiago Pereira

in Sábado (Ao redor…); 14.11.2022

https://www.sabado.pt/opiniao/convidados/tiago-pereira/detalhe/psicologia–uma-ciencia-e-uma-profissao-recurso-do-pais

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COVID-19 Desafios da Psicologia Futuro da Psicologia Ordem dos Psicólogos Portugueses Política Psicologia

Um estado completo?

“Um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença ou enfermidade”.

Esta definição de saúde, amplamente disseminada e reconhecida, é anterior à publicação por Watson e Crick do artigo onde é descrita uma (nova) “estrutura de espiral dupla”, por eles apelidada de “chave da vida”. A definição data da constituição da @World Health Organization em 1946 (75 anos) sendo, portanto, anterior a 1953, ano em que essa descoberta do DNA revolucionou a saúde (e a nossa vida), considerando a sequenciação do genoma humano que se seguiu e a nova medicação e vacinas que possibilitou, por exemplo na pandemia por COVID-19.

Apesar de datada, a definição frisa um “não apenas a ausência” fundamental a compreendermos a saúde em toda a sua amplitude e a saúde mental, particularmente na sua relação com o bem-estar. No entanto, o “estado de completo” parece não-conforme o que sentimos dia-a-dia, as naturais oscilações no nosso bem-estar “físico, mental e social” pelo que, recentemente, Bircher apresentou uma proposta de reformulação mais ajustada ao que hoje sabemos (e vivemos): “um estado dinâmico de bem-estar, caracterizado por um potencial físico e mental que satisfaz as necessidades vitais de acordo com a idade, cultura e responsabilidade pessoal”.

A ideia de dinamismo (e, logo, a possibilidade da sua promoção), de potencial (mobilizado ou não a cada momento), a ponderação da idade e das necessidades a ela ajustadas, além das questões culturais (também da comunidade) e da responsabilidade pessoal (envolvendo a literacia) são elementos fulcrais a pensarmos a saúde e a saúde mental.

Elementos reflecitdos, de forma simples (espero e creio, não simplista) e descontraída (por vezes até divertida), numa conversa que partilho e sobre a qual amanhã passa um mês. Conversei com o António Raminhos, com moderação da @Isabel Silva, na iniciativa de apresentação pública da colaboração entre a @Multicare (@Fidelidade) e a @Ordem dos Psicólogos Portugueses, no âmbito da promoção da saúde e da saúde mental, também pela nova abordagem compreensiva aos temas, com inclusão significativa da psicologia (todas as suas áreas de actividade), enquanto oferta dos seguros de saúde e com foco na prevenção e promoção da literacia (mais informações aqui).

Uma conversa e, essencialmente, um trabalho conjunto que, “qual estrutura de espiral dupla”, afirma a pessoa na relação com o contexto, as dimensões físicas na relação com as dimensões psicológicas e momentos em que a espiral se move em sentido positivo e outros em sentido negativo.

Porque não, nem sempre estamos bem, nem sempre podemos estar (e temos) que estar bem. Porque sim, por vezes necessitamos de ajuda. De nos ajudarmos, cuidando-nos mais. Que nos ajudem, pessoas próximas ou, também por vezes, profissionais capacitadas/os e motivadas/os para tal.

 

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Comportamento Desafios da Psicologia Educação Emergência Climática Futuro da Psicologia Política Psicologia Tomada de Decisão

COP27 e as comemorações dos dias Universal dos Direitos da criança e da memória das vítimas da estrada

Quando na principal via de acesso à bonita cidade de Évora olhamos à esquerda, ali o encontramos. Ali, onde tantas vezes passei, a caminho ou no regresso da Escola e bairro onde trabalhei os primeiros (significativos) anos, enquanto psicólogo e coordenador de um projecto. Jardim da memória, memória de tantas vidas interrompidas, brutalmente perdidas na e pela estrada. Bairro e Escola, memória minha de como as circunstâncias, também e ainda em Portugal, desafiam e limitam Direitos das crianças. Ontem, dia final da COP27, comemorou-se o Dia Mundial em memória das vítimas da estrada e o Dia Universal dos Direitos das crianças.

Comemorações que, creio, podem dar-nos uma importante pista para reflectir sobre os limitados resultados da COP27. “Foi dado um passo muito curto para os habitantes do Planeta” disse Guterres. Apesar da declaração final afirmar finalmente a “necessidade imediata de recursos financeiros novos, adicionais, previsíveis e adequados para ajudar os países em desenvolvimento que são particularmente vulneráveis” às alterações climáticas, não tem avanços significativos (pelo contrário) na redução de emissões de gases com efeito estufa. Acordo e consenso mínimo, na compreensão do problema, seus impactos e da necessidade de reparação. Desacordo na mudança e transformação necessária à redução de emissões, também pela dificuldade em conceber a mudança de foco nos combustíveis fósseis em simultâneo com a promoção da possibilidade de bem-estar.

A pista resulta da forma como estas comemorações demonstram a compatibilidade potencial das mudanças estruturais com a maior possibilidade de bem-estar. Assim foi e é com a progressiva operacionalização da Carta dos Direitos das crianças, quando se coloca o foco, exactamente, nas crianças. Assim foi e é com a redução das vítimas da estrada, particularmente quando se desenham cidades com o foco na pessoa (peões) e não no carro (tráfego).

Em 2019 (2020/21 são anos atípicos) morreram em Portugal 74 pessoas atropeladas. Nos últimos anos, mais de 10 pessoas por ano em média apenas em Lisboa. Também em 2019, Oslo e Helsínquia não tiveram qualquer morte por atropelamento e Londres está a implementar um plano com esse objectivo. Procura mudar o foco da “melhoria do tráfego” para as “pessoas primeiro” e, além de uma redução significativa dos atropelamentos (e mortes), tem resultado na diminuição do número de carros por família, dos crimes na rua e na maior utilização do espaço público para brincar e andar.

Num e noutro caso exemplos de como mudar o foco pode estimular (e não diminuir) a possibilidade de bem-estar. Um e outro caso a fazerem-nos recordar que mudar é difícil, mas possível, particularmente se envolver as pessoas. Que um foco em energias renováveis e nas possíveis e necessárias reduções, com apoio aos países com maiores vulnerabilidades, é exequível e pode, em simultâneo, ser promotor da possibilidade de bem-estar e do desenvolvimento sustentável de cada país e do Mundo.

Pelo que esperamos?

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Comportamento Ordem dos Psicólogos Portugueses Psicologia

(Prefácio) Ser Psicólogo – O Início da carreira em Psicologia Pistas para que está a dar os primeiros passos numa carreira em Psicologia

Uma pandemia por COVID-19 de impacto global, porventura apenas comparável com a pandemia pelo vírus influenza de há um século. Uma Guerra na Europa apenas comparável com Guerras de há várias décadas. Uma crise socioeconómica no horizonte, que a muitas e muitos lembra a crise que vivemos há cerca de uma década. A inversão de um caminho de maior liberdade e democracia, pelo crescimento, nos últimos anos, do autoritarismo.

Tudo a lembrar-nos que o passado conta, que o passado “não está morto”, que “nem sequer é passado”, como escreveu Faulkner. Tudo a lembrar-nos os enormes e complexos desafios que, no presente e para o futuro, se colocam à sociedade e às pessoas e a necessidade da ciência psicológica e das psicólogas e psicólogos, sistematicamente, se desenvolverem e adaptarem a novos desafios e realidades, para melhor lhes responderem.

Este e-book procura, também, reflectir este cenário. Porque parte, e é parte, de uma história, de muitas pessoas e vontades, que desde há anos, empenhada e corajosamente, permitem e suportam o sólido investimento da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) no processo de desenvolvimento profissional e na capacitação de psicólogas e psicólogos para se pensarem nos desafios dos diferentes momentos da sua carreira. Este investimento, em todo o ciclo (desde quando ainda estudantes de psicologia) e com múltiplas e diversificadas iniciativas, tem apresentado resultados significativos (também, mas não apenas, na empregabilidade) e é diferenciador no quadro da acção das associações públicas profissionais. É-o, exactamente porque assenta numa perspectiva de valorização de cada etapa (do passado, presente e futuro), da identidade da profissão e de cada profissional. É-o, porque se liga à necessidade constante de adaptação da ciência e prática a novos desafios, realidades e áreas, apenas possível com o envolvimento permanente, intencional e suportado de cada psicóloga e psicólogo, na gestão do seu percurso profissional.

Que este primeiro volume da colecção de artigos Psicarreiras da OPP, deliberadamente dirigido aos “primeiros passos”, possa ser mais um contributo nesse sentido. Que possam, como eu, rever-se e reflectir, dando dessa forma sentido e significado ao testemunho, partilha e contributo de pares que vive(ra)m desafios próximos. Desafios, mas também o desejo que partilho e partilhamos de enquanto psicólogas e psicólogos contribuirmos com a nossa ciência e com a nossa prática para uma sociedade mais justa, coesa e equitativa e para a saúde, bem-estar e possibilidade de autodeterminação de cada uma das pessoas que a constitui.

 

Tiago Pereira

Prefácio | Ser Psicólogo – O início de carreira em Psicologia

https://www.ordemdospsicologos.pt/ficheiros/documentos/opp_ebookpsicarreiras_serpsicologo_oiniciodacarreiraempsicologia.pdf

SET2022