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COVID-19 Psicologia

RTV Eslovénia

Quando há 15 anos iniciei a minha actividade profissional enquanto psicólogo, fi-lo num contexto de enorme vulnerabilidade, trabalhando com crianças e famílias expostas a dificuldades (por vezes enormes), à pobreza (por vezes extrema) e à exclusão. Contexto em que, a cada momento, algo de inesperado e de significativo acontecia e onde a previsibilidade, tão importante ao bem-estar, não abundava. Com regularidade procurava junto dessa comunidade educativa (mães, pais e outras e outros cuidadores, professoras e professores e outras e outros profissionais) advogar a importância de promovermos relações estáveis e de construir segurança pela relação e pela promoção de confiança. Com mães, pais e cuidadoras e cuidadores procurando trabalhar a necessidade de usar da verdade com as filhas e os filhos e que é ela e não o que se pretende ouvir no seu lugar que, por mais difícil no curto prazo, garante a confiança no presente e para o futuro.

Penso-o a propósito da minha participação e contributo numa reportagem da RTV Slovenija, que aqui partilho. A Eslovénia é, neste momento, o sétimo pior país da UE no registo de população totalmente vacinada (ainda abaixo de 50%), comparando negativamente com a média da UE (63%) e com Portugal (próximo dos 85%). Estes números, as dificuldades sentidas para promover maior taxa de vacinação na sua população e os números em Portugal, justificaram a reportagem assente na pergunta: O que justifica que Portugal apresente estes números e lidere num indicador tão relevante?

Creio que a resposta se situa em 3 áreas abordadas na peça: a) a nossa não complacência, pelo esforço e trabalho colocado pelas organizações, autoridades e pelas pessoas no reforço, não apenas de comportamentos pró-saúde na pandemia, mas também pró-sociais que permite que as pessoas assumam que o seu processo de vacinação visa a sua protecção face à doença mas também na protecção de outras pessoas; b) a conveniência, num esforço de todas e todos, desde a TF da Vacinação às Autarquias passando por outras Autoridades, com contributos das ciências comportamentais, para tornar o processo de vacinação simples, próximo e acessível às pessoas; c) finalmente a confiança… Confiança no SNS, no Plano Nacional de Vacinação e nas e nos profissionais de saúde, tudo elementos essenciais para a aceitação e promoção da vacinação e no esclarecimento das dúvidas legitimas de parte da população mais insegura face ao processo. Confiança que se constrói (ou se destrói) dia-a-dia e que existia em muito pelo papel que o SNS e o Plano Nacional de Vacinação têm tido nas últimas décadas na melhoria dos indicadores de saúde, bem-estar e coesão social do nosso país.

Porque, como em qualquer crise, a resposta tem que ser construída pré-crise. Porque, ainda nesta crise, devemos prepararmo-nos para a(s) próxima(s). Reforçar a confiança em nós, nas outras e nos outros e nas instituições é uma das formas de o fazermos e uma responsabilidade de todas e todos.

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COVID-19 Psicologia

Da esperança…

“Hoje é um dia de esperança na batalha contra a COVID”, disse Fernando Araújo no início da semana, aquando da desmontagem do Hospital de campanha, instalado no Centro Hospitalar Universitário de São João desde praticamente o início da pandemia.

Este é um momento que tem uma componente simbólica muito forte e importante. Porque o CHSJ teve, tem e certamente terá um papel relevantíssimo na resposta à pandemia (e ao que ainda viveremos das suas consequências directas e indirectas) e é, não raras vezes, visto como um barítono da resposta do SNS; porque o CHSJ ousou liderar alguns processos de forma visionária, como é exemplo a resposta que o seu serviço de psicologia, em boa hora criado e superiormente dirigido pelo Eduardo Carqueja, teve ao longo deste período; porque, finalmente, este “desmontar” corresponde a um movimento de adaptação que as pessoas, os serviços e a sociedade foram capazes de fazer face a este enorme desafio, muito apoiado na imunização significativa da população, cumprindo-se um dos principais propósitos do esforço colectivo dos últimos longos meses.

A esse dia sucede-se o dia hoje (1.9). Para algumas pessoas dia de fim de férias e para muitas famílias dia em que crianças/jovens retomam algumas actividades (ainda não curriculares) e preparam o novo ano lectivo. Diria, portanto, que toda esta semana é, simbolicamente, uma semana de esperança na batalha contra a COVID-19 e uma semana de regressos. Regressos esses que, sendo muito importantes na necessidade de conciliação de medidas de segurança sanitária com medidas de promoção e protecção da saúde psicológica e do bem-estar das pessoas, nos devem manter “alerta” para a necessidade de apoiarmos aquelas e aqueles de nós que possam neles sentir mais dificuldades, sejam elas por circunstâncias do seu contexto, da sua experiência ou até por vulnerabilidades prévias. Além deste apoio, creio fundamental mantermo-nos também “alerta” para recomendações que ainda existem, nomeadamente no que toca à necessidade de continuarmos a protegermo-nos também protegendo as outras e os outros, dando significado ao esforço e aos resultados que se obtiveram.

Sobre isto conversei com o Rui Gustavo para a peça “Máscara até quando” publicada no Expresso (20.8) que partilho e que abre com uma passagem sobre o “hindsight bias”: “Há um ano era difícil imaginar um mundo em que toda a gente usasse máscara. Agora, é difícil imaginar o mesmo mundo com pessoas a conviverem umas com as outras sem máscara”. Nela reflicto sobre o facto da acessibilidade, experiência e da possibilidade hoje existente do uso de máscara conduzir a que, mesmo quando não obrigatória, o seu uso com múltiplos fins possa persistir, durante algum tempo, junto de algumas pessoas, em algumas situações.

Adpatamo-nos às restrições. Adaptar-nos-emos ao seu levantamento. Num e noutro processo, alguns e algumas de nós com dificuldades que devem, sempre, ser validadas e apoiadas a bem do bem-comum e da possibilidade de bem-estar de todas e todos.

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COVID-19 Psicologia

Teorias da conspiração: uma perspetiva da psicologia

“Sabia que era errado mas era a única acção que poderia salvar o Mundo.”

A 13 de Agosto, o Observadornoticiou em Portugal um caso com cerca de 48 horas em que um homem (Mattew Taylor Coleman) terá confessado ao FBI ter assassinado os seus dois filhos (2 anos e 10 meses) por acreditar nas teorias da conspiração “QAnon” e “Illuminati” e no facto da mãe dos filhos lhes ter “passado ADN de serpente”.  Nesse exacto dia William Brady, psicólogo que liderou uma equipa da Universidade de Yale no estudo, publicava com a sua equipa na revista Science Advances mais um trabalho que confirma não apenas que os incentivos nas redes sociais mudaram o “tom” da nossa discussão e debate político e que os seus algoritmos intensificam a indignação moral, por serem desenhados para provocarem mais reacções quando esta se manifesta e, logo, por estas publicações serem mais rápida e amplamente disseminadas.

“As teorias da conspiração não são uma novidade no nosso Mundo. Aliás, parecem sempre ter existido”. Assim começa o artigo “Teorias da conspiração: uma perspectiva da psicologia” que partilho e que escrevi com o Miguel Ricou, publicado no final da semana passada no Público que procura responder a três perguntas que consideramos essenciais: Porque devemos estar hoje preocupados com as teorias da conspiração se sempre existiram?; Porque é tão importante compreender as bases do problema?; Para que mudanças que consideramos urgentes na sociedade este fenómeno pode concorrer?

O artigo reflecte sobre potenciais respostas a estas importantes perguntas em torno de um fenómeno que é hoje uma séria ameaça à saúde pública global e procura sustentar o porquê de enquanto sociedade termos “a responsabilidade de valorizar a diversidade e de sermos mais inclusivas e inclusivos e promotores de pontes entre as pessoas, diminuindo a sua marginalização e vulnerabilidade às teorias da conspiração e a outros fenómenos que impactam significativamente a sua possibilidade de bem-estar.”

Este artigo retoma uma “série” escrita pelo Miguel Ricou e por mim sobre questões que nos confrontam e desafiam na sociedade actual – “PandÉtica” (Expresso; 06.04.2020); “PanDemocracia” (Público; 16.04.2020); “PanResposta” (Observador, 23.04.2020); “PanMemória” (Observador; 11.05.2020); “PanLegitimidade” (Visão, 23.05.2020); “PanPopulismo” (Público, 30.06.2020) ; “PanConspirações” (Visão, 05.08.2020); “PanInformação” (Observador; 05.09.2020). Podem, caso vos interesse, encontrá-los na secção artigos deste meu Linkedin.

Ps. Convido-vos ainda, caso também seja do vosso interesse, a ver uma conversa entre mim e a psicóloga Gabriela Moita para um episódio da série “Impaciência do Coração” sobre informação e desinformação que passa na RTP2 próxima quarta-feira (25.08.2021) um pouco antes das 23h.

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COVID-19 Desafios da Psicologia

1 milhão

Ao contrário das adeptas e dos adeptos do FCPorto e de futebol no geral, muitas pessoas recordam João Pinto, ex-jogador de futebol, quase exclusivamente por uma resposta a uma pergunta em que lhe era pedia a antevisão de um jogo: “Prognósticos? Só no fim do jogo.” Uma “adaptação” ao fenómeno desportivo da “dificuldade de fazer previsões, particularmente sobre o futuro” algo particularmente verdadeiro quando essas previsões dependem da conjugação de múltiplas, algumas delas incertas, variáveis, e cuja pandemia COVID-19 é um exemplo. Neste grande desafio societal global foi a ciência (que muito rapidamente lhe respondeu) que, também ao permitir a decisão informada das autoridades, introduziu a previsibilidade possível e necessária às populações num momento de incerteza.

O trabalho do @André Manuel Correia do Expresso recorda a capa do jornal no dia 29.02.2020 onde a Directora Geral de Saúde admitia que num dos cenários com que se estava a trabalhar se estimava a infecção de 10% da população, cerca de 1 milhão de pessoas. Esta manchete, num momento em que não existiam ainda casos de COVID-19 confirmados em Portugal, foi muito discutida e demonstrava que além de ser difícil fazer previsões, é difícil comunicar previsões (e não apenas) e explicá-las. Hoje já ultrapassamos esse cenário que, conforme a evolução da pandemia e do conhecimento foi ajustado e já aponta para outro valor, e é muito mais perceptível para toda a população.

No meu contributo para esta peça foco-me na dimensão das dificuldades e problemas de saúde psicológica que sugiram ou se aprofundaram com a pandemia e com o que dela resultou e resultará. Usando da analogia anterior, creio hoje mais evidente para todas e todos, a importância da saúde psicológica no bem-estar (e também na coesão social) e a prevalência de problemas a este nível (porque assim estamos ou temos pessoas próximas nesta situação e porque há hoje mais consciência e literacia na sociedade que permite o seu reconhecimento e que sobre isso se fale e discuta). Reforço também o papel que a ajuda (nomeadamente o apoio psicológico) contigente pode desempenhar em momento de maior vulnerabilidade das pessoas – “Quando enfrentamos uma dificuldade, uma crise, um desemprego, um divórcio ou um luto, é muito importante ter um apoio, até pode ser pequeno desde que seja próximo” – o que convoca o país e toda a sociedade para se organizar no sentido de procurar garantir este apoio e o suporte emocional de que necessitamos.

Se assim for, a previsão, ainda que com as incertezas, será sempre melhor para cada um e uma de nós, país e Mundo fora.

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COVID-19 Desafios da Psicologia

Dialécticas…

Chegamos ao Verão de 2021 ainda desafiados pela incerteza e por alguma complexidade no que nos rodeia. O meu aniversário cumpriu-se neste tempo e esse dia teve para mim, simbolicamente, alguma da dialéctica do momento: um dia tranquilo, pacífico, de conforto, junto do que faz de mim parte de um “nós” bonito e, por tudo isso, feliz; um dia em que, ainda assim, “faltaram(-me)” algumas pessoas e em que o Mundo perdeu uma referência da minha formação enquanto pessoa e profissional – Albert Bandura.

Esse meu dia abriu uma semana que terminou com uma participação minha na TVI24 sobre o momento actual da pandemia e os seus impactos nas crianças. Nela, de certa forma, toco também estes três aspectos:

1) a forma como urge mais e melhor equilibrar o que são ainda medidas de protecção sanitária necessárias com medidas de promoção da saúde psicológica, particularmente considerando os grupos de crianças e jovens (e mães, pais e cuidadoras/es) com maiores vulnerabilidades, quer sejam decorrentes de serem previamente vítimas de situações de violência várias, de ansiedade social ou outras. Também e porque, além de resilientes, as crianças, se envolvidas e se confiarem, compreendem bem as normas e regras (e as suas alterações) e conseguem normalmente adaptar-se às mesmas (bastará pensarmos na forma como se “movimentam” bem nas diferenças de regras, por exemplo, no triângulo Casa-Escola-Casa dos Avós);

2) a importância das crianças “faltarem” às outras crianças e da relação e do brincar no seu desenvolvimento, bem-estar e na capacidade de empatizar com a outra e o outro e, portanto, de com pequenos mas intencionais e incrementais passos podermos ir-nos aproximando de uma realidade com mais interacção social e menor isolamento;

3) Bandura e a (“sua”) aprendizagem social, na necessidade de nos experimentarmos com e através das outros e dos outros, aprendendo com os seus comportamentos e com (a expressão) as suas emoções.

Falar ajuda, digo-o também. Por vezes não é suficiente mas ajuda. Como pensar nos ajuda a reflectir sobre o presente, um presente que nos desafia como indico e que tem crianças a sofrer os impactos em áreas diversas de “tantos meses com restrições, máscaras e com a sua espontaneidade diminuída” e do agravamento da desigualdade e do potencial de pobreza. A reflectir e a actuar, espero, para projectarmos um futuro conforme também indico com cidades a pensarem mais o bem-estar e a coesão social (e teremos eleições autárquicas em breve), com trabalhadoras e trabalhadores mais apoiadas e apoiados no equilíbrio entre vida pessoal e profissional (e debatemos por estes dias o livro verde do futuro do trabalho) e com pessoas mais atentas a si – com maior literacia em saúde e saúde psicológica – e à necessidade de cuidar de si e das outras e outros.

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COVID-19 Desafios da Psicologia

Estado da Nação, 2021

Estado da Nação 2021. Neste final de tarde passam 500 dias sobre o momento em que a Presidência da República informou que o Presidente da República permaneceria duas semanas em isolamento profilático depois de uma turma de uma Escola de Felgueiras ter participado na iniciativa “Artistas no Palácio de Belém”. Estávamos num Domingo (8 de Março de 2020) e tínhamos apenas ainda cerca de 30 casos positivos de COVID-19 confirmados em Portugal (incluindo na referida turma) e, este acontecimento, vinha reforçar a narrativa do “vírus democrático”, que a todas e todos podia infectar. Assim era e é, embora exista cada vez mais diferença no nível de protecção entre diferentes pessoas. Assim não era, não é e não será para os impactos da crise pandémica que vivemos, nas suas múltiplas consequências, onde pela desigualdade e vulnerabilidade, pessoas e grupos populacionais são muito mais e muito mais duradouramente impactados.

500 dias. Cerca de 6 vezes menos dias face aos que passam (3063) desde 2 Março de 2013. Aí vivíamos, também um fim de semana (mas um Sábado), onde um pouco por todo o país muitos milhares de pessoas (mais de um milhão, segundo quem organizou) saíram às ruas do país para demonstrarem o seu descontentamento com a grave crise socioeconómica que vivíamos e os impactos, também eles desiguais, no presente e para o futuro que comportavam. Foi um momento, por simbólico, marcante do desafio que o país vivia.

Duas impactantes crises e dois grandes desafios em duas décadas essenciais ao Estado (actual) da Nação. Também dois, mas (importantes) estudos – “Portugal, Balanço Social” de uma equipa da Nova que sublinha que “os grandes agregados macroeconómicos refletem o impacto sem precedentes da pandemia na economia Portuguesa”; e “Governar em Estado de Emergência” de uma equipa do ISCTE que assinala o acentuar das desigualdades e de “discursos pouco democráticos” mas também a “capacidade de adaptação dos serviços (públicos)” – foram recentemente apresentados e auxiliam o momento de reflexão (Debate do Estado da Nação 2021) que está a terminar na Assembleia da República.

Momento a que me associo para, também pela experiência da primeira crise que vivi enquanto ainda jovem adulto, desejar que: 1) ao contrário dessa crise, nesta não se descure o papel da saúde psicológica e da recuperação das pessoas no país (alguém se lembra dessa dimensão ser debatida e investida aquando dessa crise?); 2) reforçar o combate aos factores promotores e reforçadores das iniquidades e desigualdades enquanto garante de coesão social e resiliência pessoal e social; 3) reforçar e promover a confiança nas pessoas, nas instituições e na sociedade; 4) termos sempre presente que 3) não é possível sem 2) e 2) não é possível sem 1).

Sem as pessoas, as instituições e sem coesão social não se ultrapassam crises e desafios societais. Sem confiança das pessoas nas pessoas, das instituições nas pessoas e das pessoas nas instituições não se ultrapassam crises e desafios societais.

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COVID-19 Psicologia Tomada de Decisão

A vacinação nas e nos jovens.

“Nós, os de então, já não somos os mesmos.” Verso do poema 20 do livro “20 poemas de amor e uma canção desesperada” escrito aos 20 anos por Pablo Neruda. No dia do seu nascimento (1904) evoco-o trazendo a memória da forma como olhava a irrequietude transformadora (em certa medida utópica) da juventude, o seu potencial e a sua complexidade.

“Nós, os de então, já não somos os mesmos”, não precisamos do mesmo, da mesma forma, no mesmo momento. Entendê-lo, aceitando-o, é fundamental para compreendermos a forma como nos comportamos, relacionamos e tomamos decisões em diferentes momentos. É fundamental para compreendermos que o que necessitamos (também na promoção da adesão a determinados comportamentos) se altera ao longo da nossa vida.

Sobre isto tenho procurado reflectir. Escrevi um artigo/ensaio intitulado “Pessoas que não cumprem medidas ou medidas (e comunicação) que não cumprem as pessoas?” e contribuo, sempre que possível, em diversos fóruns, junto de decisores, de colegas e profissionais de outras áreas, e da sociedade civil, também através da comunicação social.

No Sábado foi publicada a peça da @Mariana Caeiro da agência LUSA (aqui) sobre a vacinação na população mais jovem. Nela reforço que, sendo a hesitação da vacinação um desafio complexo (1 das 10 ameaças globais à saúde segundo a OMS já pré-pandemia), Portugal é um dos países com melhores indicadores a este nível, tendo um Plano Nacional de Vacinação de referência e com impacto significativo na saúde e bem-estar da população. Conforme o é o Plano de Vacinação contra a COVID-19, também com resultados relevantes e forte impacto na população.

Em todo o caso, noto que o plano é, na sua comunicação e logística, “desaproximado dos mais jovens”, por ter sido essencialmente desenhado para faixas etárias mais prioritárias, sugerindo que procuremos: 1) prevenir a sua complacência, lembrando benefícios para todas e todos do processo mas também os impactos no presente – por ex. os “custos” de um isolamento profilático no Verão e do que isso implica para esta faixa etária em termos de sofrimento psicológico; 2) promover a conveniência, aproximando a comunicação (clara,  personalizada e pensada também para redes sociais) e a logística dos espaços, saindo com segurança dos pavilhões e utilizando espaços associados ao seu bem-estar (de encontro, lazer e iniciativas), usando da experiência de sucesso das campanhas nas áreas das doenças sexualmente transmissíveis ou consumos; 3) promover a confiança no processo sendo essencial “não só que toda a gente seja vacinada, mas que toda a gente queira ser vacinada, confiando que isso é o melhor”.

Tudo, confiando (mais uma vez), nas autoridades e nos e nas jovens. “Empatizando ao invés de [embarcando] num discurso negativo”, em nada gerador de confiança (ainda outra vez), adesão às recomendações ou coesão.

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COVID-19 Desafios da Psicologia

Foco e relevância…

Li recentemente um excelente trabalho sobre a rotulagem de produtos e o impacto (potencial) da mesma nos processos de tomada de decisão. Um dos exemplos mencionados era o dos rótulos com a pegada de carbono e o facto de parecer não obterem o impacto esperado na decisão de aquisição de produtos. Entre diversos determinantes dessa situação abordados, referia-se o tempo médio de decisão das pessoas (5 segundos) e a percentagem de pessoas (apenas até 7%, de acordo com alguns estudos) que “olhavam” rótulos nos 5 segundos iniciais de contacto com um produto.

Ontem, numa entrevista em que assinalava que há hoje um maior e mais relevante foco na saúde psicológica e no bem-estar, perguntavam-me se esse facto e a mudança de discurso das decisoras e dos decisores neste âmbito seria suficiente. Respondi com o natural “não, não é” mas creio importante que tenhamos bastante presente que esse é, por si, um ganho extraordinário. Hoje mesmo, em relatório, a OCDE vem afirmar “que a pandemia significou que a saúde mental recebeu mais cobertura mediática” em Portugal, realçando, também e entre outros, os recursos de literacia disponibilizados e a criação do serviço de aconselhamento psicológico do SNS24, a sua gratuitidade e o acesso 24h por dia, 7 dias por semana. Sublinha, no entanto, que estamos e continuamos isolados na impossibilidade de “autorreferenciação directa para serviços de apoio na área da saúde mental” e que temos das maiores taxas de necessidades não satisfeitas nesta área por razões financeiras, o que exponencia iniquidades.

A 27.5 participei num debate na Rádio Sintonia Feirense, no âmbito de um interessante projecto de literacia neste âmbito (“Falar (sobre)tudo na Rádio”) promovido pelo Fórum Social da União de Freguesias de S.M. da Feira, Travanca, Sanfins e Espargo e pelo Departamento de Saúde Mental do CH de Entre Douro e Vouga. Nele discutimos os desafios para a saúde mental no pós-confinamento e, muito, um “antes e depois” em torno da relevância e da atenção dada às questões da saúde psicológica na crise que vivemos face à crise sócio-económica da última década, com impactos profundos na região onde decorreu o debate.

Relevância e atenção que não resolve (todos) os problemas, mas que é, por si, um ganho extraordinário. Também e porque, mais do que na tomada de decisão se olhar para a saúde psicológica no 1º, 2º, 3º, 4º ou 5º segundo, importa que a tomada de decisão seja impossível sem a sua consideração.

E hoje, para o bem de todas/os, estamos uns passos mais próximos disso.

 

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COVID-19 Educação

Esta semana…

Termina agora mais uma semana recheada de vigorosos debates públicos. Das novas etapas e regras do “plano de desconfinamento” à saída de Portugal da lista verde do Reino Unido, passando por uma marquise em Lisboa e pelo Plano 21|23 Escola+. Temas bastante diversos mas que confluem, com a pandemia como pano de fundo, na possibilidade de bem-estar e na qualidade de vida.

Até poucos dias antes de eu nascer foi Ministro de Estado e da Qualidade de Vida Gonçalo Ribeiro Telles, talvez a personalidade que mais pensou o direito à paisagem e o espaço e a sua utilização como relevantes na qualidade de vida. Penso em como ecoaria a polémica marquise na sua reflexão e lembro uma frase sua numa entrevista ao “Expresso” onde “confessava” ter perdido uma filha (ainda jovem) e como isso “ajuda a perceber onde estamos, as fragilidades que temos” e que “todos temos os mesmos problemas e as mesmas dificuldades” embora não se podendo “resolver de igual maneira”. Os mesmos problemas e dificuldades potenciais a necessitarem de apoio / suporte diferenciado algo que, ainda que faltando conhecer em detalhe, é procurado no Plano de investimento para Recuperação das aprendizagens, também pela recuperação do bem-estar das/os alunas/os, apresentado esta semana (o 21|23 Escola+).

Além de ter proposto um “Crescer-19”, no final da semana passada, no 8º Encontro Psicologia em Contexto Educativo organizado pelo Politécnico de Leiria, numa conferência intitulada “Reflexões sobre o passado e as implicações e resposta à pandemia COVID-19 no papel e contributo da Psicologia em contextos educativos”, abordava em 3 “actos” a evolução da percepção e do papel da ciência psicológica e das psicólogas e dos psicólogos na resposta aos desafios do país, comparando os impactos da crise sócioeconómica da última década nos contextos educativos face à pandemia COVID-19 e o quanto se discutiu e recorreu à Psicologia nesse momento face a hoje.
Com tanto caminho ainda por percorrer, o já percorrido foi imenso e com resultados tangíveis – por exemplo no abandono escolar precoce. Como imensos são os desafios pela frente e a responsabilidade que este caminho nos confere (a nós psicólogas/os) num cientificamente sustentado contributo e em equipa para o bem-estar e para a qualidade de vida, sem deixar ninguém para trás.

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Ao redor... (Revista Sábado) COVID-19 Educação

Crescer-19 (Ao redor; Sábado; 01.06.2021)

“Ao contrário do Dia da Criança, que se comemora em dias distintos de país para país, em qualquer lugar do Mundo onde exista uma criança colocam-se desafios ao seu desenvolvimento e bem-estar hoje, devido à pandemia, mais complexos. Desafios que merecem, que exigem, um “Crescer-19”.

“Crescer-19”, 8º artigo da rubrica “Ao redor…” (Revista Sábado) resulta de um “tens de escrever sobre a urgência nas Escolas (…) vi uma crise de ansiedade como nunca havia visto” dito por uma psicóloga amiga com muitos anos de Escola(s). Por ela e depois por outra, e outra e outro psicólogo confirmando “a urgência nas Escolas” e as Escolas como lugar micro de uma realidade macro da sociedade. Como o “são sempre” e como o senti nos anos da crise sócioeconómica da última década” que, dia-a-dia, entrava na (minha) Escola e impactava as crianças e jovens com quem trabalhava.

No artigo discuto os impactos da pandemia nas crianças e jovens, particularmente nas com maiores vulnerabilidades; a importância da literacia em saúde psicológica e das competências sócio-emocionais; o papel da promoção, do desenvolvimento e do bem-estar e afirmo a necessidade de nos mobilizarmos para um “Crescer-19”… Uma “mudança verdadeira e impactante através de uma agenda de prevenção e do desenvolvimento interministerial e transversal, relacionando várias áreas e contextos, nomeadamente articulando mais eficaz e eficientemente a acção e os recursos da educação com a saúde, trabalho e segurança social ou desporto e juventude, prolongando e projectando o conjunto de acções além dos tradicionais anos e ciclos lectivos e para os múltiplos contextos de vida das crianças e jovens”.

Um investimento fundamental para “um futuro com crianças, jovens e adultas e adultos com mais possibilidade de se cumprirem, de floresceram e expressarem o seu potencial, com mais saúde psicológica, com maior capacidade de adaptação e resiliência e com maior potencial de bem-estar.”