“Savons-Nous encore faire confiance?”, capa da Courrier Francesa de 8.7. Confiança “força que permite lidar com a incerteza e que une sociedades fragmentadas” (Jaure) e elemento-chave na coesão (social) e resposta (conjunta) a desafios marcados pela incerteza e pela necessidade de inter-dependência.
Hoje o jornalista António Jorge (Antena 1) perguntou-me no diálogo que aqui partilho, se à maior consciência dos factos (mais tempo de “confinamento”) corresponderia “um problema para as pessoas”. Oportunidade para, ao contrário, frisar a importância da previsibilidade e do controlo e reforçar o papel da confiança em tempos de incerteza. Confiança que deve perpassar toda a sociedade e assentar em decisões e numa comunicação clara, positiva e personalizada, baseadas na evidência (também da ciência comportamental e dos obstáculos/intenções para adesão/manutenção de comportamentos e efectividade da comunicação, insuficientemente recolhida em PT) e na legitimação/adequação das medidas ao cansaço e estado psicológico da população.
Porque, não esqueçamos, o comportamento é essencial numa pandemia e só é compreendido quando consideradas as dimensões cognitivas (o que pensamos) e emocionais (o que sentimos) que o determinam. Porque, o propósito (do esforço) é indispensável e assenta em informação e em confiança.