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2 bebés. 2 Mundos.

Hoje nascerão certamente dois bebés, sem problemas de saúde, cuja família vive em Birmingham. Espera-se, no entanto, que daqui a 5 anos um deles possa ter mais de 4 meses de atraso em termos desenvolvimentais e 4 a 5 vezes mais probabilidade de desenvolver um problema de saúde mental que o outro. A diferença? Um destes bebés nascerá em contexto de pobreza e o outro não. Hoje (2025!), nada mudando, é o que os espera no Reino Unido (UK).

A desigualdade é, certamente, uma das causas maiores das camadas de ressentimento, desconfiança e desesperança que pairam sobre um UK que, pós-Brexit, parece caminhar para que Nigel Farage, um dos seus mais radicais e sinistros obreiros – porque optou por declaradamente ludibriar, se não mentir, aquando da campanha do referendo – possa vir a ser o seu primeiro-ministro.

Nessa Birmingham, na convenção do Reform UK (o seu partido de direita populista/radical, já líder na maioria das sondagens), Farage anunciou a adesão ao partido de Nadine Dorries, ex-ministra da cultura de Boris Johnson e outrora sua grande apoiante que defende hoje que Partido Conservador está “morto” e que só Farage pode “mudar o UK”.

Infelizmente conhecemos cada vez melhor esta proposta de mudança que “varre” a Europa e as Américas do Norte e do Sul e como se foca em políticas de curto prazo, de questionamento de direitos humanos que muitas/os consideramos universais e de fragilização das instituições democráticas e da política baseada em factos e evidência (científica).

Ora, as desigualdades que atrás menciono persistirão se nada de significativo for feito para prevenir a exposição de bebés e crianças a situações de pobreza e exclusão e, particularmente, para os que nascem em alguns contextos considerando que os valores e princípios destas políticas ao invés de os protegeram, tendem a vulnerabilizá-los mais, com graves consequências para o seu desenvolvimento e possibilidade de bem-estar futuros e para o contrato e coesão social.

O “Child Poverty Action Group” publicou este ano o relatório “Building Blocks – How to deliver a child poverty strategy” cuja leitura recomendo. Dele, com o meu viés, destaco:

. A importância de definir metas/objectivos e serem publicamente assumidos;

. Uma reforma dos diversos apoios sociais informada pela ciência;

. Expandir refeições escolares gratuitas, habitação social e creches (de qualidade);

. Garantir responsabilização através de uma monitorização independente dos resultados das políticas;

. E, finalmente, investir nos primeiros 1000 dias de vida, quando comprovadamente as políticas de equidade têm maior impacto e custo-efectividade, se perspectivadas a médio/longo prazo.

Vamos a isso?

Ps. O presente texto poderia ser totalmente sobre Portugal se alterando – apenas – a menção a uma cidade, o nome de um partido, do seu líder, de um/a sua/seu apoiante e de alguns (poucos) números.

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FMG Fundação Mendes Gonçalves Política

Da Golegã para o Mundo…

Recentemente o Notícias do Sorraia veio conhecer mais aprofundadamente a história e propósito da Fundação Mendes Gonçalves. Conhecer, visitar os espaços, conforme são no presente e se perspectivam para o futuro, e conversar com o Carlos Goncalves, com a Conceição Zagalo e comigo.

Gostava, hoje, agradecendo o trabalho e o cuidado nele colocado, partilhá-lo e destacar deste três dimensões:

a) “Queremos transformar esta resposta numa referência nacional e demonstrar que, com o devido acompanhamento, é possível garantir um ambiente seguro, estimulante e afetivo fora das creches convencionais”, explicou Tiago Pereira. O modelo prevê a criação de mecanismos de supervisão contínua, formação especializada e avaliação de impacto, com vista à sua replicação noutros territórios e eventual integração como política pública”. Passagem em torno do projecto piloto relativo às Amas (Cuidar em Rede), cuja primeira fase de inscrições se iniciou no final da passada semana e que visa reforçar a oferta e a qualidade da oferta 0-3, complementar aos berçários e às creches, considerando a procura que existe para este tipo de respostas, a sua pertinência em alguns contextos (por exemplo em freguesias mais isoladas e/ou de menos dimensão) e o facto do crescimento da oferta de creche não conseguir ainda acompanhar as necessidades/procura, com claro prejuízo das famílias com menores níveis sócio-económicos;

b) “Conceição Zagalo, presidente do Conselho Executivo da Fundação, sintetiza o espírito da missão nos “três F’s”: fundamento, fertilidade e futuro. “Fundamento, porque partimos de uma base sólida de valores. Fertilidade, porque queremos multiplicar impacto. Futuro, porque temos a obrigação de garantir que o sonho que nos foi confiado não se esgota em nós.” Frase que sintetiza, claramente, a forma com nos posicionamos e como queremos, a partir do respeito e compromisso histórico e de legado com o passado, estruturar estrategicamente o presente para um futuro de e com impacto a partir da missão da Fundação Mendes Gonçalves;

e

c) “Queremos provar que é possível construir, no chamado interior, um modelo de desenvolvimento que sirva verdadeiramente as pessoas”, afirmou o fundador [Carlos Goncalves]. “O nosso objetivo é criar aqui condições para que cada criança, cada jovem e cada adulto possa realizar os seus projetos de vida.” No fundo, agir pelo futuro de todos…

Link para notícia completa aqui: https://noticiasdosorraia.sapo.pt/da-golega-para-o-mundo-fundacao-mendes-goncalves-quer-ser-motor-de-uma-sociedade-melhor/

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Democracia Desafios da Psicologia Educação FMG Fundação Mendes Gonçalves Política Psicologia

Uma bala de prata para as políticas públicas de promoção da equidade

Pensemos os primeiros 1000 dias de vida. É neste período, dos nove meses de gestação aos primeiros dois anos de vida extrauterina, que o nosso cérebro sofre um maior e mais rápido desenvolvimento. Nesse sentido, além de ser uma janela importantíssima de oportunidade, esse período é também tempo de vulnerabilidade, devendo, pelo impacto que se revela nesse início de vida e pelas consequências inegáveis para o futuro, merecer uma especial atenção por parte das políticas públicas que visem a equidade.

Conjugando estas evidências com o conjunto de estudos sobre a maior eficiência e custo-eficácia (melhores resultados com menores custos) das políticas públicas neste período – bem demonstradas, entre outros, pelo prémio Nobel da Economia James Heckman – talvez tenhamos mesmo uma bala de prata para a promoção da equidade. Desde logo, através de políticas com eficácia e eficiência que, no período da gravidez e primeiros três anos de vida, reduzam a exposição dos bebés e crianças ao stresse resultante situações de escassez, exclusão e/ou pobreza e providenciem suporte emocional, desenvolvimento de competências parentais e condições visando comportamentos parentais de maior segurança e promoção de desenvolvimento. Políticas que, com eficácia e eficiência, revitalizem e robusteçam em recursos o modelo de intervenção precoce na infância e o conjunto de intervenções educativas, sociais e de saúde para responder, precocemente e de forma contingente, às primeiras necessidades de bebés, crianças e famílias. Políticas que, com eficácia e eficiência, generalizem a possibilidade de acesso à educação dos 0-3 e a incluam, definitivamente, como parte essencial do sistema educativo, pensando-as não apenas na importante dimensão do cuidado e da segurança, mas como focos essenciais de promoção de desenvolvimento e equidade, pela sua qualidade educativa também resultante de uma formação mais sensível a estas idades e comprometida com a redução das desigualdades dos profissionais de educação.

Esta é uma missão coletiva onde a sociedade civil, logo cada um de nós, tem um papel de advocacia, de pressão e de cidadania amplo. Porque sem mais equidade e porque sem mais possibilidades de futuro para todos limita-se a mobilidade, a justiça e a coesão social. Limita-se a possibilidade de bem-estar individual e, assim, a possibilidade de bem-estar da comunidade.

 

Tiago Pereira

Uma bala de prata para as políticas públicas de promoção da equidade

JN, 30.07.2025

https://www.jn.pt/opiniao/artigo/uma-bala-de-prata-para-a-promocao-da-equidade/17856531

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Filantropia Fundação Mendes Gonçalves

2 anos…

9 de Agosto de 2023 é uma data fundamental – fundacional – da Fundação Mendes Gonçalves. Apesar do lançamento (23 de Abril) e do início da actividades terem acontecido apenas em 2025, no passado Sábado passaram 2 anos da publicação do primeiro Estatuto da Fundação Mendes Gonçalves e, logo, da sua instituição.

Foi nesse sentido e porque relevamos a importância da celebração e do legado – inscrito aliás com valor maior da Fundação Mendes Gonçalves e da sua missão (“Nutrir Futuros, Regenerar Legados”) – que comemoramos este momento, também com uma newsletter da qual gostava de destacar junto de vós duas importantes partes para uma melhor compreensão deste projecto. A saber:

a) Um sentido texto – https://fundacaomendesgoncalves.org/2025/08/08/o-papel-da-lideranca-que-cuida-testemunho-de-conceicao-zagalo/ – da nossa presidente do Conselho Executivo (Conceição Zagalo) intitulado “O Papel Da Liderança Que Cuida”. Texto que trata a história da ligação da “nossa” Conceição Zagalo ao projecto Fundação Mendes Gonçalves e, particularmente, a forma como entende e pensa o seu enquadramento no Universo mais amplo da Mendes Gonçalves e a liderança, visão e inspiração do seu Fundador, Carlos Goncalves;

b) Uma grande reportagem – https://recordeuropa.com/videos/fala-portugal/grande-reportagem-golega-raizes-de-bem-estar-31-07-2025-289162?eg_sub=e40d275d04&eg_cam=adfb2b7a45193ef999e8895a879c777d&eg_list=12 – realizada pela TV Record Europa relativa ao nosso projecto e ao passado, presente e o que perspectivamos para o futuro da Fundação Mendes Gonçalves e do seu compromisso, contributo e impacto. Reportagem que, focando o impacto local e a forma como se imagina e propõe disseminar práticas e o impacto Mundo forma, destaca mais significativamente os projectos do futuro Centro Educativo e do programa Regenerar.

Uns minutos de leitura e uns minutos de um vídeo numa viagem ao que – dois anos volvidos da instituição e alguns meses depois da criação do plano estratégico (de que me orgulho ter dado um significativo contributo) e do início de actividade e constituição da primeira equipa (de que muito me orgulho ser parte) – vamos dia-a-dia construindo, em equipa e na relação da equipa com as restantes equipas do Universo Mendes Gonçalves e com os nossos Órgãos Sociais (obrigado a todas/os), na procura de cumprir, com compromisso, responsabilidade e qualidade, a missão que nos foi confiada pelo Carlos Goncalves: contribuir para um (melhor) futuro de todos, da Golegã para o Mundo.

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Democracia Educação Filantropia FMG Fundação Mendes Gonçalves Psicologia

Uma bala de prata para a promoção da equidade

1, 2, 3, (…) 1000… “Pensemos os primeiros mil dias de vida. É neste período, dos 9 meses de gestação aos primeiros 2 anos de vida extrauterina, que o nosso cérebro sofre um maior e mais rápido desenvolvimento. Nesse sentido, além de ser uma janela importantíssima de oportunidade, esse período é também tempo de vulnerabilidade, devendo, pelo impacto que se revela nesse início de vida e pelas consequências inegáveis para o futuro, merecer uma especial atenção por parte das políticas públicas que visem a equidade.”

Num período em que publicamente se debate a relevância da estimulação e da relação e vínculo mãe-bebé/criança e o currículo de crianças/jovens em matérias que envolvem o desenvolvimento e a cidadania, venho partilhar um artigo que escrevi para o Jornal de Notícias. Começa com o excerto anterior e chamei-lhe “Uma bala de prata para a promoção da equidade”.

Nele – abordando os estudos do Prémio Nobel da Economia James Heckman que demonstram a maior eficiência das políticas públicas que visam a equidade quando decorrem no período da primeira infância – destaco 3 prioridades que me parecem essenciais e, particularmente, possíveis de implementar pela existência de recursos e por serem mobilizadoras de diversas forças políticas/movimentos da ciência e sociedade civil:

a) “Políticas que, com eficácia e eficiência, no período da gravidez e primeiros 3 anos de vida, reduzam a exposição dos bebés e crianças ao stresse resultante de situações de escassez, exclusão e/ou pobreza e providenciem suporte emocional, desenvolvimento de competências parentais e condições, visando comportamentos parentais de maior segurança e promoção de desenvolvimento;

b) Políticas que, com eficácia e eficiência, revitalizem e robusteçam em recursos o modelo de intervenção na infância e o conjunto de intervenções educativas, sociais e de saúde para responder, precocemente e de forma contingente, às primeiras necessidades de bebés, crianças e famílias;

c) Políticas que, com eficácia e eficiência, generalizem a possibilidade de acesso à educação dos 0-3 e a incluam, definitivamente, como parte essencial do sistema educativo, pensando-as não apenas na importante dimensão do cuidado e da segurança, mas como focos essenciais de promoção de desenvolvimento e equidade, pela sua qualidade educativa também resultante de uma formação mais sensível a estas idades e comprometida com a redução das desigualdades dos profissionais de educação.”

Termino, afirmando que a considero que “uma missão coletiva onde a sociedade civil, logo cada um de nós, tem um papel de advocacia, de pressão e de cidadania amplo.”

“Porque sem mais equidade e porque sem mais possibilidades de futuro para todos limita-se a mobilidade, a justiça e a coesão social. Limita-se a possibilidade de bem-estar individual e, assim, a possibilidade de bem-estar da comunidade.”

Link para Artigo: https://www.jn.pt/opiniao/artigo/uma-bala-de-prata-para-a-promocao-da-equidade/17856531

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Comportamento Desafios da Psicologia Filantropia Fundação Mendes Gonçalves

Vieira…

Uma vieira. Uma bonita taça, redonda. A sua preparação, a atenção, o foco, o cuidado, o carinho nela colocada:

“É para provar? | Sim, por favor.”

Um olhar para a taça, as texturas e aromas, o simples, mas belo, que acompanha a vieira. O provar e um acenar de aprovação.

“Está perfeita.”

Um esgar de alívio, mas ainda intranquilo.

“Está boa?”, pergunta quem a idealizou, projectou, cozinhou.

“Está mais do que perfeita. Inclui na ementa | Sim, chef. Obrigada.”

E aí sim, um sorriso.

Assim começa o terceiro episódio da quarta temporada da série The Bear. São 3 minutos incríveis ao som de Slow Disco, uma música de St Vincent cujo refrão nos interpela com a questão: “Am I thinking what everybody’s thinkin’?” [Estou a pensar o que todos pensam?]. E quem sabe, sim.

A jovem chefe Sydney da série, brilhante à sua forma, naquele contexto de pressão, de exigência, de uma solitude estranha (mesmo que “nunca se esteja sozinho num restaurante”), ouve do chefe Carmy (Bear) o feedback de uma (acção) perfeita logo traduzida e reinterpretada por si de outra forma. Mesmo aquando de uma perfeição, realmente perfeita, conforme podemos perceber e sentir ao longo do episódio.

Esta busca pela perfeição (mais que perfeita), que a série tão bem explora; esta tendência para a impossibilidade e, até, para a irreversibilidade da falha, do erro, da não perfeição que o contexto da série (as cozinhas e os restaurantes) tão bem explora; este “cada segundo conta”, mantra da série, tão contemporâneo, tão presente, tão violento por vezes, fazem-nos duvidar, proteger, estar permanentemente em “modo alerta/segurança” e, por isso, tendermos a confiar tão pouco em nós, desde logo, e nas outras e outros, particularmente quando por nós sentidas e sentidos como verdadeiramente outras e outros. Fazem-nos assim e fazem-nos quebrar enquanto comunidade, simultaneamente coesa e aberta. Mexem com a nossa possibilidade de bem-estar.

Também por isso, creio, valem tanto os minutos do episódio (ou da série, toda), como os que nos levem a ler, por exemplo, este texto sobre o Harvard Study (que tem o link para uma Ted Talk do seu, há época, director – https://news.harvard.edu/gazette/story/2017/04/over-nearly-80-years-harvard-study-has-been-showing-how-to-live-a-healthy-and-happy-life/). Um estudo que acompanha e segue pessoas desde 1938 – em diferentes fases e com diferentes grupos – e que nos ajuda, com evidência, a pensar sobre a saúde (e doença) e o bem (e mal)-estar. Um estudo que demonstra o quanto as relações e o quão nos sentirmos bem nas nossas relações e comunidade (até mais que a fama/reconhecimento e o dinheiro) determina o nosso bem-estar e a nossa saúde.

Relações, comunidade e propósito. O que queremos, @Fundação Mendes Gonçalves, contribuir para co-construir, estudar impacto e, quem sabe, inspirarmos outras e outros. Isso procuramos. Procuraremos.. Juntos, pelo futuro de todos.

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Fundação Mendes Gonçalves

Videocast: Educar, Regenerar, Nutrir

Educar. Regenerar. Nutrir. São estes os três programas estruturais da Fundação Mendes Gonçalves, programas que procuram corporizar a sua missão, valores, “formas de fazer” (https://fundacaomendesgoncalves.org/a-fundacao/?doing_wp_cron=1751249006.0186150074005126953125) e como entendemos os desafios que se colocam – no presente e para o futuro – à nossa comunidade (a Golegã), à região ao seu redor, a Portugal e ao Mundo, conforme as quatro “ondas” da matriz de impacto da Fundação.

Para apresentarmos e discutirmos um pouco mais detalhadamente estes 3 programas, além das suas notas conceptuais (aqui disponíveis: https://fundacaomendesgoncalves.org/como-atuamos/?doing_wp_cron=1751249162.8239328861236572265625https://fundacaomendesgoncalves.org/como-atuamos/?doing_wp_cron=1751249162.8239328861236572265625) convidamos 3 pessoas-chave às áreas destes 3 programas para uma primeira edição de uma iniciativa da Fundação Mendes Gonçalves que se concretizou sob a forma de um videocast, cuja versão resumida apresentamos aquando da sessão de lançamento da Fundação no passado dia 23 de Abril.

Falo do Pedro Cunha (programa Educar), do João Ferreira (programa Regenerar) e da Conceição Calhau (programa Nutrir). O videocast teve a moderação da Liliana Valpaços e nele participei também, procurando cerzir os diferentes contributos e enquadrá-los no quadro do que nos propomos conceptual e operacionalmente ser e fazer.

Creio que o videocast (aqui disponível: https://www.youtube.com/watch?v=csxIKT9bTUc) é uma excelente oportunidade para conhecerem um pouco melhor a Fundação Mendes Gonçalves e, particularmente, verem/ouvirem 3 pessoas completamente comprometidas com a área da educação (em especial na primeira infância) e seu impacto, nas práticas regenerativas e seu papel na preservação das pessoas, comunidades e ecossistemas e da nutrição enquanto elemento essencial à saúde e bem-estar. E para sentirem, como nós, como estas 3 dimensões se cruzam, interligam e podem ser chave no presente e para o futuro.

Brevemente teremos outras edições desta iniciativa – sugestões de temas / formatos são bem-vindas – pelo que vos convido, caso ainda não o tenham feito, a seguir as redes sociais da Fundação Mendes Gonçalves e/ou a subscrever a nossa newsletter (https://fundacaomendesgoncalves.org/contactos/).

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Comportamento Filantropia FMG Fundação Mendes Gonçalves

Marra, comunidade.

O último filme de Ken Loach – The Old Oak – trata duas dimensões societais particularmente prementes e, conforme é comum aos principais desafios societais, trata dois temas interconectados entre si: por um lado, os fenómenos migratórios e os respectivos processos de inclusão e, por outro, a força da comunidade e os seus impactos, nos seus diversos e múltiplos sentidos. Não sendo – na minha opinião – o melhor dos seus filmes, creio que merece ser visto. Visto e reflectido.

Nele há uma pequena cadela que cumpre um acontecimento – logo um papel – importante e simbólico. Chama-se “Marra”, nome que advém de uma expressão utilizada frequentemente por comunidades de trabalhadoras/es mineiras/os (cujo filme em parte retrata) e que significa algo próximo da ideia de colega/companheiro/camarada… No fundo um/a de nós, alguém que cuida de nós.

Ora este cuidar – um cuidar pela e a partir da comunidade – é mensagem-chave da Fundação Mendes Gonçalves. Como referimos, nascemos do compromisso da Casa Mendes Gonçalves e do nosso fundador, Carlos Goncalves, com o “cuidar do presente e contribuir para a construção de um futuro promissor e para um Mundo mais sustentável e com mais oportunidades para todas as pessoas”. Um futuro que, ousando nós querer seja mais “equitativo, saudável, sustentável e com bem-estar para todos/as” implica o “cuidar das pessoas e dos ecossistemas. Do que nasce, cresce e se regenera”. Pois, “cuidar é cultivar o potencial das ideias, das pessoas, das famílias e da comunidade.”

Esta mensagem-chave, quer o Carlos Goncalves, quer eu, procuramos transmitir à Ilídia Pinto na conversa/entrevista que permitiu um trabalho para o Diário de Notícias e Dinheiro Vivo que muito agradecemos. No trabalho é destacada a construção do Centro Educativo – porque [o Carlos] “acredita, como eu também acredito, que a educação de qualidade é aquilo que pode ser mais transformador de uma sociedade e mais empoderador, funcionando como um elevador social” – e como os programas “Educar, Regenerar e Nutrir são os três pilares prioritários, numa lógica de filantropia de proximidade, contribuindo para o progresso da região e do país. Da Golegã para o mundo é o mote definido”, conforme apresenta a peça.

Peça que viaja, depois, pelos motivos, propósito e missão e posicionamento da Fundação Mendes Gonçalves, bem como pelas actividades previstas para 2025 e pela forma como estamos a pensar e projectar os próximos anos, particularmente até 2032… Conforme referi e é escrito na peça, 2032 “será uma boa altura, decorridos que estejam oito anos de funcionamento da FMG, para se fazer uma primeira avaliação de fundo sobre o que se conseguiu cumprir ou não, mas também para nos debruçarmos sobre a sua missão e refletir sobre os 80 ou os 800 anos, como o Carlos costuma dizer, seguintes da Fundação Mendes Gonçalves”.

Link: https://www.dn.pt/economia/construção-do-centro-educativo-da-fundação-mendes-gonçalves-arranca-este-ano-vai-custar-10-milhões

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Educação Filantropia Fundação Mendes Gonçalves

Uma Aventura na Curva do Rio

Por vezes penso o quanto o tempo e os acontecimentos actuais, em Portugal e no Mundo, exigem de nós um exigente equilíbrio entre o (re)conhecimento do passado, a (boa) convivência com o presente e, especialmente, uma atitude de idealismo realista (e realismo idealista como Timothy G. Ash define) face ao futuro.

Há, apesar de tudo, práticas e símbolos que nos fazem crer possível este equilibrio e que servem de exemplo, até pelo quanto nos marcam enquanto sociedade e comunidade. Um exemplo? A série de livros “Uma Aventura” de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada.

Desde 1982 e o “Uma Aventura na Cidade” passaram 43 anos e 67 outros “Uma Aventura”. Sendo mais novo que a série, não sei quantos destes existiam quando li o meu primeiro, muito provavelmente trazido pela carrinha da @Fundação Calouste Gulbenkian (que projecto incrível), que parava em frente à Escola da minha aldeia a 50 metros do lugar onde cresci. Passaram mais de 30 anos desse momento e seria então inimaginável para mim pensar que um dia mais tarde estaria a participar na apresentação de uma edição (a 68 – “Uma Aventura na Curva do Rio”), num concelho vizinho ao da minha aldeia (Golegã), edição cuja história decorre exactamente na Golegã e em lugares a ela próximos e versa, também, a Casa Mendes Gonçalves (que apoiou o projecto) e a Fundação Mendes Gonçalves à qual, como sabem, dedico o meu empenho e compromisso.

Mais, há três dimensões que ligam esta série e livro à Fundação e que procurei salientar na minha intervenção para uma sala com larguíssimas dezenas de crianças e de convidados:

  1. A forma como entendemos a filantropia de proximidade e o vínculo com o território e o facto do livro ter, no seu final, 40 páginas que celebram lugares e histórias, do passado, presente e futuro daquela comunidade;

  1. O legado, parte da nossa missão (Nutrir Futuros, Regenerar Legados), que mais “Uma Aventura” concretiza e o seu papel central na formação de leitores ao longo das últimas décadas, logo no concelho onde nasceu e viveu o Nobel da Literatura José Saramago;

  1. O seu papel na relação porque, como outras/os, li os livros e tive oportunidade de voltar a eles para os ler para (depois com) o meu filho mais velho e terei com o mais novo. Que as autoras não parem de nutrir esta bonita história.

E… Vêm aí as férias. Que tal ler com a/o sua/seu filha/o ou convidá-la/o a ler esta nova “Uma Aventura” e depois visitar a Golegã e a região ao seu redor, dando realidade ao imaginário do livro? Porque ontem, hoje e amanhã, estar em família e junto de quem incondicionalmente nos quer bem é fundamental ao nosso bem-estar. Porque ontem, hoje e amanhã, sentirmos o território e a natureza é fundamental ao nosso bem-estar. Finalmente, porque o nosso bem-estar é fundamental ao das outras pessoas e vice-versa… E vice-versa, não esqueçamos.

Ps. Um agradecimento ao Município da Golegã e ao Diogo Rosa pela colaboração, impulso ao projecto e convite.

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Democracia Emergência Climática Fundação Mendes Gonçalves Futuro da Psicologia Pobreza e Desigualdade

Regenerar é possível…

Regenerar é possível.

Esta é uma mensagem-chave base do programa Regenerar – https://fundacaomendesgoncalves.org/como-atuamos/regenerar/ – da nossa Fundação Mendes Gonçalves. Algo em que acreditamos, com que estamos comprometidos e que mobiliza a nossa acção e participação no sentido da nossa missão e objectivos, a partir dos nossos valores e formas de fazer.

Pensamos, portanto, dia-a-dia, o que pode ser uma filantropia estratégica nesta área e como podemos potenciar o impacto da nossa acção, a partir dos recursos e possibilidades que temos.

Muito recentemente li dois artigos que ajudam a esta reflexão:

a) “A filantropia estratégica está viva e recomenda-se” (tradução minha) que sublinha o valor da filantropia estratégica no escalar projectos e movimentos para níveis nacionais (e internacionais, acrescento) e, logo, na melhor de vida das populações e ecossistemas; no suporte a movimentos sociais no contributo para a mudança de normas sociais e de políticas; e, finalmente, no contributo para responder às desigualdades e permitir que os projectos essenciais cheguem a quem deles pode mais beneficiar, tudo essencial para promovermos as práticas de agricultura (e produção e consumo em geral) regenerativa e expandir o conceito da regeneração a populações e comunidades (https://ssir.org/articles/entry/strategic-philanthropy-in-defense-of#);

b) “O futuro da agricultura assenta no passado”, um ensaio já com quase 5 anos que oferece uma excelente oportunidade de reflexão a partir da ideia de que as “rápidas transformações no clima (a que acrescento a degradação dos solos e da biodiversidade) forçam a agricultura a reinventar-se (..) e à necessidade de atender a culturas que, Mundo fora, lida(ra)m com desafios significativos nas condições da agricultura, desde há milhares de anos” (https://thecorrespondent.com/835/the-future-of-agriculture-lies-in-the-past)

Artigos que à sua forma são inspiração no nosso trabalho e sonho, trabalho sonho que vos convido a conhecerem no próximo dia 11 de Junho (Quarta-Feira) na Feira Nacional da Agricultura de 2025, em Santarém. Lá estaremos, prontos e disponíveis para a/o receber, a convite da Câmara Municipal da Golegã, no stand do Município. Durante esse dia daremos a conhecer, em maior detalhe e à procura de co-criarmos e co-construirmos, a Fundação Mendes Gonçalves, primeiro, o seu programa Regenerar e o documentário “Common Ground” que passaremos nesse dia, pelas 11h no Auditório do CNEMA/Feira.

Feira que este ano se dedica às “Biosoluções” com ambição de “promover as tendências de sustentabilidade ambiental do setor e proporcionar aos empresários um ponto de encontro que potencia contactos e negócios.”

Oxalá o consigamos. Tal qual consigamos que esta nossa participação, e a actividade e relações ali geradas ou desenvolvidas, permitam caminhos “para modos de produção e consumo mais inclusivos e sustentáveis, que desenvolvam os ecossistemas e preservem o Planeta”, conforme o que defendemos no programa Regenerar.