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Vieira…

Uma vieira. Uma bonita taça, redonda. A sua preparação, a atenção, o foco, o cuidado, o carinho nela colocada:

“É para provar? | Sim, por favor.”

Um olhar para a taça, as texturas e aromas, o simples, mas belo, que acompanha a vieira. O provar e um acenar de aprovação.

“Está perfeita.”

Um esgar de alívio, mas ainda intranquilo.

“Está boa?”, pergunta quem a idealizou, projectou, cozinhou.

“Está mais do que perfeita. Inclui na ementa | Sim, chef. Obrigada.”

E aí sim, um sorriso.

Assim começa o terceiro episódio da quarta temporada da série The Bear. São 3 minutos incríveis ao som de Slow Disco, uma música de St Vincent cujo refrão nos interpela com a questão: “Am I thinking what everybody’s thinkin’?” [Estou a pensar o que todos pensam?]. E quem sabe, sim.

A jovem chefe Sydney da série, brilhante à sua forma, naquele contexto de pressão, de exigência, de uma solitude estranha (mesmo que “nunca se esteja sozinho num restaurante”), ouve do chefe Carmy (Bear) o feedback de uma (acção) perfeita logo traduzida e reinterpretada por si de outra forma. Mesmo aquando de uma perfeição, realmente perfeita, conforme podemos perceber e sentir ao longo do episódio.

Esta busca pela perfeição (mais que perfeita), que a série tão bem explora; esta tendência para a impossibilidade e, até, para a irreversibilidade da falha, do erro, da não perfeição que o contexto da série (as cozinhas e os restaurantes) tão bem explora; este “cada segundo conta”, mantra da série, tão contemporâneo, tão presente, tão violento por vezes, fazem-nos duvidar, proteger, estar permanentemente em “modo alerta/segurança” e, por isso, tendermos a confiar tão pouco em nós, desde logo, e nas outras e outros, particularmente quando por nós sentidas e sentidos como verdadeiramente outras e outros. Fazem-nos assim e fazem-nos quebrar enquanto comunidade, simultaneamente coesa e aberta. Mexem com a nossa possibilidade de bem-estar.

Também por isso, creio, valem tanto os minutos do episódio (ou da série, toda), como os que nos levem a ler, por exemplo, este texto sobre o Harvard Study (que tem o link para uma Ted Talk do seu, há época, director – https://news.harvard.edu/gazette/story/2017/04/over-nearly-80-years-harvard-study-has-been-showing-how-to-live-a-healthy-and-happy-life/). Um estudo que acompanha e segue pessoas desde 1938 – em diferentes fases e com diferentes grupos – e que nos ajuda, com evidência, a pensar sobre a saúde (e doença) e o bem (e mal)-estar. Um estudo que demonstra o quanto as relações e o quão nos sentirmos bem nas nossas relações e comunidade (até mais que a fama/reconhecimento e o dinheiro) determina o nosso bem-estar e a nossa saúde.

Relações, comunidade e propósito. O que queremos, @Fundação Mendes Gonçalves, contribuir para co-construir, estudar impacto e, quem sabe, inspirarmos outras e outros. Isso procuramos. Procuraremos.. Juntos, pelo futuro de todos.

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Marra, comunidade.

O último filme de Ken Loach – The Old Oak – trata duas dimensões societais particularmente prementes e, conforme é comum aos principais desafios societais, trata dois temas interconectados entre si: por um lado, os fenómenos migratórios e os respectivos processos de inclusão e, por outro, a força da comunidade e os seus impactos, nos seus diversos e múltiplos sentidos. Não sendo – na minha opinião – o melhor dos seus filmes, creio que merece ser visto. Visto e reflectido.

Nele há uma pequena cadela que cumpre um acontecimento – logo um papel – importante e simbólico. Chama-se “Marra”, nome que advém de uma expressão utilizada frequentemente por comunidades de trabalhadoras/es mineiras/os (cujo filme em parte retrata) e que significa algo próximo da ideia de colega/companheiro/camarada… No fundo um/a de nós, alguém que cuida de nós.

Ora este cuidar – um cuidar pela e a partir da comunidade – é mensagem-chave da Fundação Mendes Gonçalves. Como referimos, nascemos do compromisso da Casa Mendes Gonçalves e do nosso fundador, Carlos Goncalves, com o “cuidar do presente e contribuir para a construção de um futuro promissor e para um Mundo mais sustentável e com mais oportunidades para todas as pessoas”. Um futuro que, ousando nós querer seja mais “equitativo, saudável, sustentável e com bem-estar para todos/as” implica o “cuidar das pessoas e dos ecossistemas. Do que nasce, cresce e se regenera”. Pois, “cuidar é cultivar o potencial das ideias, das pessoas, das famílias e da comunidade.”

Esta mensagem-chave, quer o Carlos Goncalves, quer eu, procuramos transmitir à Ilídia Pinto na conversa/entrevista que permitiu um trabalho para o Diário de Notícias e Dinheiro Vivo que muito agradecemos. No trabalho é destacada a construção do Centro Educativo – porque [o Carlos] “acredita, como eu também acredito, que a educação de qualidade é aquilo que pode ser mais transformador de uma sociedade e mais empoderador, funcionando como um elevador social” – e como os programas “Educar, Regenerar e Nutrir são os três pilares prioritários, numa lógica de filantropia de proximidade, contribuindo para o progresso da região e do país. Da Golegã para o mundo é o mote definido”, conforme apresenta a peça.

Peça que viaja, depois, pelos motivos, propósito e missão e posicionamento da Fundação Mendes Gonçalves, bem como pelas actividades previstas para 2025 e pela forma como estamos a pensar e projectar os próximos anos, particularmente até 2032… Conforme referi e é escrito na peça, 2032 “será uma boa altura, decorridos que estejam oito anos de funcionamento da FMG, para se fazer uma primeira avaliação de fundo sobre o que se conseguiu cumprir ou não, mas também para nos debruçarmos sobre a sua missão e refletir sobre os 80 ou os 800 anos, como o Carlos costuma dizer, seguintes da Fundação Mendes Gonçalves”.

Link: https://www.dn.pt/economia/construção-do-centro-educativo-da-fundação-mendes-gonçalves-arranca-este-ano-vai-custar-10-milhões

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Comportamento Filantropia

Não, não são todos iguais…

Os políticos são todos iguais. As instituições são todas iguais. Os polícias, os do partido X ou Y… Os católicos, muçulmanos, hindus, judeus ou budistas são todos iguais. Os do Benfica, Sporting, Porto. Os da cidade ao lado daquela onde vivemos. Do bairro ou da aldeia Z. Os americanos, os alemães, os chineses. Os empresários? Todos iguais.

 

Vivemos um tempo que conjuga a existência de abundante informação (e desinformação), as múltiplas, rápidas, repetidas e, normalmente, com pouco contexto formas como a informação nos chega e de necessidade de evocação muito rápida da informação para participação (social, e particularmente em redes sociais) e tomada de decisão. Um contexto que nos expõe profundamente a uma característica muito humana: a nossa tendência para a generalização, particularmente quando apenas temos informação parcial sobre algo. Tendência que, sucessivamente, nos expõe à nossa tendência para polarização e criação de grupos. Que sucessivamente…

 

Não, hoje não vou por aqui.

 

Antes, convido-vos a conhecerem – quem não conhece – e/ou lerem/escutarem o Carlos Goncalves, grande impulsionador e líder de sempre da Casa Mendes Gonçalves e fundador da Fundação Mendes Gonçalves em conversa com a Cátia Mateus (O CEO é o limite).

 

Não vou eu escrever sobre ele para, também eu, não trazer mais viés a este texto. Apenas vos deixo este convite na certeza de que não, os políticos, os, as, os, as, os, … não são todos iguais. Os empresários e os líderes também não. O Carlos Goncalves mostra-o, todos os dias.

 

Obrigado, também por isso.

 

Link para reportagem e para o podcast 

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Diálogos Cruzados: A responsabilidade social da psicologia

Hoje partilho umas palavras convosco, profundamente sentidas, escritas para uma pessoa que, creio, não as lerá. Não é seu hábito partilhar este espaço virtual connosco e não é minha intenção com ela as partilhar, directamente. Antes aqui as escrever, deixar e, quem sabe, um dia se cruze com elas ou alguém as partilhe com ela…

Convidou-me para ontem voltar à Universidade onde estudei e cresci, antes de mais como pessoa e cidadão, mas, também, como profissional. À Universidade, também, onde, depois e em parte também com ela, pude trabalhar e contribuir para a investigação e, sobretudo, formação de (futuros) colegas. À Universidade, finalmente, onde, também com ela, iniciei um processo que a envolvia que, por vicissitudes (boas, maioritariamente), não terminei e que parte do lamento que sinto por isso ter acontecido advém do quanto ela desejava que assim não tivesse sido e o quão era para si importante.

Fi-lo para falar sobre algo sobre o qual falamos muito e muitas vezes nos últimos 20 anos: a responsabilidade social da psicologia nos diversos momentos do país e do Mundo que vivemos. Fi-lo, também, porque ela tem uma capacidade (escrevo-o propositadamente) profundamente profunda a si de acreditar e confiar, não naturalmente sem se por vezes desiludir e frustrar. Junta-lhe a capacidade de reconhecer, muitas vezes muito além do que lhe é reconhecido.

Foi, é, uma pessoa fundamental no meu percurso. Não certamente por ser a professora com mais publicações, daquelas que valem muitos pontos em avaliações e CV, mas, nos bons e menos bons momentos lá estava. Sempre, comigo, connosco, dando valor à palavra relação naquilo que tem de melhor, mas também no que tem de desafiante e nos faz crescer. Partilhava com entusiasmo os novos textos, livros, o que sabia, não guardando para si e fazendo-o com o entusiasmo com que eu, anos antes, partilhava música com amigas/os. Fora sempre assim…

Estimulou-me a pensar a psicologia além da psicologia. Estimulou-me a pensar-la a contribuir para políticas públicas. A contribuir para uma sociedade e um Mundo melhor, para cada pessoa. É, por isso, parte fundamental do caminho que me trouxe à Fundação Mendes Gonçalves e do meu contributo, junto com o de outras pessoas, para a afirmação da missão, valores e da nossa forma de fazer: https://fundacaomendesgoncalves.org/a-fundacao/

Espero que se reveja. Espero que se orgulhe.

Características suas e uma dimensão mais activista e ligada ao movimento feminista e à cultura brasileira lembram-me uma frase que há dias me foi recordada por uma outra pessoa amiga: “Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso… Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro”.

Uma frase da Clarice Lispector que devemos guardar, fundo, connosco, no que queremos e desejamos. Para nós e para as outras e outros.

Eu procuro fazê-lo. Como procuro não me esquecer de quem é muito importante e a quem estou muito grato.

Obrigado, Madalena Melo.

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Comportamento Desafios da Psicologia Fundação Mendes Gonçalves Psicologia

Crítica-Elogio

Hoje começa uma semana muito importante para mim e para um conjunto de pessoas que, primeiro confiaram no meu contributo para reflexão e desenho de um plano estratégico, depois confiaram-me o meu actual papel e, finalmente, me acolheram. Será uma semana com um conjunto de iniciativas no âmbito do lançamento da @Fundação Mendes Gonçalves, iniciativas estas que começam hoje e culminam, quarta-feira, dia 23 de abril, com o evento público que o assinala. Até lá, duas sugestões:

  1. Se quiserem conhecer mais e acompanhar a actividade da @Fundação Mendes Gonçalves, sugiro seguirem o perfil aqui no LinkedIn que já nos próximos dias passará, com regularidade, a partilhar e informar sobre a acção da Fundação;

  1. Noutro prisma, partilho abaixo mais um episódio do “Descubra as Diferenças” do canal Canal S+ onde, com a Irina Gomes, desta vez converso e reflicto sobre crítica e elogio.

Depois de o haver feito em torno do binómio “revolta-apaziguamento” [1ª temporada | https://lnkd.in/dqWv82uw] e do binómio “indiferença-empatia” [2ª temporada | https://www.linkedin.com/posts/tiagoandpereira_sa%C3%BAde-activity-7304782430350024704-Sf13?utm_source=share&utm_medium=member_desktop&rcm=ACoAABUdsUoBSQRUD9nKHxubGYmf2eFYmTQWxqU], voltei para, desde logo, procurar sublinhar a relevância que a crítica, quando construtiva, assume no nosso processo de reflexão e melhoria, particularmente, na nossa forma de comunicar, decidir ou agir. Também para assinalar a importância de prepararmos e reflectirmos o momento, o contexto e a forma de realizarmos críticas, considerando o impacto que podem ter na/o outra/o e termos presente que, enquanto seres humanos, a nossa tendência – a tendência de quem recebe feedback – é, em geral, considerar mais os aspectos menos positivos da comunicação face aos mais positivos.

Falamos, também, da importância da segurança (psicológica), do reconhecimento e da legitimação/validação no quadro das relações e do feedback. Do elogio, do auto-elogio e da relevância de reconhecermos o que conquistamos/conseguimos. Ainda de liderança e da importância de quem lidera construir relações de confiança e presença e de adoptar estilos de comunicação não-ambivalentes, para que o seu feedback possa ser validante, acolhido e promotor de desenvolvimento em contexto profissional. Falamos, finalmente e não menos importante, de relações de proximidade (amorosas, filhas/os-pai/mãe, …) e de como a crítica/elogio é determinante na comunicação e na nossa relação connosco e com as outras e outros.

Espero que gostem… E venha de lá esta semana que, significativamente (para mim), termina a 25.4.

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Comportamento Emergência Climática FMG Política Psicologia

Três Pontos” | Catástrofes ambientais e saúde mental

Podemos, ao menos algumas e alguns, procurar desconsiderá-lo… Podemos, mas todos sabemos e sentimos a crescente frequência e intensidade dos fenómenos climatéricos extremos. Em Portugal e no Mundo, temperaturas mais elevadas e extremadas, seca, incêndios, mas também inundações ou furacões, para dar apenas alguns exemplos, impactam, significativamente, a vida, a saúde, incluindo a saúde pública e mental, e o bem-estar de pessoas e comunidades, particularmente as com maiores vulnerabilidades. Isto além do quanto desafiam economias, sociedades, sistemas políticos e ecossistemas, forçando a necessidade do rápido desenvolvimento de estratégias de adaptação para serem mitigados estes efeitos adversos. ​

Conforme aqui escrevi – https://www.linkedin.com/posts/tiagoandpereira_creio-prov%C3%A1vel-que-n%C3%A3o-tenham-existido-muitos-activity-7297174202934005761-c8xd?utm_source=share&utm_medium=member_desktop&rcm=ACoAABUdsUoBSQRUD9nKHxubGYmf2eFYmTQWxqU – segundo o Global Risks Report 2025 do World Economic Forum, os eventos climatéricos extremos são mesmo considerados, hoje, um dos principais riscos globais (2º mais identificado) e o principal dos riscos ambientais.

É por via desta relevância (social) que saúdo a iniciativa da @Universidade Aberta de realizar um episódio do seu pod e videocast “Três Pontos” sobre a temática das catástrofes ambientais e saúde mental, agradecendo terem-me confiado esse contributo que aqui partilho convosco (em vídeo no link abaixo, em podcast aqui: https://open.spotify.com/episode/30RVfMUFqrpzOXWvVofpuc). Na entrevista, que permite este trabalho, respondo a 3 questões em concreto:

a) Como é que as catástrofes ambientes afectam a saúde mental?

b) Que estratégias comunitárias podem ser implementadas?

c) O que podemos fazer para evitar a exaustão emocional e a consequente apatia climática?

Convido-vos a ouvir, reflectir, eventualmente comentar. E convido-vos a terem sempre presente que há cada vez mais evidência científica que demonstra a forma como tendemos a subestimar o apoio colectivo às acções e transição climática. Dito de outra forma, tendemos a pensar que estamos mais isolados nesta defesa e na defesa de ações, medidas e políticas que apoiem a transição do que realmente estamos, tendo isso forte impacto nas nossas práticas e, inclusivamente, no grau de definição das próprias políticas (públicas) muito dependentes da percepção da sua aceitação/defesa por parte das populações.

 

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Pensa que ser adolescente hoje é mais, menos ou igualmente difícil quando comparado com ser adolescente há 20 anos?

Pensa que ser adolescente hoje é mais, menos ou igualmente difícil quando comparado com ser adolescente há 20 anos? Foi esta a pergunta-base do estudo publicado no Verão passado do @Pew Research Center que partilho e cuja consulta e reflexão recomendo.

Além do grafismo particularmente interessante e do universo de 1453 mães, pais e adolescentes dos EUA ter referido que é hoje mais difícil (69% das mães/pais e 44% das/os adolescentes, face a 15% das mães e pais e 12% das/os adolescentes que consideram ser hoje mais simples), importa, creio, que paremos um pouco para reflectir sobre os principais motivos pelos quais as mães e pais suportam a sua percepção: a tecnologia, internet e, em particular as redes sociais, além da grande pressão para corresponderem às expectativas.

Curiosamente, apesar da percentagem ser significativamente mais baixa, as mães e os pais que consideram que é mais simples ser-se hoje adolescente face há 20 anos suportam essa percepção exactamente no acesso à tecnologia, em especial à internet, embora a percentagem que refere as redes sociais como fundamento para essa maior facilidade seja muito baixa (3% face a 47% que refere a tecnologia de forma geral).

Já as e os adolescentes consideram que o factor preponderante para a sua percepção de que é hoje mais difícil é a maior pressão e a dificuldade em cumprir expectativas, não deixando de salientar as redes sociais e as mudanças percepcionadas como negativas na sociedade e no Mundo. Noutro prisma, as e os adolescentes que dizem ser hoje mais simples que há 20 anos mencionam, também, a tecnologia e a internet como os maiores contribuidores par esta mudança positiva.

Em síntese, e numa síntese que sugiro que nos mobilize enquanto sociedade, temos as exigências, as expectativas e os recursos (ou ausência deles) para se atingirem e cumprirem as expectativas, por vezes “colocadas” ou parte da vida com cada vez mais intensidade e cada vez mais cedo – pensemos na quantidade de crianças e adolescentes que têm hoje explicações no 2º ou 3º ciclos, quando não no 1º ciclo e da procura/escolha de Escolas que atribuem melhores notas. E temos a tecnologia e a internet, incluindo as redes sociais, que sendo maioritariamente atribuídas à dificuldade podem ser, também, motor de maior facilidade.

Coragem e determinação a lidar e orientar/regular a utilização da tecnologia e das redes sociais e foco no bem-estar será determinante para não permanecermos indiferentes a esta percepção e, eventual, nova realidade. Se nada fizermos estaremos a falhar às e aos mais jovens e tudo o que se possa fazer mais tarde será sempre mais difícil e com mais custo do que o que podemos fazer já, hoje.

Pelo futuro de todos.

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Comportamento Democracia

2 em 18

2 mulheres em 18 candidatas e candidatos do PS à presidência das 18 câmaras municipais do distrito do Porto. 11%. Um terço do um terço (33%). Infelizmente podiam ser outros e muito variados os exemplos mas o fundo é o mesmo: não basta parecer, tem (mesmo) que ser.

Ser-se consequente.

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Comportamento Democracia Desafios da Psicologia FMG Fundação Mendes Gonçalves Pobreza e Desigualdade Psicologia

0-3, regeneração

Um conjunto de regiões do país estão a ser sofrer/sofreram com o impacto da depressão Martinho que, desde ontem e até aos próximos dias, junta chuva e ventos impressionantes. Condições adversas que desafiam pessoas e (infra)estruturas. Condições adversas que (creio que para todos será perceptível), a serem quotidianas / permanentes, alterariam/transformariam a nossa forma de viver e os nossos próprios processos de interacção, aprendizagem e desenvolvimento.

Vem isto a propósito de nem sempre esta simples reflexão ser feita (ou pelo menos sermos consequentes com ela) relativamente a bebés e crianças que vivem, permanentemente, em situação de adversidade… De tempestade. E a propósito de, não raras vezes, não re reconhecer o impactos dessas situações e, ainda que existam, se “culpar” excessivamente a/o aluna/o por não atingir determinados resultados (desde logo de desempenho escolar) ou mesmo, em sentido mais amplo, tendermos maioritariamente a culpabilizar pessoas que vivem em situação de pobreza por viverem em situação de pobreza.

Ora, a este propósito, duas notas (também em jeito de convite) a partir de contributos que procurarei dar amanhã:

a) É crucial que, enquanto país e rapidamente, passemos a complementar o debate público sobre o acesso à educação (em particular nos 0-3 anos) com a qualidade que resulta desse acesso e internacionalizar-se, na sociedade civil e nos meandros da decisão (política), a importância de uma educação de qualidade no período 0-3 enquanto garante fundamental de uma base minimamente equitativa de oportunidades de desenvolvimento entre bebés e crianças em Portugal. No fundo, um contributo para mitigar (ou pelo menos prevenir que se aprofundem) desvantagens que, por vezes, existem desde literalmente o dia 0 de vida e cujo impacto de uma educação de qualidade pode ser decisivo. Sobre isso conversarei, na próxima 6ªF, a convite da Câmara Municipal de Mafra (que agradeço, informações abaixo) na sessão “A importância dos primeiros mil dias e a injustiça das injustiças” (e sabem qual é a injustiça das injustiças?);

b) É crucial tornar o verbo regenerar e os seus múltiplos significados mais saliente… Também amanhã, numa colaboração da Nova School of Business and Economics (Centro de Conhecimento “Leadership for Impact”) e a Casa Mendes Gonçalves, participarei na 1ª fase de uma iniciativa que convido a conhecerem e que pretende contribuir para a “aceleração” e desenvolvimento de projectos de impacto na área ambiental e, mais particularmente, da regeneração (https://lnkd.in/diyYnqCF), tema para uma conversa que terei com o Carlos Goncalves, também a propósito deste conceito no quadro dos programas, actividades e da visão e missão da Fundação Mendes Gonçalves.

Temas relevantes também ao momento que vivemos. Temas que não tocam apenas algumas e alguns, antes todos, hoje e para o futuro. Temas que devemos discutir, discutir e discutir, tornando-os salientes e quotidianos na agenda das/os decisoras/es.

Lá vos espero…

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Heckman

Este é apenas um exemplo… Alicia, filha de Alfredo Quintana, guarda-redes de Andebol do FCPorto e da selecção nacional falecido há 4 anos, brinca com Gustavo Capdeville, guarda-redes do SLBenfica e da selecção nacional depois de um FCP-SLB. Vem ela propósito de ontem ter visto uma imagem de um jogador da selecção de rugby do País de Gales com um/a bebé ao colo, logo após um jogo intenso, e dois jogadores adversários de Inglaterra a brincar/interagir com a/o bebé. Mas podia vir a propósito, também e num sentido menos positivo, de Alan Kurdi, o menino sírio da camisola vermelha que morreu há quase 13 anos e cuja imagem, caído numa praia da Turquia, quem viu não mais esquecerá.

Nem rivalidades desportivas, nem frases/pensamentos tipo “vai para a tua terra” sobrevivem, geralmente (sublinho, geralmente), a bebés/crianças, tal é o nosso instinto protector e de carinho e cuidado. Do mais bonito que o Mundo nos dá.

Mas, se assim é face a situações particulares, temo que um conjunto de forças e dinâmicas actuais (políticas e sociais) possam obstaculizar a uma visão da importância de investirmos, hoje, nos bebés/crianças para, hoje e amanhã, todos beneficiarmos enquanto comunidade e sociedade desse investimento.

Podia enumerar diversas e variadas forças/dinâmicas. Destaco quatro:

a) O crescimento do populismo e, com ele, de um estímulo a políticas tendentes a ganhos mais imediatos e tangíveis, retirando foco/prioridade ao investimento significativo nos primeiros anos de vida, com resultados a médio/longo prazo;

b) A crescente desconsideração da ciência face a percepções e visões mais “puramente” ideológicas e/ou assentes numa suposta meritocracia, algo que periga a utilização dos recursos onde e quando se mostram mais eficientes e eficazes;

c) O enfraquecimento do conceito de direitos humanos universais e uma menor atenção à procura da promoção da equidade e da possibilidade de autodeterminação, com intervenções robustas junto das/os bebés/crianças em situação de maior vulnerabilidade;

d) A quebra da confiança, a maior dificuldade de diálogo e colaboração entre decisoras/es políticos e de continuidade de políticas fragilizam investimentos a médio/longo prazo;

Razões que, creio, nos devem preocupar e fazer regressar a Heckman, prémio Nobel de Economia e que na sua célebre equação refere: “A maior taxa de retorno do desenvolvimento na primeira infância ocorre quando se investe o mais cedo possível, desde o nascimento até os cinco anos de idade, em famílias vulneráveis. Começar na idade de três ou quatro anos é um pouco tarde demais, pois significa não reconhecer que habilidades geram habilidades de uma forma complementar e dinâmica. Os esforços devem concentrar-se nos primeiros anos em busca de maior eficiência e eficácia.”

Regressemos a Heckman e – apesar do tempo, do dia-a-dia muito complexo e das forças que nos arrastam para o que de mais imediato existe – não esqueçamos de a cada dia prepararmos, enquanto comunidade e sociedade, o futuro.