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FMG

A Escola… E a co-criação e construção…

“Porque a concretização do direito à educação, consagrado (…) na Constituição da República Portuguesa, impõe ao poder político que crie e recrie as suas instituições para que todos os alunos possam, em igualdade de condições e circunstâncias, usufruir daquele direito e aceder a uma educação de qualidade (…) recentra-se a ação do Estado na Educação, assente na definição, implementação, avaliação e monitorização das aprendizagens, no quadro de orientações pedagógicas para a creche e a educação pré-escolar, e do currículo nacional, desde os 0 anos até à idade adulta…”

Estes excertos do DL 105/2025 que “cria o Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação, I. P.” sublinham duas dimensões essenciais da missão e contributo da Fundação Mendes Gonçalves e do seu programa Educar: a promoção da equidade e a visão de uma sociedade com foco no futuro de todos; a importância de uma educação de qualidade no período 0-3 anos enquanto elemento para ela decisivo.

O ponto central desse contributo será a construção de uma Escola com Berçário, Creche, JI e EB 1C na Golegã com a ambição de ser integrada na rede pública (https://www.youtube.com/watch?v=99biJdnHfXI&t=2s). Um projecto da responsabilidade dos arquitectos japoneses Tezuka, que desenharam o Fuji, ainda hoje um dos equipamentos educativos mais reconhecidos do Mundo e que queremos que seja, além de um exemplo de educação de qualidade dos 0-10 anos, parte de uma rede de outros equipamentos associados e um centro de criação de conhecimento/ciência direccionada a estas idades e ao treino e desenvolvimento de profissionais de educação, com foco no período 0-3 anos.

Um contributo, portanto, para que a concretização da transferência da tutela pedagógica das creches para o Ministério da Educação – que tantas e tantos saúdam – redunde na promoção da sua qualidade e de caminharmos dos indicadores maioritariamente administrativos actuais para indicadores de qualidade centrados na criança e no seu desenvolvimento.

Mas, mais, queremos que esta Escola seja co-construida e participada a partir da comunidade. Isso fizemos nos últimos dois fins de semana, no âmbito de uma iniciativa que o nosso Fundador, Carlos Goncalves, promove anualmente durante a Feira Nacional do Cavalo. Na foto encontram-no, a par de outras duas pessoas fundamentais para este projecto – Conceição Zagalo, a nossa presidente do Conselho Executivo e Eduardo Marçal Grilo, o nosso presidente do Conselho de Curadores – a colocar um tijolo com um desejo para a futura Escola, junto dos muitos outros que recolhemos como contributo das muitas pessoas – a quem agradecemos – que nestes dias realizaram esta actividade e conheceram de perto a planta provisional do projecto. Muito obrigado.

Brevemente terão, cada um/a de vocês, oportunidade de também se envolverem e contribuírem para a concretização deste bonito projecto.

Ps. Se ainda não o fizeram convido-vos a subscreverem a newsletter da Fundação (no seu site) para receberem esta e outras informações.

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FMG Fundação Mendes Gonçalves Política

Da Golegã para o Mundo…

Recentemente o Notícias do Sorraia veio conhecer mais aprofundadamente a história e propósito da Fundação Mendes Gonçalves. Conhecer, visitar os espaços, conforme são no presente e se perspectivam para o futuro, e conversar com o Carlos Goncalves, com a Conceição Zagalo e comigo.

Gostava, hoje, agradecendo o trabalho e o cuidado nele colocado, partilhá-lo e destacar deste três dimensões:

a) “Queremos transformar esta resposta numa referência nacional e demonstrar que, com o devido acompanhamento, é possível garantir um ambiente seguro, estimulante e afetivo fora das creches convencionais”, explicou Tiago Pereira. O modelo prevê a criação de mecanismos de supervisão contínua, formação especializada e avaliação de impacto, com vista à sua replicação noutros territórios e eventual integração como política pública”. Passagem em torno do projecto piloto relativo às Amas (Cuidar em Rede), cuja primeira fase de inscrições se iniciou no final da passada semana e que visa reforçar a oferta e a qualidade da oferta 0-3, complementar aos berçários e às creches, considerando a procura que existe para este tipo de respostas, a sua pertinência em alguns contextos (por exemplo em freguesias mais isoladas e/ou de menos dimensão) e o facto do crescimento da oferta de creche não conseguir ainda acompanhar as necessidades/procura, com claro prejuízo das famílias com menores níveis sócio-económicos;

b) “Conceição Zagalo, presidente do Conselho Executivo da Fundação, sintetiza o espírito da missão nos “três F’s”: fundamento, fertilidade e futuro. “Fundamento, porque partimos de uma base sólida de valores. Fertilidade, porque queremos multiplicar impacto. Futuro, porque temos a obrigação de garantir que o sonho que nos foi confiado não se esgota em nós.” Frase que sintetiza, claramente, a forma com nos posicionamos e como queremos, a partir do respeito e compromisso histórico e de legado com o passado, estruturar estrategicamente o presente para um futuro de e com impacto a partir da missão da Fundação Mendes Gonçalves;

e

c) “Queremos provar que é possível construir, no chamado interior, um modelo de desenvolvimento que sirva verdadeiramente as pessoas”, afirmou o fundador [Carlos Goncalves]. “O nosso objetivo é criar aqui condições para que cada criança, cada jovem e cada adulto possa realizar os seus projetos de vida.” No fundo, agir pelo futuro de todos…

Link para notícia completa aqui: https://noticiasdosorraia.sapo.pt/da-golega-para-o-mundo-fundacao-mendes-goncalves-quer-ser-motor-de-uma-sociedade-melhor/

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Democracia Desafios da Psicologia Educação FMG Fundação Mendes Gonçalves Política Psicologia

Uma bala de prata para as políticas públicas de promoção da equidade

Pensemos os primeiros 1000 dias de vida. É neste período, dos nove meses de gestação aos primeiros dois anos de vida extrauterina, que o nosso cérebro sofre um maior e mais rápido desenvolvimento. Nesse sentido, além de ser uma janela importantíssima de oportunidade, esse período é também tempo de vulnerabilidade, devendo, pelo impacto que se revela nesse início de vida e pelas consequências inegáveis para o futuro, merecer uma especial atenção por parte das políticas públicas que visem a equidade.

Conjugando estas evidências com o conjunto de estudos sobre a maior eficiência e custo-eficácia (melhores resultados com menores custos) das políticas públicas neste período – bem demonstradas, entre outros, pelo prémio Nobel da Economia James Heckman – talvez tenhamos mesmo uma bala de prata para a promoção da equidade. Desde logo, através de políticas com eficácia e eficiência que, no período da gravidez e primeiros três anos de vida, reduzam a exposição dos bebés e crianças ao stresse resultante situações de escassez, exclusão e/ou pobreza e providenciem suporte emocional, desenvolvimento de competências parentais e condições visando comportamentos parentais de maior segurança e promoção de desenvolvimento. Políticas que, com eficácia e eficiência, revitalizem e robusteçam em recursos o modelo de intervenção precoce na infância e o conjunto de intervenções educativas, sociais e de saúde para responder, precocemente e de forma contingente, às primeiras necessidades de bebés, crianças e famílias. Políticas que, com eficácia e eficiência, generalizem a possibilidade de acesso à educação dos 0-3 e a incluam, definitivamente, como parte essencial do sistema educativo, pensando-as não apenas na importante dimensão do cuidado e da segurança, mas como focos essenciais de promoção de desenvolvimento e equidade, pela sua qualidade educativa também resultante de uma formação mais sensível a estas idades e comprometida com a redução das desigualdades dos profissionais de educação.

Esta é uma missão coletiva onde a sociedade civil, logo cada um de nós, tem um papel de advocacia, de pressão e de cidadania amplo. Porque sem mais equidade e porque sem mais possibilidades de futuro para todos limita-se a mobilidade, a justiça e a coesão social. Limita-se a possibilidade de bem-estar individual e, assim, a possibilidade de bem-estar da comunidade.

 

Tiago Pereira

Uma bala de prata para as políticas públicas de promoção da equidade

JN, 30.07.2025

https://www.jn.pt/opiniao/artigo/uma-bala-de-prata-para-a-promocao-da-equidade/17856531

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Democracia Educação Filantropia FMG Fundação Mendes Gonçalves Psicologia

Uma bala de prata para a promoção da equidade

1, 2, 3, (…) 1000… “Pensemos os primeiros mil dias de vida. É neste período, dos 9 meses de gestação aos primeiros 2 anos de vida extrauterina, que o nosso cérebro sofre um maior e mais rápido desenvolvimento. Nesse sentido, além de ser uma janela importantíssima de oportunidade, esse período é também tempo de vulnerabilidade, devendo, pelo impacto que se revela nesse início de vida e pelas consequências inegáveis para o futuro, merecer uma especial atenção por parte das políticas públicas que visem a equidade.”

Num período em que publicamente se debate a relevância da estimulação e da relação e vínculo mãe-bebé/criança e o currículo de crianças/jovens em matérias que envolvem o desenvolvimento e a cidadania, venho partilhar um artigo que escrevi para o Jornal de Notícias. Começa com o excerto anterior e chamei-lhe “Uma bala de prata para a promoção da equidade”.

Nele – abordando os estudos do Prémio Nobel da Economia James Heckman que demonstram a maior eficiência das políticas públicas que visam a equidade quando decorrem no período da primeira infância – destaco 3 prioridades que me parecem essenciais e, particularmente, possíveis de implementar pela existência de recursos e por serem mobilizadoras de diversas forças políticas/movimentos da ciência e sociedade civil:

a) “Políticas que, com eficácia e eficiência, no período da gravidez e primeiros 3 anos de vida, reduzam a exposição dos bebés e crianças ao stresse resultante de situações de escassez, exclusão e/ou pobreza e providenciem suporte emocional, desenvolvimento de competências parentais e condições, visando comportamentos parentais de maior segurança e promoção de desenvolvimento;

b) Políticas que, com eficácia e eficiência, revitalizem e robusteçam em recursos o modelo de intervenção na infância e o conjunto de intervenções educativas, sociais e de saúde para responder, precocemente e de forma contingente, às primeiras necessidades de bebés, crianças e famílias;

c) Políticas que, com eficácia e eficiência, generalizem a possibilidade de acesso à educação dos 0-3 e a incluam, definitivamente, como parte essencial do sistema educativo, pensando-as não apenas na importante dimensão do cuidado e da segurança, mas como focos essenciais de promoção de desenvolvimento e equidade, pela sua qualidade educativa também resultante de uma formação mais sensível a estas idades e comprometida com a redução das desigualdades dos profissionais de educação.”

Termino, afirmando que a considero que “uma missão coletiva onde a sociedade civil, logo cada um de nós, tem um papel de advocacia, de pressão e de cidadania amplo.”

“Porque sem mais equidade e porque sem mais possibilidades de futuro para todos limita-se a mobilidade, a justiça e a coesão social. Limita-se a possibilidade de bem-estar individual e, assim, a possibilidade de bem-estar da comunidade.”

Link para Artigo: https://www.jn.pt/opiniao/artigo/uma-bala-de-prata-para-a-promocao-da-equidade/17856531

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Comportamento Filantropia FMG Fundação Mendes Gonçalves

Marra, comunidade.

O último filme de Ken Loach – The Old Oak – trata duas dimensões societais particularmente prementes e, conforme é comum aos principais desafios societais, trata dois temas interconectados entre si: por um lado, os fenómenos migratórios e os respectivos processos de inclusão e, por outro, a força da comunidade e os seus impactos, nos seus diversos e múltiplos sentidos. Não sendo – na minha opinião – o melhor dos seus filmes, creio que merece ser visto. Visto e reflectido.

Nele há uma pequena cadela que cumpre um acontecimento – logo um papel – importante e simbólico. Chama-se “Marra”, nome que advém de uma expressão utilizada frequentemente por comunidades de trabalhadoras/es mineiras/os (cujo filme em parte retrata) e que significa algo próximo da ideia de colega/companheiro/camarada… No fundo um/a de nós, alguém que cuida de nós.

Ora este cuidar – um cuidar pela e a partir da comunidade – é mensagem-chave da Fundação Mendes Gonçalves. Como referimos, nascemos do compromisso da Casa Mendes Gonçalves e do nosso fundador, Carlos Goncalves, com o “cuidar do presente e contribuir para a construção de um futuro promissor e para um Mundo mais sustentável e com mais oportunidades para todas as pessoas”. Um futuro que, ousando nós querer seja mais “equitativo, saudável, sustentável e com bem-estar para todos/as” implica o “cuidar das pessoas e dos ecossistemas. Do que nasce, cresce e se regenera”. Pois, “cuidar é cultivar o potencial das ideias, das pessoas, das famílias e da comunidade.”

Esta mensagem-chave, quer o Carlos Goncalves, quer eu, procuramos transmitir à Ilídia Pinto na conversa/entrevista que permitiu um trabalho para o Diário de Notícias e Dinheiro Vivo que muito agradecemos. No trabalho é destacada a construção do Centro Educativo – porque [o Carlos] “acredita, como eu também acredito, que a educação de qualidade é aquilo que pode ser mais transformador de uma sociedade e mais empoderador, funcionando como um elevador social” – e como os programas “Educar, Regenerar e Nutrir são os três pilares prioritários, numa lógica de filantropia de proximidade, contribuindo para o progresso da região e do país. Da Golegã para o mundo é o mote definido”, conforme apresenta a peça.

Peça que viaja, depois, pelos motivos, propósito e missão e posicionamento da Fundação Mendes Gonçalves, bem como pelas actividades previstas para 2025 e pela forma como estamos a pensar e projectar os próximos anos, particularmente até 2032… Conforme referi e é escrito na peça, 2032 “será uma boa altura, decorridos que estejam oito anos de funcionamento da FMG, para se fazer uma primeira avaliação de fundo sobre o que se conseguiu cumprir ou não, mas também para nos debruçarmos sobre a sua missão e refletir sobre os 80 ou os 800 anos, como o Carlos costuma dizer, seguintes da Fundação Mendes Gonçalves”.

Link: https://www.dn.pt/economia/construção-do-centro-educativo-da-fundação-mendes-gonçalves-arranca-este-ano-vai-custar-10-milhões

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Filantropia FMG Fundação Mendes Gonçalves Futuro da Psicologia

O melhor jardim-de-infância que já viu

Ontem comemorou-se em Portugal o Dia da Criança. Uma celebração, simbólica, que resulta da necessidade de uma justa e relevante homenagem às crianças que nos recorde os seus direitos, desde logo, mas particularmente o quão são o presente, o futuro e a base do legado que enquanto pessoas e sociedade pretendemos construir.

Presente, futuro e legado que, necessariamente, dependem do que fazemos hoje em períodos-chave do desenvolvimento das crianças, desde a gravidez à infância, com foco relevante no que conceptualmente hoje consideramos os primeiros 1000 dias. Que dependem, também, e numa perspectiva de promoção do desenvolvimento, florescimento e da promoção da equidade de acrescentarmos à narrativa e às políticas em torno do reforço da possibilidade de acesso à educação, a qualidade das práticas educativas no período dos 0-3 anos e da primeira infância de forma mais ampla, enquanto desígnio fundamental de cumprimento dos direitos de todas as crianças e de uma sociedade mais inclusiva e coesa.

Sabe, quem por aqui me acompanha, que estes aspectos são chave da missão e propósito da Fundação Mendes Gonçalves e, particularmente, do seu programa Educar. Saibam, também, que além da procura de uma filantropia de proximidade e do sustentar das nossas práticas numa cultura de evidência e estudo de impacto, queremos realizar a nossa acção em co-criação, promover e disseminar literacia e conhecimento e, pela advocacia e comunicação, influenciar políticas e práticas.

Esta “nossa forma de fazer” e a abertura e confiança da Fundação Santander Portugal (obrigado Inês Oom de Sousa e equipa) resultaram na organização conjunta de um evento dedicado à reflexão sobre o desenho de espaços educativos e o seu impacto nos processos de ensino-aprendizagem e bem-estar, dinamizado pelos arquitetos Takaharu e Yui Tezuka e Luis Oliveira (Tezuka Architects), aproveitando estarem em Portugal a propósito do lançamento da Fundação Mendes Gonçalves.

O evento, dedicado à disseminação de conhecimento (obrigado Pedro Cunha pela brilhante intervenção) e à advocacia junto de um conjunto de pessoas com capacidade de influência e decisão, partiu da apresentação do futuro Centro Educativo (0-10 anos) da Fundação Mendes Gonçalves, de que são responsáveis, mas, particularmente, do projecto do “Fuji Kindergarten”, “uma escola em Tóquio, [onde] crianças de 5 anos causam engarrafamentos e as janelas servem para o Pai Natal entrar (…) o JI mais adorável do mundo”.

A citação é a descrição da Ted Talk de T. Tezuka sobre “o processo de design [do Fuji] que permite às crianças serem realmente crianças”. Chama-se “O melhor jardim-de-infância que já viu” – https://www.ted.com/talks/takaharu_tezuka_the_best_kindergarten_you_ve_ever_seen?subtitle=en – e data de Setembro de 2014.

Num Setembro próximo teremos, finalmente, um Centro Educativo por si desenhado na Europa, em Portugal, na Golegã.

Em rede, pretendemos. A inspirar, aspiramos. Da Golegã para o Mundo.

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FMG Fundação Mendes Gonçalves Pobreza e Desigualdade Política

Pela não-normalização da ideia de interior. Pelo futuro de todos

Da crescente utilização de tecnologias no nosso dia-a-dia ao que vivemos aquando da pandemia por COVID-19. Do espectro da guerra na Europa a mudanças no quadro sociopolítico que nos pareciam impossíveis não há muitos anos. Enquanto seres humanos, tendemos a naturalizar quase tudo. Fizemo-lo, no país, com a ideia e, particularmente, com o que resulta da ideia, de interior.

Mas, se a tendência para a normalização decorre da condição humana, para a polarização é muito influenciada pelo contexto social. Das condições de vida à forma como as redes sociais determinam, hoje, o fluxo de informação e influenciam a formação de opiniões e identidades, tendemos para a criação de um nós versus outros e a afastar-nos, a polarizar. Fizemo-lo, no país, com uma progressiva clivagem litoral-interior e, particularmente, com o que dela resulta.

Hoje basta sairmos dos grandes centros urbanos para que a ideia de interior se comece a impor, como se passássemos uma fronteira física a caminho de uma outra realidade. O discurso no espaço mediático, as diversas categorizações da ruralidade aos territórios de baixa densidade, muitas das quais “bem-intencionadas”, reforçam uma certa diferença, um “uns” e “outros”, de maiores ou menores possibilidades e oportunidades, que não deveria ter e ser sentido, mais num país relativamente pequeno do continente europeu, como é Portugal.

Mas, se a ideia de interior, verdadeiramente, começa na nossa cabeça, é inegável que temos um exigente caminho pela frente, sobretudo na construção de um futuro equitativo, sustentável e com mais possibilidade e oportunidade de bem-estar para todas as pessoas. Uma ação colaborativa, entre diferentes entidades e atores, de diversos setores, público, social e privado, é essencial para atingir este fim, comunidade a comunidade, território a território.

Queremos para isso contribuir na Golegã e, a partir da Golegã e da região ao seu redor, co-construir e inspirar outros a fazerem-no noutras cidades, vilas e lugares. Queremos fazê-lo aqui, numa Golegã a pouco mais de uma hora de distância de Lisboa e duas do Porto, onde cresce o sonho e floresce a ideia de cuidar das pessoas e dos ecossistemas. Do que nasce, cresce e se regenera. Cuidar é cultivar o potencial das ideias, das pessoas, das famílias e da comunidade. Com “inquie-tudo”. Com ética, transparência e integridade, sabendo que há sempre mais para aprender, melhorar, contribuir e transformar.

A Fundação Mendes Gonçalves nasce do compromisso da Casa Mendes Gonçalves e do seu fundador, Carlos Mendes Gonçalves, com o cumprir deste objetivo, agindo localmente, mas colaborando e inspirando globalmente. A partir verbos “educar”, “regenerar” e “nutrir” definiremos e concretizaremos a nossa ação, procurando revitalizar uma filantropia comunitária ou de proximidade, pelo futuro de todos.

A ciência demonstra que investir nos primeiros anos de vida tem um impacto duradouro na saúde, aprendizagem e bem-estar individual, bem como na produtividade, equidade e coesão social. Heckman, prémio Nobel de Economia, define numa célebre equação que o melhor “retorno em desenvolvimento na primeira infância ocorre quando se investe o mais cedo possível”, principalmente “desde o nascimento e até os cinco anos de idade e em famílias com maiores vulnerabilidades”. Devemos, assim, concentrar-nos nos primeiros anos para uma maior eficiência e eficácia do investimento, reforçando, desde logo, a qualidade em educação que depende de relações seguras, práticas pedagógicas baseadas em evidência científica sólida, do envolvimento das famílias e da comunidade, bem como do contacto com a natureza. Queremos fazê-lo a partir do Centro Educativo (Berçário, Creche, Jardim-de-infância e EB 1º ciclo) que construiremos, que ambicionamos que integre a rede pública na Golegã e das colaborações que dele resultarão na criação e transferência de conhecimento.

Os princípios da produção e da agricultura regenerativa propõem uma mudança de paradigma fulcral: não apenas proteger, mas, antes, regenerar. Regenerar o solo, aumentar biodiversidade e os sistemas vivos. Isto minimizando a perturbação do solo, mantendo a cobertura vegetal, valorizando a biodiversidade, integrando, intencionalmente, animais e, principalmente, compreendendo e respeitando o contexto local. É uma visão que será por nós advogada, de cooperação com a natureza, de cuidado coletivo e de construção de resiliência e de futuro para as gerações que se nos seguem.

Hábitos de nutrição saudável e segurança alimentar contribuem para prevenir ou adiar o surgimento de doenças não transmissíveis, algumas crónicas e hoje responsáveis maiores pela perda de anos de vida com qualidade no nosso país, como são exemplo as doenças cardiovasculares, a diabetes ou a obesidade. Paralelamente, e porque relacionada com o bem-estar, uma nutrição saudável surge associada a menores níveis de ansiedade, depressão e declínio cognitivo, diminui gastos em saúde, aumenta a produtividade, melhora o comportamento e desempenho escolar das crianças, bem como o seu desenvolvimento cerebral e imunitário. Mais, facilita a adoção de outros comportamentos parte de um estilo de vida saudável, nomeadamente a cessação ou menor consumo de tabaco e álcool e a prática de atividade física, mitigando desigualdades sociais e de saúde. É, portanto, fulcral a um pensamento e investimento de futuro, equidade e desenvolvimento.

O desafio que abraçamos é grande, ainda que o ponto de partida seja um território com apenas um pouco mais de 80km2 e 5000 habitantes. Mas contribuiremos mesmo para uma educação de qualidade, capaz de gerar mudança. Contribuiremos mesmo para a regeneração dos solos e para modos produção e consumo mais inclusivos e sustentáveis, que desenvolvam os ecossistemas e preservem o planeta. Contribuiremos mesmo para uma nutrição e estilos de vida saudáveis como fontes de bem-estar e florescimento.

Contribuiremos. No plural. Com todas e todos e para todas e todos. Pela cocriação, através de alianças estratégicas que empoderem comunidades. Pela promoção da literacia e transferência de conhecimento. Advogando e comunicando, para influenciar políticas públicas, inspirar e disseminar boas práticas. Validando cientificamente e monitorizando o impacto.

Juntos, concretizaremos a nossa missão: Nutrir Futuros, Regenerar Legados. Da Golegã para o Mundo.

 

Tiago Pereira

Pela não-normalização da ideia de interior. Pelo futuro de todos.

in Eco; 06.05.2025

https://eco.sapo.pt/opiniao/pela-nao-normalizacao-da-ideia-de-interior-pelo-futuro-de-todos/

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Comportamento Emergência Climática FMG Política Psicologia

Três Pontos” | Catástrofes ambientais e saúde mental

Podemos, ao menos algumas e alguns, procurar desconsiderá-lo… Podemos, mas todos sabemos e sentimos a crescente frequência e intensidade dos fenómenos climatéricos extremos. Em Portugal e no Mundo, temperaturas mais elevadas e extremadas, seca, incêndios, mas também inundações ou furacões, para dar apenas alguns exemplos, impactam, significativamente, a vida, a saúde, incluindo a saúde pública e mental, e o bem-estar de pessoas e comunidades, particularmente as com maiores vulnerabilidades. Isto além do quanto desafiam economias, sociedades, sistemas políticos e ecossistemas, forçando a necessidade do rápido desenvolvimento de estratégias de adaptação para serem mitigados estes efeitos adversos. ​

Conforme aqui escrevi – https://www.linkedin.com/posts/tiagoandpereira_creio-prov%C3%A1vel-que-n%C3%A3o-tenham-existido-muitos-activity-7297174202934005761-c8xd?utm_source=share&utm_medium=member_desktop&rcm=ACoAABUdsUoBSQRUD9nKHxubGYmf2eFYmTQWxqU – segundo o Global Risks Report 2025 do World Economic Forum, os eventos climatéricos extremos são mesmo considerados, hoje, um dos principais riscos globais (2º mais identificado) e o principal dos riscos ambientais.

É por via desta relevância (social) que saúdo a iniciativa da @Universidade Aberta de realizar um episódio do seu pod e videocast “Três Pontos” sobre a temática das catástrofes ambientais e saúde mental, agradecendo terem-me confiado esse contributo que aqui partilho convosco (em vídeo no link abaixo, em podcast aqui: https://open.spotify.com/episode/30RVfMUFqrpzOXWvVofpuc). Na entrevista, que permite este trabalho, respondo a 3 questões em concreto:

a) Como é que as catástrofes ambientes afectam a saúde mental?

b) Que estratégias comunitárias podem ser implementadas?

c) O que podemos fazer para evitar a exaustão emocional e a consequente apatia climática?

Convido-vos a ouvir, reflectir, eventualmente comentar. E convido-vos a terem sempre presente que há cada vez mais evidência científica que demonstra a forma como tendemos a subestimar o apoio colectivo às acções e transição climática. Dito de outra forma, tendemos a pensar que estamos mais isolados nesta defesa e na defesa de ações, medidas e políticas que apoiem a transição do que realmente estamos, tendo isso forte impacto nas nossas práticas e, inclusivamente, no grau de definição das próprias políticas (públicas) muito dependentes da percepção da sua aceitação/defesa por parte das populações.

 

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Comportamento Democracia Desafios da Psicologia FMG Fundação Mendes Gonçalves Pobreza e Desigualdade Psicologia

0-3, regeneração

Um conjunto de regiões do país estão a ser sofrer/sofreram com o impacto da depressão Martinho que, desde ontem e até aos próximos dias, junta chuva e ventos impressionantes. Condições adversas que desafiam pessoas e (infra)estruturas. Condições adversas que (creio que para todos será perceptível), a serem quotidianas / permanentes, alterariam/transformariam a nossa forma de viver e os nossos próprios processos de interacção, aprendizagem e desenvolvimento.

Vem isto a propósito de nem sempre esta simples reflexão ser feita (ou pelo menos sermos consequentes com ela) relativamente a bebés e crianças que vivem, permanentemente, em situação de adversidade… De tempestade. E a propósito de, não raras vezes, não re reconhecer o impactos dessas situações e, ainda que existam, se “culpar” excessivamente a/o aluna/o por não atingir determinados resultados (desde logo de desempenho escolar) ou mesmo, em sentido mais amplo, tendermos maioritariamente a culpabilizar pessoas que vivem em situação de pobreza por viverem em situação de pobreza.

Ora, a este propósito, duas notas (também em jeito de convite) a partir de contributos que procurarei dar amanhã:

a) É crucial que, enquanto país e rapidamente, passemos a complementar o debate público sobre o acesso à educação (em particular nos 0-3 anos) com a qualidade que resulta desse acesso e internacionalizar-se, na sociedade civil e nos meandros da decisão (política), a importância de uma educação de qualidade no período 0-3 enquanto garante fundamental de uma base minimamente equitativa de oportunidades de desenvolvimento entre bebés e crianças em Portugal. No fundo, um contributo para mitigar (ou pelo menos prevenir que se aprofundem) desvantagens que, por vezes, existem desde literalmente o dia 0 de vida e cujo impacto de uma educação de qualidade pode ser decisivo. Sobre isso conversarei, na próxima 6ªF, a convite da Câmara Municipal de Mafra (que agradeço, informações abaixo) na sessão “A importância dos primeiros mil dias e a injustiça das injustiças” (e sabem qual é a injustiça das injustiças?);

b) É crucial tornar o verbo regenerar e os seus múltiplos significados mais saliente… Também amanhã, numa colaboração da Nova School of Business and Economics (Centro de Conhecimento “Leadership for Impact”) e a Casa Mendes Gonçalves, participarei na 1ª fase de uma iniciativa que convido a conhecerem e que pretende contribuir para a “aceleração” e desenvolvimento de projectos de impacto na área ambiental e, mais particularmente, da regeneração (https://lnkd.in/diyYnqCF), tema para uma conversa que terei com o Carlos Goncalves, também a propósito deste conceito no quadro dos programas, actividades e da visão e missão da Fundação Mendes Gonçalves.

Temas relevantes também ao momento que vivemos. Temas que não tocam apenas algumas e alguns, antes todos, hoje e para o futuro. Temas que devemos discutir, discutir e discutir, tornando-os salientes e quotidianos na agenda das/os decisoras/es.

Lá vos espero…

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Desafios da Psicologia FMG Fundação Mendes Gonçalves Política Psicologia

ESG

Creio provável que não tenham existido muitos momentos históricos em que fosse tão presente uma verdade inquestionável: que a ideia de futuro, ou de futuros possíveis, comporta sempre consigo uma carga imensa de imprevisibilidade.

 

Parte desta consciência (colectiva) assenta, naturalmente, na forma como estamos hoje mais conectados e a informação circula. Mas essa consciência provém, também, da profunda complexidade e incerteza que resulta da interacção de diversos factores – económicos, ambientais, geopolíticos, societais ou tecnológicos – e de como isso desafia a possibilidade de se “prever” com segurança o futuro.

 

Por isso falamos cada vez mais de antecipação (estratégica) e dela não procurar “prever”, antes explorar futuros possíveis e plausíveis, informados por trajectórias e mudanças emergentes.

 

Esta mudança é relevante quando se conjuga com tendências da sociedade. Vejamos a evolução anual do quadro da percepção dos riscos globais do World Economic Forum. O relatório de 2024, no top-10, identifica para os próximos 2 anos 2 riscos tecnológicos (a má-informação / desinformação é mesmo o n.º 1), 2 ambientais, 1 geopolítico e 2 económicos. Mas, talvez mais determinante seja pensar que o mesmo relatório, para os próximos 10 anos, não apresenta nos 10 primeiros quaisquer riscos económicos ou geopolíticos, tendo 5 ambientais (4 dos quais nos 4 primeiros lugares), 3 tecnológicos e 2 societais.

 

Isto sublinha a premência de se abordarem as dimensões de ESG (ambientais, sociais e de governança) das organizações e empresas. Sublinha que o devemos fazer de forma mais activa, intencional e particularmente tendo presente que será sempre limitado o espaço de florescimento e prosperidade de uma organização a médio/longo prazo quando o seu entorno (e a sociedade como um todo) não tenha, também, esse espaço de florescimento e prosperidade.

 

É desta visão e compromisso da Casa Mendes Gonçalves e do Carlos Goncalves que, também, surge a Fundação Mendes Gonçalves. É do seu espírito de contributo e estímulo que surge a parceria com a Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira e a Opera Education para a co-organização do Seminário Transformação ESG. Nele participarei, no seu 2º dia, com o Carlos Goncalves, a Giovana Bratti, o Charles Tokarski, o Cesar Blanco, o João Ferreira e o Mauro Peres intervindo sobre “Liderança e Impacto Social”.

 

Espero ter oportunidade de discutir a importância e o papel das organizações e lideranças no bem-estar (individual e colectivo), no reforçar das dimensões da equidade, diversidade e inclusão (neste momento em particular) e, ainda, o quão determinante pode ser para os futuros possíveis o contributo das organizações, também filantrópico, para transformações sistémicas a partir das comunidades de que são parte.

 

Venham daí.

 

Informações: https://ccilb.pt/eventos/transformacao-esg-a-revolucao-necessaria-para-o-futuro-empresarial-sustentavel-e-lucrativo/

 

Inscrições (gratuitas): https://marketing.egoi.page/5eAe6gpf/inscricao