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Comportamento FMG Fundação Mendes Gonçalves

O espaço das refeições é um educador silencioso

Creio que o sabemos mas importa que o lembremos: cada refeição na primeira infância é muito mais importante que o mero cumprir de uma necessidade (biológica). É um espaço, tempo e momento de relação, com os alimentos, com as pessoas e com o que rodeia os bebés e as crianças, que pode, verdadeiramente, nutrir – ou não – o futuro dessa criança e da sua comunidade.

Na Fundação Mendes Gonçalves e no nosso Programa Nutrir, assumimos a “nutrição saudável como um bem público”. Assumimos que uma nutrição saudável não promove apenas a saúde da população, mas também a equidade e a justiça social, e promove a economia e a sustentabilidade ambiental.

Trabalhamos estes temas de diversas formas. Desde logo, pensando a importância dos espaços de alimentação na primeira infância em ambiente escolar e “familiar” com o projeto “Ambientes que Nutrem”. Nele reforçamos que não basta “pensar no que se coloca no prato”; é preciso pensar o ambiente físico, o tempo disponível, quem está presente, como se comunica e como se organizam as refeições.

Para tal desenvolvemos 3 recursos que queremos que sejam ferramentas de ação para famílias, profissionais de educação e saúde e decisores (políticos):

. Documento “Ambientes que Nutrem”;

. Flyer de sensibilização para famílias/profissionais;

. Policy brief dirigido a quem define políticas públicas e prioridades de investimento.

Simultaneamente realizamos ações dirigidas a creches e JI, na nossa região e no concelho de Lisboa, um evento de sensibilização e temos procurado estimular o debate público com participações em eventos e comunicação social (ex: https://observador.pt/2026/03/09/falta-de-regras-para-alimentacao-nas-creches-compromete-desenvolvimento-das-criancas/).

Tudo também a procurar evidenciar que tendemos a subestimamos a influência que realmente temos. Um/a educadora que organiza o espaço da sala e de refeição, um/a cozinheiro/a, um/a autarca que decide sobre um espaço de refeitório ou sobre as refeições escolares, um pai, mãe ou cuidador/a que cria uma rotina à mesa… Todos têm frequentemente mais poder do que imaginam para tornar os ambientes de alimentação mais nutritivos e a nutrição mais saudável, no sentido mais amplo das palavras.

É essa a verdadeira ambição do “Ambientes que Nutrem”: reunir e disponibilizar evidência científica, transferi-la para instrumentos de literacia, advocacia e informação das políticas públicas, garantir ferramentas objetivas e práticas para que cada pessoa, a partir dos seus papéis, possa usar melhor a influência que já tem – na creche, JI ou escola, em casa ou na comunidade – para cuidar melhor da alimentação na primeira infância.

Lembrando finalmente que “o espaço das refeições é um educador silencioso: Que a maneira como organizamos os refeitórios e as mesas de alimentação em casa também ensinam o que é comer, em grupo e família, e o que é partilhar e cuidar.”

……

Programa Nutrir (Nota Conceptual) | @Fundação Mendes Gonçalves | https://fundacaomendesgoncalves.org/wp-content/uploads/2025/07/NC-002-FNU-Nota-Conceptual-Nutrir_Funda‡AEoMendesGon‡alves-0_VF_CAPA.pdf

Ambientes que Nutrem | @Fundação Mendes Gonçalves | https://fundacaomendesgoncalves.org/wp-content/uploads/2025/12/AmbientesQueNutrem.pdf

Ambientes que Nutrem [Policy Brief] | @Fundação Mendes Gonçalves | https://fundacaomendesgoncalves.org/wp-content/uploads/2026/02/Policy-Brief-Ambientes-Que-Nutrem.pdf?eg_sub=3c14571f94&eg_cam=0253a7f3c60ca4c4228148170ae7a4b0&eg_list=14

Ambientes que Nutrem [Flyer Literacia] | @Fundação Mendes Gonçalves | https://fundacaomendesgoncalves.org/wp-content/uploads/2026/02/Flyer-Ambientes-Que-Nutrem.pdf?eg_sub=3c14571f94&eg_cam=0253a7f3c60ca4c4228148170ae7a4b0&eg_list=14

…..

. No Need to Shout: Recognizing the Influence That’s Already Yours | @Vanessa Bohns | https://behavioralscientist.org/no-need-to-shout-recognizing-the-influence-thats-already-yours/

. Evento de Sensibilização – Cuidar da Primeira Infância | https://www.instagram.com/reel/DVRK3iigDIK/ |

. Fundação Mendes Gonçalves alerta para risco na alimentação das creches | @Lusa |https://noticiasdosorraia.sapo.pt/fundacao-mendes-goncalves-alerta-para-risco-na-alimentacao-das-creches/

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Democracia Educação FMG Fundação Mendes Gonçalves

Um outro Fuji, da Golegã para o Mundo

Hoje passam 42 anos do nascimento do projecto TED Conferences. Nascido no mítico 1984, o projecto cresceu e o seu lema – “ideias que merecem ser disseminadas” – levou (e continua a levar) reflexão e boas-práticas, nos mais diversos temas, aos quatro cantos do Mundo com uma energia, dinâmica e estilo muito próprios. Só aqui, no LinkedIn, tem mais de 24 milhões de seguidores (mais de dois “Portugais”), sendo a 5ª organização mais seguida logo após a Google, a Amazon, a Microsoft e o próprio LinkedIn. É obra.

Curiosamente um dos seus últimos posts (https://www.linkedin.com/posts/this-kindergarten-school-is-designed-to-help-ugcPost-7430058540633006080-5tTY?utm_source=share&utm_medium=member_desktop&rcm=ACoAABUdsUoBSQRUD9nKHxubGYmf2eFYmTQWxqU), publicado há 4 dias, trata uma obra incrível –  a construção do Jardim-de-Infância (JI) Fuji, nos arredores de Tóquio, pela dupla de arquitectos Tezuka e decorre de um excerto de uma conferência TED do Takaharu Tezuka intitulada “O melhor JI que alguma vez viu”.

O excerto foca a forma como o desenho e a arquitectura do JI permite a sua abertura ao espaço exterior e ao redor, com a quase ausência de limites e barreiras entre espaço exterior e interior. Ainda o facto do projecto assentar na ideia de se fazer um “telhado”, utilizável e baixo (onde as crianças se pudessem ver entre os diferentes níveis do JI) e correr até ao infinito e a exploração, ao limite, da articulação com as árvores e com o espaço exterior no geral e sua utilização intencional para diminuir factores de tensão/stress e potenciar o “risco” controlado, a atividade física e a concentração em sala de aula.

Finalmente – e não menos importante – a forma como o desenho do espaço influencia positivamente a cooperação e o entendimento do JI como uma sociedade, de direitos e deveres de cada uma das partes, terminando com uma forte afirmação: “A arquitectura é capaz de mudar o Mundo | Uma das formas de o fazer é procurar mudar a vida das crianças”.

É, assim é. E assim procuramos fazer no trabalho que estamos – Fundação Mendes Gonçalves – a fazer para a construção da Escola Mendes Gonçalves, o primeiro projecto de um espaço escolar dos arquitectos Tezuka na Europa. Será em Portugal, na Golegã, e reunirá no mesmo espaço as respostas de Berçário, Creche, JI e Escola Básica de 1º Ciclo, integradas e a beber, entre outros, do conjunto de princípios e referenciais atrás referidos e da sua articulação com o seu projeto pedagógico. Mais, da sua articulação, também, com os Centros de Conhecimento e de Desenvolvimento Profissional previstos e com o que o Programa Educar da Fundação Mendes Gonçalves preconiza – “Educar com qualidade muda o Mundo”, sendo fundamental contribuir amplamente para uma educação de qualidade dos 0-10 anos, com especial enfoque no período 0-3 anos.

Um dia teremos uma nova história e, com ela, “ideias que merecem ser disseminadas”, da Golegã para o Mundo.

Ps. Mais e mais aprofundada informação e partilhas nos comentários.

…

“The best kindergarten you’ve ever seen” | Takaharu Tezuka | https://www.ted.com/talks/takaharu_tezuka_the_best_kindergarten_you_ve_ever_seen

Projecto “Escola Mendes Gonçalves” | @Fundação Mendes Gonçalves | https://www.youtube.com/watch?v=99biJdnHfXI

Programa Educar | @Fundação Mendes Gonçalves | https://fundacaomendesgoncalves.org/wp-content/uploads/2025/07/NC-001-FED-Nota-Conceptual-Educar_Funda‡AEoMendesGon‡alves-0_VF_CAPA.pdf

Fundação Mendes Gonçalves e Fundação Santander promovem debate sobre espaços educativos com Arquiteto Tezuka | @Fundação Mendes Gonçalves e @Fundação Santander | https://fundacaomendesgoncalves.org/2025/04/25/fundacao-mendes-goncalves-e-fundacao-santander-promovem-debate-sobre-espacos-educativos-com-arquiteto-tezuka/?doing_wp_cron=1771819478.6236600875854492187500

 

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Comportamento Emergência Climática Fundação Mendes Gonçalves

Porque caem tantas árvores durante as tempestades?

“Porque caem tantas árvores durante as tempestades?”, interpela-nos Helena Freitas, num título de um texto que escreveu a propósito de “nos últimos anos Portugal [ter] assistido a um aumento significativo da queda de árvores durante tempestades intensas”, referindo-se – também – aos papel do solo. “Um dos fatores críticos [para tal] é o estado do solo [em Portugal]. Durante períodos de chuva intensa ou cheias, os solos ficam saturados de água e perdem grande parte da sua resistência. A água acumulada nos poros do solo reduz o atrito e a coesão que mantêm as raízes firmemente ancoradas. Nessas circunstâncias, árvores que permaneceriam estáveis em solos secos podem tombar mesmo sob ventos moderados. Este mecanismo é uma das explicações mais bem documentadas para a queda de árvores associada a tempestades”, escreve.

Este é momento para todos nos associamos à dor da perda e ao sofrimento do conjunto de pessoas impactadas pela forte tempestade da última semana e pelas condições meteorológicas dos últimos (e, eventualmente, próximos) dias e suas terríveis consequências.

Sendo-o, é fundamental, diria até por respeito a este sofrimento, que não saltemos deste fenómeno para um outro futuro sem espaço de reflexão na sociedade civil e decisoras/es sobre o que podemos fazer para prevenirmos, na medida do possível, e estarmos mais preparados e resilientes para enfrentarmos, enquanto comunidade e país, este tipo de fenómenos climatéricos, que infelizmente tudo indica tenderão a ser mais intensos e frequentes.

Também em texto de opinião, Pedro Adão e Silva refere que a Agência Europeia do Ambiente estima que, desde 2000, Portugal tenha perdas anuais de cerca de 630 milhões de euros (acima da média europeia) derivadas de fenómenos climáticos extremos (incêndios, inundações, tempestades). Podemos e devemos portanto perguntar-nos sobre o que podemos fazer e mobilizarmo-nos nesse sentido. Um caminho possível? Pensarmos o solo e internacionalizarmos os objetivos da nova directiva europeia que, desde Novembro, insta os países membros a monitorizarem os seus solos e promoverem um conjunto de ações no sentido de os tornar mais saudáveis e resilientes como factor-chave para a segurança alimentar, qualidade da água e ambiente. Acrescento, para a prevenção e resiliência face a fenómenos climatéricos extremos.

Este (novo) olhar para o solo, para a sua actual degradação e para a sua (potencial) regeneração, tem tanto de fundamental quanto de possível e desejável.

Como Thomas Oudman e Charles Mann referem, “pensando as práticas ancestrais” e, com ciência, trazendo-as para a contemporaneidade a partir de “culturas que previnam a desertificação e poluição e promovam a biodiversidade, trabalhando com a natureza e não contra a natureza.”

Como, na Fundação Mendes Gonçalves procuramos contribuir, a partir do programa Regenerar, para maior investigação e conhecimento, literacia, advocacia e para estimular mudanças de práticas para solos mais saudáveis e resilientes.

 

Para leituras aprofundadas e/ou complementares:

. Helena Freitas | Porque caem tantas árvores durante as tempestades? | https://www.linkedin.com/posts/hfreitas_porque-caem-tantas-árvores-durante-as-tempestades-activity-7422962653251371008-QX3A/?originalSubdomain=pt

. Pedro Adão e Silva | As tempestades, a Kristin e a aprendizagem coletiva | https://www.publico.pt/2026/02/01/opiniao/opiniao/tempestades-kristin-aprendizagem-coletiva-2163188

. Directive (EU) 2025/2360 of the European Parliament and of the Council of 12 November 2025 on soil monitoring and resilience (Soil Monitoring Law) | https://eur-lex.europa.eu/eli/dir/2025/2360/oj/eng

. Thomas Oudman e Charles Mann | The future of agriculture lies in the past | https://thecorrespondent.com/835/the-future-of-agriculture-lies-in-the-past

. Fundação Mendes Gonçalves | Nota Conceptual – Programa Regenerar | https://fundacaomendesgoncalves.org/wp-content/uploads/2025/07/NC-003-FRE-Nota-Conceptual-Regenerar_Funda‡AEoMendesGon‡alves-0_VF_CAPA.pdf

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Desafios da Psicologia Filantropia Fundação Mendes Gonçalves

Revitalizar a filantropia de proximidade: Contribuir lado a lado para o futuro de todos

Desde 2021 mantenho a tradição de terminar o ano a escrever um artigo com um desejo para o ano seguinte. Fi-lo até ao ano passado na rubrica “Ao Redor” (Revista SÁBADO) e desejei “Construirmos mais Paz” (para 2022); “Promovermos mais bem-estar para todas e todos” (2023); “Um país mobilizado contra a violência doméstica” (2024) e “Protegermos e cumprirmos a universalidade dos Direitos Humanos” (para este 2025).

Agora fi-lo na Líder – Ideias que fazem futuro com um artigo chamado “Revitalizar a filantropia de proximidade: Contribuir lado a lado para o futuro de todos” que funciona como o meu desejo para 2026. Resumidamente trata:

. A ideia de que a “filantropia, tantas vezes vista como gesto distante, nasce da presença, da relação e da ligação aos territórios e às suas pessoas” e que “aproximar quem generosamente doa de quem dessa doação mais pode beneficiar é, verdadeiramente, construir comunidade.”

. Da afirmação da filantropia de proximidade “como resposta relevante para desafios sociais complexos com aplicação local e de pertinência global” e do papel das Fundações Comunitárias na sua promoção.”

. O momento que vivemos “particularmente exigente, de grandes ameaças, de transformações constantes, de aprofundamento da insatisfação e do ressentimento, de agravamento das desigualdades.” (…) “um tempo em que urge retomar o envolvimento e a conexão e que, nesse sentido, beneficia do balanço de ações de filantropia de escala global com ações de proximidade e base comunitária. Co-construir soluções colaborativas, no nosso caso [Fundação Mendes Gonçalves] a partir do coração do Ribatejo, que, quem sabe, influenciem políticas públicas e que inspirem outros territórios, da Golegã para o Mundo.”

. O nosso compromisso com o “desenvolvimento e robustez das Fundações Comunitárias em Portugal e com o seu papel na promoção de territórios mais justos, resilientes e prósperos, com responsabilidade, coragem e convicção. Para um país e um Mundo melhores.”

…Já em 2026, com o contributo de todos. Bom 2026.

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Links para artigos:

. “Um desejo para 2022? Construirmos mais Paz” | https://lnkd.in/dwvEuytM

. “Um desejo para 2023? Promovermos mais bem-estar para todas e todos” | https://lnkd.in/dU93aNUW)

. “Um desejo para 2024? Um país mobilizado contra a violência doméstica” | https://lnkd.in/dSQNKBzr).

. “Um desejo para 2025? Protegermos e cumprirmos a universalidade dos Direitos Humanos” | https://www.linkedin.com/posts/tiagoandpereira_um-desejo-para-2025-protegermos-e-cumprirmos-activity-7275429657066295296-AnB4?utm_source=share&utm_medium=member_ios&rcm=ACoAABUdsUoBSQRUD9nKHxubGYmf2eFYmTQWxqU

. “Revitalizar a filantropia de proximidade: Contribuir lado a lado para o futuro de todos” | https://lidermagazine.sapo.pt/revitalizar-a-filantropia-de-proximidade-contribuir-lado-a-lado-para-o-futuro-de-todos/

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Educação Fundação Mendes Gonçalves

Sempre a Educação

“Sempre a Educação”. Título escolhido por Eduardo Marçal Grilo, presidente do Conselho de Curadores (CC) da Fundação Mendes Gonçalves para um artigo (https://expresso.pt/opiniao/2025-12-03-sempre-a-educacao-1defb76b) publicado no Expresso a propósito do Dia Internacional da Cidade Educadora.

No artigo sublinha “a grande importância que deve ser atribuída à formação das crianças dos 0 aos 6 anos de idade e, portanto, à frequência das creches e dos jardins de infância pois é nestas idades que se criam as raízes e as bases em que assenta toda a integração das crianças na sociedade, em especial as que pertencem aos grupos mais desfavorecidos.” Nada mais relevante. Nada mais conectado com a ação e missão da Fundação Mendes Gonçalves.

Nada, também, mais próximo das conclusões do “Talis Starting Strong 2024” (https://www.oecd.org/content/dam/oecd/en/publications/reports/2025/12/results-from-talis-starting-strong-2024_763cbc56/20af08c0-en.pdf), importante estudo da OECD – OCDE que, embora sem dados de Portugal, destaca a relevância da educação na primeira infância enquanto algo fundamental ao desenvolvimento educativo e social de bebés e crianças. Afirma o seu enorme “potencial de resposta a um conjunto significativo de desafios” ainda que sublinhando a necessidade de uma “força de trabalho capacitada e motivada para lidar com as exigências únicas de promover o desenvolvimento, a aprendizagem e o bem-estar dos bebés e das crianças mais pequenas”, algo que prosseguimos também na Fundação Mendes Gonçalves e que é base da proposta de Centro de Desenvolvimento Profissional que prevemos associar à Escola Mendes Gonçalves.

Finalmente, nada, ainda, mais próximo do estudo da The Royal Foundation Centre for Early Childhood sobre as “atitudes da sociedade civil sobre a educação na primeira infância” (https://centreforearlychildhood.org/wp-content/uploads/2025/05/The-Royal-Foundation-Centre-for-Early-Childhood_Public_Perceptions_Survey_second_release_April_2025.pdf). Estudo que destaca a relevância atribuída a este período pela sociedade civil, a necessidade de políticas de apoio às famílias, considerando a sua importância para o desenvolvimento de bebés e crianças, mas que, simultaneamente, parece não encontrar espelhado o papel fundamental que a educação (de qualidade) dos 0 aos 3 anos pode desempenhar, algo que reforça a necessidade de continuarmos a promover conhecimento e literacia e a contribuir para um sobressalto da sociedade civil perante a necessidade de aumentar (a qualidade d)a oferta, algo que a Fundação Mendes Gonçalves também persegue.

Termino como termina o artigo o nosso Presidente do CC, dizendo que como otimista que sempre foi (eu acompanho) está “seguro de que o país vai conseguir ultrapassar este desafio que não é fácil, mas que tem condições para poder vencer. O país precisa de gente nova, bem formada, com pensamento próprio, responsável e pró-ativa. Para isso nada melhor que “Um bom começo” para a sua educação e formação.”

Vamos a isso?

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Fundação Mendes Gonçalves Psicologia

Embaixadores Regenerativos

“A degradação do solo ameaça a biodiversidade e a segurança alimentar, colocando em risco a estabilidade dos ecossistemas”. Recentemente o “Agroportal” publicou uma notícia que assim começava para logo referir que “o nosso ambiente é crescentemente afetado pela perda de biodiversidade, a extinção de espécies e a degradação do solo, que avançam a um ritmo alarmante (…) de acordo com a FAO mais de 33% dos solos do planeta estão deteriorados, um número que compromete a estabilidade dos ecossistemas e a produção de alimentos”.

A degradação dos solos, sendo um desafio global, é já hoje um tremendo desafio em Portugal. Como referimos na nota conceptual do programa Regenerar da Fundação Mendes Gonçalves (https://fundacaomendesgoncalves.org/wp-content/uploads/2025/07/NC-003-FRE-Nota-Conceptual-Regenerar_Funda‡AEoMendesGon‡alves-0_VF_CAPA.pdf) “vivemos uma crise ambiental que ameaça a saúde dos ecossistemas, a segurança alimentar e a estabilidade económica”.

Dizemo-lo e assumimos que “perante a insuficiência dos modelos convencionais, é urgente transitar para práticas regenerativas que restaurem o solo, exponenciem os recursos naturais e revitalizem as comunidades (…) A agricultura regenerativa propõe uma mudança de paradigma: não apenas proteger, mas regenerar o solo, a biodiversidade e os sistemas vivos. Baseia-se em princípios como minimizar a perturbação do solo, manter a cobertura vegetal, promover a biodiversidade, integrar animais e compreender o contexto local. Mais do que um conjunto de técnicas, é uma visão de cooperação com a natureza, de cuidado coletivo e de construção de resiliência para as gerações futuras.” Dizemo-lo e propomo-nos actuar no sentido da criação de possibilidades de “regeneração do solo, dos ecossistemas naturais e das comunidades, promovendo a resiliência e o bem-estar, com base na criação e partilha de conhecimento”.

É com este intuito que lançamos uma call para estudantes do ensino superior que se pretendam mobilizar enquanto embaixadores regenerativos, de acordo com estes princípios, valores e objectivos. A iniciativa é enquadrada num Living Lab da rede europeia de Living Labs e os participantes terão acesso, gratuito, a ser parte de um grupo (comunidade) com acesso a experiências práticas, ações de formação e eventos colaborativos com profissionais do setor, aproximando a teoria, o saber fazer e a aplicação no terreno. Serão desafiados a divulgar práticas regenerativas junto das suas instituições de ensino, comunidades e explorações agrícolas da sua região; sensibilizar colegas e agricultores para a importância da regeneração do solo e da biodiversidade; aplicar conhecimentos adquiridos em projetos e experiências práticas; a ser um agente de mudança, promovendo impactos positivos sociais, ambientais e económicos.

Se te identificas, não deixes de te candidatar. Mais informações/inscrições: https://fundacaomendesgoncalves.org/2025/11/19/fundacao-mendes-goncalves-abre-inscricoes-para-embaixadores-regenerativos/

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Comportamento Desafios da Psicologia Fundação Mendes Gonçalves

Voracidade…

Por estes dias pudemos confirmar a actual voracidade do tempo e da comunicação no espaço público… nos últimos 4 ou 5 dias, ainda as Autárquicas, as Presidenciais, as Leis dos “Estrangeiros” e Nacionalidade, o relatório do trágico acidente do Elevador da Glória, o debate sobre a proposta de projecto de Lei sobre as “roupas destinadas a ocultar ou a obstaculizar a exibição do rosto”, os julgamentos e crimes bastante mediatizados, os conflitos armados Mundo fora, etc, etc.

Tudo isto e a perda de Francisco Pinto Balsemão (e agora mesmo de Laborinho Lúcio), verdadeiros democratas, conforme tantas e tantos não se têm cansado e não se cansarão de, bem, sublinhar. O primeiro, aliás como o segundo, “dono” de um “projeto de sociedade, que nunca abandonou”, conforme Clara Ferreira Alves anotou. “Uma sociedade livre e civilista, sem tutelas militares ou policiais ou autocráticas. A sociedade civil era o sonho que ele ajudou a tornar realidade.”

É. Mesmo que nem todas as pessoas concordem com tudo (como poderia ser de outra forma?), assistimos nas últimas horas ao reconhecimento do legado de uma figura ímpar da democracia e liberdade. Uma pessoa que sempre lutou por uma sociedade civil, livre, civilista e empoderada. Atenta e com agência face aos problemas e às dificuldades que se colocam a nós próprios mas, também e particularmente, às outras e outros, particularmente às e aos com maiores vulnerabilidades. Uma sociedade civil, livre, civilista e participativa. Capaz de identificar e debater as necessidades e expectativas e de co-construir e implementar potenciais soluções que melhoram a vida das pessoas e das comunidades.

Um exemplo? O tenho “Voto na Matéria”, promovido pela UNICEF e cuja

edição de 2025 (https://lnkd.in/dUb5qxHe) demonstra que as “preocupações das crianças e jovens estão a mudar” e que a “pobreza e o custo de vida estão, pela primeira vez, entre as maiores preocupações de crianças e jovens, a par da saúde mental, discriminação e segurança digital”. Ora, não fora a voracidade deste nosso tempo e, talvez, ainda estivéssemos a viver ecos das “comemorações” próximas do Dia Mundial da Saúde Mental (10.10) e o Dia Internacional da Erradicação da Pobreza (17.10).

Entendo e entendemos que parte do meu e nosso, Fundação Mendes Gonçalves, contributo é, junto da nossa comunidade e do nosso país, contribuir(mos) para estes temas também a partir do empoderamento e participação das pessoas e da sociedade civil. Partilho duas participações enquadradas nesse objectivo: a) um trabalho publicado no dia 10.10.2025 no Jornal Notícias de Ourém sobre Saúde Mental; b) A participação num evento, promovido anteontem pela Just a Change que tratou a (in)dignidade habitacional e, no caso da minha mesa, a sua relação com a saúde mental.

Temas fundamentais e preocupações “reais”, infelizmente por vezes secundados pela “voracidade” do tempo. Temas fundamentais à tal “sociedade livre e civilista”, de oportunidades para todas e todos puderem florescer e cumprir-se.

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Filantropia Fundação Mendes Gonçalves

Um pedaço do início do meu dia…

Hoje partilho convosco um pedaço do início da minha manhã. Estou no Norte de Itália, ao qual volto quase 21 anos depois (fui estudante Erasmus em Turim), para participar, em representação da Fundação Mendes Gonçalves, numa iniciativa da European Community Foundation Initiative. Iniciativa que junta Fundações Comunitárias de 15 países, com o objectivo de contribuirmos para a reflexão e discussão sobre a sua resiliência, considerando o actual contexto e os desafios complexos que vivemos. Em Portugal… Na Europa (e Mundo). Um “deep dive”, como chamam.

Um “deep dive” que se sucede a outro que fiz (3ªF) em Reggio Emilia. Reuniões de trabalho sobre a abordagem de educação Reggio Emilia e a prioridade dada pela comunidade ao desenvolvimento infantil precoce que, há já largas décadas, contribui decisivamente para a construção e empoderamento da comunidade local e com um exemplo de referência de educação de qualidade dos 0-6.

Com este contexto, esta manhã sai para uma pequena corrida. Nela ouvi um podcast e uma Ted Talk que, quando parei, vi também. Chama-se “Baby Brains: Unlocking our Humanity” | https://www.youtube.com/watch?v=PDefVd8DRxM], é proferida pela neurocientista Rebecca Saxe e, tendo já 10 anos, está nos primórdios do acesso a mais e melhores dados (ainda insuficientes, mas, paradoxalmente, já relevantes) sobre o processo de desenvolvimento cerebral nos bebés e, sucessivamente, sobre a importância dos primeiros mil dias para o desenvolvimento ao longo de toda a vida, equidade e para uma vida com mais possibilidade de bem-estar para mais pessoas. À parte desta viagem histórica, a um início ainda recente, a humanidade que ouvirão/verão, mesmo com métodos “pouco convencionais” tem presente que é muito mais difícil estudar o cérebro do bebé que o cérebro adulto porque, ao contrário das pessoas adultas, os bebés “não seguem instruções” e “dão arrotos, fazem cocó e adormecem durante as experiências”.

Ouvi, depois, o episódio “Sabotage by Smartphone” [https://podcasts.apple.com/pt/podcast/sabotage-by-smartphone/id73802620?i=1000731887418] do “The Documentary” BBC sobre o aliciamento feito via redes sociais a adolescentes/jovens Ucranianos para realizarem acções de sabotagem no próprio país… A certa altura pergunta-se a uma psicóloga porquê jovens e como podem fazê-lo a troco da promessa de dinheiro, apesar das consequências potenciais que enfrentam, e porque as redes que o promovem procuram jovens: entre outras questões porque “os jovens tendem a considerar menos o médio/longo prazo nas suas decisões”.

Ora, vivemos um tempo em que temos de ousar sair do “apenas presente” e considerar o médio/longo prazo, contribuindo para um Mundo melhor para as gerações que se nos seguem, actuais e futuras. Na Fundação Mendes Gonçalves procuramos fazê-lo dia-a-dia… Trabalhar pelo futuro de todos, também porque, quando com propósito, cada pessoa estará, não apenas a contribuir para o futuro de todas as pessoas mas para o seu bem-estar presente e futuro.

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Filantropia Fundação Mendes Gonçalves

Dia Europeu das Fundações e Doadores

Ontem… Ontem comemoramos o Dia Europeu das Fundações e Doadores, dia relevante de visibilidade, num momento de particular desafio, para o sector fundacional e filantrópico na Europa. Dia também para comemorarmos a vitalidade e dinamismo do sector em Portugal, com um conjunto de novas Fundações a surgirem nos últimos meses e anos e com o processo de reforço e desenvolvimento da filantropia estratégica.

Ontem… Ontem a Fundação Mendes Gonçalves comemorou pela primeira vez este dia, em actividade. Fê-lo participando nas comemorações e apresentando a Fundação numa iniciativa do Centro Português de Fundações. Fê-lo, também e simbolicamente, publicando o seu primeiro Plano Estratégico (2025-2028), aprovado pelos seus Órgãos Sociais a 22 de Setembro, plano que orientará e enquadrará a sua acção e cada um dos planos de atividades dos próximos anos. Agradecendo muito a todas as pessoas que contribuíram para este documento, incluindo a toda a equipa e órgãos sociais da Fundação, convido à sua leitura – https://fundacaomendesgoncalves.org/wp-content/uploads/2025/09/Plano-Estrategico-2025-28.pdf – e destaco os seus 6 objetivos estratégicos:

. Estruturar e consolidar a Fundação Mendes Gonçalves como uma organização de referência em inovação social, baseada na filantropia de proximidade;

. Desenvolver e implementar um ecossistema educativo de qualidade, centrado na criança, enraizado no território, baseado na evidência e replicável;

. Promover estilos de vida saudáveis e dignos através da nutrição e da segurança alimentar, como fundações do bem-estar e da equidade;

. Regenerar os solos, os ecossistemas e os vínculos comunitários, através da agricultura regenerativa e da valorização do saber local;

. Ampliar o impacto da Fundação através da comunicação estratégica, da transferência de conhecimento e da influência em políticas públicas;

. Inspirar para multiplicar: transformar o exemplo em possibilidades.

Ontem… Ontem cumpri 9 meses nesta minha função na Fundação Mendes Gonçalves e ao serviço desta incrível missão. Data bonita. Obrigado pela oportunidade. Obrigado por o fazermos, juntos, pelo futuro de todos.

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Comportamento Democracia Filantropia Fundação Mendes Gonçalves Política

12.06.2012, gestão do bem-comum e inovação social

Recuemos ao dia 12 de Junho de 2012. Comemorava-se mais um Dia Nacional da Rússia e centenas, senão milhares, de adeptos da Rússia marcharam em comemoração deste dia em plena capital da Polónia, situação que resultou em confrontos com adeptos da Polónia. Mais tarde jogar-se-ia um Polónia-Rússia do Europeu de Futebol de 2012 e, mais uma vez, o o futebol cruzava-se com tensões políticas históricas e com desafios societais complexos. Também neste dia o Mundo perdia Elinor Ostrom.

Elinor Ostrom, além de ter sido a primeira mulher a receber o prémio Nobel da Economia (em 2009, a par de Oliver Williamson), estudou e reflectiu durante décadas sobre a gestão do bem-comum (ou dos bens comuns). No seu discurso de aceitação desse Nobel – intitulado “Beyond Markets and States: Polycentric Governance of Complex Economic Systems” [Para além dos Mercados e do Estado: Governança Policêntrica de Sistemas Económicos Complexos] e cuja leitura muito aconselho – sublinha a necessidade de desenvolvermos abordagens colaborativas e baseadas na inovação para a resolução dos desafios mais complexos, defendendo que a gestão eficaz dos recursos comuns e a resposta a problemas sociais complexos exigem sistemas de governo policêntricos, com diferentes camadas de tomada de decisão que envolvam diferentes pessoas e as comunidades locais e organizações não governamentais a par dos governos.

Partilho-o a propósito de uma reflexão que considero muito relevante e que li, em artigo no Público da autoria da Sofia Lai Amândio e Jürgen Howaldt e cuja leitura também aconselho, intitulado: “Vinte anos de políticas de inovação social na Europa em risco” (https://lnkd.in/d8mEqBEz).

Artigo que, fazendo uma resenha histórica do caminho percorrido nos últimos anos na área da inovação social na União Europeia, reflecte sobre os riscos de regredirmos nos estímulos e suporte conferidos à co-criação e à participação mais ampla na reflexão e desenho de respostas para os desafios societais complexos que vivemos: “A experiência dos últimos 20 anos prova que a inovação social não é acessória. É indispensável para enfrentar desafios societais, fomentar coesão e abrir caminho a um futuro sustentável.”

Enfrentar desafios societais, fomentar coesão e abrir caminho a um futuro mais sustentável com co-criação, inovação social e com modelos policêntricos de gestão e preservação do bem-comum.

Que não desistamos… Pelo presente. Pelo futuro de todos.

Ps. O Polónia-Rússia desse dia terminou 1-1.

Ps2. Nesse Europeu, co-organizado pela Polónia e Ucrânia, Portugal foi eliminado nas meias-finais, em grandes penalidades, pela Espanha (que o venceria). Esse jogo aconteceu na cidade de Donetsk, num estádio que, tendo sido inaugurado em 2009, desde 2014 não recebe qualquer jogo, em resultado de uma Guerra com já mais de uma década que nos últimos 3 anos e meio se agudizou e tomou proporções que em 2012 dificilmente se imaginariam.