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Desafios da Psicologia Ordem dos Psicólogos Portugueses Psicologia

Conferência de imprensa. Documentário. Estudo.

Conferência de imprensa. Documentário. Estudo.

Na conferência de imprensa após o Conselho de Estado, o Presidente da República disse que a guerra terá “custos na vida de todos” que deveremos enfrentar “com a mesma coragem e determinação dos últimos dois anos, em espírito de unidade, coesão, solidariedade e eficácia”. Assim é e será.

“Depois de uma pandemia que nos trouxe muita incerteza, vivemos agora uma guerra que nos entra diariamente em casa”, escreveu @MARIA AUGUSTA CASACA (@TSF) na peça (“A guerra afeta-nos a todos – Psicólogos lançam estratégias para prevenir angústia causada pelo conflito”) que partilho. Nela, procuro, divulgando o documento da OPP, sublinhar a naturalidade de nos sentirmos impactadas/os, angustiadas/os e/ou ansiosas/os com esta situação. Também, reforçar que algumas pessoas – quem experienciou contextos de guerra (algo ainda muito comum em Portugal), tem amigas(os)/familiares na Ucrânia ou tem maiores vulnerabilidades socioeconómicas, temendo o futuro incerto – podem ter especiais vulnerabilidades e, por isso, estarem mais expostas à situação, ao sofrimento e, até, ao potencial trauma dela decorrente. E ainda, a necessidade de prevenção da sobre-exposição à guerra e a importância do agenciamento decorrente de acções que comportem e nos tragam significado/propósito.

“Na minha infância o que tornava o meu dia suportável? Tinha uma tia já idosa que me via. As crianças têm de ser vistas e cuidadas. Têm de sentir carinho. Foi isso que me salvou. Nos momentos sombrios, pensava: Tenho a tia Hilma. Acho que todas as crianças nascidas da guerra precisam de uma tia Hilma.” Parte do documentário “A guerra nunca acaba” que versa 5 histórias de crianças filhas de soldados da Alemanha Nazi e de mães Norueguesas (ocupação na II Guerra Mundial) que viveram toda a vida sob a égide de “genes Nazis” e da discriminação daí decorrente.

Sobre discriminação e “dupla penalização” (assim apelidei), discuti a situação da população russa com a @CATARINA SILVA (@JN) (https://www.noticiasmagazine.pt/2022/ser-russo-nao-e-ser-dono-de-uma-guerra/historias/273141/). Recuperação de traumas passados. Lembrar que, algumas destas pessoas, saíram da Rússia à procura de um país livre e que hoje são penalizadas pelas opções de um regime que já as havia penalizado. Racionalizar, prevenir generalizações abusivas, simplificações e, essencialmente, humanizar por via da história das pessoas.

E o estudo. Do instituto Jacques Delors, sublinha que “a distribuição desigual das dificuldades [da guerra] nos diferentes estados-membros não é apenas um problema económico – tem importância política”, reforçando a necessidade da “união” dos países. União que deve prevenir a possível fragmentação, diminuição da coesão e da confiança, essenciais à vivência desta crise e a um futuro de possibilidade de autodeterminação e de direitos humanos globais.

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COVID-19 Desafios da Psicologia Ordem dos Psicólogos Portugueses

Quem diria que nos 2 anos do gabinete de crise COVID-19…

Ontem passaram 2 anos do dia (13.3.20) em que a Ordem dos Psicólogos Portugueses criou o gabinete de crise COVID-19 que coordeno. Em 13.3.21 publiquei esta mesma imagem e escrevi: “Ano incerto, intenso e exigente, que nos colocou à prova nas capacidades de adaptação, resiliência e de superação. Ano em que a responsabilidade (propósito) que me foi confiada – a par do apoio/carinho da nossa casa, do empenho de toda a nossa OPP e da inspiração de tantas pessoas, incluindo colegas psicólogas/os – foi essencial ao meu bem-estar.”

Reflectia, grato pela confiança em mim depositada (agradeço ao Francisco Miranda Rodrigues) para uma tarefa de enorme responsabilidade, suportado numa equipa de um empenho incrível e por centenas de psicólogas/os que se envolveram no desenvolvimento/operacionalização do conjunto significativo (e importante a muitas pessoas) de iniciativas, contributos e recursos disponibilizados pela OPP. Acções que complementaram o trabalho imenso das/os cerca de 25.000 psicólogas/os que, ao longo destes 2 anos, mesmo com desafios/dificuldades consideráveis à sua intervenção, um pouco por todo país e em todos os contextos, estiveram junto das pessoas num período de disrupção das suas vidas, de perda e em que se viram desafiadas na sua saúde psicológica e bem-estar.

Hoje caminhamos já para uma 6ª vaga. Mas hoje a COVID-19 não é já o tema central. Também pelo que se avançou na gestão da pandemia mas, particularmente, pela angustiante invasão de um país Europeu e uma catastrófica guerra, com significativas consequências no presente e para o futuro da Ucrânia, da Europa e do Mundo. Uma Guerra que traz perdas, trauma. Incerteza e imprevisibilidade. Que questiona Direitos Humanos e que afecta, ainda que de forma distinta, todas e todos. Uma Guerra que reforça a necessidade de contributo da ciência e da prática das/os psicólogas/os na reparação e recuperação das pessoas e na necessidade de construção, em qualquer momento e lugar do Mundo, da Paz. Uma Guerra que nos volta a ocupar como grupo de missão e que, mais uma vez, levou a que já dezenas de psicólogas/os se envolvessem no contributo da OPP nesta grave crise.

Há um ano, também escrevi: “Pensar um dia pode passar por pensarmos 3 aspectos bons dele (aumenta a percepção de controlo) e agradecermos/celebrarmos algo com alguém (aumenta o sentimento de pertença). Faço-o, assim por importante, para este ano. Muitos desafios nos esperam. As pessoas e o país precisam de mais (e melhor) psicologia junto de si.” Reescrevo-o hoje com a mesma convicção e com a certeza reforçada da necessidade de desenvolvermos a nossa ciência e profissão para cada vez mais e melhor podermos contribuir para a autodeterminação e possibilidade de bem-estar de todas/os. Para a equidade e coesão social.

“O Mundo ou será salvo pelos psicólogos ou não será salvo de todo”. 64 anos após esta frase de Maslow, conhecemos, a cada dia mais, o contributo da psicologia para um Mundo “salvo”. Um Mundo de Direitos Humanos globais e de Paz.

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Ao redor... (Revista Sábado) Democracia Desafios da Psicologia

Telefone Laranja para os Direitos Humanos

São muitas as pessoas que ainda se sentem inspiradas pelo discurso de Martin Luther King a 28.8.1963 – I have a dream – e menos as que se sentem inspiradas pela abertura da ligação directa entre os EUA e a URSS 48 horas depois. Apelidada de “telefone vermelho” terá sido fundamental na redução dos riscos de uma guerra (nuclear). Dois dias e dois acontecimentos muito distintos que mudaram o Mundo no sentido de mais Direitos Humanos.

Em parte significativa dos quase 50 anos que distam desses momentos, o Mundo fez progressos notáveis, verificando-se melhorias progressivas até há poucos anos, momento a partir do qual a COVID-19 e o recrudescimento do autoritarismo nos demonstraram que não existe irreversibilidade no progresso e que algo que podemos dar por garantido pode ser questionado. Como nos mostrou, com incredulidade e brutalidade, a guerra na Ucrânia.

“Telefone Laranja para os Direitos Humanos”, 28º artigo da rubrica “Ao redor” (Sábado) parte desta constatação para discutir a necessidade de não darmos a Paz por adquirida, antes sempre em co-construção como defendi nesta rubrica a 30.12.2021, para pensar como um conjunto de acontecimentos (crise socioeconómica, incêndios rurais de 2017, COVID-19, agora uma absurda Guerra) somam(ar) imprevisibilidade, incerteza e insegurança à imprevisibilidade, incerteza, insegurança colocando em risco a saúde psicológica e o bem-estar de todas e todos e criando o que penso podermos nomear enquanto uma sindemia, ou seja a conjugação de problemas de saúde, neste caso saúde psicológica, e o seu cruzamento com problemas sociais e económicos, aprofundando-os, perpetuando-os e criando vulnerabilidades e adversidades nas pessoas ao redor, incluindo crianças/jovens.

No artigo convido a pensarmos se assim é em Portugal como será na Ucrânia e com o povo ucraniano. Vidas interrompidas, relações coartadas, migração forçada. Trauma. Se em Portugal é fundamental recuperar as pessoas para recuperar o país e o projectar para o futuro depois de crises sucessivas, mais assim é com as Ucranianas e Ucranianos. Recuperação, reparação, reconciliação. Garantir a tal linha directa, um telefone laranja, para com os Direitos Humanos.

Vivemos dias de pesadelo que necessitam de um sonho que se concretize numa realidade inspiradora. De um sonho que se concretize na criação de espaço de pacificação e Paz; de progresso em indicadores fundamentais à autodeterminação das pessoas, à equidade, à coesão social e à possibilidade de bem-estar de todas e todos; na inviabilização de espaço de complacência com tudo quanto interfira com direitos fundamentais e de neutralidade em disputas ou matérias de violação de direitos humanos. De um sonho que se concretize na projecção de um futuro de Direitos Humanos globais.

Que Portugal possa para tal contribuir e nisso ser exemplo. É este o (seu) momento.

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Desafios da Psicologia Emergência Climática Psicologia

10.03.2020… 10.03.2022

10.3.2020. Há 2 anos, António Costa admitia a possibilidade do encerramento das Escolas. Tínhamos (apenas) 41 casos confirmados no país de infecção por COVID-19 mas preparávamos o que inevitavelmente viria. Neste dia foi, também, anunciada a suspensão de todos os voos de e para Itália.

Nestes 2 anos muitas e muitos de nós certamente reconsideraram, alteraram, cancelaram viagens dentro e fora do país, fossem de lazer, convívio com familiares/amigos ou de trabalho. Muitas e muitos trabalharam dias, semanas, meses a partir das suas casas. A pandemia COVID-19 foi altamente disruptiva de um certo funcionamento social de sociedades por todo o Mundo e numa Europa muito conectada. Se assim foi com uma pandemia, imaginemos, por um momento, a disrupção provocada por uma invasão ilegítima de um país. A disrupção provocada por uma guerra.

Estaria (estarei?) em Julho com uma colega psicóloga num congresso e simpósio onde discutiríamos contributos da psicologia para a crise climática. Hoje ela está numa Kyiv naturalmente interrompida, corajosa e inspiradoramente procurando, em condições inimagináveis, disponibilizar o apoio psicológico possível a uma população que desesperadamente necessita, não apenas dele, mas de Paz, de autodeterminação e de ver os seus Direitos Humanos cumpridos. A guerra tudo interrompe, sabemos e sentimos a partir do que vemos, ouvimos e conhecemos. Mais, a guerra e os seus efeitos não terminam no dia em que termina a guerra. A ausência de guerra está, não raras vezes, muito distante da Paz e esta guerra é um incidente brutal com “ondas de choque” que durarão anos e atingirão todas as pessoas, de forma diferente é certo, mas todas as pessoas. Mas…

Desengane-se quem acha que sozinho não vai a lado nenhum…”, diz-nos a Catarina Mota, activista portuguesa que com outras/os 5 jovens entregou uma acção no TEDH contra um conjunto de governos a propósito da sua “inacção nas questões referentes à crise climática”. Foi directora do PÚBLICO no seu 32º aniversário numa edição dedicada à crise climática na qual participei num trabalho da Mariana Durães (que partilho) acerca da inquietação/ansiedade face à crise climática, particularmente em crianças e jovens e dos contributos da psicologia (dias antes havia gravado o podcast Compromisso Verde com a Cristina Nascimento da Radio Renascenca sobre este tema que também partilho).

“…Porque é com pequenos passos que se começa. Com pequenos passos, quem sabe, influenciamos a nossa família, os nossos vizinhos, os nossos colegas, e juntamo-los, eles e muitos mais, a esta luta contra as alterações climáticas, para que o mundo continue a ser uma casa habitável.” Desenganemo-nos, também, na construção da Paz. Porque é com pequenos passos que se começa e é responsabilidade de todas e todos, em qualquer momento e lugar do Mundo, a co-construir. Sempre.

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Democracia Desafios da Psicologia Ordem dos Psicólogos Portugueses

Quando tinha 8 anos e quem tem 8 anos hoje…

Tinha 8 anos quando em Novembro de 1991 vi imagens que, viajando 15.000 km, se alojaram imediatamente em mim, perdurando até hoje na minha memória. Na nossa memória. Tinha acontecido o massacre do cemitério de Santa Cruz (Díli) e algo mudou em mim nesse dia. Sei (sinto), ainda hoje, o quão me foi importante uma ideia de mobilização e de esperança que se seguiu a esse momento, simbolizada em acções que parecem simples (uma carta que na Escola escrevemos a crianças Timorenses; um cordão humano que organizamos;…) mas que me fizeram, nos anos seguintes, sentir-me parte, ainda que insignificante, da procura da possibilidade de auto-determinação daquele povo e país.

Eis-nos 3 décadas depois a viver a invasão (palavra proibida I) de um país europeu por uma Rússia que, além de proibir palavras, faz hoje guerra (palavra proibida II) na Ucrânia. Que condena e procura vergar um povo e um país, privando-o do direito à democracia, aos direitos humanos e à auto-determinação. Como foi importante para mim, tenho procurado que também neste momento, quando conversamos com crianças/jovens sobre guerra, procuremos promover compaixão, reflexão sobre formas não violentas de resolução de conflitos e a procura de propósito/significado, também com acções e ainda que pareçam insignificantes. Aqui partilhei outras intervenções neste âmbito. Partilho hoje uma peça da Patrícia Pires (CNN Portugal) e a entrevista da Iva Domingues (TVI) de apresentação de um documento da OPP sobre o assunto – um primeiro de futuros contributos, pela promoção de literacia e disponibilização de informação de base científica, para o momento que vivemos.

Eis-me 3 décadas depois, psicólogo e, por isso, membro de uma profissão “empenhada, preparada e motivada” para, também nesta grave crise, contribuir para a resposta aos desafios que se colocam às pessoas em Portugal e no Mundo. Para advogar, mobilizar-se e contribuir para a criação de respostas de suporte às populações, conforme assinalamos (OPP) neste comunicado, onde condenamos veementemente esta trágica e indecente guerra.

Após a prontidão, Putin e o seu comando militar terão iniciado exercícios no mar de Barents com submarinos nucleares. Poucas horas antes de o sabermos, dizia Timothy G. Ash que não devemos começar frases por “estou certa/o que Putin não faria isso”. Não, não devemos. Antes podemos, com segurança, começar com “estou certa/o que as psicólogas e os psicólogos não deixarão de contribuir com a sua ciência (desenvolvendo-a e transferindo-a) e prática para os principais desafios societais, “sejam a pobreza e exclusão, crises de saúde pública, a crise climática ou a paz.” Sempre pela possibilidade de auto-determinação e de bem-estar de todas e todos. Sempre pela coesão social.

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Democracia Desafios da Psicologia

Falar ou não falar sobre guerra com crianças, incluindo as mais pequenas?

Falar ou não falar sobre guerra com crianças, incluindo as mais pequenas?

Creio devermos falar e que falar, pode ajudar.

Desde logo porque na sociedade actual, independentemente de falarmos ou não, as crianças estão expostas a informação sobre a guerra e, logo, ao potencial mal-estar, medo, ansiedade ou sofrimento associados, sendo fundamental que as e os adultos em que confiam (sejam mãe ou pai ou outras/os cuidadoras/es) falem e transmitam informação, de forma ponderada e personalizada. Também porque não falarmos pode aumentar a sua preocupação (porque não falam eles comigo?), não nos permite aceder ao que sabem e sentem sobre o assunto (dando-nos espaço ao esclarecimento e reparação) e não permite abrir um canal de comunicação fundamental: “quando precisares ou quiseres falar sobre isto, aqui estou”.

30 horas dificilmente imagináveis que levaram a que ontem participasse em trabalhos da Carla Ribeiro | PÚBLICO e Ana Marques | Observador onde reflicto sobre como abordarmos esta situação com crianças, destacando: a necessidade de preparação da conversa (estabelecendo objectivos e avaliando o momento e o nosso estado emocional no sentido de transmitir verdade/segurança); adequação da comunicação às crianças (idade mas também dimensões emocionais e experiências – tem ou não amigas/os destes países ou que viveram em contexto de guerra?); a (tentativa de) explicação do propósito da guerra, mesmo quando “insana”, prevenindo generalizações abusivas (“pode ser aqui amanhã”, por sem razão aparente); importância de validar sentimentos, também pela partilha segura dos nossos receios; de dar esperança, porque as guerras terminam e há formas não violentas de resolução de conflitos e vários caminhos para a paz (nos quais muitas pessoas estão empenhadas); importância de se prevenirem mensagens tipo “bons e maus” que polarizaram e que levam as crianças a considerar que o fim depende de um “vencedor”; a promoção da compaixão e empatia e, quando possível, utilizá-las para dar propósito à situação (escrever uma carta/fazer um desenho a alguém mais particularmente envolvido).

Quanto a nós, depois de 2 anos de uma pandemia que nos impactou significativamente, é natural que nos sintamos tristes, inseguras/os e ansiosas/os. “Não faz de nós fracos”, disse à Mariana Durães | PÚBLICO noutro trabalho onde discuto formas de assegurar controlo sobre este nosso sentir, prevenindo maior sofrimento. Uma delas, encontrar propósito e significado para o que se está a viver a partir de algo que nos faça sentido: uma manifestação de apoio, participação numa acção humanitária, …

Eu, entre outros, falo com o meu filho e procuro dar estes pequenos contributos. Não sei se o ajudo (creio que sim) e se ajudo alguém (espero que sim) mas sei que me ajuda. Ajudemos outras pessoas. Ajudemo-nos.

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Democracia Desafios da Psicologia Política Psicologia

Conversas difíceis…

Evitar ou promover conversas difíceis?

Alexandra Stein, hoje especialista em extremismo, foi durante cerca de 10 anos membro do “The 0”, culto declarado como “bizarro” e responsável por “experiências dolorosas e traumatizantes” por quem, como ela, nele participou. “A chave para ter experienciado o que experienciei não foi a minha estupidez, mas não saber o que procurar fora e para onde dirigir a minha atenção”, diz.

“Pelo futuro e pelo bem comum – evitar ou promover conversas difíceis?”, 27º artigo da rubrica “Ao redor” (Sábado) parte da necessidade de “procurar fora” e do encontrar de outros espaços para “dirigir a atenção” para discutir a necessidade de não evitar(mos), mas sim, promover(mos) conversas difíceis.

“Da gestão da pandemia às migrações, da política à religião, todas e todos já nos vimos perante situações cuja sensibilidade dos temas redundam em conversas difíceis, seja junto de pessoas amigas, familiares, colegas de trabalho ou de equipa”, sendo fundamental que construamos espaço para estas conversas difíceis essenciais “à relação com outras e outros, ao não afastamento e à promoção de diferentes pontos de vista”.

No artigo procuro enumerar algumas pistas que considero importantes para melhor gerir estas conversas, nomeadamente a procura de momentos e contextos adequados, bem como de pontos de convergência e entendimento, o respeito, a empatia, a abertura à e ao outro ou a validação, aceitação e escuta activa. Ainda a importância da manutenção da racionalidade e da calma, bem como do questionamento, da reflexão e, quando necessário, do concordar em discordar, sempre no sentido da definição de uma relação de maior entendimento, reconhecimento e benefício mútuo.

No artigo discuto ainda os muito humanos viés da sobrevalorização (como podemos considerar a priori algo mais desconfortável do que efectivamente será) e ansiedade face ao desconhecido (e a necessidade de se ultrapassar a sensação de ameaça possibilitando a “experimentação”). Bem como a necessidade de criarmos “ambientes seguros do ponto de vista psicológico para relações e conversas livres, para a divergência, para a discussão de erros e “arrependimentos” e para o conflito não violento”, fundamentais a uma polis de encontro, diálogo, sobreposições e penumbras (sociais), assente na diversidade e na riqueza dela resultante em termos de segurança, criatividade, prosperidade, desenvolvimento e paz.

Numa sociedade crescentemente polarizada e que procura soluções simplistas, por vezes acientíficas e até salvíficas para problemas complexos, manter, com resiliência e optimismo, conversas difíceis “é um extraordinário compromisso com a e o outro, pelo futuro e pelo bem-comum. É um extraordinário contributo para maior florescimento próprio e dos outros e outras, para a relação e para a edificação da igualdade, da não discriminação e de ambientes psicológicos seguros para a diversidade. É um extraordinário contributo para a confiança, para a coesão e para a construção da paz.”

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Ao redor... (Revista Sábado) Desafios da Psicologia Psicologia

Trabalhar – Pensar um verbo da primeira conjugação através de quatro verbos da segunda conjugação (Ao redor…; Sábado; 07.02.2022)

Além do seu significado gramatical referente à flexão dos verbos, conjugar corresponde a unir de forma harmoniosa. A harmonia é tanto uma aspiração de cada um e uma de nós, quanto um exigente desafio verificável, entre outros, na dificuldade que temos em conjugar ou unir de forma harmoniosa diferentes interesses, escolhas ou papéis. Em conciliar, por exemplo, a nossa vida pessoal com a nossa vida profissional.

Se pensarmos a quantidade de tempo que nos últimos dias, semanas, meses e anos dedicamos a trabalhar; ou a quantidade de tempo que estivemos, mesmo que fora do contexto de trabalho, com pessoas a ele associadas (hoje nossas amigas, companheiras, familiares); ou quanto o nosso trabalho implicou e influenciou decisões de toda a natureza na nossa vida, consciencializaremos a centralidade e importância que assume. Que assume, assumiu e assumirá a par da sua importância na nossa saúde e no nosso bem-estar. Basicamente em como o trabalhar (primeira conjugação) nos faz caminhar em dois contínuos de verbos da segunda conjugação: adoecer–florescer; confranger–desenvolver.

Tem aumentado a reflexão em torno da “great resignation” [grande renúncia], expressão atribuída ao fenómeno que cresce desde o início em 2021 e que corresponde ao número elevado de saídas dos locais de trabalho e da indisponibilidade para determinados empregos de trabalhadoras/es nos EUA e que, tendo múltiplas, diversas e complexas causas, tem na questão da “qualidade do emprego” e na exigência por parte das pessoas de possibilidades de melhor conciliação entre vida pessoal e profissional, pontos cardeais à sua compreensão. Na Europa tem-se assistido a algo próximo, particularmente no que se refere ao emprego e mercado laboral jovem. Um estudo da YPulse estima que até 20% de jovens trabalhadoras/es tenha, entre 2020 e 2021, abandonado o seu trabalho, identificando como razões principais, logo a seguir ao salário, o impacto do trabalho na saúde mental (24% nas/os jovens até 24 anos) e a dificuldade no equilíbrio entre vida pessoal e profissional (20%). Mais expectativas e exigências das e dos trabalhadores, não apenas da camada mais jovem da população, por um “local de trabalho saudável”, avançando-se do trabalho como direito humano fundamental, tal qual previsto na declaração universal dos direitos humanos, para a promoção da possibilidade de florescer e nos desenvolvermos a trabalhar e respectiva necessidade de prevenção da possibilidade de adoecermos e de nos confrangermos a trabalhar. Tal não é apenas um desígnio ou um objectivo irrealizável. Antes, é realizável e há significativa evidência científica que o demonstra. É realizável e há profissionais preparadas/os e motivadas/os para participarem neste processo. É realizável e há práticas já instituídas que o demonstram, com ganhos para todas as partes envolvidas, desde a organização a trabalhadoras/es, incluindo lideranças e a sociedade como um todo.

A Agência Europeia de Segurança e Saúde no Trabalho [EU-OSHA], suportada na evidência científica crescente, também da ciência psicológica, tem colocado na agenda europeia a necessidade, premência e a mais-valia de se promoverem locais de trabalho saudáveis. Desde 2000 promove as campanhas locais de trabalho saudáveis, a partir de uma visão da saúde e bem-estar ampla que naturalmente considera as dimensões físicas e psicológicas e a necessidade de prevenção. Tem também insistido que um dos investimentos com maior retorno em questões como a produtividade, a redução do absentismo, o abandono laboral ou a redução de erros/acidentes laborais é a prevenção e a gestão dos riscos psicossociais associados ao trabalho, nomeadamente as questões do stresse, depressão e burnout [esgotamento].

Em Portugal, a DGS, através do Programa Nacional de Saúde Ocupacional, apresentou e disponibilizou em 2021 o guia técnico “Vigilância da saúde dos trabalhadores expostos a fatores de risco psicossocial no local de trabalho”, uma recomendação técnica de actuação de Serviços de Saúde e Segurança e de Saúde Ocupacional (SST/SO) no trabalho para promoção da “saúde mental e bem-estar”, identificando “medidas de prevenção, factores de risco psicossocial, instrumentos/metodologias para a sua avaliação, análise e gestão e determinando processos de identificação e referenciação” de trabalhadoras/es. Para tal lista o conjunto de profissionais que devem integrar estas equipas, com preparação e especialização adequada, ao referir a necessidade de se “estabelecer e fomentar processos de articulação e o trabalho integrado entre os diversos profissionais que integram os Serviços de SST/SO, nomeadamente médico do trabalho, enfermeiro do trabalho, técnico (superior) de segurança do trabalho, psicólogo do trabalho e outros profissionais (ex. assistentes sociais, ergonomistas, entre outros)”.

Ainda em Portugal, a Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP), em colaboração com a EU-OSHA e a ACT, com alto patrocínio dos Ministérios da Saúde e do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social e com apoio as principais confederações representativas de trabalhadoras/es e associações de empregadoras/es, tem, desde 2015, no âmbito do “Prémio Healthy Workplaces – Locais de Trabalho Saudáveis”, reconhecido micro e pequenas, médias e grandes organizações públicas, do sector social e/ou privadas, com empenho na gestão dos riscos psicossociais e da saúde ocupacional e com práticas relevantes de gestão promotoras da segurança, saúde e do bem-estar no trabalho. A quarta edição deste reconhecimento tem, por ora e até ao próximo dia 18 de Fevereiro, candidaturas (gratuitas) abertas no portal maisprodutividade.org, que disponibiliza, além do regulamento e da checklist de candidatura (que funciona como um referencial de boas práticas), informação sobre saúde psicológica no trabalho – para organizações, trabalhadoras/es e psicólogas/os do trabalho – e uma calculadora que estima custos associados à perda de produtividade resultante de problemas de saúde psicológica e do absentismo e “presentismo” deles decorrentes.

Discutimos, recentemente, propostas diversas de diferentes partidos políticos que convergem na identificação de desafios prementes do país: assegurar e reforçar a resposta do nosso sistema de saúde, garantindo a sustentabilidade do serviço nacional de saúde; assegurar e reforçar a sustentabilidade da segurança social e o seu importante papel na coesão social; aumentar a produtividade e a competitividade das nossas organizações, estimulando um crescimento económico mais inclusivo. Discutimos, ainda e embora menos, como utilizar verbas do Next Generation EU (Plano de Recuperação e Resiliência) e do PT2030 ou de como e em que condições realizar alterações à matriz fiscal hoje vigente. A prevenção e gestão de riscos psicossociais e a construção de locais de trabalho saudáveis é, com toda a certeza, uma das formas possíveis de investir nos três desafios atrás salientados, prevenindo custos em doença física e psicológica que, resultando do trabalho, chegam ao sistema de saúde; prevenindo perdas na segurança social baseadas não apenas em “baixas” e em reformas antecipadas, mas também no não cumprimento do potencial de trabalhadoras/es em virtude de problemas de saúde psicológica; e, finalmente, prevenindo perdas de produtividade e competitividade do país. A prevenção e gestão de riscos psicossociais e a construção de locais de trabalho saudáveis pode e deve ser incentivada, também, pelo recurso aos fundos da União Europeia que visam “não apenas a recuperação”, mas a “transformação de economias e das sociedades europeias”, bem como pode ser um dos investimentos que permitam acesso a incentivos fiscais pelas organizações, em claro benefício de todas/os.

Num dos, para mim, sempre importantes dias 23 de Dezembro (o de 2008) encerrou em Dayton uma grande fábrica automóvel que empregava 10.000 pessoas, muitas delas pertencentes aos mesmos agregados familiares. A sua reconfiguração em 2014 numa fábrica de uma empresa chinesa está na base do “Fábrica Americana”, vencedor do Óscar de melhor Documentário (2020), e trouxe, além de esperança à comunidade, grandes exigências pessoais e profissionais de conformação a uma nova realidade de trabalho (e de papel/reconhecimento profissional) pautado pela procura de um “chão comum” entre culturas de trabalho. “Fazer a mesma coisa vezes sem conta acaba por nos desgastar. Corpo, mente… De vez em quando pensamos porque faço isto? Pensamos se teremos a resistência e a vontade para fazer este tipo de trabalho”, confessa um trabalhador no documentário, cuja produção foi apoiada por Barack e Michelle Obama que, numa conversa com a sua realizadora e o seu realizador, reforçam a “importância do propósito e do significado na relação”. Do propósito e do significado no cumprimento e na conciliação dos nossos diferentes papéis de vida. Do propósito e do significado no florescimento e desenvolvimento.

Na verdade, aqui e ali, no Mundo ao redor, a saúde mental tem ganho preponderância e relevância e existe uma crescente exigência de pessoas e sociedades por maior possibilidade de bem-estar, particularmente a partir dos locais de trabalho. Estando as organizações cada vez mais despertas para esta realidade, será fundamental que as suas estratégias neste sentido sejam integradas e suportadas em evidência e não baseadas em acções esporádicas e não cientificamente sustentadas. Que estas estratégias se suportem em mudanças na cultura, nas lideranças, na confiança, nas práticas e nas normas (formais e informais) da organização. Assim, com benefícios para a organização, para o/a trabalhador/a e para a sociedade, caminharemos, insisto, do trabalho como direito para a dignidade e propósito no trabalho como direito, contribuindo para maior produtividade, desenvolvimento, prosperidade, sustentabilidade dos serviços públicos e coesão social. Contribuindo para maior possibilidade de bem-estar para todas e todos.

 

Tiago Pereira

in Sábado (Ao redor…); 07.02.2022

https://www.sabado.pt/opiniao/convidados/tiago-pereira/detalhe/trabalhar–pensar-um-verbo-da-primeira-conjugacao-atraves-de-quatro-verbos-da-segunda-conjugacao

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Democracia Desafios da Psicologia

Do ódio…

Quanto vale o ódio? Quantos votos vale o ódio?

“Eles são ladrões, assassinos, violadores, é o que eles são”. E. Zemmour, várias vezes investigado por incitação ao ódio, foi há semanas (novamente) condenado por esta frase dirigida a partir da TV a um conjunto de menores (de idade) não acompanhados que chegaram a França. Apesar disso (?) é candidato às presidenciais francesas de 2022, eleições que 20 e 5 anos depois de Jean-Marie e Marine Le Pen terem passado à 2ª volta, ganham um candidato, que, mesmo com Marine Le Pen na corrida e apesar da trajectória descente nas sondagens, mantém 13% nas intenções de voto (com Marine Le Pen têm hoje 29% das intenções de voto).

Assumidamente saudosista (nostálgico, como se afirma), provocador, polarizador e incitador do ódio, usa dos medos, receios e da perda (dificuldade de se cumprir) de parte da população para, desconsiderando tudo (ciência, factos, jornalismo) e todas/os, propor-se diminuir a contribuição social (que em França financia o sistema de pensões e de saúde) de 9% para 2,5% do salário, compensando a perda de receitas com a “supressão das dotações para imigrantes”. Ainda a dar direito a empregadoras/es a recusarem contratar “árabes e negros”, conforme descreve, apenas por o serem e sem explicar como e quem pode determiná-lo e verificá-lo. Ou para defender uma moralidade assente na “primazia dos homens face às mulheres” enquanto “ordem natural das coisas” e justificar a violência de homens sobre as mulheres como algo “inevitável” considerando a sua [homens] “natureza predadora”. Também para se manifestar contra qualquer reivindicação de pessoas transgénero e combater o que chama de “ideologia de género” porque “a homossexualidade é uma aberração promovida pelos publicitários do séc. XX”. Para dividir o país num nós (“estrangeiras/os no seu país”) e outras/os, salvando os que se arroga de julgar como bons dos maus.

Não publico directamente no post porque, não defendendo o (seu) cancelamento, defendo que vídeos como o da apresentação da sua candidatura, pelos apelos implícitos e explícitos, merecem contextualização. Contextualização, debate e oposição. Em qualquer lugar do Mundo e aqui.

Ontem lia com um dos meus filhos o 2º livro do Harry Potter e uma personagem dizia que o seu presente de aniversário preferido seria “a harmonia entre todos os seres, mágicos ou não mágicos”, embora também pudesse ser “uma garrafa grande de whisky velho”. Harmonia entre todos os seres ou uma garrafa de whisky? Harmonia entre todos os seres ou, quiçá, espaço mediático e votos.

O livro chama-se “E a câmara dos segredos”. Se evocarmos a história para pensar o presente (nos sinais/símbolos) não é segredo para ninguém que lá e aqui urge que nos juntemos. Que não cedamos. Despolarizando, dialogando, procurando empatizar e compreender quem, não raras vezes porque em sofrimento, se deixa envolver no e pelo ódio.

Digamos não ao ódio. Digamos não a quem dele se aproveita. Lá. Aqui.

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Legislativas 2022 – Que papel da psicologia?

Faltam poucas horas para o encerramento da campanha eleitoral e “momentos extraordinários exigem um texto diferente”. Um texto sobre “contributos da psicologia para soluções para os desafios das pessoas e da sociedade e de como os programas dos partidos e, principalmente, um debate político o reflectem”.

“Legislativas 2022: A Psicologia a contribuir para soluções nos programas e no debate político”, 25º artigo da rubrica “Ao redor” (Sábado) parte de um debate (20.01) entre representantes de 8 dos 9 partidos/grupos parlamentares representados na Assembleia da República no início da última legislatura, organizado pela Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) e moderado pela jornalista Maria Flor Pedroso. Debate assente num contributo científico da OPP que procurou compilar um conjunto de propostas para as Legislativas 2022 no sentido da tomada de decisão e do desenho de políticas públicas que promovam a saúde psicológica, factores de competitividade e resiliência, o bem-estar, o desenvolvimento das pessoas e do país e a coesão social.

Nos programas e no debate três constantes: a saliência, a relevância e a importância da saúde mental, hoje consensual na sociedade portuguesa, do “Presidente da República ao cidadão mais comum”; a importância das/os psicólogas/os nela, conforme resulta claro do seu empenho, dedicação e “trabalho ao longo da pandemia”; e a necessidade imperiosa de melhorar o acesso das pessoas aos seus serviços, em diversos contextos, ao longo de todo o ciclo de vida, de forma simples, rápida e próxima e não apenas no sentido da remediação de problemas, mas, particularmente, da prevenção e da promoção de saúde e bem-estar”. Constantes a que se soma uma inquietação: “a necessidade de, ao fim da pandemia, não corresponda o fim desta saliência e relevância da saúde mental, porque fundamental para as pessoas sempre, mas também porque os tempos da “saúde sanitária”, são distintos dos mais distendidos tempos da crise económica e, particularmente, social que a acompanha e lhe sucede e, mais ainda, do tempo dos problemas de saúde psicológica (por ela agravados) e das perturbações das pessoas dela decorrentes (as novas e as que se aprofundaram).”

Do debate sobressai o “papel da psicologia nos objectivos do desenvolvimento sustentável e da saúde mental como factor fundamental de desenvolvimento humano”.

“Que o país e que quem se propõe governá-lo, saiba as/os 25 mil psicólogas/os preparadas/os, empenhadas/os e motivadas/os para contribuir para comunidades, cidades e um país com mais bem-estar, equidade e de maior coesão social.” Como saiba que, promover a participação implica que, quem (pode) vota(r), “se sinta representada/o, envolvida/o e que o seu voto conta e possibilita a construção de soluções partilhadas para os seus problemas e de oportunidades para cumprir as suas expectativas”.

Votemos, pelo presente e pelo futuro.