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COVID-19 Desafios da Psicologia

Foco e relevância…

Li recentemente um excelente trabalho sobre a rotulagem de produtos e o impacto (potencial) da mesma nos processos de tomada de decisão. Um dos exemplos mencionados era o dos rótulos com a pegada de carbono e o facto de parecer não obterem o impacto esperado na decisão de aquisição de produtos. Entre diversos determinantes dessa situação abordados, referia-se o tempo médio de decisão das pessoas (5 segundos) e a percentagem de pessoas (apenas até 7%, de acordo com alguns estudos) que “olhavam” rótulos nos 5 segundos iniciais de contacto com um produto.

Ontem, numa entrevista em que assinalava que há hoje um maior e mais relevante foco na saúde psicológica e no bem-estar, perguntavam-me se esse facto e a mudança de discurso das decisoras e dos decisores neste âmbito seria suficiente. Respondi com o natural “não, não é” mas creio importante que tenhamos bastante presente que esse é, por si, um ganho extraordinário. Hoje mesmo, em relatório, a OCDE vem afirmar “que a pandemia significou que a saúde mental recebeu mais cobertura mediática” em Portugal, realçando, também e entre outros, os recursos de literacia disponibilizados e a criação do serviço de aconselhamento psicológico do SNS24, a sua gratuitidade e o acesso 24h por dia, 7 dias por semana. Sublinha, no entanto, que estamos e continuamos isolados na impossibilidade de “autorreferenciação directa para serviços de apoio na área da saúde mental” e que temos das maiores taxas de necessidades não satisfeitas nesta área por razões financeiras, o que exponencia iniquidades.

A 27.5 participei num debate na Rádio Sintonia Feirense, no âmbito de um interessante projecto de literacia neste âmbito (“Falar (sobre)tudo na Rádio”) promovido pelo Fórum Social da União de Freguesias de S.M. da Feira, Travanca, Sanfins e Espargo e pelo Departamento de Saúde Mental do CH de Entre Douro e Vouga. Nele discutimos os desafios para a saúde mental no pós-confinamento e, muito, um “antes e depois” em torno da relevância e da atenção dada às questões da saúde psicológica na crise que vivemos face à crise sócio-económica da última década, com impactos profundos na região onde decorreu o debate.

Relevância e atenção que não resolve (todos) os problemas, mas que é, por si, um ganho extraordinário. Também e porque, mais do que na tomada de decisão se olhar para a saúde psicológica no 1º, 2º, 3º, 4º ou 5º segundo, importa que a tomada de decisão seja impossível sem a sua consideração.

E hoje, para o bem de todas/os, estamos uns passos mais próximos disso.

 

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