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Democracia Desafios da Psicologia

A cidade e quem a habita…

“As cidades como os sonhos são feitas de desejos e medos.”

Calvino em “As cidades invisíveis” recorre ao diálogo Polo-Khan para descrever a cidade como símbolo da existência humana.

Trago-o a propósito do Nº31 da Revista Lisboa da Câmara Municipal de Lisboa para o qual contribui.

Número que procura pensar a cidade em tempo de pandemia, dedicando parte à saúde psicológica/mental de quem a habita. Aí sublinho o contributo das “perceções, circunstâncias, necessidades e recursos de cada pessoa em cada momento” no limiar saúde/doença e procuro desmistificar o papel das/os psicólogas/os, sublinhando a importância do acesso próximo e contingente aos seus serviços, as práticas baseadas na evidência, a complementariedade com outros profissionais e que o “acompanhamento psicológico” não é necessariamente dependente de “psicopatologia” pois “compreender comportamentos e processos emocionais e cognitivos envolvidos na tomada de decisão pode ajudar-nos a viver com maior tranquilidade e a melhor gerir emoções.”

Após um ano particularmente difícil, as Autárquicas 2021 são uma oportunidade de construção e sufrágio de projectos para cidades mais promotoras de saúde psicológica e, logo por interdependentes, de bem-estar e coesão social.

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Desafios da Psicologia Ordem dos Psicólogos Portugueses

Falhar melhor.

“Falhar melhor”. Guardo esta expressão do incrível Beckett que nos deixou neste dia (1989). É parte da minha vida, muito presente em momentos como o de ontem em que assumi a responsabilidade que nos (e me) foi confiada de sermos membros dirigentes da Ordem dos Psicólogos Portugueses.

“Sinceramente não sei. Se soubesse actuava sobre as causas”, respondeu Marta Temido sobre o porquê da não adesão significativa à app Stayaway Covid. Falhar é natural. Falhar melhor implica uma atitude de busca do porque falhamos. Testando antes (o nome, logo, processos da app foram testados e implementados os mais eficazes?), acompanhando (com comunicação adequada à percepção estudada dos utilizadores) e avaliando (acessibilidade/ obstáculos de quem utiliza/não utiliza). Estudando factores emocionais, cognitivos, comportamentais e contextuais da decisão.

Falhar melhor no processo de vacinação implicará reflectir sobre esta experiência. Testanto antes, nomeadamente a comunicação, até ao nível do texto da SMS, decisivo à logística e preventivo das impactantes faltas às marcações. Acompanhando a percepção de risco e comunicando sobre ela. Avaliando facilitadores/obstáculos do processo e agindo. Tudo para, conforme Beckett, “falhar melhor.”

Assim procurarei sempre fazer nas funções que me foram confiadas.

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Desafios da Psicologia Psicologia

Uma ciência, não apenas uma profissão…

“Algumas pessoas dizem que deveria estar a estudar para ser cientista do clima e resolver a crise climática. Mas…” Todas/os recordaremos Greta T. há 2 anos ao lado de Guterres a justificar a “sua” greve climática.

O seu discurso fez e faz-me reflectir sobre como nos desenvolvemos e o nosso percurso (pessoal, formativo e profissional) que, tão diverso, possibilita cruzamentos improváveis como este entre pessoas tão distintas ali unidas num objectivo comum.

Há uma semana – com a Ana Isabel Sousa e alunas/os de Psicologia da Universidade de Évora – reflecti-o na minha profissão, pensando o meu percurso e como, partindo da intervenção em contexto educativo/comunitário, me aproximei do comportamento, mudança e tomada de decisão nas organizações e, particularmente, em políticas públicas.

Reflicto-o ainda na ciência psicológica e na forma como o seu conhecimento/investigação é útil a diversas profissões (nos EUA apenas 64% dos com formação base em Psicologia são psicólogas/os) e como cada vez mais considero que a formação em Psicologia prepara para ser psicóloga/o mas pode ajudar a ser “mais” muitas outras profissões, funções, pessoa.

Num e noutro, creio uma constante/objectivo: Olhar o contexto como factor de desenvolvimento e bem-estar; Promover a autodeterminação e a coesão social.

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Desafios da Psicologia

Gapminder

Há hoje 25% mais, um número igual ou 25% menos suicídios no Mundo do que há 20 anos?

Há dias partilhei um texto onde reflectia sobre o contributo da investigação em Psicologia para a decisão e desenho de políticas públicas, texto potencialmente “contra-intuitivo” por sublinhar a tendência para maior auto-controlo das crianças mais pequenas hoje face ao passado e o potencial papel da “generalização“ da educação pré-escolar nesse facto. Outro contributo importante da Psicologia prende-se exactamente com a compreensão do papel dos preconceitos e das crenças de cada um/a na leitura da realidade (e dos factos).

Hans (antes) e agora Anna Rosling Rönnlund muito contribuem para um olhar o Mundo mais assente em factos. Do seu importante trabalho destaco: os gráficos de bolhas e as conferências Mundo fora; o livro Factfulness e a identificação de 10 instintos que condicionam a forma como vemos a realidade; o jogo ainda em desenvolvimento (https://lnkd.in/emYmuYb) que permite pensar/trabalhar estas questões, essenciais às políticas públicas.

Quanto à pergunta, ao invés da resposta, prefiro partilhar que 94% dos muitos milhares de pessoas que lhe responderam, erraram.

E… Quanto vale a resposta (facto) se 94% das pessoas têm outra percepção?

E… Quanto vale a/uma política se…

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Desafios da Psicologia Política

1 agora ou 2 depois…

1 agora ou 2 mais tarde?

O “teste do marshmallow” – estudo científico da área da Psicologia desenvolvido por Mischel nos anos 60 – colocou crianças perante a possibilidade de comer algo prazeroso no momento (goma) face a esperarem que a/o investigador/a retornasse à sala (depois de sair) e assim comer 2 gomas.

Estudos sucessivos têm mostrado que as crianças hoje conseguem esperar mais tempo que as da década de 60 (em média, mais 2 minutos em 2000 e mais 1 minuto em 1980), demonstrando maior auto-controlo, preditor de indicadores importantes ao longo da vida (desde logo de saúde e de desempenho, incluindo escolar), aumento que tem vindo a ser associado à maior frequência de educação pré-escolar.

Em Portugal debatemos mais o alargamento da escolaridade obrigatória para “a frente” e, embora a frequência tenha aumentado nos últimos anos, o acesso ao pré-escolar é ainda desigual (município a município, família a família – 47% de matrículas em instituições privadas face a 27% de média na UE).

Este é, a meu ver, um bom exemplo de como a Psicologia pode contribuir para políticas públicas mais promotoras de equidade e coesão social. Políticas que, desde cedo, promovam competências e garantam oportunidades a todas/os, respondendo a dificuldades precoces e não deixando ninguém para trás.

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Desafios da Psicologia Política Psicologia

Activismo…

“Não ser racista não basta. Há que ser anti-racista”.

O debate em torno do racismo – impulsionado nos últimos meses pelas mortes em Maio de G. Floyd (e crescimento do movimento blacklivesmatter) e, em Julho em Portugal, de B. Candé – confronta-nos com duas atitudes possíveis das/os não-racistas: não ser (racista) Vs ser anti (racista). Entre elas a ideia/conceito de activismo.

Infelizmente o activismo continua a ser associado a radicalismos, extremismos e até, por vezes, a acções violentas. Fenómenos que se verificam em grupos que se dizem activistas mas fenómenos que não o descrevem. Antes, o activismo remete para a acção face a algo… Para a participação e envolvimento.

Hoje, aniversário de uma amiga de sempre, passam 120 anos sobre o desaparecimento de O. Wilde e 81 de F. Pessoa, poetas e escritores que foram também activistas no e do seu tempo: Wilde na luta pelo respeito e direitos LGBTI+; Pessoa na luta contra os fascismos.

É tempo de celebrarmos o activismo e de o desassociarmos do extremismo e da violência.

Activismo que advogo para a minha profissão porque creio essencial a acção, participação e envolvimento de todas/os no combate às diversas formas de discriminação e exclusão por um país e um Mundo com maior coesão social, bem-estar e oportunidades para todas/os.

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Desafios da Psicologia Psicologia

Eleições OPP 2020

A Psicologia está cada vez mais presente. A Psicologia e as/os psicólogas/os na resposta aos desafios das pessoas, comunidades e do país. Não sou eu que o digo. Melhor, não sou só eu que o digo.

Disse-o publicamente, depois de o dizer em audiências, o Presidente da República na Summit on Psychology and Global Health que a OPP organizou com a APA em Lisboa. Di-lo o Presidente da República como me disse uma funcionária de uma pastelaria de Mafra ao saber que eu era psicólogo. Como vos dizem a vocês. Sabem e sentem do que falo.

Todo o caminho está percorrido? Não. O apaixonante da profissão que abraçamos é o dever cidadão que sentimos de existir sempre caminho enquanto houver bem-estar ou coesão social a promover, uma discriminação ou exclusão a combater.

Ontem foi um marco especial desse caminho. Eleições de uma OPP tão sonhada, mais de 270 psicólogas/os activamente envolvidas/os como candidatas/os. Centenas a concretizar uma campanha no desafiante contexto que vivemos. Outras centenas a contribuírem para o nosso programa. Milhares a votarem. Uma votação que nos e me confere a grande responsabilidade de vir a ser representante de todas/os as/os psicólogas.

Tudo farei para, fiel aos meus valores, retribuir a confiança e honrar esta representação que me orgulha. Obrigado a todas/os.

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Desafios da Psicologia Pobreza e Desigualdade

“A postura intelectual da impotência é sempre uma boa desculpa”.

Vivemos um tempo propicio a distopias. Tempo de pandemia, de insegurança e imprevisibilidade. Tempo que nos impacta e que transforma a forma como nos comportamos e relacionamos. Tempo que nos puxa para trás, com força.

Wallace-Wells no seu “A terra inabitável” confronta-nos com um Mundo muito diferente, não pela pandemia, mas pela crise climática com consequências potencialmente catastróficas, “bíblicas”, que também vivemos. Fê-lo enquanto afirma que “a postura intelectual da impotência é sempre uma boa desculpa”.

É-o. Mas, porque a rejeito e porque rejeito que nos puxem para trás, advogo uma Psicologia a responder com excelência a desafios micro, junto das pessoas nos seus contextos e acontecimentos de vida significativos, mas também macro. Porque, podendo não vencer não posso ser vencido de antemão, participo com determinação num projecto (Mobilizar os Psicólogos) que em 33 sessões participativas envolveu centenas de estudantes, psicólogas/os, candidatas/os ou não e junior, num programa participado organizado em 100 medidas em torno da estrutura da OPP e de 8 grandes desafios societais, como a pobreza e a exclusão.

100 medidas que rejeitam a impotência afirmando as/os psicólogas/os na promoção de um país e de um Mundo com mais equidade, coesão social e bem-estar para todas/os.

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Desafios da Psicologia Futuro da Psicologia

Pianista, psicólogo, activista.

“Se não sou suficientemente negro, se não sou suficientemente branco, se não sou suficientemente Homem, quem sou eu?”, pergunta Shirley a Tony Lip seu motorista/amigo no filme Green Book que retrata a tour de 1962 do talentoso pianista pelo sul pobre e segregacionista dos EUA com espaços para “brancos” e para “negros”. Um Shirley sofredor, também psicólogo e psicólogo activista dos direitos humanos.

Recordo-o depois de, junto de colegas e a propósito da construção participada do programa da Lista B (Mobilizar os Psicólogos), reflectir sobre os contributos da ciência psicológica e das/os psicólogas/os no combate à pobreza e exclusão e na promoção do bem-estar e da coesão social.

Discussão não apenas centrada no importante micro (que mais directamente toca a cada um/a de nós) mas num macro de potencial envolvimento activo e empenhado neste importante desafio, pela promoção da literacia, competências, resiliência e acessibilidade à Psicologia da população mais vulnerável, advogando mais investigação e melhores e mais informadas políticas públicas, disponibilizando formação e recursos para a intervenção das/os psicólogas/os nesta área e contribuindo para uma agenda da prevenção e promoção do desenvolvimento das pessoas. Por uma Psicologia activista no combate à pobreza e à exclusão.

 

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Desafios da Psicologia Pobreza e Desigualdade

Pobreza. Psicologia. “Borgens”.

Borgen. Nome da sede do parlamento e de uma série Dinamarquesa. “Foi magnifico. Foi deprimente, horrível. É o lugar mais belo que já vi. Tudo ao mesmo tempo.” Resposta da 1ª Ministra na série, sobre a sua visita à Gronelândia, ilha que Trump insinuou desejar comprar. País com a mais alta taxa de suicídio registada no Mundo e indicadores negativos de educação e saúde (psicológica) em muito resultantes da pobreza e desesperança. Da exclusão e escassez.

A pobreza (e exclusão) persiste, em níveis diferentes e apesar dos avanços das últimas décadas, como problema complexo de países dos 5 continentes… De comunidades, famílias e pessoas como nós. Problema cíclico com a saúde psicológica (pobreza/exclusão geram stress, ansiedade ou depressão e vice-versa) e no qual a ciência psicológica e as/os psicólogas/os se devem empenhar. Problema que a Lista B ousa debater enquanto 1 dos 8 desafios societais que enquadrarão as 100 propostas do seu programa para a OPP.

Acredito – por isso darei o mote da sessão de recolha de contributos para a qual convido – e acreditamos no nosso papel e no papel da nossa OPP para um “Borgen” português a aceder e utilizar mais conhecimento da Psicologia e mais o contributo das/os psicólogas/os no combate à pobreza/exclusão e na promoção de bem-estar e coesão social.