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COVID-19 Desafios da Psicologia Ordem dos Psicólogos Portugueses

1 ano…

Há um ano (13.3.20) a Ordem dos Psicólogos Portugueses criou o gabinete de crise COVID-19 que coordeno. Ano incerto, intenso e exigente, que nos colocou à prova nas capacidades de adaptação, resiliência e de superação.

Ano em que a responsabilidade (propósito) que me foi confiada – a par do apoio/carinho da nossa casa, do empenho de toda a nossa OPP e da inspiração de tantas pessoas, incluindo colegas psicólogas/os – foi essencial ao meu bem-estar.

Ano em que todas/os perdemos e muitas/os perderam muito. Em que se mudou, no presente e para o futuro, na importância conferida à literacia em saúde psicológica; no acesso directo (24h/7) a psicólogas/os via Serviço Aconselhamento Psicológico SNS24; no aconselhamento e apoio à tomada de decisão do governo pela recente criação da task force da ciência comportamental. No micro e macro, ainda que com imenso caminho a percorrer, mais psicologia e mais psicólogas/os mais acessíveis e a contribuir já hoje mas para futuro.

Pensar um dia pode passar por pensarmos 3 aspectos bons dele (aumenta a percepção de controlo) e agradecermos/celebrarmos algo com alguém (aumenta o sentimento de pertença). Faço-o, assim por importante, para este ano. Muitos desafios nos esperam. As pessoas e o país precisam de mais (e melhor) psicologia junto de si.

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COVID-19 Dia Internacional da Mulher

Porque só a ela o perguntam? (Ao redor…; Revista Sábado)

“Porque só a ela o perguntam?”, 2º artigo da rubrica “Ao redor…” (Sábado) onde discuto o impacto da COVID-19 na “inversão de um processo que, ainda que (muito) lento e díspar, tinha já largos anos e era relevante por significativo em Portugal – o progresso no sentido da igualdade de género”. Um “importante desafio societal global com fortes implicações na possibilidade de bem-estar das mulheres (mas também dos homens e de toda a comunidade) e na coesão social das sociedades.”

Nele analiso impactos desta crise nas mulheres (acrescenta “desigualdade à desigualdade que existia, e mais anos ou décadas às décadas que ainda dista(va)m de caminho pela igualdade”) e defendo 4 investimentos para a sua mitigação: educação, literacia e saúde psicológica; políticas responsivas à forma como nos comportamos/tomamos decisões; compensação do trabalho socialmente útil; representação política/social igualitária.

Reflicto, ainda, (n)o que impacta e significa só a ela perguntarem como “conseguirá conciliar tudo?” e na importância de celebrar a cada 8 Março o que “já se conquistou, inspirando e motivando mais pessoas para este desafio e através dele para outros onde a desigualdade ainda vence” e sublinhando o caminho por percorrer, incentivando “a que o percorramos, juntas/os”.

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COVID-19 Desafios da Psicologia Política Psicologia

Linas por pintar e por escrever…

113 anos.

Tempo suficiente para, depois de se estranhar (ridicularizar até), naturalizarmos (ao ponto de nem nisso pensarmos) as linhas/traços que hoje dividem as estradas e faixas de rodagem Mundo fora. Pistas visuais introduzidas em 1918 (UK) só generalizadas décadas depois, que auxiliam/estimulam o comportamento dos condutores para o seu bem e bem de todas/os. Intervenção, parte de um todo, que deve ser melhorado com outras acções, baseadas na forma como nos comportamos e tomamos decisões e testadas/estudadas para maior eficácia das políticas (prevenção rodoviária, no caso) e o bem-estar delas resultante.

Existem hoje outras linhas por pintar (ou escrever). Pensemos que apenas 55% da população respondeu à SMS de chamada para a toma da vacina COVID-19 que implica uma resposta “SNS.NUMERO UTENTE.SIM/NÃO”.

Estranho, mas fico feliz se testada resultar da escalagem da mais eficaz proposta. Não estranho e não compreendo se não testada, porque sabemos há muito que em 2021 ou 22 haveria vacinação. Testar diferentes textos e aumentar em 10% a resposta (texto com mais incentivo e/ou redução de atritos à resposta) seria possível e dispensaria 300.000 contactos sucessivos até fim do verão, tempo utilizável com outro fim.

Melhorar políticas (públicas) é possível. A psicologia pode ajudar.

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COVID-19 Desafios da Psicologia

A(s) bola(s) e a(s) pena(s)…

Um estimulante artigo de Arlindo Oliveira (Público) parte da imagem de uma bola de bowling a descer à mesma velocidade de uma pena no vácuo, convidando a distinguirmos situações onde podemos isolar completamente variáveis e ter resultados perfeitos face a previsões (no vácuo o peso não interfere com a velocidade de objectos a cair) de situações, como esta pandemia, onde isso não é possível.

Nela as previsões (infecções, por ex.) não resultam perfeitas e, apesar de contraintuitivo, neste 2º recolhimento obrigatório, com níveis superiores de mobilidade da população, os valores desceram mais significativamente que no 1º e do que se previa há 1 mês. Previsões que consideram os (importantes) “R” e mobilidade mas que desconsideram indicadores comportamentais insuficientemente recolhidos em PT e que nos permitiriam, a cada momento e com qualidade, dados sobre a informação, motivação e capacidade/obstáculos das pessoas (e grupos específicos) na adopção de comportamentos recomendados, prevendo-se o que esperar e podendo intervir-se sobre estas dimensões. Sobre isto e sobre objectivos e propósito partilho reflexões com os jornalistas Nuno Guedes e Joana Faustino.

TSF

Jornal I

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COVID-19 Desafios da Psicologia

Burke, hoje…

“Um povo que não conhece a sua história está condenado a repeti-la.”

Esta “mundividente” frase de Edmund Burke (sec. XVIII), ganha actualidade a cada dia e a cada acontecimento. É uma frase “moderna” do pioneiro no “conservadorismo moderno” e é uma frase que ganhou ontem relevo no espaço público português ao ser referida pelo Presidente da República na declaração ao país pós aprovação do diploma de renovação do estado de emergência pela Assembleia da República.

Frase referida enquanto âncora de reforço para alguma “contenção” sobre o início do fim do segundo dever de recolhimento obrigatório que deriva da história, reflexão e aprendizagem dos últimos meses relativa à evolução da pandemia mas que poderia (e deveria) ser lida, de forma mais abrangente, nos seus impactos mais amplos e na recuperação (das pessoas e do país) e preparação (das pessoas e do país) para futuros desafios e crises. Recuperação e preparação que não pode desconsiderar a saúde psicológica das pessoas.

Sobre isto reflectirei ao final da tarde de hoje num webinar da Editora PACTOR (“Pandemia 2.0 | Como enfrentar o segundo ano”) com participações de Sandra Correia, Bento Rodrigues, Mauro Paulino, Mauro Sousa Vicente e Luís Rocha Graça.

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COVID-19 Ordem dos Psicólogos Portugueses

Plano de recuperação (e de resiliência?)

Partilho a reflexão de Sábado com a Marisa Caetano Antunes na SIC Notícias que tocou:

1) dificuldades e problemas de saúde psicológica e mental actuais da população (e de grupos específicos) decorrentes (não apenas) da crise de saúde pública e sócio-económica;

2) 70000 atendimentos do serviço de aconselhamento psicológico (SNS24) sinal da sua premência e de que as pessoas, quando têm acesso, procuram ajuda. Resposta porém incompleta porque, suportando a gestão de emoções, é como uma rotunda com diversas saídas (auto-cuidado, emergência) com uma fundamental encerrada pela insuficiência de psicólogas/os nos cuidados de saúde primários (CSP) para intervenções continuadas quando necessárias;

3) (não)investimento na saúde mental (bem-estar e existência de competências/recursos para a adaptação a acontecimentos e se cumprirem propósitos de vida – não apenas ausência de doença mental) expresso em a) o caricato da Ministra da Saúde referir que parte do atraso do concurso de 40 psicólogas/os para os CSP (existem apenas 250) que decorre há 30 meses se dever à pandemia (o que teria que ocorrer para maior rapidez?); b) um plano de recuperação e resiliência que prevê (bem) verbas nesta área mas apenas para resposta à doença mental sendo, nesta área, de recuperação mas não de resiliência.

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COVID-19 Psicologia

Juntos…

Bill Gates afirmou ao Público que ao contrário da crise económica de 2008, em que o interesse pela crise climática desceu significativamente, com a COVID-19 isso não sucedeu. Creio até que a necessidade de resposta global à actual crise, assente na dependência epistémica e na confiança, poderá reforçar a resposta do Mundo aos desafios das próximas gerações (crise climática mas também iniquidades ou migrações).

Quando em 2018 a American Psychological Association comemorava o 125º aniversário, acompanhei durante 10 dias o seu trabalho “por dentro”.

Conheci uma associação referência com quem a Ordem dos Psicólogos Portugueses organizou em 2019 uma Summit que em Lisboa reuniu 50 associações representativas de 1 milhão de psicólogas/os dos 5 continentes para discutir contributos da ciência psicológica na crise climática. Nela Marcelo Rebelo de Sousa apelou ao reforço do trabalho colaborativo que nesta rede global continua, hoje centrado na pandemia.

Advogo a ciência psicológica e as/os psicólogas/os como fundamentais aos desafios societais complexos e que estes não se podem solucionar apenas em Portugal ou com a ciência por cá produzida, antes que todas/os beneficiamos do reforço da colaboração internacional (também na Psicologia) com vista a um Mundo mais coeso e com mais bem-estar.

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Comportamento COVID-19 Psicologia

Pecado?

Pecado? “It´s a Sin”, série que retrata os anos 80 de uma Londres a “lidar” com um vírus (HIV) e uma doença (SIDA) ainda bastante desconhecidos e muito assentes em preconceitos por “associados” e por impactarem significativamente a comunidade masculina homo e bissexual.

A série reflecte, bem a meu ver, as suas graves consequências de saúde pública – de saúde individual; de “violência auto-infligida” pela vivência da doença como consequência (castigo) dos seus actos; de “violência hetero-infligida” de quem nela validava preconceitos e ideias/crenças face à diversidade (orientação sexual mas não apenas).

Sempre foi e é assim. Humanas/os que somos, tendemos a procurar no que nos rodeia (informação e experiência) o que possa confirmar aquilo em que acreditamos, particularmente em matérias que nos “confrontam”.

Assim foi com a ideia de incumprimento pelos cidadãos das medidas neste 2º dever de recolhimento obrigatório que trespassou no debate público, mote para o diálogo da passada semana com a Carla Rocha (parceria RR/OPP) que partilho e que tocou ainda o que hoje difere e, particularmente, a importância e o retorno de olharmos/atendermos a quem nos rodeia, particularmente às/aos de nós mais vulneráveis e mais expostos à pandemia e às suas diversas consequências.

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COVID-19 Psicologia

Da confiança…

“Savons-Nous encore faire confiance?”, capa da Courrier Francesa de 8.7. Confiança “força que permite lidar com a incerteza e que une sociedades fragmentadas” (Jaure) e elemento-chave na coesão (social) e resposta (conjunta) a desafios marcados pela incerteza e pela necessidade de inter-dependência.

Hoje o jornalista António Jorge (Antena 1) perguntou-me no diálogo que aqui partilho, se à maior consciência dos factos (mais tempo de “confinamento”) corresponderia “um problema para as pessoas”. Oportunidade para, ao contrário, frisar a importância da previsibilidade e do controlo e reforçar o papel da confiança em tempos de incerteza. Confiança que deve perpassar toda a sociedade e assentar em decisões e numa comunicação clara, positiva e personalizada, baseadas na evidência (também da ciência comportamental e dos obstáculos/intenções para adesão/manutenção de comportamentos e efectividade da comunicação, insuficientemente recolhida em PT) e na legitimação/adequação das medidas ao cansaço e estado psicológico da população.

Porque, não esqueçamos, o comportamento é essencial numa pandemia e só é compreendido quando consideradas as dimensões cognitivas (o que pensamos) e emocionais (o que sentimos) que o determinam. Porque, o propósito (do esforço) é indispensável e assenta em informação e em confiança.

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COVID-19 Democracia Psicologia

Confiança e “Breaking Point”

O cartaz “Breaking Point” projectado por Farage na campanha pelo Brexit foi particularmente mediático por utilizar uma imagem da fronteira Croácia-Eslovénia (não do UK), pelas reminiscências da propaganda Alemã dos anos 30 e por trazer “violentamente” à campanha pelo “Leave” a ideia de ruptura pela perda da confiança (“a União Europeia falhou-nos a todos” era o seu subtítulo).

A ruptura associa-se muito à polarização, característica hoje relevante na sociedade volátil e ambígua que construímos, onde nem sempre claramente se distinguem factos de opiniões (também pelo papel das redes sociais) e onde se diminuiu o papel das/os mediadoras/es, também pela perda de confiança.

Nos grandes desafios societais (a pandemia como a crise climática) são essenciais respostas concertadas dos diferentes intervenientes (cidadãos, decisores, cientistas, jornalistas) ligados pela dependência epistémica (dependemos do saber dos outros, como Hardwig definiu) e pela confiança.

Confiança (ou crise de) que explica parte do que vivemos agora no nosso país face à pandemia e que, pelo seu papel, importa estudar e reflectir. Peço-vos, assim, 5m do vosso tempo para responderem à “2ª fase” deste pequeno inquérito: https://lnkd.in/eX4Sahx