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Ambição Moral

Fórum Philea, Gent, Maio de 2024. Rutger Bregman, que acabara de publicar o seu novo livro intitulado “Ambição Moral – Como parar de desperdiçar o talento e começar a fazer a diferença”, sobe ao palco e afirma que a própria filantropia vem-se “confrontando com uma ambição moral que resulta da mistura de algum activismo com espírito empreendedor, dirigidos ao desmantelar de barreiras sistémicas” que persistem na sociedade. Mais, diz que para ser bem-sucedida nessa missão a filantropia deve reimaginar-se a partir de uma mudança fundamental: que as pessoas em situação de maior vulnerabilidade deixem de ser receptoras de caridade e surjam como parceiros [acrescento promotores] da mudança.

É. Num momento em que, apesar da abundância de conhecimento e da utilização de recursos, a desigualdade cresce em parte significativa do Mundo… Em que se assiste a alguma quebra das pequenas doações e de alguma “filantropia” comum/quotidiana e de maior proximidade Mundo fora, importa que a (excelente) notícia da presente expansão da filantropia em Portugal possa co-existir com a mudança que Darren Walker propõe: que a filantropia avance do foco exclusivo no que (what) se passa, concentrando-se, também, no como (how) e no porque é que (why) assim se passa. Isto, em cada desafio societal complexo. Isto no Mundo, em Portugal e em cada uma das suas regiões, concelhos, lugares.

Penso que este movimento é fundamental para garantir maior confiança nas organizações sociais e filantrópicas e chave para uma mobilização comunitária que resulte na inscrição de que o nosso bem-estar individual está intimamente relacionado com a possibilidade de bem-estar colectivo e que, como Bregman propõe neste seu novo livro, caminhemos de uma definição de sucesso baseada maioritariamente em ganhos pessoais/individuais para uma que inclua o benefício da comunidade/sociedade.

Curiosamente – e curiosamente começa por “c” – a confiança, a par da competência, conexão, caracter e compaixão é parte de um modelo proposto por R. Lerner relativo ao desenvolvimento positivo (saudável) da população mais jovem. O modelo, originalmente apelidado de 5 “C” e recentemente utilizado pela Teresa Raquel Pereira no seu excelente trabalho de doutoramento, recebeu mais tarde um novo “c” relativo ao contributo (para a sociedade). Eu ouso acrescentar dois outros “c”: criatividade e comunidade.

Ficamos com 8 “C” que nos ajudam a posicionar aquilo que, a partir da visão, sonho e generosidade do Carlos Goncalves, temos agora enquanto oportunidade e missão da Fundação Mendes Gonçalves. A busca deste benefício da comunidade e, a partir dela, da sociedade. De uma filantropia de proximidade, que estimule e inspire outras e outros e focada no como e no porquê dos desafios, para neles intervir. Contribuir. Com a ambição moral de ter as pessoas como agentes promotores da mudança. Necessária. Fundamental.

Um 8 que + ou – 90 graus vira infinito… Porque infinito é o caminho da Golegã para o Mundo. O caminho a percorrer.

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Trends 2025 – Psicologia

Um destes dias virei aqui escrever(-vos) a propósito da forma como penso o legado enquanto determinante fundamental do futuro (e das suas múltiplas possibilidades). Isso, e sobre como me parece fundamental resistirmos à humana tendência para nos focarmos (apenas) no presente e nos seus problemas/desafios, particularmente num momento em que a velocidade e permanência do acesso à informação, e a sua amplificação e repetição, nos convocam para um hiper-realismo e imediatismo que deixa pouco espaço para pensamento, perspectiva e acção a médio e longo prazo.

Talvez por isso – a juntar à ideia que tenho do forte contributo presente e futuro da psicologia nos principais desafios individuais e societais – que, desde há alguns anos e a cada início de ano, leio com atenção as “trends” para a psicologia que a American Psychological Association publica.

Talvez por isso as partilho, também e porque me parece essencial que, apesar dos desafios do dia-a-dia que muitas e muitos colegas psicólogas/os vivenciam, importa que as tenhamos presentes e que contribuamos para a construção do futuro, intencionalizando as nossas acções e tendo uma clara percepção do impacto que as nossas acções no presente têm nele, particularmente quando ganhos “agora e/ou individuais” podem não contribuir para ganhos “futuros e/ou colectivos”.

Sobre as 10 trends para 2025, enquadradas num “momento-chave nacional [EUA] e global marcado por mudanças políticas significativas e nas prioridades societais”, destaco:

a) a inteligência artificial e a forma como, a par de outras inovações tecnológicas, está a contribuir para o alargamento e redefinição da intervenção psicológica e para mudanças na sociedade que beneficiam do contributo da psicologia, nomeadamente a sua adopção em contextos educativos;

b) a importância da progressiva modernização e atratividade da profissão, do seu quadro de competências e formação (inicial e contínua) e a necessidade de desenvolver uma visão (e identidade, acrescento) global da psicologia num Mundo cada vez mais intercultural e partilhado;

c) a crescente importância do papel da psicologia na complexidade dos contextos de trabalho e no reforço das dimensões da equidade, diversidade e inclusão;

d) a nova “vida” da investigação (promissora) sobre a utilização de psicadélicos na intervenção psicológica e psicoterapêutica;

e) finalmente, e muito relevante, o reforço do papel de advocacia da profissão e das e dos profissionais pelo acesso a serviços de qualidade por todas (reforço, todas) as pessoas que deles necessitem e/ou possam beneficiar.

Identifico-me, totalmente. E procurarei, a partir do meu papel cidadão e profissional deixar, também, o meu singelo contributo neste caminho conjunto… Também porque não esqueço que as trends para 2018 tinham a que guardo sempre presente e viva em mim: que a psicologia caminhará para um “maior foco nos factores sociais que determinam a saúde”, a que acrescento e o bem-estar, individual e colectivo, e a coesão social.

 

10 Key Trends Psychology 2025 (APA)

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Um desejo para 2025? Protegermos e cumprirmos a universalidade dos Direitos Humanos (Ao redor…; Sábado)

Construirmos mais Paz. Promovermos mais bem-estar para todas e todos. Um país mobilizado contra a violência doméstica. Foram estes os desejos que, aqui, partilhei e sobre os quais reflecti com quem me lê (leu) para 2022, 2023 e 2024, respectivamente. Para 2025? Para 2025 desejo que possamos mobilizar-nos para protegermos e cumprirmos a universalidade dos Direitos Humanos.

No dia 10 de Dezembro passaram 76 anos sobre a Assembleia Geral das Nações Unidas que ratificou a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Declaração que estabelecia e continua a estabelecer, com as alterações entretanto introduzidas, princípios universais de garantia da dignidade, segurança, liberdade e igualdade para todas as pessoas e que surgia como uma resposta, mesmo que não vinculativa, ao que representou de terrível a Segunda Guerra Mundial e como um manifesto com vista à tentativa de prevenção de que algo semelhante ou próximo pudesse acontecer.

A declaração, particularmente na sua transposição para princípios e valores de um conjunto de Estados, acabou por reconhecer a importância dos Direitos Humanos enquanto base para a prevenção da guerra, para a justiça social e equidade e para a liberdade. Base, portanto, para construirmos mais Paz, promovermos mais bem-estar para todas e todos e prevenirmos todas as formas de violência, incluindo a violência doméstica. Base, ainda, para mais coesão social e para maior possibilidade de autodeterminação para todas as pessoas.

Mas a declaração era, é e será, nas formas que venha a assumir, como que um “diamante em bruto”. Sobretudo aspiracional e, necessariamente, à espera de, dia-a-dia e comunidade a comunidade, ser cumprida. E se durante algumas décadas o caminho foi sendo, embora paulatino e lento, nesse sentido, particularmente em alguns países e regiões, existem hoje um conjunto de indicadores que apontam para uma regressão, já de alguns anos e que parece tender a intensificar-se e aprofundar-se, da defesa cabal e intransigente da universalidade dos Direitos Humanos. A esta mudança e a este movimento não é alheio o aumento do autoritarismo no Mundo (e respectivo retrocesso nas Democracias plenas), o individualismo e a polarização, a quebra do multilateralismo, de coesão social e um conjunto de determinantes sociais e alterações sócio-económicas e de organização da sociedade, incluindo tudo o que se relaciona com o acesso e partilha de (des)informação e as novas tecnologias.

Mais, não é alheio o não cumprimento de alguns anseios e expectativas da população, nomeadamente de bem-estar e perspectivas de futuro de alguns grupos populacionais, o agravamento da desigualdade e das iniquidades e uma quebra generalizada, em países onde se inclui Portugal, da confiança nas instituições, governos e, possivelmente, até nas outras pessoas que muito fragiliza a sociedade e a coesão social. Para tudo isto muito contribui um tempo propicio à emergência de pessoas providenciais, normalmente bastante autocentradas, que aparentam pouca capacidade de empatia e compaixão e que prometem resolver os desafios mais complexos com soluções imediatas e simplistas, apelativas a muitas pessoas mas que invariavelmente têm uma constante: são contrárias à ideia de direitos humanos, seja porque retrocedem na igualdade de género e nos direitos das meninas, raparigas e mulheres, seja porque fragilizam a situação de populações deslocadas, refugiadas ou migrantes, seja porque interferem com direitos de pessoas com diferentes orientações sexuais, religiões ou pertenças comunitárias.

Acontece que parte da complexidade do nosso Mundo vive das situações paradoxais da nossa existência. A nossa pulsão, por via da forma como processamos informação, tomamos decisões e dos nossos vieses, para o mais imediato, negativo e individual conflitua com o que sabemos sobre o quão a possibilidade de bem-estar individual depende da possibilidade de bem-estar colectivo. E, sendo isso verdade para o bem-estar, é-o também para a educação, para a saúde (pense-se a saúde pública) e para um sem número de áreas, tornando-nos pessoas e sociedades interdependentes em que a parte influencia o todo e é por ele influenciada e em que mais pessoas terem maior qualidade de vida resultará, sempre, em termos todos mais qualidade de vida potencial.

É neste sentido que venho apelar a que possamos, em 2025 e sempre, fazer a nossa parte para protegermos a universalidade dos Direitos Humanos. E fazer a nossa parte depende de os cumprirmos, através das nossas acções, contributo para acções de quem nos rodeia e para instituições que assentem nesses valores e que tenham a confiança da população para os prosseguirem, mesmo nos períodos em que isso possa ser mais difícil e desafiante. Depende da nossa responsabilidade em não contribuir para a degradação e enfraquecimento das instituições e para a criação de contextos de (percepção de) insegurança ou de (percepção de) desorganização, bastante propícios ao surgimento de figuras – quase sempre as maiores contribuidoras para a criação desses contextos e que só neles ou deles podem emergir – que se propõem salvar a instituição que ajudaram a degradar, quando não o país ou o Mundo. Não precisamos de pessoas salvíficas, precisamos de juntos cumprir e contribuir para o cumprimento da universidade dos Direitos Humanos e de confiar, mais. Precisamos de um compromisso e de uma responsabilidade individual e colectiva, moral e ética, particularmente quando, repito, cumprir os Direitos Humanos é mais difícil e desafiante. Porque o quisemos e queremos para nós. Porque o quereremos para as nossas e nossos filhos e netos.

Terminei o primeiro destes meus 98 artigos da rúbrica “Ao redor” escrevendo: “Aqui e ali, no Mundo, há em cada momento, em cada desafio, em cada crise ou realização, pessoas a interagir com o seu redor, sendo por ele impactadas e determinando-o. Pensemos neste espaço o que nos rodeia, singelo contributo para refletirmos como juntas/os podemos, a cada dia, ser mais resilientes e parte de uma sociedade mais coesa”. Chamei-lhe “Nós e os nossos Mundos” e publiquei-o em Fevereiro de 2021. Evoco-o hoje, simbolicamente. Determinemos este nosso “ao redor” para por ele sermos impactados. Determinemo-lo a partir dos princípios e valores dos Direitos Humanos para por esses princípios e valores sermos impactados. Não por outros. Para, com eles e através deles, sermos mais resilientes e parte de uma sociedade mais coesa.

Eu por aqui o procurei e procuro fazer. Eu por aí o procuro e procurarei fazer.

 

 

Tiago Pereira

Um desejo para 2025? Protegermos e cumprirmos a universalidade dos Direitos Humanos

in Sábado (Ao redor…); 17.12.2024

https://www.sabado.pt/opiniao/convidados/tiago-pereira/detalhe/um-desejo-para-2025-protegermos-e-cumprirmos-a-universalidade-dos-direitos-humanos

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O Bem-estar, idiota

À boleia de Trump e do que significa na ascensão de “vozes e partidos iliberais e autoritários”, voltamos à expressão “The economy, stupid” [A economia, idiota], cunhada por Carville, quando a distribuiu pela sede de campanha de Clinton, aquando da sua candidatura às presidenciais de 1992”.

Talvez hoje “Carville lhe acrescentasse uma palavra – percepção. Mais decisivo que o estado da economia, é a percepção pelas pessoas do estado da economia. E, acrescento eu, mais decisivo que o estado da economia e do que a percepção do estado da economia, embora significativamente impactada por estas dimensões, é a avaliação que cada pessoa faz da sua vida, do seu bem-estar e, particularmente, a comparação que faz entre o que sente e o que sente que poderia sentir e entre o que sente e o que sente que outras pessoas sentem.”

“O Bem-estar, idiota”, 95º artigo da rubrica “Ao redor” (Revista SÁBADO) reflecte sobre como “não apenas quem vota/votou está à procura de ganhos de bem-estar para si, aproximando-se do que imagina como sendo o seu bem-estar potencial, como procura alterações no resultado da comparação que faz com outras pessoas, pessoas que algumas sentem não merecer o nível de bem-estar que aparentam. Daqui resulta que existirão pessoas que estarão até disponíveis para que o seu nível de bem-estar não aumente desde que a diferença face a outras e outros possa aumentar.”

Ora alguns indicadores apontam para “estagnação, por vezes quebra e, principalmente, para o enraizamento de uma percepção de que as novas gerações, particularmente em alguns países da Europa e nos EUA, enfrentarão um declínio no bem-estar. Esta percepção é, por si só, geradora de stresse e angústia, mas, também, de raiva e ressentimento, hoje emoções apontadas por estudos de opinião como profundamente preponderantes na tomada de decisão política e na escolha de pessoas/partidos”.

“É por isso que é fundamental que privilegiemos a possibilidade de bem-estar e que, enquanto sociedade, nos sobressaltemos com o facto das nossas crianças e jovens – sim, as crianças e jovens em Portugal – terem hoje indicadores de bem-estar ou de saúde mental bastante piores face aos seus pares há alguns anos, pares estes hoje jovens adultas e adultos com indicadores de bem-estar ou de saúde mental bastante piores face a quem teve estas idades há já alguns anos.”

“Com base nestes indicadores é estranho que, nas inúmeras e longas reflexões que vejo serem realizadas sobre a quebra de resultados escolares das crianças e adolescentes em indicadores internacionais ou em provas de aferição, raras vezes se discutam os níveis de bem-estar e o impacto que têm no seu envolvimento, motivação, nas aprendizagens e no seu desempenho. Nos resultados escolares como nos níveis de práticas agressivas e violência, na não-autonomia, na não-participação cívica…”

“Impõe-se, nesse sentido, que contribuamos e advoguemos por uma nova centralidade do bem-estar sob pena de entrarmos mesmo num ciclo que confirme o tal declínio.”

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“Como psicólogas/os, somos formadas/os para disseminar ciência através de revistas com revisão por pares e congressos de base académica.”

“Como psicólogas/os, somos formadas/os para disseminar ciência através de revistas com revisão por pares e congressos de base académica.”

Esta afirmação consta de um trabalho que trata a forma como é fundamental – particularmente quando vivemos um período de desafio significativo nas questões da saúde mental – que as psicólogas e os psicólogos possam estimular, com o seu conhecimento, conversas informadas sobre saúde mental “em gelatarias, cabeleireiros, barbeiros e salões de beleza, restaurantes e outros lugares do nosso dia-a-dia”.

É uma afirmação de Ariana Hoet, directora executiva da “The Kids Mental Health Foundation”, uma fundação que se propõe contribuir para um Mundo em que a “saúde mental é parte vital do crescimento”, desenvolvendo nas pessoas adultas “competências para ajudarem as crianças a lidarem com os desafios da sua vida”.

Apesar do artigo tratar uma realidade distinta, creio existirem paralelos para outros países, incluindo Portugal, nas questões sobre como a formação prepara insuficientemente as e os profissionais para comunicar com diferentes públicos, disseminar a ciência e promover literacia e o viés existente para a comunicação mais académica / entre pares, bem como nos desafios que se colocam à saúde mental, particularmente de grupos específicos da população (crianças e jovens, pessoas em situação de exclusão e pobreza, …).

Também por isso tenho procurado contribuir para que se reflicta sobre um mais vasto contributo das psicólogas e psicólogos na disponibilização (e impacto) mais amplo da ciência psicológica, aproximando-a mais dos contextos de vida das pessoas, também a partir da influência conjunta com outras ciências, do trabalho com outros profissionais e com pessoas referência às vidas de outras pessoas. E faço-o a partir de quatro elementos que penso centrais da importância desse movimento:

a) Chegar a mais pessoas e a pessoas que dificilmente de outra forma procuram / conseguem aceder a serviços de psicologia;

b) Gerar mais capacidade de detecção precoce de problemas e, logo, maior possibilidade de intervenções mais próximas, custo-eficazes e que reduzam sofrimento;

c) Contribuir para a prevenção a partir de uma maior sensibilidade aos temas da saúde mental e da transformação societal em questões que concorrem para os desafios que hoje enfrentamos;

d) Fomentar conhecimento, literacia e ferramentas que permitam maior auto e heterocuidado nas comunidades.

Faço-o por aqui. Faço-o por aí. Fi-lo, por exemplo, em participações recentes em eventos próximos de comunidades e diferentes profissionais: em Albufeira, reflectindo sobre “Equidade e justiça social na Saúde Mental” (com a Carla Fernandes com moderação da Cláudia Cristina Dias Guedelha); em Aveiro, sobre ciclos de pobreza e o papel da parentalidade e sucesso educativo (com a Maria João Marques, a Carla Sousa, a Andreia Carvalho e a Sandra Araújo com moderação da Catarina Isabel Reis Neves).

Um pequeno contributo meu, nosso. De um tanto que há a fazer…

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Wild Robot

Afinal… “A bondade é uma técnica de sobrevivência”.

Há dias partilhei por aqui um artigo que escrevi que resulta de uma reflexão que faço sobre a profunda articulação entre a empatia e a democracia, nos seus princípios e fundamentos de organização, onde o reconhecimento, a confiança, a equidade, a justiça integeracional e a coesão social são princípios e missões fundamentais.

Princípios estes profundamente ligados à possibilidade de bem-estar e autodeterminação para todas as pessoas e, logo, à psicologia enquanto objecto e enquanto profissão, como bases da sua identidade.

Este Sábado, eu e o meu filho mais velho fomos ver um filme – Wild Robot | Robot Selvagem – que parte de uma narrativa curiosa que imagina um Robot “inteligente” e o seu enquadramento e contexto (a imaginação de um futuro possível) num cenário de uma “selva” (a imaginação de um passado possível), em que animais e Robot comunicam e interagem entre si. Para quem não viu e para quem nada sabe sobre o filme, creio que as linhas anteriores são suficientes para pensarem o conjunto de poderosas metáforas e alegorias que resultam da maior – este enquadramento.

Deixo-vos, também por isso, uma espécie de convite a que, na continuidade do que havia escrito no tal artigo, possam ver o filme e sobre ele, como o tenho feito, reflectir um pouco… E deixo duas sugestões de reflexão:

a) A forma como possibilita, à sua maneira, colocar milhões de crianças e jovens (e adultas/os) Mundo fora a pensar a triangulação entre a bondade, a relação e a nossa interdependência. Como, muitas vezes “contra” os nossos instintos e vieses, é a cooperação, a relação e um pensamento mais a médio e longo prazo e não a competição, o conflito destrutivo e um certo hiperimediatismo e procura de “ganhos imediatos e individuais”, que mais contribuem para a nossa sobrevivência, para o nosso bem-estar e para um futuro de médio e longo prazo, melhor para nós e para todas e todos.

b) A forma como, à sua maneira, coloca milhões de crianças e jovens (e adultas/os) perante paradoxos: o do filme e de um “acidente” que, sendo mortal para a família de uma personagem, a “salva”; o do Mundo que, hoje com muita reflexão sobre estes temas, com um maior foco nas últimas décadas nos Direitos Humanos e Objectivos de Desenvolvimento Sustentável caminha como caminha. Num e noutro caso a fazer-me (fazer-nos?) pensar o que poderá estar a falhar (para melhorarmos), mas também onde estaríamos se atravessássemos o actual contexto sem esse caminho que, apesar de tudo, fomos capazes de percorrer e que urge ser reforçado, continuado e aprofundado.

Até porque, como o filme bem mostra, parece que tudo pode mudar. E que se abrem múltiplas possibilidades quando acreditamos que é possível um Mundo melhor e que “para (sobre)viver temos que ser mais do que aquilo para o qual nos programam”.

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Envelhecimento activo e vida saudável

Ontem, no “Factos que Contam” da SIC Notícias, o Gonçalo Saraiva Matias trouxe-nos uma reflexão informada sobre uma realidade por todas e todos percepcionada e, creio, aceite – as profundas transformações demográficas em Portugal das últimas décadas e o significativo envelhecimento da população. Trouxe, ainda, uma outra talvez não aceite por todas as pessoas – o importantíssimo contributo da população imigrante para a mitigação desta realidade, para a prosperidade e desenvolvimento do país e sustentabilidade dos seus serviços.

Fê-lo suportado num conjunto amplo de dados dos quais destaco dois: em 2050 prevê-se que 27% do PIB em Portugal seja dedicado ao que apelidou de “custos do envelhecimento” e que inclui valores associados a pensões, saúde ou aos cuidados continuados; que hoje 1 milhão de pessoas vive só, metade delas com mais de 65 anos contribuindo este dado para relevantes problemas de solidão e isolamento, não sendo expectável que esta situação se possa rapidamente interverter nos próximos anos.

Cenários que configuram um desafio tremendo para o país e que implicam políticas públicas multissectoriais e integradas que, com eficácia, respondam a diversas dimensões que para ela contribuem (políticas de juventude, de emprego, …) e, simultaneamente, para mitigar as suas consequências (políticas de promoção do envelhecimento activo e saudável; de combate ao isolamento, …).

Também, e mais conceptualmente, que na sociedade como um todo se reforce a literacia sobre os processos de envelhecimento e a necessidade de pensarmos que, independentemente da nossa idade e papel, todas e todos devemos participar e envolver-nos na discussão e advocacia sobre este tema e pensar o envelhecimento como uma processo ao longo de toda a vida… E como isso poderá significar maior possibilidade de se viver mais anos com maior qualidade de vida e mitigar alguns dos desafios acima identificados.

A convite da Médis participei recentemente numa conversa com a Margarida Dias da Graça Santos (uma extraordinária comunicadora) exactamente sobre estes temas. Faço-o a propósito da relação com o que atrás sublinho mas, também, porque foi – para mim – um momento muito interessante. O mote foi o “envelhecimento activo e vida saudável” e caminhamos, juntos, pela forma como (e quando) decorre o tal processo de envelhecer (já envelheceu ao ler este texto, até esta frase), o que pode significar o tal “envelhecimento activo” e como podemos promovê-lo, o papel das relações e da comunidade nestes processos e como os nossos diferentes papéis os podem influenciar.

Sempre, sempre, numa conversa fluída e leve e com um toque permanente para as questões da desigualdade / equidade, para a necessidade de políticas públicas mais efectivas e para os impactos destes processos na saúde, incluindo saúde mental, bem-estar e coesão social.

Convido-vos a ver, aqui: https://www.youtube.com/watch?v=EM-X9mEhuPY&embeds_referring_euri=https%3A%2F%2Fwww.medis.pt%2F

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Revolta-Apaziguamento

“Existem momentos na vida em que não gostamos do que sentimos… Nem sempre é fácil gerir essas emoções e encontrar um caminho no qual nos sentimos melhor”. Foi assim que a @Irina Gomes iniciou o “Descubra as Diferenças”, programa do Canal @Saude + em que conversou comigo sobre o binómio que apelidou de “revolta-apaziguamento”.

Também a propósito de uma boa conversa que ontem tive e porque ainda não o tinha aqui e convosco feito, partilho essa recente conversa onde, resumidamente, procuro:

. Sublinhar que é natural que em determinados momentos da nossa vida possamos sentir alguma revolta (ou mesmo sentir-nos revoltados), fazendo isso parte da nossa existência;

. Referir que, todavia, não podemos “atingir” uma existência plena e completa se nos sentirmos permanentemente em revolta;

. Discutir a subjectividade inerente ao sentimento (quando mais permanente) de revolta e à emoção (por vezes mais próxima da raiva) e como, apesar das suas expressões físicas e emocionais, cada pessoa os descreve à sua maneira;

. Como a revolta se liga com sentimentos de injustiça e, não raras vezes, com a ausência de sensação de controlo e de agência sobre o que nos provoca este sentir;

. A importância de reconhecermos o que estamos a vivenciar, incluindo os “gatilhos” (triggers), sendo a literacia emocional muito importante para tal. Bem como, a relevância dos mecanismos de autocontrolo (emocional e comportamental) e da forma como crenças (por vezes irracionais) podem surgir associadas a este sentir;

. Como a agência – e procuro discutir exemplos concretos – sobre potenciais contributos para a alteração dos fenómenos que nos provocam, por vezes, emoções ou sentimentos desta natureza, pode ajudar-nos num caminho de maior sensação de equilíbrio, paz e bem-estar;

. Como a revolta está presente na adolescência e os seus impactos nas e nos mais jovens e nas pessoas ao redor e como a revolta também vive do e com o Mundo hoje, nomeadamente no que se refere às redes sociais, ao acesso e difusão de informação e a diferentes desafios societais contemporâneos;

. Sobre o apaziguamento, procuro enquadrar e distinguir do termo e significado quando utilizado em contextos mais bélicos (de cedência) para o situar na aproximação a um caminho para um maior equilíbrio e paz, desatacando o papel das relações, do significado e das actividade do dia-a-dia;

. Finalmente, um conselho para quando nos sentirmos revoltados? Tentarmos definir exactamente o que nos está a fazer sentir o que estamos a sentir (não deixar que fique difuso) e perceber o que podemos fazer para o alterar, mesmo que decidamos nada fazer. Se assim fizermos estaremos a garantir agência e controlo sobre a situação. Esgtamos a criar perspectivas e diversificar o que pode ser a nossa actuação e como podemos lidar com a situação, ajudando-nos isso a lidar melhor com a situação, a sentimo-nos mais equilibrados e potencialmente a sentirmo-nos melhor.

Mais em paz.

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Um tema em que as bases do Partido Socialista (PS) e a Confederação do Turismo de Portugal (CTP) parecem concordar com a reflexão do Ministério Público? As mulheres e a sua participação (Ao redor…; Sábado)

Comecemos hoje com um pequeno quiz:

O que é que os seguintes nomes: António Brochado Correia, Bernardo Trindade, Carlos Abade, Carlos Moura, Fernando Nunes da Silva, Filipe Anacoreta Correia, Francisco Calheiros, Gonçalo Oliveira, Hugo Moreira Luís, José Luís Arnaut, Luís Amado, Luís Marques Mendes, Luís Montenegro, Luís Rodrigues, Mário Centeno, Miguel Maya, Paulo Portas, Pedro Machado, Pedro Reis, Roberto Antunes e Fernando Nunes da Silva…

Têm que ver com estes nomes: Alexandre Lote, André Pinotes Batista, Armando Mourisco, Benjamim Rodrigues, Brian Silva, Francisco César, Gonçalo Lopes, Hugo Costa, Hugo Oliveira, João Portugal, Luís Dias, Luís Graça, Luís Moreira Testa, Nelson Brito, Nuno Araújo, Paulo Cafôfo, Ricardo Leão, Rui Santos, Victor Hugo Salgado, Vítor Paulo Pereira e Vítor Pereira?

Ambos os grupos terem 21 nomes? Terem esses 21 nomes organizados por ordem alfabética? Corresponderem, grosso modo, a pessoas mais ou menos com a mesma idade e a mesma pertença cultural? Também estariam correctas estas respostas, mas a resposta que procurava, para um quiz por sinal fácil, era serem todos nomes de homens.

São, também, e respectivamente, os nomes de todos os 21 oradores da VII Cimeira do Turismo Português, organizada pela Confederação do Turismo de Portugal e apresentada como “um evento que reúne importantes líderes e personalidades políticas e empresariais” que pretende “apelar à reflexão e ao debate construtivo sobre a atividade que mais contribui para o crescimento da economia em Portugal”. Um debate construtivo, certamente, mas, digamos, pouco diverso em termos de género, idade ou pertença cultural, mesmo reunindo, certamente, importantíssimas personalidades políticas e empresariais.

Debate que, coincidentemente, aconteceu a 27 de Setembro, dia em que o Partido Socialista (PS) elegeu os novos 19 líderes das federações distritais que se juntam aos 2 líderes anteriormente eleitos das regiões autónomas, corporizando os seus agora 21 líderes federativos e regionais atrás listados. Todos homens. Um processo democrático, certamente também, construtivo, mas, digamos, pouco diverso em género, idade ou pertença cultural, mesmo reunindo, também certamente, importantíssimas personalidades distritais e regionais.

Mas, se parece existir alguma coerência relativamente ao evento e ao facto de todo o Conselho Directivo da Confederação do Turismo de Portugal que o organiza ser, hoje, constituído por homens (10) que, por sua vez, lideram Associações ou Grupos Empresariais ligados ao Turismo, já parece mais incoerente que a liderança de todas as estruturas federativas e regionais, de um partido em que o seu Secretário-Geral foi eleito com uma moção apelidada de “Portugal Inteiro”, caiba apenas a homens. Moção essa que afirma como 1ª missão que o PS se deve assumir como “um partido reformista e progressista para uma social-democracia moderna”, detalhando dever ser “um partido transformador e progressista”, promover “reformas para melhorar a vida das pessoas” e ser “portador de sentido de justiça, esperança e de ambição para chegar mais longe”.

Talvez este sentido de justiça, esperança e de ambição obrigasse a uma reflexão profunda sobre como podem estar representadas as mulheres (segundo os últimos dados públicos, cerca de 37% do total de militantes do PS) nas lideranças locais e de proximidade e quais as razões que levam à absoluta desproporção nas candidaturas (nas 19 eleições houve apenas duas candidatas, ambas derrotadas, face a 21 candidatos Homens) e como pode essa desproporção, a bem de todas e todos, ser mitigada. Talvez esta reflexão trouxesse uma outra coerência. Talvez pudesse pensar-se que, tal qual um conselho diretivo só de homens mais facilmente organiza um evento em que só homens são oradores, em eleições internas dos partidos políticos, onde as estruturas são maioritariamente lideradas por homens, estes tendem a mobilizar-se e movimentar-se mais, perpetuando-se e determinando, ou pelo menos influenciando com o mesmo viés, as escolhas futuras.

É por isto que, saudando algum caminho, mesmo que com os retrocessos dos últimos anos, no sentido da maior representatividade política em determinadas estruturas, o “sentido de justiça, de esperança e (particularmente) de ambição” que o PS e, felizmente outros partidos, preconizam tem de resultar em mais que listas que se aproximam da paridade por imposição das estruturas nacionais dos partidos e/ou regras externamente definidas, por vezes por oposição às estruturas regionais onde as lideranças permanecem longe da paridade e, ainda mais, da representatividade em termos de idade e pertença cultural. Aumentar a diversidade nas lideranças e, particularmente, nas lideranças políticas de proximidade, é urgente e fundamental à criação de contextos mais seguros e inclusivos e a processos de mudança “de baixo para cima”, logo mais naturais, de diversificação e representatividade das estruturas, algo fundamental para complementar o necessário impulso “de cima para baixo”, menos natural, que procura, apesar de tudo, contribuir para a correção das iniquidades e garantia de oportunidades.

Isto, naturalmente, se não quisermos que o “debate construtivo sobre a atividade que mais contribui para o crescimento da economia em Portugal” e as bases do partido português que se assume progressista, reformista e “portador de sentido de justiça, de esperança e de ambição para chegar mais longe” sejam consequentes com a reflexão do Ministério Público para o seu relatório de actividades de 2023, partilhada pela Sr.ª Procuradora Geral da República, referindo que uma proporção significativa de mulheres jovens (“especialmente abaixo dos 30 anos”) na instituição resulta num “agravamento de constrangimentos” nos seus trabalhos em virtude de “situações de gravidez, de gravidez de risco, de baixa para assistência a filhos menores, gozo de licença parental e ausência para efeitos de amamentação”. Um péssimo contributo para a informação e debate público proveniente de uma instituição com especiais responsabilidades com a agravante das mulheres com menos de 30 anos representarem apenas 1,6% do seu universo de trabalhadores.

Na verdade, aqui e ali, no Mundo ao redor, necessitamos da diversidade em posições de visibilidade e liderança. Precisamos de mais mulheres, desde logo, mas também de mais jovens e de pessoas com diferentes pertenças culturais e experiências. Penso-o relativamente a partidos, eventos, estruturas e organizações da administração pública, privada ou do sector social. Penso-o e, certamente com muitas falhas, tento fazer algo de consequente. Sugiro que todas e todos façamos esse exercício, à nossa forma, nos nossos contextos, nas nossas escolhas no dia-a-dia e para o futuro. Certamente se o fizermos caminharemos no sentido da promoção de maior segurança psicológica, de maior coesão social e da prevenção de retrocessos que hoje nos parecem tão absurdos quanto pensávamos absurdo, há anos, que um ex-presidente e novamente candidato a presidente dos EUA afirme que se ganhar a eleição poderá ser a última vez que as/os eleitoras/es votam. Todas e todos temos de fazer muito mais. Fazer a nossa parte.

 

Tiago Pereira

Um tema em que as bases do Partido Socialista e o Turismo de Portugal parecem concordar com a reflexão do Ministério Público? As mulheres e a sua participação

in Sábado (Ao redor…); 09.10.2024

https://www.sabado.pt/opiniao/convidados/tiago-pereira/detalhe/as-mulheres-e-a-sua-participacao

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Um tema em que as bases do Partido Socialista (PS) e a Confederação do Turismo de Portugal (CTP) parecem concordar com a reflexão do Ministério Público? As mulheres e a sua participação

“Comecemos hoje com um pequeno quiz”. Assim começa o artigo perguntando o que um conjunto de 21 nomes tem que ver com um outro conjunto de 21 nomes. “…Corresponderem, grosso modo, a pessoas mais ou menos com a mesma idade e a mesma pertença cultural? Também estariam correctas estas respostas, mas a resposta que procurava, para um quiz por sinal fácil, era serem todos nomes de homens”, escrevo.

“Um tema em que as bases do Partido Socialista (PS) e a Confederação do Turismo de Portugal (CTP) parecem concordar com a reflexão do Ministério Público? As mulheres e a sua participação”, 92º artigo da rubrica “Ao redor” (Sábado) parte da coincidência temporal entre a realização da VII Cimeira do Turismo Português, organizada pela CTP e que teve 21 oradores (todos homens) e as 19 eleições federativas do PS cujos eleitos se juntam aos 2 regionais perfazendo 21 líderes (todos homens). Esse dia 27.09.24 foi dia de um “debate construtivo, certamente, mas, digamos, pouco diverso em termos de género, idade ou pertença cultural, mesmo reunindo, certamente, importantíssimas personalidades políticas e empresariais”, conforme foi apresentado o evento da CTP. Foi dia de um “processo democrático, certamente também, construtivo, mas, digamos, pouco diverso em género, idade ou pertença cultural, mesmo reunindo, também certamente, importantíssimas personalidades distritais e regionais” do PS.

“É por isto que, saudando algum caminho, mesmo que com os retrocessos dos últimos anos, no sentido da maior representatividade política em determinadas estruturas, o “sentido de justiça, de esperança e (particularmente) de ambição” que o PS e, felizmente outros partidos, preconizam tem de resultar em mais que listas que se aproximam da paridade por imposição das estruturas nacionais dos partidos e/ou regras externamente definidas, por vezes por oposição às estruturas regionais onde as lideranças permanecem longe da paridade e, ainda mais, da representatividade em termos de idade e pertença cultural. Aumentar a diversidade nas lideranças e, particularmente, nas lideranças políticas de proximidade, é urgente e fundamental à criação de contextos mais seguros e inclusivos e a processos de mudança “de baixo para cima”, logo mais naturais, de diversificação e representatividade das estruturas, algo fundamental para complementar o necessário impulso “de cima para baixo”, menos natural, que procura, apesar de tudo, contribuir para a correção das iniquidades e garantia de oportunidades.”

“…necessitamos da diversidade em posições de visibilidade e liderança. Precisamos de mais mulheres, desde logo, mas também de mais jovens e de pessoas com diferentes pertenças culturais e experiências (…) Penso-o e, certamente com muitas falhas, tento fazer algo de consequente. Sugiro que todas e todos façamos esse exercício, à nossa forma, nos nossos contextos, nas nossas escolhas no dia-a-dia e para o futuro. (…) Todas e todos temos de fazer muito mais. Fazer a nossa parte.”