“A incerteza é a própria vida, e vivê-la significa aceitar essa incerteza”.
Assim termina o ensaio “Ainda sabemos confiar?” onde M. Jauer atribui à incerteza papel central no potencial de desenvolvimento e florescimento das pessoas e defende a confiança como o elemento-chave para com ela lidarmos.
Assim o creio. A confiança é “cola” das sociedades, particularmente quando mais fragmentadas. É “vitamina” na resposta concertada a desafios complexos. É “vital” na percepção de segurança e controlo e uma das variáveis consideradas no mediático (embora a meu ver discutível) “World Hapiness Report” que “mede” a “felicidade” dos países. A confiança é continuamente co-construída por todas/os (decisores, cidadãos, profissionais de educação, justiça ou saúde e media) e facilitadora ou obstáculo da coesão social e bem-estar.
Na passada 5ªF – a propósito do processo de vacinação em curso e do fim da suspensão provisória da vacina da AstraZeneca – sobre ela pensei com a Maria Miguel Cabo da TSF, reflectindo também sobre o impacto desta suspensão em diferentes pessoas (pelo papel das crenças na leitura da mesma informação) e a importância de compreendermos e validarmos a ansiedade e as dúvidas, particularmente quando as pessoas desejam recuperar controlo e alguma previsibilidade na sua vida.