Sábado, manhã. Muitas e muitos de nós iniciam o seu de fim de semana, com outras rotinas. Para outras e outros, porém, não é assim… Ao pensá-lo, ocorrer-nos-ão, certamente, diversas profissões, mas, dificilmente, as e os jornalistas. Nesta, como noutras reflexões. Pensamos pouco neste grupo profissional, com desafios incomensuráveis, particularmente quando assistimos a um processo de “dissolução” dos mediadores na sociedade. Profissionais de importância vital à sociedade, aos seus desafios e a uma ideia e perspectiva de desenvolvimento assente nos direitos humanos, na sustentabilidade, equidade e na possibilidade de autodeterminação das pessoas.
Recentemente, a propósito de uma reflexão sobre o bem-estar nas e nos jornalistas, li um (para mim) impactante artigo da jornalista Alex Sujong Laughlin. Descreve a forma como acompanhou a Convenção que nomeou Hillary Clinton como candidata às presidenciais e lhe foi impossível, num momento, não demonstrar as suas emoções (“eu sabia que naquele momento tinha que escolher entre o profissionalismo e a minha humanidade”), mesmo quando “eram menos a propósito de Hillary e mais sobre o que o momento simbolizava”. O artigo (É possível ser-se jornalista e um ser humano) reflecte sobre a sua visão da desactualização da forma como se pretende que as e os jornalistas sejam “objectivos” hoje, na sociedade contemporânea, com os meios existentes e com a desconfiança na comunicação social tradicional. É o “dizer a verdade” (não a mera objectividade) que melhor protege e preserva a confiança pública, defende.
Pensemos no desafio. No sofrimento ético. Na dúvida que lhe sobra se deveria ou não ter retirado as credenciais ao emocionar-se. Pensemos no quão hoje as e os jornalistas lidam com a desinformação num combate desigual, para que o jornalismo não seja “eliminado”. Com o contar de cliques/audiências, não lhes sucumbindo, para que o jornalismo não seja “condicionado”. Com a voracidade e sensacionalismo, para o que o jornalismo não seja “desvirtuado”.
Vem isto a propósito do recente e (para mim) lindíssimo texto que partilho da jornalista Phoebe Greenwood (“Ao acompanhar a morte [o processo] da minha psicoterapeuta, finalmente aprendi como viver”). Ele trata, também, os limites da relação (aqui terapêutica) com dimensões humanas e de vida. “Tínhamos 2 meses [tempo de vida estimado da psicoterapeuta] e, ao invés de interromper as sessões, aumentou-as, recusou o seu pagamento e, miraculosamente, teve tempo para me ensinar a viver sem ela”. Pediu-lhe [a psicoterapeuta] que escrevesse acerca dela… Disse-lhe: “Pensei que no meu funeral – eu vou morrer – te quero lá. Gostaria muito que lá estivesses, como jornalista”.
E lá estava.
Obrigado, jornalistas, por me fazerem companhia e me falarem. Obrigado por escreverem para e por mim. Por me ajudarem a pensar melhor, a ser mais livre e mais pessoa. A ser mais eu, hoje e amanhã.