
Uma vieira. Uma bonita taça, redonda. A sua preparação, a atenção, o foco, o cuidado, o carinho nela colocada:
“É para provar? | Sim, por favor.”
Um olhar para a taça, as texturas e aromas, o simples, mas belo, que acompanha a vieira. O provar e um acenar de aprovação.
“Está perfeita.”
Um esgar de alívio, mas ainda intranquilo.
“Está boa?”, pergunta quem a idealizou, projectou, cozinhou.
“Está mais do que perfeita. Inclui na ementa | Sim, chef. Obrigada.”
E aí sim, um sorriso.
Assim começa o terceiro episódio da quarta temporada da série The Bear. São 3 minutos incríveis ao som de Slow Disco, uma música de St Vincent cujo refrão nos interpela com a questão: “Am I thinking what everybody’s thinkin’?” [Estou a pensar o que todos pensam?]. E quem sabe, sim.
A jovem chefe Sydney da série, brilhante à sua forma, naquele contexto de pressão, de exigência, de uma solitude estranha (mesmo que “nunca se esteja sozinho num restaurante”), ouve do chefe Carmy (Bear) o feedback de uma (acção) perfeita logo traduzida e reinterpretada por si de outra forma. Mesmo aquando de uma perfeição, realmente perfeita, conforme podemos perceber e sentir ao longo do episódio.
Esta busca pela perfeição (mais que perfeita), que a série tão bem explora; esta tendência para a impossibilidade e, até, para a irreversibilidade da falha, do erro, da não perfeição que o contexto da série (as cozinhas e os restaurantes) tão bem explora; este “cada segundo conta”, mantra da série, tão contemporâneo, tão presente, tão violento por vezes, fazem-nos duvidar, proteger, estar permanentemente em “modo alerta/segurança” e, por isso, tendermos a confiar tão pouco em nós, desde logo, e nas outras e outros, particularmente quando por nós sentidas e sentidos como verdadeiramente outras e outros. Fazem-nos assim e fazem-nos quebrar enquanto comunidade, simultaneamente coesa e aberta. Mexem com a nossa possibilidade de bem-estar.
Também por isso, creio, valem tanto os minutos do episódio (ou da série, toda), como os que nos levem a ler, por exemplo, este texto sobre o Harvard Study (que tem o link para uma Ted Talk do seu, há época, director – https://news.harvard.edu/gazette/story/2017/04/over-nearly-80-years-harvard-study-has-been-showing-how-to-live-a-healthy-and-happy-life/). Um estudo que acompanha e segue pessoas desde 1938 – em diferentes fases e com diferentes grupos – e que nos ajuda, com evidência, a pensar sobre a saúde (e doença) e o bem (e mal)-estar. Um estudo que demonstra o quanto as relações e o quão nos sentirmos bem nas nossas relações e comunidade (até mais que a fama/reconhecimento e o dinheiro) determina o nosso bem-estar e a nossa saúde.
Relações, comunidade e propósito. O que queremos, @Fundação Mendes Gonçalves, contribuir para co-construir, estudar impacto e, quem sabe, inspirarmos outras e outros. Isso procuramos. Procuraremos.. Juntos, pelo futuro de todos.


Um conjunto de regiões do país estão a ser sofrer/sofreram com o impacto da depressão Martinho que, desde ontem e até aos próximos dias, junta chuva e ventos impressionantes. Condições adversas que desafiam pessoas e (infra)estruturas. Condições adversas que (creio que para todos será perceptível), a serem quotidianas / permanentes, alterariam/transformariam a nossa forma de viver e os nossos próprios processos de interacção, aprendizagem e desenvolvimento.