Chegamos ao Verão de 2021 ainda desafiados pela incerteza e por alguma complexidade no que nos rodeia. O meu aniversário cumpriu-se neste tempo e esse dia teve para mim, simbolicamente, alguma da dialéctica do momento: um dia tranquilo, pacífico, de conforto, junto do que faz de mim parte de um “nós” bonito e, por tudo isso, feliz; um dia em que, ainda assim, “faltaram(-me)” algumas pessoas e em que o Mundo perdeu uma referência da minha formação enquanto pessoa e profissional – Albert Bandura.
Esse meu dia abriu uma semana que terminou com uma participação minha na TVI24 sobre o momento actual da pandemia e os seus impactos nas crianças. Nela, de certa forma, toco também estes três aspectos:
1) a forma como urge mais e melhor equilibrar o que são ainda medidas de protecção sanitária necessárias com medidas de promoção da saúde psicológica, particularmente considerando os grupos de crianças e jovens (e mães, pais e cuidadoras/es) com maiores vulnerabilidades, quer sejam decorrentes de serem previamente vítimas de situações de violência várias, de ansiedade social ou outras. Também e porque, além de resilientes, as crianças, se envolvidas e se confiarem, compreendem bem as normas e regras (e as suas alterações) e conseguem normalmente adaptar-se às mesmas (bastará pensarmos na forma como se “movimentam” bem nas diferenças de regras, por exemplo, no triângulo Casa-Escola-Casa dos Avós);
2) a importância das crianças “faltarem” às outras crianças e da relação e do brincar no seu desenvolvimento, bem-estar e na capacidade de empatizar com a outra e o outro e, portanto, de com pequenos mas intencionais e incrementais passos podermos ir-nos aproximando de uma realidade com mais interacção social e menor isolamento;
3) Bandura e a (“sua”) aprendizagem social, na necessidade de nos experimentarmos com e através das outros e dos outros, aprendendo com os seus comportamentos e com (a expressão) as suas emoções.
Falar ajuda, digo-o também. Por vezes não é suficiente mas ajuda. Como pensar nos ajuda a reflectir sobre o presente, um presente que nos desafia como indico e que tem crianças a sofrer os impactos em áreas diversas de “tantos meses com restrições, máscaras e com a sua espontaneidade diminuída” e do agravamento da desigualdade e do potencial de pobreza. A reflectir e a actuar, espero, para projectarmos um futuro conforme também indico com cidades a pensarem mais o bem-estar e a coesão social (e teremos eleições autárquicas em breve), com trabalhadoras e trabalhadores mais apoiadas e apoiados no equilíbrio entre vida pessoal e profissional (e debatemos por estes dias o livro verde do futuro do trabalho) e com pessoas mais atentas a si – com maior literacia em saúde e saúde psicológica – e à necessidade de cuidar de si e das outras e outros.