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Espaço Jovem, Congresso

Neste último Sábado Gabriel Attal comemorou o seu 35º aniversário. Depois de ter tomado posse em Janeiro último, fê-lo enquanto primeiro-ministro de França, sexta maior economia mundial, num período particularmente incerto e exigente. Foi (é) o primeiro-ministro mais novo de sempre em França, depois de ter sido Ministro antes dos 30 anos. E foi nomeado por Macron, também ele, quando inicialmente eleito, o Presidente mais jovem de sempre em França e que tem sempre defendido a necessidade de incluir mais pessoas, mais jovens, nos processos políticos, pela identificação, participação e inovação que aportam ao debate, à co-construção e à decisão política.

Não posso estar mais de acordo e, creio que, além da justiça intergeracional que representa, que o tempo e os desafios que vivemos o exigem. Na política, certamente. Como noutras áreas da nossa vivência cidadã e profissional.

Na Ordem dos Psicólogos Portugueses temos procurado fazê-lo. Desde logo no conjunto de iniciativas que, desde há anos, mantemos junto de estudantes de psicologia, incluindo o mais recente projecto Estudante Embaixador OPP cuja candidatura para a 2ª geração se encontra aberta. Depois junto de diplomadas/os em psicologia e no acompanhamento dos anos profissionais júnior (estágios profissionais), incluindo o conselho consultivo. Ainda num conjunto de iniciativas conjuntas com associações representativas de estudantes e jovens profissionais e num grupo de trabalho com jovens psicólogas/os recentemente criado, numa tentativa de generalizar a identificação e participação da camada mais jovem da profissão no debate, co-construção e decisão da sua organização.

Voltamos a fazê-lo no próximo (6º) Congresso da OPP que decorre em simultâneo com o XIII Congresso da Federación Iberoamericana de Asociaciones de Psicología (FIAP), em Setembro e no CCB. Nele teremos o “Espaço Jovem” onde, partindo-se do conceito 3MT®, desenvolvido na Universidade de Queensland convidamos estudantes, diplomadas/os, psicólogas/os júnior e membros efectivos nos seus primeiros 5 anos de actividade, fundamentais para o crescimento da profissão, a apresentarem trabalhos relativos à sua prática profissional e/ou de investigação. Além dos prémios monetários previstos para as/os vencedoras/es, pretende-se reforçar a sua participação activa, reconhecer, dar visibilidade, comunicar e disseminar os trabalhos, bem como promover redes de contacto entre profissionais.

Se cumpres os critérios, submete o teu trabalho para avaliação pela comissão científica, também ela com jovens profissionais, presidida pela Isabel Soares. Se não, participe no Congresso e, desfrute, entre outras iniciativas e espaços de (re)encontro, neste Espaço Jovem.

2ª Geração – Estudante Embaixador OPP: aqui:

https://www.ordemdospsicologos.pt/pt/p/estudante-embaixador-opp

Submissões Espaço Jovem | Congresso OPP/FIAP:

https://abstracts.ordemdospsicologos.pt/pt/

Inscrições Congresso OPP/FIAP: https://congresso.ordemdospsicologos.pt/bilhetes-2024/

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Pobreza e problemas de saúde mental nas crianças e famílias: as duas faces da mesma moeda (Diário de Notícias; 22.02.2024)

Em 2022 assistimos a um aumento da taxa de risco de pobreza em Portugal. De acordo com o INE, 17% da população do nosso país viveu com rendimentos líquidos inferiores a 591 euros, mais 0,6 pontos percentuais que em 2021. Todavia, foram 20,7% as crianças que viveram em situação de pobreza, mais 2,2 pontos percentuais que em 2021.

A pobreza é um fator de risco bem conhecido para problemas de saúde mental uma vez que restringe o acesso a recursos económicos, sociais e pessoais necessários a uma vida saudável. Esta restrição, por sua vez, afeta o comportamento e diversos processos psicológicos e cognitivos. Assim, pessoas com menores rendimentos são expostas, com maior frequência, a fatores de risco e a hábitos de vida pouco saudáveis. A exposição a eventos adversos na infância é um mecanismo pelo qual a pobreza e a privação de recursos prejudicam a saúde mental. A situação de pobreza está muitas vezes associada a outras condições de vulnerabilidade. Ser criança em situação de vulnerabilidade social é, por vezes, também não ter família; viver em famílias desestruturadas, estar exposta, desde tenra idade, à violência doméstica, ao tráfico ilícito ou à dependência das drogas, ser olhada, viver na insegurança permanente, possuir uma baixa autoestima e não ter razões e estímulos para alimentar sonhos de um futuro esperançoso. A exposição a estas experiências adversas durante a infância está fortemente associada ao desenvolvimento de problemas de saúde mental ao longo da vida, tais como perturbações psiquiátricas e abuso de álcool.

Para além de constituir uma violação dos direitos humanos fundamentais a não erradicação da pobreza entre a população infantil significa uma dupla tragédia. Para a criança, que vê prejudicado o seu desenvolvimento físico, intelectual, mental e moral a que tem direito e, consequentemente, o seu futuro ficará comprometido; e para sociedade, que ao não preservar e desenvolver, o seu capital humano está a transferir custos sociais para as gerações vindouras.

Assim, uma estratégia eficaz de combate à pobreza tem que considerar, obrigatoriamente, a promoção da saúde mental, da mesma forma que a saúde mental da população depende de uma diminuição das situações de precariedade, pobreza e exclusão, particularmente nas crianças e jovens.

Consideramos que existem prioridades estratégicas em políticas públicas com vista à promoção da saúde e bem-estar de crianças e jovens e à diminuição das situações de pobreza e exclusão e sua “geracionalidade”. A primeira, ancorada em políticas de promoção da natalidade e sociais, que aponte aos primeiros 1000 dias de vida de um bebé (9 meses de gestação e os 2 primeiros anos de vida extrauterina) e aos impactos negativos no seu desenvolvimento integral, resultantes da exposição a situações de stresse significativo; Também a revitalização do modelo de intervenção precoce na infância e do conjunto de intervenções educativas, sociais e de saúde, incluindo saúde mental, para responder, precocemente e de forma contingente, às primeiras necessidades de bebés, crianças e famílias. Outras estratégias seriam a generalização do acesso a contextos educativos de qualidade a bebés e crianças dos 0 aos 3 anos e investir em programas de formação e desenvolvimento profissional da classe docente, fortemente comprometidos com a redução das desigualdades e com a capacidade de responder às situações de maior vulnerabilidade. Por fim, melhorar a qualidade do acolhimento residencial e reforçar os mecanismos de prevenção da violência doméstica e de reparação e mitigação de situações traumáticas.

O reconhecimento de que os problemas de saúde mental, nas crianças e famílias, são simultaneamente causa e consequência de situações de vulnerabilidade social, motivou a Universidade de Coimbra a associar-se a um consórcio europeu para implementar em Portugal o Projeto Europeu “Lets Talk About Children”. Este projeto, que se iniciou em 2023, permitirá capacitar os agentes de proximidade com crianças e jovens, como professores, educadores, outros profissionais da educação, da saúde e da área social, para que possam adquirir novas competências para trabalhar com as famílias, reconhecendo precocemente as suas necessidades psicossociais. É necessário, cada vez mais, que diversos agentes da sociedade civil se unam no compromisso de prevenção e redução à exposição de fenómenos de pobreza e exclusão das crianças e jovens.

 

Tiago Pereira, Paula Duarte e Joaquim Cerejeira

Pobreza e problemas de saúde mental nas crianças e famílias: as duas faces da mesma moeda

Diário de Notícias; 22.02.2024

https://www.dn.pt/312737185/pobreza-e-problemas-de-saude-mental-nas-criancas-e-familias-as-duas-faces-da-mesma-moeda/

 

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Ainda a pobreza em Portugal…

Ontem assinalou-se o Dia Mundial da Justiça Social, data instituída pelas United Nations com o duplo objetivo de promover “o emprego decente, especialmente para as mulheres e jovens” e a “construção de sociedades mais justas e equitativas”.

Comemoramos a data a caminho das Legislativas de 2024 e num dia em que se publicaram dados do inquérito “Rendimento e condições de vida – Pobreza, trabalho e educação 2023” que, entre outros, indicam 1) que o risco de pobreza de pessoas em situação de desemprego foi em 2022 significativamente maior (46,7%) que o de pessoas empregadas (10%) e reformadas (15,4%) e 2) que o nível de escolaridade é um factor chave na redução da pobreza porquanto em 2022 foram 5,8% as pessoas em risco de pobreza com ensino superior face a 13,5% com o ensino secundário e 22,6% com o ensino básico.

Conversei sobre estes dados com a jornalista Sara Rodrigues Tainha em reportagem da SIC que partilho. Assinalei, desde logo, como a dimensão emprego foi tão relevante num ano de 2022 “particularmente difícil”, onde vivemos a “maior inflação dos últimos 30 anos”. Emprego aqui proporcionador de “segurança, previsibilidade e de algum controlo para a vida das pessoas, garantes fundamentais da saúde e bem-estar”.

Falamos também do projecto “.Final à Pobreza” da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP), da relação das situações de pobreza com os problemas de saúde mental e da importância da educação na interrupção de ciclos geracionais de pobreza. Reforcei que “crescer num ambiente pautado pelo stresse associado a situações de pobreza e exclusão é, por si, um indicador negativo e preditivo de potenciais situações de pobreza no futuro”, pelo impacto decisivo no desenvolvimento, na educação e na saúde.

Disse, finalmente, que “estamos a viver um momento de campanha eleitoral” e que é muito importante que a pobreza e a sua erradicação “possa ser um tema… Um tema central da campanha”. Proponho que, a este propósito, se reflicta sobre as propostas da UNICEF Portugal, apresentadas pela Beatriz Imperatori, e sobre os contributos e propostas da OPP (ver ambas abaixo).

Proponho que reflictamos sobre o papel de cada um/a neste caminho e tenhamos sempre presente que um país com menos pessoas em situação de pobreza, menos desigual, mais justo e mais coeso é um país com maior potencial de desenvolvimento, de prosperidade e onde todas as pessoas, independentemente da sua condição, terão mais possibilidades de viver melhor.

 

Reportagem SIC

Rendimento e condições de vida – Pobreza, trabalho e educação 2023, INE

Legislativas 2024, UNICEF

Legislativas 2024, OPP 

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Como tornar urgente o que as urgências não permitem ser urgente nos Serviços de Urgência (Ao redor…; 30.01.2024)

Estou a ler um livro cuja epígrafe é dedicada “aos professores de humanidades, que, seguindo os passos de Ulisses, nos protegem dos lotófagos e do esquecimento”. A ilha dos “lotófagos” é uma construção de Homero acerca de um povo que, ingerindo a flor de lótus, viveria em permanente estado de amnésia induzida, mas, simultaneamente e por via desse estado, sempre com possibilidade de “começar de novo”. Uso parte dessa epígrafe para a epígrafe do artigo: que Ulisses nos proteja dos lotófagos e do esquecimento, permitindo que se torne urgente o que as urgências não permitem ser urgente nos Serviços de Urgência dos Hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

As sucessivas “urgências” no SNS e, mais especificamente, nos seus Serviços de Urgência, não têm permitido, há anos, que a urgente modernização e reestruturação do seu modelo e valorização dos seus profissionais possa ser planeada, implementada e avaliada com a participação e contributo das diferentes áreas e intervenientes – decisoras/es políticos, gestoras/es, profissionais, entidades parceiras e utentes. Fazê-lo e assumirem-se os sucessos, mas, também, os naturais erros e falhas destes processos para, em consequência, se melhorar, progressiva e incrementalmente, adaptando e aproximando os Serviços às necessidades e expectativas das pessoas e potenciado a sua articulação eficiente e eficaz com os diversos níveis do sistema.

Escrevia o Francisco Mendes da Silva, há dias, num artigo sobre imigração em Portugal – mas, acrescento eu, podia dizer sobre os Serviços de Urgência – que não existe um debate, antes “uma simulação de debate. Uma vozearia desordenada, uma espécie de ruído branco provocado por gente que trata o tema a partir de conclusões, não de premissas”. Conclusões lotófagas, quase sempre assentes numa ideia preconcebida, não raramente ideológicas e pouco suportadas na melhor evidência disponível, sempre influenciadas por casos específicos, desde as dificuldades de resposta sazonais ou picos de crise, a casos trágicos e/ou mediáticos. Conclusões pautadas por uma espécie de amnésia sobre as causas que aprofundam os problemas, causas que, em grande medida, em Portugal e em parte significativa do Mundo com o qual para estes fins nos procuramos comparar, apenas têm piorado (falta de profissionais de saúde, particularmente de médicas e médicos e de valorização dos profissionais existentes, por exemplo) e piorarão com o passar dos anos (envelhecimento da população e carga de doença/medicação, maior complexidade das doenças, …).

Estas conclusões são ainda pautadas pelo esquecimento do fundamental do que há a fazer, do quão existe conhecimento e qualificação no país para o fazer e confiança dos cidadãos no SNS que, apesar de todas as situações menos positivas dos últimos anos, continua a ser um serviço que no quadro dos países da OCDE é avaliado pelos portugueses como mais positivo do que a avaliação média dos cidadãos dos países da OCDE face aos seus serviços de saúde públicos. Como acima escrevi, Homero atribuía aos lotófagos esta esperança, sob a forma de uma eterna possibilidade de começar de novo.

O processo de reforma em curso, baseado na portaria “Resposta de proximidade às necessidades assistenciais em situação de urgência”, recentemente em consulta pública, representa uma nova esperança e oportunidade de mudança e melhoria. Como qualquer processo desta natureza, qualquer um/a de nós alteraria, retiraria e acrescentaria elementos. Como qualquer processo desta natureza, beneficia de debate público e de contributos, particularmente os que resultem da experiência de quem dia-a-dia enfrenta os desafios que se colocam, hoje, aos Serviços de Urgência. Beneficia da melhor evidência disponível e da observação e reflexão de diferentes experiências, desde as que demonstram resultados às que os não demonstraram. Necessita, pois, de ser faseado e particularizado, em virtude não apenas da importância da experimentação, mas, particularmente, do quão diferentes são as realidades de necessidades e recursos de Hospital para Hospital e de região para região.

Processo que pode e deve ser suportado na utilização das transformações em curso como estímulo e não obstáctulo. Dos investimentos na digitalização na área da saúde, previstos no PRR, ao potencial da inteligência artificial e dos avanços na realidade virtual e aumentada, passando pela nova organização da Direcção Executiva do SNS, pelos níveis crescentes de literacia da população e, até, apesar dos riscos da desinformação e desconfiança na ciência e instituições, dos elevados níveis de vacinação da população e de adesão a comportamentos pró-saúde se promovidos pelas autoridades.

Nesta transformação há espaço para o contributo da ciência psicológica e das psicólogas e psicólogos. Desde logo, para uma melhor organização, compreensão, comunicação e avaliação do sistema, envolvendo quem o utiliza, incluindo em situações que, como se esperam, irão implicar o deslocamento de utentes e acompanhantes para outras unidades de saúde e/ou momentos de atendimento. Também, no necessário reforço da promoção da literacia em saúde, elemento fulcral à prevenção e promoção de saúde, ao auto e heterocuidado e à melhor utilização dos serviços e recursos disponíveis. Ainda na definição de percursos e comunicação do que deve esperar a/o utente e acompanhante/s no Serviço de Urgência, promovendo-se previsibilidade, segurança e percepção de controlo, fundamentais a uma melhor gestão de expectativas, estabilidade e bem-estar especialmente em momentos particularmente sensíveis.

Noutro prisma, a integração de psicólogas/os nas equipas das urgências resulta num melhor apoio à gestão de situações de dor, stresse ou ansiedade agudas, de crise, emergência ou sofrimento intenso e na garantia de suporte emocional a utentes, acompanhantes e, em algumas situações, aos próprios profissionais. Resulta, também e em equipa multidisciplinar, num contributo para processos mais eficazes e personalizados de comunicação de informações clínicas e/ou de más notícias, considerando os impactos emocionais das mesmas. Parte destes contributos pode ser observado in loco no Hospital de São João onde, desde 2021 e com a integração de um/a psicóloga/o na equipa do Serviço de Urgência, tem sido desenvolvido um projecto, amplamente reconhecido como uma prática relevante e com impactos positivos.

Na verdade, aqui e ali, no Mundo ao redor, é imprescindível tornar urgente a reestruturação dos Serviços de Urgência em Portugal, país com maior número de episódios de urgência anuais per capita da OCDE, onde mais de 40% desses episódios são classificados como não urgentes e onde essas urgências não têm permitido a urgência dessa transformação. Como é imprescindível que esta reestruturação parta da compreensão dos factores psicológicos, comportamentais e organizacionais que determinam os indicadores anteriores e seja capaz de alterar os estímulos e obstáculos que se colocam às mudanças, também pela facilitação e melhoria do acesso e da equidade de acesso às verdadeiras portas de entrada de maior proximidade do sistema – o SNS24 e os cuidados de saúde primários. Para todo este processo, todas as pessoas e profissionais são relevantes e devem (poder) assumir os seus papéis e disponibilizar os seus contributos, incluindo as psicólogas e psicólogos e a ciência que ajudam a produzir, que tanto informa sobre como decidimos e nos comportamos.

 

Tiago Pereira

Como tornar urgente o que as urgências não permitem ser urgente nos Serviços de Urgência

in Sábado (Ao redor…); 30.01.2024

https://www.sabado.pt/opiniao/convidados/tiago-pereira/detalhe/como-tornar-urgente-o-que-as-urgencias-nao-permitem-ser-urgente-nos-servicos-de-urgencia

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(Prefácio) Carreira em Psicologia num Mundo Imprevisível – Pistas para Navegar com Confiança e Adaptabilidade

Tudo a lembrar-nos que o passado conta, que o passado “não está morto”, que “nem sequer é passado”, como escreveu Faulkner. Isto escrevi no prefácio do primeiro volume desta colecção, intitulado “Ser Psicólogo – O Início da carreira em Psicologia Pistas para que está a dar os primeiros passos numa carreira em Psicologia”. Palavras que aqui recupero, convidando, também, à sua leitura e evocando-o na relação com este segundo volume desta colecção de “Artigos PsiCarreiras da Ordem dos Psicólogos Portugueses”.

Numa relação que diria estreita, pois escrevi-o, lembrando os enormes e complexos desafios que vivemos e sublinhando “a necessidade da ciência psicológica e das psicólogas e psicólogos, sistematicamente, se desenvolverem e adaptarem a novos desafios e realidades, para melhor lhes responderem”. Reforçando, portanto, o quão fundamental resulta a forma como, cada psicóloga e psicólogo, individual, mas também colectivamente, pensa e projecta a sua carreira e o desenvolvimento pessoal e profissional e como a confiança e a adaptabilidade são factores chave neste processo.

Numa relação estreita, também porque a confiança e a adaptabilidade são chave no início como em toda a carreira e, arrisco, sê-lo-ão ainda mais no futuro, particularmente num contexto em que a incerteza, a imprevisibilidade e a rápida mudança contemporâneas se agudizem, Mundo fora. Num contexto em que a ciência psicológica, qual hub de ciência, e a prática de psicólogas e psicólogos, cresçam em relevância e impacto na medida da complexidade dos desafios que se colocam e colocarão à saúde, ao bem-estar e à possibilidade de autodeterminação das pessoas. Que se colocarão ao respeito pela diversidade de diferentes pessoas e comunidades. Que se colocarão à equidade, à justiça e coesão social de sociedades.

Estamos perante, portanto, um volume que, valendo por si, é parte de um todo mais amplo, em construção permanente a partir de múltiplos e relevantes contributos de tantas e tantos psicólogos que dia-a-dia apoiam pessoas, comunidades e a sociedade e a quem, enquanto psicólogo, mas também enquanto cidadão, muito agradeço. O seu contributo é fundamental na construção e desenvolvimento da identidade da profissão e de cada um e uma das profissionais que a compõem.

Nas páginas seguintes encontrarão espaço de encontro, de reflexão e estímulos vários à partilha e à criação de comunidade. Comunidade que, a par da confiança e da adaptabilidade, nos pode proteger e preparar para o que enfrentamos e enfrentaremos e suporte para o contributo importante, quiçá decisivo, que lhe e nos é reservado.

 

Tiago Pereira

(Prefácio) Carreira em Psicologia num Mundo Imprevisível – Pistas para Navegar com Confiança e Adaptabilidade

https://www.ordemdospsicologos.pt/ficheiros/documentos/opp_ebook_carreiraempsicologianummundoimprevisivel.pdf

DEZ; 2023

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All in the Mind

meiro apenas na rádio @BBC 4, hoje ainda nesta rádio e em podcast, o “All in the Mind” será um dos programas que semanalmente tratam temas da psicologia com maior longevidade no Mundo, indo a caminho dos 20 anos de edições.

Aprendi e pensei muito, portanto, a partir de vários dos seus episódios, particularmente desde que, via podcast, é mais simples seguir e acompanhar o programa. Foi por isso com uma certa emoção que conheci a sua actual apresentadora (@Claudia Hammond) em Julho, quando apresentou o meu keynote no European Congress of Psychology 2023 (Brighton, UK), conforme aqui havia referido: https://www.linkedin.com/posts/tiagoandpereira_quando-estou-fora-de-portugal-num-pa%C3%ADs-onde-activity-7084070839926628353-UPqL?utm_source=share&utm_medium=member_desktop

Foi também com emoção que, fará amanhã 15 dias, ouvi um dos seus episódios, apresentado pela @Claudia Hammond e produzido pela @Lorna Stewart. Episódio cujo link partilho e que conta com um contributo meu a propósito do papel da psicologia enquanto ciência e prática para um “ponto final à pobreza”, a partir da estratégia da @Ordem dos Psicólogos Portugueses que venho coordenando, conjuntamente com um grupo de colegas. Episódio cuja sua descrição refere a forma como procuro sublinhar como “as psicólogas e psicólogos estão numa posição fulcral para comunicar acerca das causas e consequências da vivência em situação de pobreza e para usar essa informação para exigir mudanças e contribuir para melhores políticas públicas”.

Na conversa com a @Claudia Hammond procuro também reflectir o porquê deste contributo ser diferenciador e como podem as psicólogas e psicólogos, dia-a-dia, nos seus diversos contextos de intervenção, também contribuir para este gigante mas tão importante desafio societal, salientando o seu papel na promoção da transformação social e a forma como, nas suas intervenções, nos seus últiplos contextos, devem considerar a especificidade das dimensões sócio-económicas e adaptar as intervenções, procurando ser mais sensíveis a estas dimensões e, logo, potencialmente mais eficazes e efectivas/os nos seus objectivos. Procurei, ainda, tratar as questões dos impactos da pobreza na infância e dos ciclos intergeracionais de pobreza, bem como explicitar o período específico (e a janela de oportunidade) que constitui os (primeiros) “1000 dias”, conceito e abordagem que neste artigo há meses desenvolvi: https://www.linkedin.com/pulse/1000-dias-tiago-pereira/

Termino, como terminei. Perguntou-me se estava optimista que as psicólogas e psicólogos poderiam “erradicar a pobreza”. Respondi que não, certamente que não, mas… Que estou optimista que, se isso for nossa prioridade, enquanto sociedade podemos efectivamente caminhar para a erradicação da pobreza e que será sempre mais simples fazê-lo se usarmos mais o conhecimento da ciência psicológica e o contributo da prática das psicólogas e psicólogos.

Assim o disse. Assim o sinto. Assim o espero que o sintam.

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Sozinho na Organização: Segurança Psicológica, bem-estar e potencial humano (Ao redor…; 05.12.2023)

Vivemos um momento do Mundo que nos recorda a cada dia, não necessariamente pelos melhores motivos, que a história se pode repetir. Ou, pelo menos, conforme a frase que se atribui a Mark Twain, que a história, não se repetindo, rima. Penso várias vezes nesta frase quando me confronto com os mesmos problemas base em algumas sociedades ou organizações que se manifestam, depois, de formas diversas. Não, de facto não se repetem, rimam porém.

Senão vejamos. Pensemos em dois nomes: George Floyd e Rodney King. Ambos cidadãos norte americanos, brutalmente espancados por polícias numa situação banal das suas vidas (após conduzirem uma viatura). Ambas situações filmadas, partilhadas publicamente e desencadeadoras de impressionantes e, por vezes, violentas manifestações. Manifestações como as do movimento “Black Lives Matter” que, como a tantas outras pessoas, estou certo, muito me impactaram. Ou como os “Distúrbios de Los Angeles de 1992”, parte do meu imaginário, também documental, pós-absolvição em tribunal dos polícias envolvidos na agressão a Rodney King e que conduziram a mudanças significativas, incluindo um novo julgamento que resultou na condenação de dois dos polícias envolvidos e a uma frase profundamente impactante do advogado de King: “Finalmente conseguimos filmar o Monstro do Lago Ness.”

O racismo, portanto, numa das suas expressões. Mas outros exemplos poderia partilhar, de misoginia ou desigualdade de género, homofobia, desrespeito pelas diversas expressões e orientações sexuais, fundamentalismo religioso ou idadismo. Trago, no entanto, outro “monstro”. Por vezes invisível, mas perturbador, impactante, bloqueador, que rima entre tempos e equipas e organizações. A insegurança psicológica.

Falamos em baixos salários, e ainda bem. Em precariedade, e ainda bem. Falamos em desmotivação das equipas, e ainda bem. Em dificuldades de conciliação da vida pessoal, familiar e profissional, e ainda bem. Falamos de cansaço, de burnout, e ainda bem. De modelos de trabalho, e ainda bem. Não falamos, geralmente, da segurança psicológica enquanto elemento fundamental ao bem-estar no contexto de uma equipa ou organização, ao desenvolvimento, ao potencial humano e à produtividade.

Falamos muito pouco de como os nossos contextos, particularmente os de trabalho, são organizados no sentido de estimularem verdadeiramente a inclusão de todas as pessoas quando estão nos seus melhores, mas também nos seus menos bons, momentos. Falamos muito pouco da criação de ambientes seguros para trabalhadores e trabalhadoras expressarem e vivenciarem as suas ideias e a sua identidade, quer seja social, cultural, religiosa ou outra. Como os contextos promovem ou não promovem a possibilidade da pessoa, numa equipa ou numa organização, correr riscos interpessoais, criticar construtivamente, ter abertamente opiniões e assumir posições não maioritárias sem que a percepção da consequência destes actos resulte no seu evitamento ou numa penalização que acometa sofrimento ou outras consequências negativas.

No fundo, de como a segurança psicológica é fundamental à boa comunicação, importantíssima em contextos de e com diversidade. À coesão, fulcral à flexibilidade, honestidade e confiança, tão relevantes, por exemplo, aos modelos de trabalho híbrido e personalizados a cada trabalhador/a. À possibilidade de expressão emocional, de diferentes emoções, de podermos estar sem estar sempre bem, estar com as nossas vulnerabilidades, sentindo-nos apoiados, suportados e não ameaçados e julgados. Como é fundamental ao trabalho em equipa, à aprendizagem e desenvolvimento profissional de trabalhadoras/es e equipas. À boa tomada de decisão, à exploração de cenários, soluções e ao pensamento crítico. À investigação. À criatividade.

Como, ao contrário, a ausência de segurança psicológica obstaculiza o envolvimento, a relação, o auto e heterocuidado. Como promove a desresponsabilização individual e colectiva e a desconfiança.

A segurança psicológica, muitas vezes mais do que aquilo de que quotidianamente falamos e ouvimos ser discutido, é base e suporte de tudo isto e de todas e todos. É base de desenvolvimento, de prosperidade e de produtividade de equipas e organizações, porque empodera as pessoas, potenciando-as. Porque cria verdadeiros caminhos para mais e maior propósito sentimento de pertença e significado. Para maior possibilidade de bem-estar e saúde, incluindo mental, a partir do local de trabalho.

É por ser um elemento central hoje numa organização que julgo relevante sublinhar que a formação e desenvolvimento de lideranças de equipas e organizações deve atender à priorização, intencionalização e a competências, valores e comportamentos chave para a promoção da segurança psicológica. Deve, portanto, apoiar a criação de climas organizacionais inclusivos e positivos, onde cada pessoa possa ser validada e considerada no seu contributo, também por via de estilos de liderança mais suportivos ou participados, onde as emoções e o exemplo sejam parte. Ou, noutro prisma, pela forma como as orientações e processos de trabalho são organizados, co-construidos e partilhados ou como o próprio espaço físico de trabalho permite lugares de interacção e relação securizantes e, logo, pensados e desenhados com essa intenção.

Devemos, neste sentido, caminhar no sentido de mais organizações falarem sobre este tema, se comprometerem com a criação de locais de trabalho promotores da segurança psicológica e, mais importante, serem consequentes com esse compromisso. Prevenindo dessa forma que tenhamos, na vida real das organizações, adaptações de histórias ficcionais clássicas que nos habituamos a ver e rever em período de Natal.

Na verdade, aqui e ali, no Mundo ao redor, entramos em Dezembro e com Dezembro chega um imaginário de filmes, músicas, casas e ruas decoradas. Chegam momentos de encontro e reencontro que, infelizmente não para todas as pessoas, trazem conforto, afecto, carinho. Trazem segurança, incluindo psicológica. Que esta época nos inspire a um maior compromisso com a promoção da segurança psicológica nos diversos contextos, equipas e organizações. Que nos inspire a rimar a época ao longo do ano, projectando o conforto, afecto e carinho. Possibilitando mais bem-estar, florescimento e maior potencial de cada pessoa se cumprir com o apoio e suporte de todos nós.

Tiago Pereira

Sozinho na Organização: Segurança Psicológica, bem-estar e potencial humano

in Sábado (Ao redor…); 05.12.2023

https://www.sabado.pt/opiniao/convidados/tiago-pereira/detalhe/sozinho-na-organizacao-seguranca-psicologica-bem-estar-e-potencial-humano

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Urgentemente.

Como sempre: Voltamos a encontrarmo-nos no passado dia 07 de Dezembro no X Seminário de Psicologia da Educação, uma organização conjunta entre a Direcção-Geral da Educação e a Ordem dos Psicólogos Portugueses.

Como sempre: Uma sala cheia de psicólogas e psicólogos junto de directoras/es de Agrupamentos de Escolas e outras/os técnicas/os especializados, vindos um pouco de todo o país. Reunidos para pensar o contributo da psicologia e da intervenção psicológica em contexto escolar hoje, e, não menos importante, para reencontrar colegas e amigas/os, confraternizar, partilhar, discutir, desabafar, criar comunidade e construir soluções para os desafios actuais e prementes.

Como sempre: Para mim, momento especial onde me sinto parte de diferentes formas… dos grupos de colegas que reencontro e com quem partilhei contextos escolares na condição de psicólogo; dos grupos com quem partilhei as salas de aulas da Universidade na condição, primeiro, de colega estudante e, depois, de docente de psicólogas e psicólogos hoje em contextos educativos; do grupo, conjuntamente com o Francisco Miranda Rodrigues, com a Sofia Ramalho e com um conjunto de outras pessoas que, desde a assinatura de um protocolo há já quase 10 anos, tem procurado uma profícua colaboração com a Direcção-Geral da Educação no sentido de uma maior, mais capacitada, mais suportada, mais impactante e mais permanente presença da ciência e da prática psicológica em contexto educativo.

Como sempre: Um dia em que o importante prevalece e em que a condição específica em que nos encontramos previne um “mantra” do dia-a-dia das Escolas: “o urgente não deixa tempo para o importante”. Foi exactamente uma tira da Mafalda do Quino com esta expressão que utilizei como mote para a moderação da sessão “Políticas de saúde psicológica e bem-estar de crianças e jovens – Um compromisso social”.

Como sempre: o Francisco Goiana da Silva, a Isabel Loureiro, a Margarida Gaspar de Matos e o Miguel Arriaga ofereceram conhecimento, perspectiva, reflexão e, essencialmente, compromisso ao painel e à forma como se pensaram as dificuldades, é certo, mas também as oportunidades, o caminho percorrido e, essencialmente, como podemos melhorar e operacionalizar colaborações e articulações. Como podemos melhor pensar a promoção da saúde (e da saúde mental) e do bem-estar em contexto educativo e em todas as políticas públicas, potenciando e priorizando também possibilidades de prevenção, promoção e articulações entre áreas, nomeadamente da educação, saúde e área social.

Como sempre: É urgente voltarmos ao “Urgentemente” do Eugénio de Andrade com que terminei a sessão… Para relembrar que é “Urgente o amor”. Para nos relembrarmos do nosso papel num contributo social e cívico para com a promoção da saúde psicológica e do bem-estar.

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(Des)equilíbrios em Saúde Mental

“Aqui e a vós voltarei quando, muito em breve, a RTP Açores transmitir o debate”, escrevi aqui há dias. E… Aqui estou, para partilhar convosco a série “Mental Talks”, integrada no “Lo(u)cotório”, um projecto promovido pela ARTAC na Região Autónoma dos Açores, que tem como principal objectivo “contribuir para uma comunidade mais informada em saúde mental e participativa no combate ao estigma associado à doença mental.”

Conforme o compromisso, partilho a ligação ao primeiro episódio onde eu, o Daniel Rijo e a Marta Bulhões, sob o mote “(Des)equilíbrios em Saúde Mental”, discutimos os determinantes socais da saúde/doença mental e o papel do estigma, da literacia e do auto e heterocuidado na promoção da saúde mental. Fizêmo-lo reflectindo, também, sobre estratégias e factores de risco de risco e protecção, incluindo questões associadas ao binómico vida pessoal e familiar/trabalho e o impacto do mesmo na saúde mental, além, claro está considerando as especificidades da Região Autónoma dos Açores, da reflexão de como a ciência pode informar as políticas públicas nestas áreas (saúde, social, educação, …) e de como os primeiros anos de vida são fundamentais para promover mais oportunidades de bem-estar e autodeterminação ao longo da vida.

Voltando a agradecer a confiança e o convite para dar o meu contributo para o projecto à sua coordenador científica (Célia Maria Barreto Carvalho) e à sua equipa de produção (Sara Ponte e Filipe Tavares), deixo também a ligação do 2º episódio, onde sob o mote “(Des)construir a identificação e o tratamento da doença mental” participaram a Joana Moura Cabral, o João Mendes Coelho e a Vanessa Goulart Amaral (https://www.rtp.pt/play/p12510/e732936/mental-talks-2023).

Deixo, ainda e finalmente, o convite para assistirem amanhã na RTP Açores (ou depois na plataforma RTP Play) ao 3º e último episódio, onde sob o mote “(De)stressar e conviver com a ansiedade” participam a @Maria do Céu Salvador, a Marta Rebelo e o Pedro Morgado.

Dizia, também no texto que mencionei na abertura, que este era um “projecto com uma imagem forte, com qualidade, pertinência, seriedade e, creio, impacto. Um projecto a seguir, a continuar e com potencial de inspiração para a acção de outras pessoas e entidades, de outros territórios, nesta importante área.” Dizia-o e reforço-o. Conforme reforço o meu – e penso, nosso, de todas as pessoas que participaram no projecto – compromisso com a missão de contribuir, dia-a-dia, “para uma comunidade mais informada em saúde mental e participativa no combate ao estigma associado à doença mental”. Para uma sociedade mais sensível e inclusiva, com maior equidade e com mais possibilidades de saúde, bem-estar e autodeterminação para todas as pessoas.

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+ Jornadas SPC

“D’antigamente à livre mente”, foi o mote das II Jornadas do Serviço de Psicologia Clínica do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa . Encontro que fez do passado 29 de Novembro, dia de partilha, reflexão e de desenvolvimento profissional, é certo, mas também pessoal, porque foi momento de (re)encontro de um conjunto alargado de psicólogas/os e outras/os profissionais.

Tive duas intervenções nestas Jornadas. A primeira, na sessão de abertura, permitiu que reforçasse o pioneirismo da equipa do Centro Hospitalar em fazer crescer e consolidar o Serviço de Psicologia Clínica e fazer dele, há anos, o primeiro de Portugal Continental a receber e financiar anualmente um conjunto de psicólogas/os júnior, alguns hoje plenamente integrados na equipa.

Sublinhei o momento que vivemos na saúde (nomeadamente a organização da ULS) que, comportando naturalmente a complexidade da mudança, traz também oportunidades, particularmente na área da psicologia, reforçando a disponibilidade de contributo da Ordem dos Psicólogos Portugueses, também com a equipa que tem apoiado este processo coordenada pelo Eduardo Carqueja. Finalmente, deixei um estímulo a que o pioneirismo continuasse numa melhoria e capacitação do Serviço para o aprofundamento da diferenciação das suas respostas; para a consolidação de intervenções baseadas na melhor evidência disponível (what works), para a forma como devemos atender, mais, aos acontecimentos / momentos de transição desenvolvimental e ter uma atitude de prevenção dos problemas de saúde mental ancorada na promoção e na protecção em momentos chave; e, finalmente, para o imperativo do investimento no desenvolvimento profissional e na possibilidade de auto e heterocuidado da equipa.

Fi-lo agradecendo o acolhimento na pessoa do presidente do CA, Carlos Alberto, a toda a equipa. Fi-lo, ainda, na pessoa da Marcia Mendes a todo o Serviço, a organização das Jornadas e o convite para a segunda intervenção.

Esta na mesa “Locais de Trabalho Saudáveis – Motivação das Equipas”, moderada pela filipa carneiro e que contou com interessantes intervenções, experiências e perspectivas do Hugo Lopes e do Ricardo Costa.

Na intervenção, que apelidei de “+ Jornadas SPC”, foquei-me nestas iniciais do Encontro, transformando-as para sublinhar a importância da jornada (conjunta) e do incrementalismo na motivação das equipas. Motivação enquanto factor importante mas não único responsável pelo nosso comportamento, reforçando o papel da capacidade, oportunidade e do envolvimento que, necessariamente, decorre também da Segurança Psicológica dos contextos (de trabalho), para terminar com a importância da Comunidade (equilibrando a hiperespecialização e dispersão de actos) e da Confiança, fundamental a todas as equipas/processos.

Espero que tenham sido contributos interessantes e espero, também, pelas III Jornadas, enquanto marco do caminho de afirmação do Serviço de Psicologia na resposta integrada de promoção de saúde e bem-estar daquela grande comunidade.