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2023 – Odisseia na Pseudociência

Recentemente recebi um convite para realizar uma “Masterclass” no âmbito dos Mestrados em Psicologia na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (agradeço a confiança do Ricardo Barroso que primeiro me contactou). Pediram-me que tratasse o tema da “Pseudociência e Psicologia”, algo que fiz na 4ªF passada. Aí comprometi-me com quem participou que, ao invés de deixar uma lista de artigos, livros ou um power point, me comprometia a procurar traduzir o conteúdo partilhado num artigo de opinião e, logo, num contributo para o tema reflectido, para que pudessem “confrontar” a apresentação e discussão com esse modelo de conteúdo.

“2023 – Odisseia na Pseudociência”, 72º artigo da rubrica “Ao redor” (Revista Sábado) é o resultado desse exercício. Nele começo por tratar como duas características profundamente humanas (a dificuldade de reconhecermos que não sabemos de algo de que não sabemos em temas que nos despertem interesse e a ilusão da profundidade explicativa) “ajudam a explicar, em parte, porque é que, muitas vezes, em matérias que remetem para o comportamento humano, tomada de decisão, saúde e bem-estar (…) somos suscetíveis à procura de respostas simplistas, imediatas e absolutas para desafios e problemas complexos e por vezes interconectados. Porque somos suscetíveis, mesmo num período de forte desenvolvimento da ciência, a fazer atribuições “místicas”, particularmente face a fenómenos naturais como catástrofes, e à pseudociência.”

Procuro, depois, enquadrar o conceito e nele “as terapias alternativas e complementares como a homeopatia e pseudo-terapias, incluindo algumas apresentadas como “holísticas” ou mesmo psicológicas, como a aromaterapia”, destacando que a pseudociência é uma “actividade económica com valor já significativo e em expansão” e um desafio, em algumas situações, para a saúde e segurança das populações.

Abordo o contexto que determina “mais espaço e oportunidade para a pseudociência” e para quem o navegando, usa das inseguranças e vulnerabilidades das pessoas, vendendo (caro) soluções simplistas, não baseadas na ciência, mas invariavelmente assentes na crença de que “se acreditarmos e quisermos tudo conseguimos”, apelando a um conjunto de falácias (associadas à natureza, à ancestralidade ou à autoridade), heurísticas, confusões entre correlação e causalidade e escondendo o “efeito placebo”.

Antes de terminar com Kubrick e a sua eventual “dificuldade de imaginar e perspectivar” o Mundo hoje, penso a forma de prevenir os impactos negativos destas práticas. A necessidade de um “papel activo e até activista das disciplinas científicas”, da promoção da literacia da população e do reforço da “protecção de clientes, incluindo relativamente à comunicação/marketing “abusivo” e à necessidade de utilização de consentimentos informados”. Penso, finalmente, a importância do reforço da “informação à população via sistemas “what works” e da dimensão ética e de cidadania de pessoas e, também, deontológica de profissionais”.

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All in the Mind

meiro apenas na rádio @BBC 4, hoje ainda nesta rádio e em podcast, o “All in the Mind” será um dos programas que semanalmente tratam temas da psicologia com maior longevidade no Mundo, indo a caminho dos 20 anos de edições.

Aprendi e pensei muito, portanto, a partir de vários dos seus episódios, particularmente desde que, via podcast, é mais simples seguir e acompanhar o programa. Foi por isso com uma certa emoção que conheci a sua actual apresentadora (@Claudia Hammond) em Julho, quando apresentou o meu keynote no European Congress of Psychology 2023 (Brighton, UK), conforme aqui havia referido: https://www.linkedin.com/posts/tiagoandpereira_quando-estou-fora-de-portugal-num-pa%C3%ADs-onde-activity-7084070839926628353-UPqL?utm_source=share&utm_medium=member_desktop

Foi também com emoção que, fará amanhã 15 dias, ouvi um dos seus episódios, apresentado pela @Claudia Hammond e produzido pela @Lorna Stewart. Episódio cujo link partilho e que conta com um contributo meu a propósito do papel da psicologia enquanto ciência e prática para um “ponto final à pobreza”, a partir da estratégia da @Ordem dos Psicólogos Portugueses que venho coordenando, conjuntamente com um grupo de colegas. Episódio cuja sua descrição refere a forma como procuro sublinhar como “as psicólogas e psicólogos estão numa posição fulcral para comunicar acerca das causas e consequências da vivência em situação de pobreza e para usar essa informação para exigir mudanças e contribuir para melhores políticas públicas”.

Na conversa com a @Claudia Hammond procuro também reflectir o porquê deste contributo ser diferenciador e como podem as psicólogas e psicólogos, dia-a-dia, nos seus diversos contextos de intervenção, também contribuir para este gigante mas tão importante desafio societal, salientando o seu papel na promoção da transformação social e a forma como, nas suas intervenções, nos seus últiplos contextos, devem considerar a especificidade das dimensões sócio-económicas e adaptar as intervenções, procurando ser mais sensíveis a estas dimensões e, logo, potencialmente mais eficazes e efectivas/os nos seus objectivos. Procurei, ainda, tratar as questões dos impactos da pobreza na infância e dos ciclos intergeracionais de pobreza, bem como explicitar o período específico (e a janela de oportunidade) que constitui os (primeiros) “1000 dias”, conceito e abordagem que neste artigo há meses desenvolvi: https://www.linkedin.com/pulse/1000-dias-tiago-pereira/

Termino, como terminei. Perguntou-me se estava optimista que as psicólogas e psicólogos poderiam “erradicar a pobreza”. Respondi que não, certamente que não, mas… Que estou optimista que, se isso for nossa prioridade, enquanto sociedade podemos efectivamente caminhar para a erradicação da pobreza e que será sempre mais simples fazê-lo se usarmos mais o conhecimento da ciência psicológica e o contributo da prática das psicólogas e psicólogos.

Assim o disse. Assim o sinto. Assim o espero que o sintam.

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Sozinho na Organização: Segurança Psicológica, bem-estar e potencial humano (Ao redor…; 05.12.2023)

Vivemos um momento do Mundo que nos recorda a cada dia, não necessariamente pelos melhores motivos, que a história se pode repetir. Ou, pelo menos, conforme a frase que se atribui a Mark Twain, que a história, não se repetindo, rima. Penso várias vezes nesta frase quando me confronto com os mesmos problemas base em algumas sociedades ou organizações que se manifestam, depois, de formas diversas. Não, de facto não se repetem, rimam porém.

Senão vejamos. Pensemos em dois nomes: George Floyd e Rodney King. Ambos cidadãos norte americanos, brutalmente espancados por polícias numa situação banal das suas vidas (após conduzirem uma viatura). Ambas situações filmadas, partilhadas publicamente e desencadeadoras de impressionantes e, por vezes, violentas manifestações. Manifestações como as do movimento “Black Lives Matter” que, como a tantas outras pessoas, estou certo, muito me impactaram. Ou como os “Distúrbios de Los Angeles de 1992”, parte do meu imaginário, também documental, pós-absolvição em tribunal dos polícias envolvidos na agressão a Rodney King e que conduziram a mudanças significativas, incluindo um novo julgamento que resultou na condenação de dois dos polícias envolvidos e a uma frase profundamente impactante do advogado de King: “Finalmente conseguimos filmar o Monstro do Lago Ness.”

O racismo, portanto, numa das suas expressões. Mas outros exemplos poderia partilhar, de misoginia ou desigualdade de género, homofobia, desrespeito pelas diversas expressões e orientações sexuais, fundamentalismo religioso ou idadismo. Trago, no entanto, outro “monstro”. Por vezes invisível, mas perturbador, impactante, bloqueador, que rima entre tempos e equipas e organizações. A insegurança psicológica.

Falamos em baixos salários, e ainda bem. Em precariedade, e ainda bem. Falamos em desmotivação das equipas, e ainda bem. Em dificuldades de conciliação da vida pessoal, familiar e profissional, e ainda bem. Falamos de cansaço, de burnout, e ainda bem. De modelos de trabalho, e ainda bem. Não falamos, geralmente, da segurança psicológica enquanto elemento fundamental ao bem-estar no contexto de uma equipa ou organização, ao desenvolvimento, ao potencial humano e à produtividade.

Falamos muito pouco de como os nossos contextos, particularmente os de trabalho, são organizados no sentido de estimularem verdadeiramente a inclusão de todas as pessoas quando estão nos seus melhores, mas também nos seus menos bons, momentos. Falamos muito pouco da criação de ambientes seguros para trabalhadores e trabalhadoras expressarem e vivenciarem as suas ideias e a sua identidade, quer seja social, cultural, religiosa ou outra. Como os contextos promovem ou não promovem a possibilidade da pessoa, numa equipa ou numa organização, correr riscos interpessoais, criticar construtivamente, ter abertamente opiniões e assumir posições não maioritárias sem que a percepção da consequência destes actos resulte no seu evitamento ou numa penalização que acometa sofrimento ou outras consequências negativas.

No fundo, de como a segurança psicológica é fundamental à boa comunicação, importantíssima em contextos de e com diversidade. À coesão, fulcral à flexibilidade, honestidade e confiança, tão relevantes, por exemplo, aos modelos de trabalho híbrido e personalizados a cada trabalhador/a. À possibilidade de expressão emocional, de diferentes emoções, de podermos estar sem estar sempre bem, estar com as nossas vulnerabilidades, sentindo-nos apoiados, suportados e não ameaçados e julgados. Como é fundamental ao trabalho em equipa, à aprendizagem e desenvolvimento profissional de trabalhadoras/es e equipas. À boa tomada de decisão, à exploração de cenários, soluções e ao pensamento crítico. À investigação. À criatividade.

Como, ao contrário, a ausência de segurança psicológica obstaculiza o envolvimento, a relação, o auto e heterocuidado. Como promove a desresponsabilização individual e colectiva e a desconfiança.

A segurança psicológica, muitas vezes mais do que aquilo de que quotidianamente falamos e ouvimos ser discutido, é base e suporte de tudo isto e de todas e todos. É base de desenvolvimento, de prosperidade e de produtividade de equipas e organizações, porque empodera as pessoas, potenciando-as. Porque cria verdadeiros caminhos para mais e maior propósito sentimento de pertença e significado. Para maior possibilidade de bem-estar e saúde, incluindo mental, a partir do local de trabalho.

É por ser um elemento central hoje numa organização que julgo relevante sublinhar que a formação e desenvolvimento de lideranças de equipas e organizações deve atender à priorização, intencionalização e a competências, valores e comportamentos chave para a promoção da segurança psicológica. Deve, portanto, apoiar a criação de climas organizacionais inclusivos e positivos, onde cada pessoa possa ser validada e considerada no seu contributo, também por via de estilos de liderança mais suportivos ou participados, onde as emoções e o exemplo sejam parte. Ou, noutro prisma, pela forma como as orientações e processos de trabalho são organizados, co-construidos e partilhados ou como o próprio espaço físico de trabalho permite lugares de interacção e relação securizantes e, logo, pensados e desenhados com essa intenção.

Devemos, neste sentido, caminhar no sentido de mais organizações falarem sobre este tema, se comprometerem com a criação de locais de trabalho promotores da segurança psicológica e, mais importante, serem consequentes com esse compromisso. Prevenindo dessa forma que tenhamos, na vida real das organizações, adaptações de histórias ficcionais clássicas que nos habituamos a ver e rever em período de Natal.

Na verdade, aqui e ali, no Mundo ao redor, entramos em Dezembro e com Dezembro chega um imaginário de filmes, músicas, casas e ruas decoradas. Chegam momentos de encontro e reencontro que, infelizmente não para todas as pessoas, trazem conforto, afecto, carinho. Trazem segurança, incluindo psicológica. Que esta época nos inspire a um maior compromisso com a promoção da segurança psicológica nos diversos contextos, equipas e organizações. Que nos inspire a rimar a época ao longo do ano, projectando o conforto, afecto e carinho. Possibilitando mais bem-estar, florescimento e maior potencial de cada pessoa se cumprir com o apoio e suporte de todos nós.

Tiago Pereira

Sozinho na Organização: Segurança Psicológica, bem-estar e potencial humano

in Sábado (Ao redor…); 05.12.2023

https://www.sabado.pt/opiniao/convidados/tiago-pereira/detalhe/sozinho-na-organizacao-seguranca-psicologica-bem-estar-e-potencial-humano

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Urgentemente.

Como sempre: Voltamos a encontrarmo-nos no passado dia 07 de Dezembro no X Seminário de Psicologia da Educação, uma organização conjunta entre a Direcção-Geral da Educação e a Ordem dos Psicólogos Portugueses.

Como sempre: Uma sala cheia de psicólogas e psicólogos junto de directoras/es de Agrupamentos de Escolas e outras/os técnicas/os especializados, vindos um pouco de todo o país. Reunidos para pensar o contributo da psicologia e da intervenção psicológica em contexto escolar hoje, e, não menos importante, para reencontrar colegas e amigas/os, confraternizar, partilhar, discutir, desabafar, criar comunidade e construir soluções para os desafios actuais e prementes.

Como sempre: Para mim, momento especial onde me sinto parte de diferentes formas… dos grupos de colegas que reencontro e com quem partilhei contextos escolares na condição de psicólogo; dos grupos com quem partilhei as salas de aulas da Universidade na condição, primeiro, de colega estudante e, depois, de docente de psicólogas e psicólogos hoje em contextos educativos; do grupo, conjuntamente com o Francisco Miranda Rodrigues, com a Sofia Ramalho e com um conjunto de outras pessoas que, desde a assinatura de um protocolo há já quase 10 anos, tem procurado uma profícua colaboração com a Direcção-Geral da Educação no sentido de uma maior, mais capacitada, mais suportada, mais impactante e mais permanente presença da ciência e da prática psicológica em contexto educativo.

Como sempre: Um dia em que o importante prevalece e em que a condição específica em que nos encontramos previne um “mantra” do dia-a-dia das Escolas: “o urgente não deixa tempo para o importante”. Foi exactamente uma tira da Mafalda do Quino com esta expressão que utilizei como mote para a moderação da sessão “Políticas de saúde psicológica e bem-estar de crianças e jovens – Um compromisso social”.

Como sempre: o Francisco Goiana da Silva, a Isabel Loureiro, a Margarida Gaspar de Matos e o Miguel Arriaga ofereceram conhecimento, perspectiva, reflexão e, essencialmente, compromisso ao painel e à forma como se pensaram as dificuldades, é certo, mas também as oportunidades, o caminho percorrido e, essencialmente, como podemos melhorar e operacionalizar colaborações e articulações. Como podemos melhor pensar a promoção da saúde (e da saúde mental) e do bem-estar em contexto educativo e em todas as políticas públicas, potenciando e priorizando também possibilidades de prevenção, promoção e articulações entre áreas, nomeadamente da educação, saúde e área social.

Como sempre: É urgente voltarmos ao “Urgentemente” do Eugénio de Andrade com que terminei a sessão… Para relembrar que é “Urgente o amor”. Para nos relembrarmos do nosso papel num contributo social e cívico para com a promoção da saúde psicológica e do bem-estar.

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(Des)equilíbrios em Saúde Mental

“Aqui e a vós voltarei quando, muito em breve, a RTP Açores transmitir o debate”, escrevi aqui há dias. E… Aqui estou, para partilhar convosco a série “Mental Talks”, integrada no “Lo(u)cotório”, um projecto promovido pela ARTAC na Região Autónoma dos Açores, que tem como principal objectivo “contribuir para uma comunidade mais informada em saúde mental e participativa no combate ao estigma associado à doença mental.”

Conforme o compromisso, partilho a ligação ao primeiro episódio onde eu, o Daniel Rijo e a Marta Bulhões, sob o mote “(Des)equilíbrios em Saúde Mental”, discutimos os determinantes socais da saúde/doença mental e o papel do estigma, da literacia e do auto e heterocuidado na promoção da saúde mental. Fizêmo-lo reflectindo, também, sobre estratégias e factores de risco de risco e protecção, incluindo questões associadas ao binómico vida pessoal e familiar/trabalho e o impacto do mesmo na saúde mental, além, claro está considerando as especificidades da Região Autónoma dos Açores, da reflexão de como a ciência pode informar as políticas públicas nestas áreas (saúde, social, educação, …) e de como os primeiros anos de vida são fundamentais para promover mais oportunidades de bem-estar e autodeterminação ao longo da vida.

Voltando a agradecer a confiança e o convite para dar o meu contributo para o projecto à sua coordenador científica (Célia Maria Barreto Carvalho) e à sua equipa de produção (Sara Ponte e Filipe Tavares), deixo também a ligação do 2º episódio, onde sob o mote “(Des)construir a identificação e o tratamento da doença mental” participaram a Joana Moura Cabral, o João Mendes Coelho e a Vanessa Goulart Amaral (https://www.rtp.pt/play/p12510/e732936/mental-talks-2023).

Deixo, ainda e finalmente, o convite para assistirem amanhã na RTP Açores (ou depois na plataforma RTP Play) ao 3º e último episódio, onde sob o mote “(De)stressar e conviver com a ansiedade” participam a @Maria do Céu Salvador, a Marta Rebelo e o Pedro Morgado.

Dizia, também no texto que mencionei na abertura, que este era um “projecto com uma imagem forte, com qualidade, pertinência, seriedade e, creio, impacto. Um projecto a seguir, a continuar e com potencial de inspiração para a acção de outras pessoas e entidades, de outros territórios, nesta importante área.” Dizia-o e reforço-o. Conforme reforço o meu – e penso, nosso, de todas as pessoas que participaram no projecto – compromisso com a missão de contribuir, dia-a-dia, “para uma comunidade mais informada em saúde mental e participativa no combate ao estigma associado à doença mental”. Para uma sociedade mais sensível e inclusiva, com maior equidade e com mais possibilidades de saúde, bem-estar e autodeterminação para todas as pessoas.

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Sozinho na Organização: Segurança Psicológica, bem-estar e potencial humano

“Vivemos um momento do Mundo que nos recorda a cada dia, não necessariamente pelos melhores motivos, que a história se pode repetir. Ou, pelo menos, conforme a frase que se atribui a Mark Twain, que a história, não se repetindo, rima. (…) Pensemos em George Floyd e Rodney King. Ambos cidadãos norte americanos, brutalmente espancados por polícias num momento banal das suas vidas, situações que desencadearam o “Black Lives Matter”, os “Distúrbios de Los Angeles de 1992” e a célebre frase do advogado de King: “Finalmente conseguimos filmar o Monstro do Lago Ness.”

“Sozinho na Organização: Segurança Psicológica, bem-estar e potencial humano”, 71º artigo da rubrica “Ao redor” (Revista Sábado; link abaixo) não trata o racismo, a misoginia ou o fundamentalismo religioso, antes outro “monstro”. “Por vezes invisível, mas perturbador, impactante, bloqueador, que rima entre tempos e equipas e organizações. A insegurança psicológica.”

É que “falamos em baixos salários e precariedade, e ainda bem. Falamos em desmotivação das equipas, e ainda bem. Em dificuldades de conciliação da vida pessoal, familiar e profissional, e ainda bem. Falamos de cansaço, de burnout, e ainda bem. De modelos de trabalho, e ainda bem. Não falamos, geralmente, da segurança psicológica enquanto elemento fundamental ao bem-estar no contexto de uma equipa ou organização, ao desenvolvimento, ao potencial humano e à produtividade.”

No artigo abordo, com detalhe, a importância da segurança psicológica. Como é “fundamental à boa comunicação, importantíssima em contextos de e com diversidade. À coesão, fulcral à flexibilidade, honestidade e confiança, tão relevantes, por exemplo, aos modelos de trabalho híbrido e personalizados a cada trabalhador/a. À possibilidade de expressão emocional, de diferentes emoções, de podermos estar sem estar sempre bem, estar com as nossas vulnerabilidades, sentindo-nos apoiados, suportados e não ameaçados e julgados. Como é fundamental ao trabalho em equipa, à aprendizagem e desenvolvimento profissional de trabalhadoras/es e equipas. À boa tomada de decisão, à exploração de cenários, soluções e ao pensamento crítico. À investigação. À criatividade.”

Também, como, “ao contrário, a ausência de segurança psicológica obstaculiza o envolvimento, a relação, o auto e heterocuidado. Como promove a desresponsabilização individual e colectiva e a desconfiança.” Ainda, como a formação de lideranças lhe deve, necessariamente, atender, estimulando, entre outros, a “criação de climas organizacionais inclusivos e positivos”.

Que Dezembro, momento de encontro e reencontro para muitas pessoas, de segurança, incluindo psicológica, “nos inspire a um maior compromisso com a promoção da segurança psicológica nos diversos contextos, equipas e organizações. Que nos inspire a rimar a época ao longo do ano, projectando o conforto, afecto e carinho. Possibilitando mais bem-estar, florescimento e maior potencial de cada pessoa se cumprir com o apoio e suporte de todos nós.”

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+ Jornadas SPC

“D’antigamente à livre mente”, foi o mote das II Jornadas do Serviço de Psicologia Clínica do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa . Encontro que fez do passado 29 de Novembro, dia de partilha, reflexão e de desenvolvimento profissional, é certo, mas também pessoal, porque foi momento de (re)encontro de um conjunto alargado de psicólogas/os e outras/os profissionais.

Tive duas intervenções nestas Jornadas. A primeira, na sessão de abertura, permitiu que reforçasse o pioneirismo da equipa do Centro Hospitalar em fazer crescer e consolidar o Serviço de Psicologia Clínica e fazer dele, há anos, o primeiro de Portugal Continental a receber e financiar anualmente um conjunto de psicólogas/os júnior, alguns hoje plenamente integrados na equipa.

Sublinhei o momento que vivemos na saúde (nomeadamente a organização da ULS) que, comportando naturalmente a complexidade da mudança, traz também oportunidades, particularmente na área da psicologia, reforçando a disponibilidade de contributo da Ordem dos Psicólogos Portugueses, também com a equipa que tem apoiado este processo coordenada pelo Eduardo Carqueja. Finalmente, deixei um estímulo a que o pioneirismo continuasse numa melhoria e capacitação do Serviço para o aprofundamento da diferenciação das suas respostas; para a consolidação de intervenções baseadas na melhor evidência disponível (what works), para a forma como devemos atender, mais, aos acontecimentos / momentos de transição desenvolvimental e ter uma atitude de prevenção dos problemas de saúde mental ancorada na promoção e na protecção em momentos chave; e, finalmente, para o imperativo do investimento no desenvolvimento profissional e na possibilidade de auto e heterocuidado da equipa.

Fi-lo agradecendo o acolhimento na pessoa do presidente do CA, Carlos Alberto, a toda a equipa. Fi-lo, ainda, na pessoa da Marcia Mendes a todo o Serviço, a organização das Jornadas e o convite para a segunda intervenção.

Esta na mesa “Locais de Trabalho Saudáveis – Motivação das Equipas”, moderada pela filipa carneiro e que contou com interessantes intervenções, experiências e perspectivas do Hugo Lopes e do Ricardo Costa.

Na intervenção, que apelidei de “+ Jornadas SPC”, foquei-me nestas iniciais do Encontro, transformando-as para sublinhar a importância da jornada (conjunta) e do incrementalismo na motivação das equipas. Motivação enquanto factor importante mas não único responsável pelo nosso comportamento, reforçando o papel da capacidade, oportunidade e do envolvimento que, necessariamente, decorre também da Segurança Psicológica dos contextos (de trabalho), para terminar com a importância da Comunidade (equilibrando a hiperespecialização e dispersão de actos) e da Confiança, fundamental a todas as equipas/processos.

Espero que tenham sido contributos interessantes e espero, também, pelas III Jornadas, enquanto marco do caminho de afirmação do Serviço de Psicologia na resposta integrada de promoção de saúde e bem-estar daquela grande comunidade.

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Cumprir a Convenção sobre os Direitos da Criança – Um desígnio e Quatro propostas (Ao redor…; 21.11.2023)

Ontem levei o meu filho mais novo à Creche de pijama. Comemorou, com as amigas e os amigos, mais um Dia Nacional do Pijama e, em simultâneo, mais um aniversário da adopção pela Assembleia Geral das Nações Unidas da Declaração dos Direitos da Criança (1959) e da Convenção sobre os Direitos da Criança (1989).

A convenção, quase universalmente ratificada, assenta em quatro pilares fundamentais que incluem: a não discriminação e a aplicação dos direitos a todas as crianças; o princípio do seu superior interesse nas decisões que lhes digam respeito; a sua participação e consideração das suas posições e opiniões; e a garantia de sobrevivência, desenvolvimento integral e da promoção da sua qualidade de vida e bem-estar.

Mesmo considerando as enormes melhorias, Mundo fora, nestes quatro pilares desde 1959 ou de 1989, pensemos por um momento nos últimos anos. Este meu filho nasceu em Junho de 2021 e, em menos de 30 meses de vida, viveu parte da pandemia por COVID-19 e um conjunto de outras crises e catástrofes em lugares diversos do Mundo, a continuação de um conjunto de Guerras, incluindo civis, e o início da Guerra desencadeada pela Federação Russa na Ucrânia. Viveu o hype da inteligência artificial (generativa), as primeiras mortes em contexto de guerra por armas autónomas, o início das viagens turísticas espaciais e, mais recentemente, a (a cada dia mais) trágica situação na Faixa de Gaza, os tenebrosos ataques de 7 de Outubro e a escalada assombrosa da Guerra Israel-Hamas, com bombardeamento e invasão pelo exército Israelita da Faixa de Gaza e incursões na Cisjordânia. Pergunto, portanto, estarão, Mundo fora, melhor as crianças nestes quatro pilares desde 2021?

Mesmo com esta vertigem, com esta ambiguidade, com esta incerteza, penso em pessoas que responderiam, taxativamente, sim e noutras que responderiam não. Penso, também, em pessoas que responderiam sim e não, mas não taxativamente. Mais, penso em pessoas que teriam dificuldade em responder, reconhecendo as profundas diferenças entre diferentes lugares no Mundo e Portugal, fugindo a uma generalização estatística que pode suportar a resposta à pergunta, mas desafiar a universalidade dos direitos e ser profundamente injusta para muitas crianças, Mundo fora. Que pode ser muito injusta para muitas crianças, até, em qualquer país, independentemente do seu nível de desenvolvimento. Que pode ser muito injusta para muitas, em Portugal.

Em Portugal, apesar de alguns indicadores terem melhorado nos últimos anos e de termos hoje compromissos políticos significativos, persistem níveis de pobreza e exclusão, na primeira infância e juventude, que condicionam decisivamente o cumprimento da Convenção, os direitos e a possibilidade de desenvolvimento integral, qualidade de vida e bem-estar de muitas crianças e jovens. Que o impossibilitam no presente e que o obstaculizam para o futuro, gerando injustas e continuadas iniquidades e perigando o desenvolvimento futuro do país. Também por isso, cumprir a Convenção deve ser nosso desígnio. Também por isso, humilde mas comprometidamente, deixo quatro propostas para aprofundarmos e sermos mais efectivos nesse caminho:

  1. Uma estratégia, ancorada em políticas de promoção da natalidade e sociais, que aponte aos primeiros 1000 dias de vida de um bebé, considerando os 9 meses de gestação e os dois primeiros anos de vida extrauterina. Considerando os impactos negativos no seu desenvolvimento integral[1], incluindo mesmo nas suas estruturas cerebrais e neuronais, da exposição a situações de stresse significativo (particularmente presente em famílias expostas a situação de pobreza, exclusão ou marginalização), devemos desenvolver medidas que permitam eficazmente a redução da exposição a estas condições no período da gravidez e primeiros dois anos de vida do bebé, acompanhadas de suporte emocional e de desenvolvimento de competências parentais, disponíveis para todas as famílias;
  1. A revitalização do modelo de intervenção precoce na infância e do conjunto de intervenções educativas, sociais e de saúde que permitam responder, precocemente e de forma contingente, a primeiras necessidades de bebés, crianças e famílias, activando e promovendo competências das e dos cuidadores e comunidade para a identificação e resposta a crianças, nos seus direitos. Revitalização de um modelo, referência internacional na área, fortemente dependente de um compromisso para maior afectação de recursos e para a garantia de condições de continuidade, enquadramento e desenvolvimento sócio-profissional das equipas técnicas e respectivas coordenações;
  1. Ao objectivo de generalizarmos a possibilidade de acesso a contextos educativos de bebés e crianças dos 0 aos 3 anos, juntarmos o importante objectivo de garantirmos a qualidade dos ambientes educativos, ainda pouco considerada, contribuindo para o desenvolvimento integral de bebés e crianças. Neste âmbito, creio relevante acompanharmos o importantíssimo trabalho que o laboratório colaborativo ProChild, presidido pela Isabel Soares, recentemente agraciado pela Assembleia da República com o Prémio Direitos Humanos de 2023 (em conjunto com a P.A.J.E.) e promotor do “Pacto para a Infância”[2], tem desenvolvido e apoiarmos a sua disseminação e generalização;
  1. Sabendo-se hoje o papel que as educadoras e educadores e as professoras e professores, particularmente nos primeiros ciclos de estudo, têm na possibilidade de prevenir o aprofundamento dos desfasamentos educativos de bebés, crianças e jovens provenientes de contextos mais vulneráveis, investir em programas de formação e desenvolvimento profissional da classe docente, fortemente comprometidos com a redução das desigualdades, com a capacidade de responder às situações de maior vulnerabilidade e com a avaliação de impacto. Neste âmbito, creio também relevante conhecermos o trabalho que o Ambition Institute (UK), que tem como Director Associado o Miguel Herdade, tem realizado e a forma como os seus programas contribuem para a diminuição dos desfasamentos nos resultados educativos e no desenvolvimento da crianças e jovens provenientes de contextos mais vulneráveis.

Quatro propostas assentes na ciência e evidência, que melhorariam e tornariam mais efectivas as políticas públicas. Quatro propostas que sedimentariam o desígnio de cumprirmos a Convenção sobre os Direitos das Crianças e minimizar obstáculos e barreiras que se colocam à equidade e ao desenvolvimento futuro de crianças e jovens expostos a contextos de pobreza, exclusão ou marginalização, com foco intergeracional e de investimento para o desenvolvimento económico e coesão social futura do país.

Na verdade, aqui e ali, no Mundo ao redor, considerar “que a criança deve estar plenamente preparada para uma vida independente na sociedade e deve ser educada de acordo com os ideais proclamados na Carta das Nações Unidas, especialmente com espírito de paz, dignidade, tolerância, liberdade, igualdade e solidariedade”, conforme a Convenção define, depende de contribuirmos para a universalização destes direitos, tornando-os mais equitativos no país e entre países. No presente e para o futuro.

 

Tiago Pereira

Cumprir a Convenção sobre os Direitos da Criança – Um desígnio e Quatro propostas

in Sábado (Ao redor…); 21.11.2023

https://www.sabado.pt/opiniao/convidados/tiago-pereira/detalhe/cumprir-a-convencao-sobre-os-direitos-da-crianca—um-designio-e-quatro-propostas

 

[1] https://www.sabado.pt/opiniao/convidados/tiago-pereira/detalhe/1000-dias

[2] https://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=pacto-para-infancia

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LL – Longlife

Tendo eu nascido na primeira metade da década de 80, pertenço a uma geração capaz de descrever, trautear, repetir um conjunto de anúncios de publicidade a marcas e serviços que ouvimos e vimos, alguns ainda a preto e branco, e que pertencem ao nosso imaginário. Lembro, como tantas e tantos outros acredito, o coelhinho de uma marca de pilhas que “durava” sempre mais, em actividade. Vivíamos o tempo de promoção das pilhas longlife, das pilhas LL.

Lembrei-as a propósito da ligação literacia-liderança que a Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde promove por estes dias através do seu “Programa de Liderança” que propõe pensar e responder à pergunta “O que é preciso para ser um jovem líder na saúde?”.

Pergunta desafiante, mas, particularmente, tema muito relevante à formação e ao desenvolvimento, pessoal e profissional, de jovens estudantes e profissionais das mais diversas áreas da saúde. Sobretudo num tempo e num Mundo onde a complexidade dos problemas, exige ampla literacia e capacidade de leitura e mobilização de recursos junto de nós mesmo, de outras pessoas, da sociedade. Num tempo e num Mundo onde a complexidade dos problemas, exige lideranças cada vez mais preparadas, com propósito e com valores.

O programa (que convido a descobrir/participar) é concretizado através de sessões com jovens líderes, de diferentes áreas da saúde, tendo ontem decorrido a sessão dinamizada pelo Sérgio Alves, presidente da ANEP (Associação Nacional de Estudantes de Psicologia), hoje referência junto das e dos estudantes de psicologia em Portugal e um inspirador e muito promissor líder. A convite da Cristina Vaz de Almeida e com o apoio da Vânia Lima (a ambas muito agradeço), coube-me o enquadramento do tema e a apresentação do Sérgio.

Nessa curta intervenção falei de literacia e da sua importância, da liderança e dos caminhos de influência, inspiração e mobilização no sentido de um objectivo comum. Abordei o papel da confiança e da segurança psicológica nesse caminho. Reflecti sobre a importância da comunicação, mas, também, sobre o quão imperativo (ético) é o autocuidado e o desenvolvimento pessoal e profissional. Discuti, finalmente, como cada uma destas iniciativas representa como que “água” que deve encher “barragens”, permanecendo disponível e alimentando-nos, também de energia. E de como temos o dever, a cada dia, de cuidar com justiça do legado que deixamos e, logo, de quem vem depois de nós, contribuindo para que cada uma dessas pessoas encontre a sociedade e as instituições mais e melhor capacitadas do que nós encontramos, conforme eu e nós encontramos face à geração que nos antecedeu.

Longlife à (promoção da) literacia e liderança, com propósito e com valores. Longlife a esta e a estas iniciativas.

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V Encontro DRNorte e “Os Ninguéns”.

 

“Não me sinto responsável por coisa nenhuma”. Esta frase, parte de uma conversa da Sr.ª Procuradora Geral da República com jornalistas foi amplamente abordada e debatida na última quinta-feira, véspera do V Encontro Anual dos Psicólogos do Norte, promovido pela Delegação Regional do Norte da Ordem dos Psicólogos Portugueses, com o apoio da Câmara Municipal de Vila do Conde.

Foi exactamente trazendo esta frase da véspera que comecei a moderação de uma das sessões do encontro, não pela reflexão que possa(mos) fazer da mesma, antes porque a sessão reunia uma psicóloga e dois psicólogos (três colegas a que me junto) exactamente nos antípodas de uma visão de “não se [nos] sentirem[sentirmos] responsáveis por coisa nenhuma”. Muito pelo contrário.

Uma sessão onde o Jorge Gato abordou as questões da “inclusão e da(s) equidade(s)”, a partir da reflexão sobre uma “prática culturalmente competente e afirmativa com pessoas LGBTQ+”, assente numa importantíssima triangulação entre as dimensões do “conhecimento, da técnica/prática e das atitudes e valores das psicólogas e psicólogos”, enquanto elementos estruturantes de uma intervenção psicológica de qualidade junto de populações vulnerabilizadas.

Uma sessão onde a Himali Bachu reflectiu sobre os contributos da psicologia e das psicólogas e psicólogos para uma “visão multicultural para os dias de hoje”, pensando as novas realidades (nomeadamente pelo crescimento das migrações, também em Portugal) e dos novos desafios, de adaptação, por exemplo, dos serviços públicos às mesmas, enquanto contributo fundamental para a adaptação e para a qualidade de vida das populações migrantes.

Uma sessão onde o Jorge Pereira, a partir da sua experiência, discutiu as dimensões da relação entre a deficiência e a sexualidade a partir do contributo da psicologia, desde logo, na promoção da literacia e contributo para a transformação de estereótipos e preconceitos, bem como no trabalho de promoção de comportamentos desde momentos de vida precoces, fundamentais à vivência deste aspecto fulcral do bem-estar ao longo da vida.

Uma sessão, finalmente, em que todas e todos nos referimos a como a psicologia e em como psicólogas e psicólogos podem, a partir dos seus múltiplos contributos e papéis, influenciar positivamente as vidas de pessoas, famílias e comunidades mas, também, contribuir para transformações políticas e socais, fundamentais à possibilidade de saúde, bem-estar e autodeterminação de todas as pessoas.

Um obrigado ao Eduardo Carqueja e, nele, a toda a equipa que organizou e preparou mais um magnifico encontro, marcado pela qualidade científica, claro está, mas, também, pela dimensão humana. Dimensão humana, expressa nos afectos, na forma como o encontro foi enquadrado (incluindo o poderoso “Os Ninguéns” do Eduardo Galeano) e no papel destinado ao desenvolvimento pessoal e profissional que procuramos (e encontramos) na passada sexta-feira. Obrigado. Muito obrigado.