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2023 – Odisseia na Pseudociência

Recentemente recebi um convite para realizar uma “Masterclass” no âmbito dos Mestrados em Psicologia na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (agradeço a confiança do Ricardo Barroso que primeiro me contactou). Pediram-me que tratasse o tema da “Pseudociência e Psicologia”, algo que fiz na 4ªF passada. Aí comprometi-me com quem participou que, ao invés de deixar uma lista de artigos, livros ou um power point, me comprometia a procurar traduzir o conteúdo partilhado num artigo de opinião e, logo, num contributo para o tema reflectido, para que pudessem “confrontar” a apresentação e discussão com esse modelo de conteúdo.

“2023 – Odisseia na Pseudociência”, 72º artigo da rubrica “Ao redor” (Revista Sábado) é o resultado desse exercício. Nele começo por tratar como duas características profundamente humanas (a dificuldade de reconhecermos que não sabemos de algo de que não sabemos em temas que nos despertem interesse e a ilusão da profundidade explicativa) “ajudam a explicar, em parte, porque é que, muitas vezes, em matérias que remetem para o comportamento humano, tomada de decisão, saúde e bem-estar (…) somos suscetíveis à procura de respostas simplistas, imediatas e absolutas para desafios e problemas complexos e por vezes interconectados. Porque somos suscetíveis, mesmo num período de forte desenvolvimento da ciência, a fazer atribuições “místicas”, particularmente face a fenómenos naturais como catástrofes, e à pseudociência.”

Procuro, depois, enquadrar o conceito e nele “as terapias alternativas e complementares como a homeopatia e pseudo-terapias, incluindo algumas apresentadas como “holísticas” ou mesmo psicológicas, como a aromaterapia”, destacando que a pseudociência é uma “actividade económica com valor já significativo e em expansão” e um desafio, em algumas situações, para a saúde e segurança das populações.

Abordo o contexto que determina “mais espaço e oportunidade para a pseudociência” e para quem o navegando, usa das inseguranças e vulnerabilidades das pessoas, vendendo (caro) soluções simplistas, não baseadas na ciência, mas invariavelmente assentes na crença de que “se acreditarmos e quisermos tudo conseguimos”, apelando a um conjunto de falácias (associadas à natureza, à ancestralidade ou à autoridade), heurísticas, confusões entre correlação e causalidade e escondendo o “efeito placebo”.

Antes de terminar com Kubrick e a sua eventual “dificuldade de imaginar e perspectivar” o Mundo hoje, penso a forma de prevenir os impactos negativos destas práticas. A necessidade de um “papel activo e até activista das disciplinas científicas”, da promoção da literacia da população e do reforço da “protecção de clientes, incluindo relativamente à comunicação/marketing “abusivo” e à necessidade de utilização de consentimentos informados”. Penso, finalmente, a importância do reforço da “informação à população via sistemas “what works” e da dimensão ética e de cidadania de pessoas e, também, deontológica de profissionais”.

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