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Filantropia FMG Fundação Mendes Gonçalves Futuro da Psicologia

O melhor jardim-de-infância que já viu

Ontem comemorou-se em Portugal o Dia da Criança. Uma celebração, simbólica, que resulta da necessidade de uma justa e relevante homenagem às crianças que nos recorde os seus direitos, desde logo, mas particularmente o quão são o presente, o futuro e a base do legado que enquanto pessoas e sociedade pretendemos construir.

Presente, futuro e legado que, necessariamente, dependem do que fazemos hoje em períodos-chave do desenvolvimento das crianças, desde a gravidez à infância, com foco relevante no que conceptualmente hoje consideramos os primeiros 1000 dias. Que dependem, também, e numa perspectiva de promoção do desenvolvimento, florescimento e da promoção da equidade de acrescentarmos à narrativa e às políticas em torno do reforço da possibilidade de acesso à educação, a qualidade das práticas educativas no período dos 0-3 anos e da primeira infância de forma mais ampla, enquanto desígnio fundamental de cumprimento dos direitos de todas as crianças e de uma sociedade mais inclusiva e coesa.

Sabe, quem por aqui me acompanha, que estes aspectos são chave da missão e propósito da Fundação Mendes Gonçalves e, particularmente, do seu programa Educar. Saibam, também, que além da procura de uma filantropia de proximidade e do sustentar das nossas práticas numa cultura de evidência e estudo de impacto, queremos realizar a nossa acção em co-criação, promover e disseminar literacia e conhecimento e, pela advocacia e comunicação, influenciar políticas e práticas.

Esta “nossa forma de fazer” e a abertura e confiança da Fundação Santander Portugal (obrigado Inês Oom de Sousa e equipa) resultaram na organização conjunta de um evento dedicado à reflexão sobre o desenho de espaços educativos e o seu impacto nos processos de ensino-aprendizagem e bem-estar, dinamizado pelos arquitetos Takaharu e Yui Tezuka e Luis Oliveira (Tezuka Architects), aproveitando estarem em Portugal a propósito do lançamento da Fundação Mendes Gonçalves.

O evento, dedicado à disseminação de conhecimento (obrigado Pedro Cunha pela brilhante intervenção) e à advocacia junto de um conjunto de pessoas com capacidade de influência e decisão, partiu da apresentação do futuro Centro Educativo (0-10 anos) da Fundação Mendes Gonçalves, de que são responsáveis, mas, particularmente, do projecto do “Fuji Kindergarten”, “uma escola em Tóquio, [onde] crianças de 5 anos causam engarrafamentos e as janelas servem para o Pai Natal entrar (…) o JI mais adorável do mundo”.

A citação é a descrição da Ted Talk de T. Tezuka sobre “o processo de design [do Fuji] que permite às crianças serem realmente crianças”. Chama-se “O melhor jardim-de-infância que já viu” – https://www.ted.com/talks/takaharu_tezuka_the_best_kindergarten_you_ve_ever_seen?subtitle=en – e data de Setembro de 2014.

Num Setembro próximo teremos, finalmente, um Centro Educativo por si desenhado na Europa, em Portugal, na Golegã.

Em rede, pretendemos. A inspirar, aspiramos. Da Golegã para o Mundo.

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FMG Fundação Mendes Gonçalves Pobreza e Desigualdade Política

Pela não-normalização da ideia de interior. Pelo futuro de todos

Da crescente utilização de tecnologias no nosso dia-a-dia ao que vivemos aquando da pandemia por COVID-19. Do espectro da guerra na Europa a mudanças no quadro sociopolítico que nos pareciam impossíveis não há muitos anos. Enquanto seres humanos, tendemos a naturalizar quase tudo. Fizemo-lo, no país, com a ideia e, particularmente, com o que resulta da ideia, de interior.

Mas, se a tendência para a normalização decorre da condição humana, para a polarização é muito influenciada pelo contexto social. Das condições de vida à forma como as redes sociais determinam, hoje, o fluxo de informação e influenciam a formação de opiniões e identidades, tendemos para a criação de um nós versus outros e a afastar-nos, a polarizar. Fizemo-lo, no país, com uma progressiva clivagem litoral-interior e, particularmente, com o que dela resulta.

Hoje basta sairmos dos grandes centros urbanos para que a ideia de interior se comece a impor, como se passássemos uma fronteira física a caminho de uma outra realidade. O discurso no espaço mediático, as diversas categorizações da ruralidade aos territórios de baixa densidade, muitas das quais “bem-intencionadas”, reforçam uma certa diferença, um “uns” e “outros”, de maiores ou menores possibilidades e oportunidades, que não deveria ter e ser sentido, mais num país relativamente pequeno do continente europeu, como é Portugal.

Mas, se a ideia de interior, verdadeiramente, começa na nossa cabeça, é inegável que temos um exigente caminho pela frente, sobretudo na construção de um futuro equitativo, sustentável e com mais possibilidade e oportunidade de bem-estar para todas as pessoas. Uma ação colaborativa, entre diferentes entidades e atores, de diversos setores, público, social e privado, é essencial para atingir este fim, comunidade a comunidade, território a território.

Queremos para isso contribuir na Golegã e, a partir da Golegã e da região ao seu redor, co-construir e inspirar outros a fazerem-no noutras cidades, vilas e lugares. Queremos fazê-lo aqui, numa Golegã a pouco mais de uma hora de distância de Lisboa e duas do Porto, onde cresce o sonho e floresce a ideia de cuidar das pessoas e dos ecossistemas. Do que nasce, cresce e se regenera. Cuidar é cultivar o potencial das ideias, das pessoas, das famílias e da comunidade. Com “inquie-tudo”. Com ética, transparência e integridade, sabendo que há sempre mais para aprender, melhorar, contribuir e transformar.

A Fundação Mendes Gonçalves nasce do compromisso da Casa Mendes Gonçalves e do seu fundador, Carlos Mendes Gonçalves, com o cumprir deste objetivo, agindo localmente, mas colaborando e inspirando globalmente. A partir verbos “educar”, “regenerar” e “nutrir” definiremos e concretizaremos a nossa ação, procurando revitalizar uma filantropia comunitária ou de proximidade, pelo futuro de todos.

A ciência demonstra que investir nos primeiros anos de vida tem um impacto duradouro na saúde, aprendizagem e bem-estar individual, bem como na produtividade, equidade e coesão social. Heckman, prémio Nobel de Economia, define numa célebre equação que o melhor “retorno em desenvolvimento na primeira infância ocorre quando se investe o mais cedo possível”, principalmente “desde o nascimento e até os cinco anos de idade e em famílias com maiores vulnerabilidades”. Devemos, assim, concentrar-nos nos primeiros anos para uma maior eficiência e eficácia do investimento, reforçando, desde logo, a qualidade em educação que depende de relações seguras, práticas pedagógicas baseadas em evidência científica sólida, do envolvimento das famílias e da comunidade, bem como do contacto com a natureza. Queremos fazê-lo a partir do Centro Educativo (Berçário, Creche, Jardim-de-infância e EB 1º ciclo) que construiremos, que ambicionamos que integre a rede pública na Golegã e das colaborações que dele resultarão na criação e transferência de conhecimento.

Os princípios da produção e da agricultura regenerativa propõem uma mudança de paradigma fulcral: não apenas proteger, mas, antes, regenerar. Regenerar o solo, aumentar biodiversidade e os sistemas vivos. Isto minimizando a perturbação do solo, mantendo a cobertura vegetal, valorizando a biodiversidade, integrando, intencionalmente, animais e, principalmente, compreendendo e respeitando o contexto local. É uma visão que será por nós advogada, de cooperação com a natureza, de cuidado coletivo e de construção de resiliência e de futuro para as gerações que se nos seguem.

Hábitos de nutrição saudável e segurança alimentar contribuem para prevenir ou adiar o surgimento de doenças não transmissíveis, algumas crónicas e hoje responsáveis maiores pela perda de anos de vida com qualidade no nosso país, como são exemplo as doenças cardiovasculares, a diabetes ou a obesidade. Paralelamente, e porque relacionada com o bem-estar, uma nutrição saudável surge associada a menores níveis de ansiedade, depressão e declínio cognitivo, diminui gastos em saúde, aumenta a produtividade, melhora o comportamento e desempenho escolar das crianças, bem como o seu desenvolvimento cerebral e imunitário. Mais, facilita a adoção de outros comportamentos parte de um estilo de vida saudável, nomeadamente a cessação ou menor consumo de tabaco e álcool e a prática de atividade física, mitigando desigualdades sociais e de saúde. É, portanto, fulcral a um pensamento e investimento de futuro, equidade e desenvolvimento.

O desafio que abraçamos é grande, ainda que o ponto de partida seja um território com apenas um pouco mais de 80km2 e 5000 habitantes. Mas contribuiremos mesmo para uma educação de qualidade, capaz de gerar mudança. Contribuiremos mesmo para a regeneração dos solos e para modos produção e consumo mais inclusivos e sustentáveis, que desenvolvam os ecossistemas e preservem o planeta. Contribuiremos mesmo para uma nutrição e estilos de vida saudáveis como fontes de bem-estar e florescimento.

Contribuiremos. No plural. Com todas e todos e para todas e todos. Pela cocriação, através de alianças estratégicas que empoderem comunidades. Pela promoção da literacia e transferência de conhecimento. Advogando e comunicando, para influenciar políticas públicas, inspirar e disseminar boas práticas. Validando cientificamente e monitorizando o impacto.

Juntos, concretizaremos a nossa missão: Nutrir Futuros, Regenerar Legados. Da Golegã para o Mundo.

 

Tiago Pereira

Pela não-normalização da ideia de interior. Pelo futuro de todos.

in Eco; 06.05.2025

https://eco.sapo.pt/opiniao/pela-nao-normalizacao-da-ideia-de-interior-pelo-futuro-de-todos/

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Filantropia Fundação Mendes Gonçalves Política

Pela não-normalização da ideia de interior. Pelo futuro de todos.

“Hoje basta sairmos dos grandes centros urbanos para que a ideia de interior se comece a impor, como se passássemos uma fronteira física a caminho de uma outra realidade”, digo.

“O discurso no espaço mediático, as diversas categorizações da ruralidade aos territórios de baixa densidade, muitas das quais “bem-intencionadas”, reforçam uma certa diferença, um “uns” e “outros”, de maiores ou menores possibilidades e oportunidades, que não deveria ter e ser sentido, mais num país relativamente pequeno do continente europeu”, digo também.

O ECO publicou recentemente o 1º artigo que escrevi na minha nova condição na nova Fundação Mendes Gonçalves: “Pela não-normalização da ideia de interior. Pelo futuro de todos”.

Nele enquadro o que atrás refiro nas tendências humanas de naturalização (de quase tudo, logo também da ideia de interior) e societais de polarização (de quase tudo, logo também da clivagem litoral-[suposto] interior).

Afirmo, depois e no entanto, que se “a ideia de interior, verdadeiramente, começa na nossa cabeça, é inegável que temos um exigente caminho pela frente, sobretudo na construção de um futuro equitativo, sustentável e com mais possibilidade e oportunidade de bem-estar para todas as pessoas. Uma ação colaborativa, entre diferentes entidades e atores, de diversos setores, público, social e privado, é essencial para atingir este fim, comunidade a comunidade, território a território.”

“Queremos para isso contribuir na Golegã e, a partir da Golegã e da região ao seu redor, co-construir e inspirar outros a fazerem-no noutras cidades, vilas e lugares” (…) A Fundação Mendes Gonçalves nasce do compromisso da Casa Mendes Gonçalves e do seu fundador, Carlos Goncalves, com o cumprir deste objetivo, agindo localmente, mas colaborando e inspirando globalmente. A partir verbos “educar”, “regenerar” e “nutrir” (e, conceptualmente, como resumidamente descrevo no artigo) definiremos e concretizaremos a nossa ação, procurando revitalizar uma filantropia comunitária ou de proximidade, pelo futuro de todos.”

“O desafio que abraçamos é grande, ainda que o ponto de partida seja um território com apenas um pouco mais de 80km2 e 5000 habitantes. Mas contribuiremos mesmo para uma educação de qualidade, capaz de gerar mudança. Contribuiremos mesmo para a regeneração dos solos e para modos produção e consumo mais inclusivos e sustentáveis, que desenvolvam os ecossistemas e preservem o planeta. Contribuiremos mesmo para uma nutrição e estilos de vida saudáveis como fontes de bem-estar e florescimento.”

“Contribuiremos. No plural. Com todas e todos e para todas e todos. Pela cocriação, através de alianças estratégicas que empoderem comunidades. Pela promoção da literacia e transferência de conhecimento. Advogando e comunicando, para influenciar políticas públicas, inspirar e disseminar boas práticas. Validando cientificamente e monitorizando o impacto.”

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Fundação Mendes Gonçalves Psicologia

Raio X

“And now for something completety different”… Eu, de outra forma.

Na passada 6ª feira participei num evento promovido no âmbito do projeto NHNAI (Um novo humanismo na era das neurociências e da inteligência artificial) que, pela pertinência e actualidade, vos sugiro conhecerem.

Fi-lo a convite da Rita Francisco e para debater com a Ana Rita Silva, o Jorge Amorim e o Nuno Loboantunes, com moderação da Bárbara Wong, o desenvolvimento humano dentro do tema mais amplo do evento: “Ser humano na era da inteligência artificial: Desafios da coexistência” (https://nhnai.pt/desafios-coexistencia/). Foi uma interessante conversa marcada, também, pelo que ainda não sabemos e não podemos saber do futuro e as dúvidas que temos sobre o presente, mas informada pelo que sabemos do passado.

A certa altura o Nuno Lobo Antunes disse ter tido como professor de Português o Vergílio Ferreira. Eu, admirador da sua obra literária, em particular do “Em nome da Terra”, e “percorredor” assíduo e apaixonado dos espaços do “Aparição” (estudei e vivi em Évora) não pude não o sentir como algo excepcional e que isso não ressoasse em mim por estes dias. Daí que pensei numa forma que em tempos li, por si escrita, de pensar o tempo: “O tempo que passa não passa depressa. O que passa depressa é o tempo que passou.”

Assim é. O que passa depressa é o tempo que passou.

A expressão com que começo este texto foi cunhada pelos Monty Python para um “best of” televisivo dos seus sketches. Uso-a, juntando a ideia de sketches (pequenos apontamentos) do tempo que passou e passei para partilhar convosco o resultado de um convite generoso do Canal S+ para gravar um episódio do Raio X, programa que, de acordo com a sinopse, “consiste numa entrevista de fundo a um profissional na área da saúde (…) o objetivo do programa é através de uma conversa descontraída e informal traçar o perfil humano dos entrevistados e das suas histórias de vida.”

Uma oportunidade extraordinária para, quando em breve se cumprem 20 anos do início do meu estágio académico (para o ano de ser psicólogo) e quando acabo de realizar uma mudança profissional significativa, pensar o meu percurso, da minha infância e crescimento, família e grupo de amigas/os, às escolhas relativas ao meu percurso académico e, depois, profissional. Tudo, naturalmente, com base central nas minhas dimensões mais pessoais e familiares (❤️❤️❤️) e como se foram e vão cruzando e conciliando com as minhas actividades profissionais, com especial foco na minha actual condição de CEO da Fundação Mendes Gonçalves, do seu processo de instalação e lançamento, sua missão e o que e como se procurará contribuir para o desenvolvimento da Golegã, da região ao redor, de Portugal e do Mundo, com um foco pelo futuro de todos.

São cerca de 50 minutos de mim que abaixo partilho, guiados pelo Vasco Domingos, a quem agradeço, também, o convite, cuidado e a conversa.

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Comportamento Democracia Desafios da Psicologia Fundação Mendes Gonçalves Política Psicologia

Diálogos Cruzados: A responsabilidade social da psicologia

Hoje partilho umas palavras convosco, profundamente sentidas, escritas para uma pessoa que, creio, não as lerá. Não é seu hábito partilhar este espaço virtual connosco e não é minha intenção com ela as partilhar, directamente. Antes aqui as escrever, deixar e, quem sabe, um dia se cruze com elas ou alguém as partilhe com ela…

Convidou-me para ontem voltar à Universidade onde estudei e cresci, antes de mais como pessoa e cidadão, mas, também, como profissional. À Universidade, também, onde, depois e em parte também com ela, pude trabalhar e contribuir para a investigação e, sobretudo, formação de (futuros) colegas. À Universidade, finalmente, onde, também com ela, iniciei um processo que a envolvia que, por vicissitudes (boas, maioritariamente), não terminei e que parte do lamento que sinto por isso ter acontecido advém do quanto ela desejava que assim não tivesse sido e o quão era para si importante.

Fi-lo para falar sobre algo sobre o qual falamos muito e muitas vezes nos últimos 20 anos: a responsabilidade social da psicologia nos diversos momentos do país e do Mundo que vivemos. Fi-lo, também, porque ela tem uma capacidade (escrevo-o propositadamente) profundamente profunda a si de acreditar e confiar, não naturalmente sem se por vezes desiludir e frustrar. Junta-lhe a capacidade de reconhecer, muitas vezes muito além do que lhe é reconhecido.

Foi, é, uma pessoa fundamental no meu percurso. Não certamente por ser a professora com mais publicações, daquelas que valem muitos pontos em avaliações e CV, mas, nos bons e menos bons momentos lá estava. Sempre, comigo, connosco, dando valor à palavra relação naquilo que tem de melhor, mas também no que tem de desafiante e nos faz crescer. Partilhava com entusiasmo os novos textos, livros, o que sabia, não guardando para si e fazendo-o com o entusiasmo com que eu, anos antes, partilhava música com amigas/os. Fora sempre assim…

Estimulou-me a pensar a psicologia além da psicologia. Estimulou-me a pensar-la a contribuir para políticas públicas. A contribuir para uma sociedade e um Mundo melhor, para cada pessoa. É, por isso, parte fundamental do caminho que me trouxe à Fundação Mendes Gonçalves e do meu contributo, junto com o de outras pessoas, para a afirmação da missão, valores e da nossa forma de fazer: https://fundacaomendesgoncalves.org/a-fundacao/

Espero que se reveja. Espero que se orgulhe.

Características suas e uma dimensão mais activista e ligada ao movimento feminista e à cultura brasileira lembram-me uma frase que há dias me foi recordada por uma outra pessoa amiga: “Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso… Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro”.

Uma frase da Clarice Lispector que devemos guardar, fundo, connosco, no que queremos e desejamos. Para nós e para as outras e outros.

Eu procuro fazê-lo. Como procuro não me esquecer de quem é muito importante e a quem estou muito grato.

Obrigado, Madalena Melo.

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Democracia Desafios da Psicologia Emergência Climática Fundação Mendes Gonçalves

Revista Associação Portuguesa de Horticultura

“Mudar da “sustentabilidade” para a regeneração”. Estávamos em 2007 quando Bill Reed publicou um artigo com este título, com a palavra sustentabilidade entre as aspas que aqui mantenho e com um gráfico que enquadra, na sua visão, uma “trajectória do desenho de respostas ambientalmente responsáveis”. No fundo, como caminharmos das, como nomeia, práticas convencionais, verdes e depois sustentáveis (neutras), para práticas restaurativas, reconciliatórias e, finalmente, regenerativas (positivas)… Porque sermos neutros, em diferentes áreas, é hoje insuficiente.

No desenho dos programas estruturais da Fundação Mendes Gonçalves procuramos ser consequentes com esta necessidade, hoje ainda mais premente, e com a importância que este caminho que pode desempenhar já no presente, para o futuro e numa perspectiva intergeracional. Pretenderemos, com o programa, “cuidar, através da regeneração dos solos e da biodiversidade, para que o planeta e as comunidades tenham um futuro melhor” e, a partir deste intuito e enquadrado na missão, valores e “forma de fazer” da Fundação, desenhamos as bases do programa cuja informação e nota conceptual podem ser aqui consultadas – https://lnkd.in/dbVwf-DU.

Parte importante deste nosso trabalho assenta, não apenas na produção de conhecimento, mas na sua transferência, quer para a informação a processos de formação, de práticas ou desenho de políticas, quer para mais sensibilidade e literacia da sociedade relativa a práticas neste âmbito e aos seus potenciais impactos.

Nesse sentido, foi com enorme satisfação que vimos a Associação Portuguesa Horticultura dedicar a sua revista (n.º 156; Abril de 2025) à “Saúde do Solo” e participamos numa peça da responsabilidade da Nélia Silva (obrigado!) com título: Fundação Mendes Gonçalves – Nutrir o futuro através da regeneração dos solos (https://lnkd.in/dTtHwYNe).

Na peça, além da experiência de práticas regenerativas de produção realizadas e promovidas pela Casa Mendes Gonçalves, com participações do João Ferreira e do Carlos Goncalves, procuro enquadrar o modelo da Fundação Mendes Gonçalves, reforçando os seus princípios relativos à procura da revitalização da filantropia de proximidade e o compromisso com a co-criação e envolvimento de diferentes parceiros, bem como a forma como o programa Regenerar se liga com os programas Educar e Nutrir na missão maior da Fundação.

Futuro este que, como o Carlos Goncalves sempre refere e a peça expressa, dependendo de mudanças no Mundo, só se concretizará verdadeiramente se “primeiro mudarmos o que está à nossa volta”. Tudo faremos para contribuir para tal. Oxalá o consigamos, juntos, pelo futuro de todos.

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23.04.2025 | Fundação Mendes Gonçalves

23 de Abril. Dia Mundial do Livro, Dia de São Jorge (nome do meu querido Pai) e, agora, da Fundação Mendes Gonçalves.

Na quarta-feira, 23 de Abril de 2025, exactamente um ano após a publicação do seu reconhecimento em Diário da República (Despacho n.º 4386/2024), lançamos e apresentamos publicamente a Fundação Mendes Gonçalves (FMG).

Um dia bonito. Um lugar especial. Um conjunto de pessoas incríveis. Um momento a apontar à eternidade, da Golegã para o Mundo.

E, um livro, uma rosa e uma Fundação…

Como estou grato. E como estou comprometido e empenhado nesta missão de Nutrir Futuros para Renegerar Legados e de Regenerar Legados para Nutrir Futuros.

Obrigado Carlos Goncalves, pela bondade de teres sonhado a Fundação, pela generosidade de a teres tornado possível e por todos (tantos) os contributos.

Obrigado a todas as pessoas que nos últimos meses, comigo, se envolveram na sua instalação, particularmente à Conceição Zagalo, presidente da Comissão Executiva da FMG e à Liliana Valpaços, Maria Beatriz Filipe, Quaiela Costa, Teresa Raquel Pereira e Andresa Oliveira.

Obrigado a todos os membros do Conselho de Administração e do Conselho de Curadores da Fundação Mendes Gonçalves (https://fundacaomendesgoncalves.org/orgaos-sociais/).

Obrigado a todo o Board, equipas e colegas da Casa Mendes Gonçalves e obrigado por tantas e tantos terem estado num primeiro momento de apresentação da Fundação, dois dias antes (21.4.2025), para a equipa da Casa.

Obrigado pela exemplar apresentação e gestão do evento Fernanda Freitas e obrigado a todas as pessoas que, comigo, no evento intervieram: Carlos Goncalves, Conceição Zagalo, Pedro Abrunhosa (que bonitas palavras, melodias e o “fazer o que ainda não foi feito”), Conceição Calhau, João Ferreira, Liliana Valpaços, Pedro Cunha, Karim Merali, Ana Avillez, Eduardo Marçal Grilo, presidente do Conselho de Curadores da FMG, e Fernando Alexandre, Ministro da Educação, Ciência e Inovação. Além, claro está, da bela e “responsabilizante” mensagem do Sr. Presidente da República ali partilhada e lida.

Obrigado a todas as pessoas que deram cor e calor aquele dia e aquele momento, com a sua presença e carinho. Obrigado Rute Dinis de Sousa.

Obrigado, ainda, a muitas e muitos que não tendo podido estar connosco naquele dia, não deixaram, à sua forma, de estar e de me e nos acompanhar e apoiar.

Obrigado.

Juntos. Pelo futuro de todos.

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Crítica-Elogio

Hoje começa uma semana muito importante para mim e para um conjunto de pessoas que, primeiro confiaram no meu contributo para reflexão e desenho de um plano estratégico, depois confiaram-me o meu actual papel e, finalmente, me acolheram. Será uma semana com um conjunto de iniciativas no âmbito do lançamento da @Fundação Mendes Gonçalves, iniciativas estas que começam hoje e culminam, quarta-feira, dia 23 de abril, com o evento público que o assinala. Até lá, duas sugestões:

  1. Se quiserem conhecer mais e acompanhar a actividade da @Fundação Mendes Gonçalves, sugiro seguirem o perfil aqui no LinkedIn que já nos próximos dias passará, com regularidade, a partilhar e informar sobre a acção da Fundação;

  1. Noutro prisma, partilho abaixo mais um episódio do “Descubra as Diferenças” do canal Canal S+ onde, com a Irina Gomes, desta vez converso e reflicto sobre crítica e elogio.

Depois de o haver feito em torno do binómio “revolta-apaziguamento” [1ª temporada | https://lnkd.in/dqWv82uw] e do binómio “indiferença-empatia” [2ª temporada | https://www.linkedin.com/posts/tiagoandpereira_sa%C3%BAde-activity-7304782430350024704-Sf13?utm_source=share&utm_medium=member_desktop&rcm=ACoAABUdsUoBSQRUD9nKHxubGYmf2eFYmTQWxqU], voltei para, desde logo, procurar sublinhar a relevância que a crítica, quando construtiva, assume no nosso processo de reflexão e melhoria, particularmente, na nossa forma de comunicar, decidir ou agir. Também para assinalar a importância de prepararmos e reflectirmos o momento, o contexto e a forma de realizarmos críticas, considerando o impacto que podem ter na/o outra/o e termos presente que, enquanto seres humanos, a nossa tendência – a tendência de quem recebe feedback – é, em geral, considerar mais os aspectos menos positivos da comunicação face aos mais positivos.

Falamos, também, da importância da segurança (psicológica), do reconhecimento e da legitimação/validação no quadro das relações e do feedback. Do elogio, do auto-elogio e da relevância de reconhecermos o que conquistamos/conseguimos. Ainda de liderança e da importância de quem lidera construir relações de confiança e presença e de adoptar estilos de comunicação não-ambivalentes, para que o seu feedback possa ser validante, acolhido e promotor de desenvolvimento em contexto profissional. Falamos, finalmente e não menos importante, de relações de proximidade (amorosas, filhas/os-pai/mãe, …) e de como a crítica/elogio é determinante na comunicação e na nossa relação connosco e com as outras e outros.

Espero que gostem… E venha de lá esta semana que, significativamente (para mim), termina a 25.4.

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0-3, regeneração

Um conjunto de regiões do país estão a ser sofrer/sofreram com o impacto da depressão Martinho que, desde ontem e até aos próximos dias, junta chuva e ventos impressionantes. Condições adversas que desafiam pessoas e (infra)estruturas. Condições adversas que (creio que para todos será perceptível), a serem quotidianas / permanentes, alterariam/transformariam a nossa forma de viver e os nossos próprios processos de interacção, aprendizagem e desenvolvimento.

Vem isto a propósito de nem sempre esta simples reflexão ser feita (ou pelo menos sermos consequentes com ela) relativamente a bebés e crianças que vivem, permanentemente, em situação de adversidade… De tempestade. E a propósito de, não raras vezes, não re reconhecer o impactos dessas situações e, ainda que existam, se “culpar” excessivamente a/o aluna/o por não atingir determinados resultados (desde logo de desempenho escolar) ou mesmo, em sentido mais amplo, tendermos maioritariamente a culpabilizar pessoas que vivem em situação de pobreza por viverem em situação de pobreza.

Ora, a este propósito, duas notas (também em jeito de convite) a partir de contributos que procurarei dar amanhã:

a) É crucial que, enquanto país e rapidamente, passemos a complementar o debate público sobre o acesso à educação (em particular nos 0-3 anos) com a qualidade que resulta desse acesso e internacionalizar-se, na sociedade civil e nos meandros da decisão (política), a importância de uma educação de qualidade no período 0-3 enquanto garante fundamental de uma base minimamente equitativa de oportunidades de desenvolvimento entre bebés e crianças em Portugal. No fundo, um contributo para mitigar (ou pelo menos prevenir que se aprofundem) desvantagens que, por vezes, existem desde literalmente o dia 0 de vida e cujo impacto de uma educação de qualidade pode ser decisivo. Sobre isso conversarei, na próxima 6ªF, a convite da Câmara Municipal de Mafra (que agradeço, informações abaixo) na sessão “A importância dos primeiros mil dias e a injustiça das injustiças” (e sabem qual é a injustiça das injustiças?);

b) É crucial tornar o verbo regenerar e os seus múltiplos significados mais saliente… Também amanhã, numa colaboração da Nova School of Business and Economics (Centro de Conhecimento “Leadership for Impact”) e a Casa Mendes Gonçalves, participarei na 1ª fase de uma iniciativa que convido a conhecerem e que pretende contribuir para a “aceleração” e desenvolvimento de projectos de impacto na área ambiental e, mais particularmente, da regeneração (https://lnkd.in/diyYnqCF), tema para uma conversa que terei com o Carlos Goncalves, também a propósito deste conceito no quadro dos programas, actividades e da visão e missão da Fundação Mendes Gonçalves.

Temas relevantes também ao momento que vivemos. Temas que não tocam apenas algumas e alguns, antes todos, hoje e para o futuro. Temas que devemos discutir, discutir e discutir, tornando-os salientes e quotidianos na agenda das/os decisoras/es.

Lá vos espero…

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Desafios da Psicologia FMG Fundação Mendes Gonçalves Política Psicologia

ESG

Creio provável que não tenham existido muitos momentos históricos em que fosse tão presente uma verdade inquestionável: que a ideia de futuro, ou de futuros possíveis, comporta sempre consigo uma carga imensa de imprevisibilidade.

 

Parte desta consciência (colectiva) assenta, naturalmente, na forma como estamos hoje mais conectados e a informação circula. Mas essa consciência provém, também, da profunda complexidade e incerteza que resulta da interacção de diversos factores – económicos, ambientais, geopolíticos, societais ou tecnológicos – e de como isso desafia a possibilidade de se “prever” com segurança o futuro.

 

Por isso falamos cada vez mais de antecipação (estratégica) e dela não procurar “prever”, antes explorar futuros possíveis e plausíveis, informados por trajectórias e mudanças emergentes.

 

Esta mudança é relevante quando se conjuga com tendências da sociedade. Vejamos a evolução anual do quadro da percepção dos riscos globais do World Economic Forum. O relatório de 2024, no top-10, identifica para os próximos 2 anos 2 riscos tecnológicos (a má-informação / desinformação é mesmo o n.º 1), 2 ambientais, 1 geopolítico e 2 económicos. Mas, talvez mais determinante seja pensar que o mesmo relatório, para os próximos 10 anos, não apresenta nos 10 primeiros quaisquer riscos económicos ou geopolíticos, tendo 5 ambientais (4 dos quais nos 4 primeiros lugares), 3 tecnológicos e 2 societais.

 

Isto sublinha a premência de se abordarem as dimensões de ESG (ambientais, sociais e de governança) das organizações e empresas. Sublinha que o devemos fazer de forma mais activa, intencional e particularmente tendo presente que será sempre limitado o espaço de florescimento e prosperidade de uma organização a médio/longo prazo quando o seu entorno (e a sociedade como um todo) não tenha, também, esse espaço de florescimento e prosperidade.

 

É desta visão e compromisso da Casa Mendes Gonçalves e do Carlos Goncalves que, também, surge a Fundação Mendes Gonçalves. É do seu espírito de contributo e estímulo que surge a parceria com a Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira e a Opera Education para a co-organização do Seminário Transformação ESG. Nele participarei, no seu 2º dia, com o Carlos Goncalves, a Giovana Bratti, o Charles Tokarski, o Cesar Blanco, o João Ferreira e o Mauro Peres intervindo sobre “Liderança e Impacto Social”.

 

Espero ter oportunidade de discutir a importância e o papel das organizações e lideranças no bem-estar (individual e colectivo), no reforçar das dimensões da equidade, diversidade e inclusão (neste momento em particular) e, ainda, o quão determinante pode ser para os futuros possíveis o contributo das organizações, também filantrópico, para transformações sistémicas a partir das comunidades de que são parte.

 

Venham daí.

 

Informações: https://ccilb.pt/eventos/transformacao-esg-a-revolucao-necessaria-para-o-futuro-empresarial-sustentavel-e-lucrativo/

 

Inscrições (gratuitas): https://marketing.egoi.page/5eAe6gpf/inscricao