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Odemira…

A 22.10.2014 deixamos o concelho de Odemira onde vivêramos os anos anteriores. Nesse dia nasceria uma das filhas de uma amiga e um amigo que são do que melhor guardamos desse período e viajaríamos no “popular” IC1 com o nosso 1º filho a 7 semanas de nascer. A 24.04.2021, a 7 semanas da data prevista para o nascimento do nosso 2º filho, Odemira era o concelho com maior taxa de incidência de casos COVID-19 e sabemos o que se seguiu.

“Pareto, Penumbras e Prevenção – 3 “P” para Odemira”, 7º artigo da rubrica “Ao redor…” (Sábado) centra-se no facto de no “pára-arranca de casos” o país se ter confrontado com o problema social complexo que Odemira vivencia.

Nele proponho 3 “P”: Pareto – perseguir uma economia de bem-estar assente na eficiência de Pareto, visando a melhor alocação de recursos possível e um sistema que não permita que “uma das partes melhore” se tal implicar que “outra piore”; Penumbras – o seu crescimento entre grupos (de interacções e das sombras delas resultantes), diminuindo preconceitos e potenciando a empatia; Prevenção – da desumanização, adaptação e dessensibilização, fadiga de compaixão e “normalização” do que não é nem pode ser o esperado ou sequer o possível.

Singelo contributo sobre tão complexo e impactante desafio de um território tão significativo para mim

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17.5

Neste 17.5, dia muito importante para a minha família, comemora-se o Dia Internacional de Luta contra a Homofobia, Transfobia e Bifobia. Nele celebra-se o caminho percorrido pela não discriminação e pelos direitos LGBTIQ enquanto direito humano fundamental. Com ele celebram-se, também, todos os direitos humanos na sua universalidade e a aspiração da cabal concretização dos mesmos junto de cada pessoa em cada circunstância ou lugar deste Mundo.

Este dia e as conquistas nesta matéria, importantes ainda que insuficientes, resultam em parte de uma ligação entre o activismo social e político com o aprofundar do conhecimento e evidência da ciência.

Sobre a necessidade de nos activarmos e de não “normalizarmos” o que não é nem pode ser o esperado, conversei com a Margarida Alpuim para o trabalho “Que apatia é esta que andamos a sentir?” onde reflectimos sobre o continuum entre um certo “definhamento” e o florescimento – enquanto capacidade de nos cumprirmos e de cumprirmos o nosso potencial – adaptação, autocuidado e ajuda profissional e a necessidade de termos objectivos, propósitos, algum controlo e previsibilidade.

Também sobre a necessidade de nos activarmos escrevi um artigo para a minha rubrica (Ao redor…) da Revista Sábado a propósito de Odemira que aqui partilharei em breve.

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The first embrace

Recuemos 8 décadas. Pensemos numa Europa devastada pela II Guerra Mundial. Nesse tempo não existia o World Press Photo (WPP) cuja fotografia vencedora em 2021 retrata, segundo o autor, uma “história de amor e esperança em tempos difíceis” e a sua tentativa de sugerir empatia por que sofre através do “plástico de abraços”. Não havia WPP mas existia sofrimento, histórias de amor e esperança em tempos também difíceis e dele sobram 3 reflexões importantes:

1) a relevância atribuída ao estoicismo, na adaptação do conceito com 24 séculos a situações de stress, crise ou caos, enquanto possibilidade de mantermos controlo e operação sobre a nossa vida, fundamentais à resiliência;

2) o receio das autoridades de que a “mentalidade de abrigo” e o recolhimento prolongado redundasse em ansiedade e medo paralisantes que pusessem em causa a reconstrução do país;

3) as situações de stress pós-traumático (PTST) que, anos depois, ainda ou se passavam a manifestar.

Amanhã cumpriremos o 218º dia desde 19.3.20 em estado de emergência. 54% dos nossos últimos 406 dias.

Estoicamente chegamos a este fim.

Abracemos, agora e sem plásticos, a tarefa de apoiar as e os que continuem a sofrer, tenham dificuldade em “sair” ou venham a manifestar PSTP.

Promovamos resiliência. Recuperemos as relações. Reconstruamos o país.

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25.04.1974

“Estava a pensar como seria a vida antes do dia da liberdade”, respondeu. Ontem, quando ouvia(mos) o discurso de 25 de Abril do Presidente da República, olhei o meu filho que olhava o vazio parecendo que procurava compreender aquelas muitas e muito complexas palavras que ouvia e sabia importantes. Perguntei-lhe se o fazia. Não. Pensava…

Reflectia como me parece importante que todas/os façamos a partir desse importante discurso pois, para compreendermos e vivermos o presente, é fundamental termos perspectiva sobre o passado também para projectarmos o futuro.

Sobre este caminho (passado-presente-futuro), a conexão e relação, o humanismo e o papel da cultura (pela possibilidade de fruição e de abertura) na promoção da saúde psicológica, conversei com a Ana Pinto-Coelho em mais uma M-Talk, contributo para a construção de narrativa(s) sobre o período que vivemos.

Quanto ao meu filho, não pensava sobre o que ouvia mas sobre como seria a vida pré 25.04.1974… A sua desconcertante resposta fez-me pensar em tantas/os que antes não podiam ouvir palavras como aquelas que eu e nós podemos ouvir. Em tantas/os que, para que as escutemos, estavam privadas/os de olhar os seus filhos de 6 anos como eu ali fazia.

Pensei, grato. Celebro, sempre, grato.

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Se eu não cuidar de mim…

Quem cuidará?

Parte de nós recordará o anúncio de 1993 de uma nova marca de lacticínios cujo slogan – “se eu não gostar de mim, quem gostará?” – procurava “explorar” a importância de fazermos “boas escolhas”, promovermos a autoconfiança e o cuidado de nós.

Este cuidar de nós – autocuidado – refere-se ao conjunto de actividades que, regularmente, escolhemos fazer e que nos ajudam a manter ou melhorar o bem-estar e saúde, incluindo a saúde psicológica. Sendo sempre importante, o autocuidado ganha especial relevância em momentos de maior vulnerabilidade e de crise, sejam eles de crise individual (quando nos confrontamos com acontecimentos de vida significativos que requerem processos adaptativos como uma situação de desemprego, um acidente ou doença ou a perda de alguém próximo) ou de crise colectiva e/ou de saúde pública, como a crise sócioeconómica que Portugal viveu na última década e a pandemia que nos últimos meses nos confronta e desafia e que nos conduziu a uma segunda crise socioeconómica em poucos anos.

Quando a 11 de Março de 2020 a Organização Mundial de Saúde declarou a doença COVID-19 como uma pandemia, apesar de ser um fenómeno novo, pautado por muitas incertezas e ainda pouco estudado, começamos a ter consciência através dos países primeiro atingidos da necessidade de transformações e adaptações significativas ao nosso estilo de vida, dos impactos na saúde (física, mas também psicológica) e das consequências sócioeconómicas do que viveríamos. Com o passar dos meses, e pese embora alguns sinais positivos (como uma vacina desenvolvida em tempo recorde), a incerteza subsiste e junta-se a uma enorme fadiga e cansaço das pessoas, o que contribui para níveis de sofrimento psicológico significativo na população e para o agravamento de dificuldades e problemas que vão desde sinais de ansiedade, agitação, irritabilidade ou tristeza até perturbações de ansiedade, depressão e stress pós-traumático. Algo que de inesperado talvez tenha apenas a dimensão, pois seria de esperar um aumento do número de pessoas com dificuldades e problemas – particularmente pessoas mais expostas aos impactos da pandemia (jovens, mulheres, profissionais de saúde ou dos Estabelecimentos Residenciais para Pessoas Idosas) ou em situação de maior vulnerabilidade (pessoas com vínculos de trabalho precários ou população migrante) – e um agravamento das perturbações já existentes.

Tendo em consideração este cenário, desde cedo procuramos na Ordem dos Psicólogos Portugueses advogar pelo aumento de recursos e pela redução de iniquidades e melhoria de acesso da população a serviços de Psicologia já claramente insuficiente pré-pandemia (via Unidades de Saúde, mas também da Educação, Serviços da Comunidade ou Locais de Trabalho). Mas procuramos também contribuir para o aumento da literacia em saúde e em saúde psicológica e para a promoção do autocuidado e da resiliência da população. Estes três aspectos podem ser complementares e são a base de uma resposta adaptativa a este(s) desafio(s) – porque assentam na promoção do conhecimento e do autoconhecimento na área da saúde psicológica, na melhoria da capacidade de identificação de sinais de alerta e no desenvolvimento de competências que nos permitam mobilizar os recursos necessários (pelo autocuidado) e/ou ajuda (quer seja junto de amigas/os ou familiares ou profissional).

Quem já olhou as normas de segurança de um avião pode ter estranhado que, em caso de necessidade de colocação das máscaras de oxigénio (despressurização), sejamos orientados para começarmos por colocar as máscaras em nós e não nas crianças não autónomas ao nosso cuidado. É contra-intuitivo mas racionalmente com sentido. Como António Damásio refere não somos “máquinas de pensar que sentem” mas “máquinas de sentir que pensam” e, por isso, precisamos de intencionalizar esse acto (começarmos por nós) para estarmos em condições de poder ajudar os outros, sob pena do automatismo ser centrarmo-nos inicialmente nas crianças com prejuízo para todas/os. Na pandemia, o mesmo se passa com os profissionais de saúde, treinados e preparados para o foco na necessidade da/o outra/o (e não em si) e que precisam de estar bem (também através do autocuidado) para poderem ajudar as/os outras/os. O mesmo se passa com cada um/a de nós, que em momentos de maior preocupação e até de sobrecarga, teremos que, talvez contra-intuitivamente, intencionalizar a criação de espaço e tempo para cuidarmos de nós e para fazermos escolhas e actividades saudáveis (na alimentação, hábitos de sono e actividade física, por exemplo) e prazerosas (em actividades que nos descontraiam e nos façam sentir bem, tranquilas/os e capazes), além de redobrarmos esforços para equilibrarmos as nossas diversas dimensões e papéis de vida (pessoal, familiar, profissional) e reforçarmos o contacto com outras/os.

Mas, se o autocuidado é importante para todas/os, atingimo-lo de formas e através de actividades, dinâmicas e tempos diferentes (por vezes até em nós em diferentes momentos da nossa vida) e, particularmente, ele não é e está igualmente acessível a todas/os. A adopção de um determinado comportamento depende da informação (por exemplo do conhecimento que temos sobre a importância do mesmo), mas também da motivação e da capacidade (das oportunidades que temos para o adoptar ou dos obstáculos que se colocam à sua adopção). Violentamente, a desigualdade atinge diversos aspectos da nossa vida e até determina que diferentes pessoas tenham informações desiguais sobre o que é o autocuidado e a importância de adoptar comportamentos de autocuidado. A motivação para o autocuidado também pode estar dependente de condições desiguais (da nossa casa, do tempo disponível, das relações nas quais nos podemos apoiar ou dos objectos materiais) que temos para que os comportamentos de autocuidado se tornem regulares e regularmente deles beneficiarmos.

É também por isso que o autocuidado, sendo importante, não pode ser a resposta, em exclusivo, para todas as dificuldades e problemas relacionados com o bem-estar e a saúde psicológica. Não o é porque é apenas uma componente (importante) de um conjunto de respostas e acções necessárias para manter e promover a saúde psicológica e o bem-estar. Além de não o ser, deixa muitas pessoas “para trás”, sendo nosso dever sublinhá-lo, prevenindo que à exigente situação de dificuldade e de sofrimento das pessoas possa acrescer uma injusta e potencialmente culpabilizante responsabilização (individual) pelas dificuldades e obstáculos que se lhe colocam na adopção de comportamentos e estratégicas de autocuidado.

Um pouco ao contrário do que o tal slogan preconiza, o direito a ser gostados ou cuidados não pode advir de um dever de gostarmos ou cuidarmos de nós. Aliás, gostarmos e cuidarmos (mais) de nós deve antes ser um direito e um direito que respeite as circunstâncias de cada pessoa. A marca do anúncio (Matinal) pode nisso ser um pronuncio – como a cada dia há um novo período “matinal”, tornemos actividades e estratégias de autocuidado rotinas de cada dia. Primeiro intencionalizando-as, agendando-as ou pedindo ajuda para as cumprirmos se necessário, para depois se automatizarem e naturalizarem na nossa vida, tornando-se parte e rotina. Se assim for não resolveremos todos os problemas e dificuldades, mas estaremos, a cada dia, um pouco menos vulneráveis e um pouco mais resilientes e sentir-nos-emos melhor e mais disponíveis para as/os outras/os, ajudando-as/os por essa via a estarem também um pouco melhor e mais disponíveis para nós.

Cuidar de nós é cuidarmos de todas/os porque se há algo que esta pandemia também nos demostrou é que existimos na e pela relação connosco, com as/os outras/os e com o que nos rodeia.

 

Tiago Pereira

in Revista Avenidas Novas (Março/Abril; 2021)

https://www.jf-avenidasnovas.pt/wp-content/uploads/Revista-Avenidas-Novas-Autocuidado.pdf

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Era o que faltava… (Rádio Comercial; 15.04.2021)

Falar ajuda. Não resolve ou soluciona tudo. Mas ajuda, muito.

Conversar com alguém, particularmente quando mais preocupadas/os ou ansiosas/os, pode ajudar-nos a compreender melhor o que (e porque o) sentimos e ser bastante organizador.

Na 5ªF fi-lo a convite da Rádio Comercial com a Ana Delgado Martins e o Rui Maria Pêgo, dois excelentes conversadores, no “Era o que faltava”. Uma das muitas conversas que, “ao baralhar e voltar a dar”, cumprem esse propósito, permitindo a quem ouve rever-se (ou não) na/o convidada/o, descobrindo mais de si.

Conversa que versou o propósito; a produtividade e bem-estar; a vulnerabilidade e diversidade; o luto; a recuperação das pessoas e da confiança em nós, nas/os outras/os e nas instituições, também pela promoção da saúde psicológica; a adolescência e o idadismo; a adaptação, o retomar e a reparação; a literacia, auto-cuidado e a ajuda profissional; a “positividade tóxica” e culpa; a desinformação, polarização e conspiração; a pobreza e o que podemos fazer por um país com mais bem-estar, equidade e coesão social.

Convido-vos a ouvir aqui tal como convido a ver o vídeo “Falar Ajuda” da Ordem dos Psicólogos Portugueses aqui.

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Dias da Páscoa…

Têm sido longos meses de perda. De perdas muito concretas (vidas, empregos, …) e outras mais difusas. De perdas, mais ou menos próximas. Nossas, de quem nos rodeia, aqui, no Mundo.

Esta noite entramos nos “dias da Páscoa”, dias que percepcionamos de forma muito distinta. Mesmo em nós. Os meus são hoje tão diferentes face à infância, tempo de férias e dos 1os mergulhos de rio do ano. 3o momento do ano (Natal/Agosto) onde os conterrâneos emigrados (no país e em França – “onde todas/os tínhamos família”) regressavam à minha aldeia em festa, independentemente das crenças religiosas.

Nesta noite passa também 1 ano da perda por COVID-19 de E. Marsalis de quem partilho esta versão do “Do You Know What It Means To Miss New Orleans”. Partilha em reflexão nas minhas perdas, também hoje concretizadas/anunciadas. Porque este tempo, independentemente das crenças religiosas, pode ser de encontro (connosco e com outras/os). De passo atrás nalgum deslaçar nas nossas relações, organizações, sociedade. O E. Marsalis dizia que o jazz “era a celebração do individual”, “individual em extinção”. Validemos o individual. Empatizemos com a importância dos rituais de Páscoa, tão importantes a tantas pessoas. Reforcemos o sacrifício de uma Páscoa, ainda, sem “os seus”, dando-lhe significado e propósito.

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Opinião Pública

“Não podemos continuar a sugerir que a vacina nos protege apenas a nós próprios [quem toma]. A vacina é uma protecção para nós e para todas as outras pessoas. Todas/os temos um papel neste processo de vacinação e no de construção da confiança”.

A 19.3 na SIC-N com a Marta Atalaya e o Joao Julio Cerqueira, refectimos sobre o impacto da suspensão provisória da vacina da AstraZeneca na confiança.

A confiança é apenas 1 de 3 dimensões responsáveis pela hesitação na vacinação, uma das 10 maiores ameaças à saúde global apontadas pela OMS em 2019 (pré-COVID-19). Na frase que transcrevo referia-me à complacência, outra das 3 dimensões, a par da conveniência e, portanto, da necessidade de investirmos em “tornar o processo de vacinação mais próximo das pessoas, facilitando-o e retirando obstáculos à toma da vacina”.

Recordemos – celebremos e reforcemos – que Portugal é um dos países no Mundo com menor hesitação e com um plano de vacinação mais generalizado e com melhores resultados. Recordemos também que a informação disponível, por si só, não explica e prevê o comportamento.

Comuniquemos cada vez melhor com as pessoas, tendo presente que à fadiga da pandemia se associa “fadiga de incerteza e de imprevisibilidade”, conectando-nos, validando dúvidas e procurando responder aos anseios.

Aqui…

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Ainda a confiança…

“A incerteza é a própria vida, e vivê-la significa aceitar essa incerteza”.

Assim termina o ensaio “Ainda sabemos confiar?” onde M. Jauer atribui à incerteza papel central no potencial de desenvolvimento e florescimento das pessoas e defende a confiança como o elemento-chave para com ela lidarmos.

Assim o creio. A confiança é “cola” das sociedades, particularmente quando mais fragmentadas. É “vitamina” na resposta concertada a desafios complexos. É “vital” na percepção de segurança e controlo e uma das variáveis consideradas no mediático (embora a meu ver discutível) “World Hapiness Report” que “mede” a “felicidade” dos países. A confiança é continuamente co-construída por todas/os (decisores, cidadãos, profissionais de educação, justiça ou saúde e media) e facilitadora ou obstáculo da coesão social e bem-estar.

Na passada 5ªF – a propósito do processo de vacinação em curso e do fim da suspensão provisória da vacina da AstraZeneca – sobre ela pensei com a Maria Miguel Cabo da TSF, reflectindo também sobre o impacto desta suspensão em diferentes pessoas (pelo papel das crenças na leitura da mesma informação) e a importância de compreendermos e validarmos a ansiedade e as dúvidas, particularmente quando as pessoas desejam recuperar controlo e alguma previsibilidade na sua vida.

Aqui…

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O papel de Biden

“Trago um papel no meu bolso com o número total de pessoas que morreram (EUA) com COVID-19. Está na parte de trás da minha agenda”.

No 1º discurso à nação pós-tomada de posse – muito discutido no que remete ao impactante estímulo financeiro às famílias (nomeadamente as mais vulneráveis) e à economia – Biden foi ao bolso, retirou o papel e disse: “527.726, mais vítimas que na 1º Guerra Mundial, 2ª Guerra Mundial, Guerra do Vietname e 11 de Setembro, tudo somado.”

Biden lembra com simbologia que a dimensão económica não pode deter o exclusivo das consequências da grave crise que vivemos. A pandemia representou perdas humanas muito significativas e muita dor/sofrimento em centenas de milhares de famílias dos EUA, dezenas de milhares no nosso. Pessoas sobrecarregadas e não raras vezes entrincheiradas entre sentimentos de culpa (quando olham para trás) e de receio/ansiedade (quando olham para a frente).

Aos indispensáveis apoios e estímulos económicos deve juntar-se suporte emocional e psicológico. Apoio psicológico, de estímulo e não de “caridade”, porque cientificamente suportado, porque voltado para a promoção da adaptação e da resiliência individual (e logo das comunidades), porque reprodutivo. Insisto, será impossível recuperar os países e o Mundo sem recuperarmos as pessoas.