Depois de aqui ter desejado “Construirmos mais Paz” em 2022 (https://www.sabado.pt/opiniao/convidados/tiago-pereira/detalhe/um-desejo-para-2022-construirmos-mais-paz) e “Promovermos mais bem-estar para todas e todos” em 2023 (https://www.sabado.pt/opiniao/convidados/tiago-pereira/detalhe/um-desejo-para-2023-promovermos-mais-bem-estar-para-todas-e-todos)…
“Um desejo para 2024? Um país mobilizado contra a violência doméstica”, 73º artigo da rubrica “Ao redor” (Revista Sábado) parte da memória de um concerto que assisti no dia do meu aniversário de 2023 onde a cantora leu cada nome de cada Mulher assassinada em Portugal em 2022. Por cada nome, centenas de outras ocorrências comunicadas e outras tantas não comunicadas. “A violência doméstica, em particular no contexto das relações de intimidade, é um sério problema de saúde pública e condiciona decisivamente a vida e o bem-estar das pessoas que a vivem, directa e indirectamente, afectando a sua possibilidade de desenvolvimento e o desenvolvimento social e económico do país.”
“Por isso necessitamos de um país mobilizado contra a violência doméstica. Capaz de produzir mudanças definitivas nas normas culturais, sociais e religiosas que, por vezes, ainda concorrem para uma cultura de tolerância ou de não aplicação de Leis na violência, particularmente na violência doméstica. Um país mobilizado para mudar a cultura de medo e estigma ainda persistente e dar passos firmes no sentido da verdadeira igualdade de género. Mobilizado para mudar também na e pela Educação, prevenindo precocemente ciclos de reprodução geracional destes comportamentos.”
“Tudo isto é fundamental num país em que, apesar de tudo, parte das forças políticas parece desperta para esta realidade e tem procurado actuar, quer via legislação, quer via mecanismos de apoio social, casas de abrigo ou de respostas de apoio psicológica para crianças e jovens vítimas de violência doméstica (…) Onde associações profissionais e profissionais têm dado um contributo na consciencialização, literacia, prevenção e na intervenção junto deste problema (veja-se o “Memorial Mapa” do António Castanho).”
“Mas muito mais há a fazer, incluindo não retroceder em progressos nesta área (…) Tal implica o combate a ideias e forças políticas (como o “Partido Chega”) que, cinicamente, criam condições para a perpetuação de desigualdades que estruturalmente determinam estes problemas. Além de votarem declaradamente contra medidas de apoio a pessoas vítimas de violência (…) “utilizam” a percepção de perda de poder de determinados grupos na sociedade com fins políticos, visando ganhos eleitorais momentâneos e desconsiderando as implicações sociais e políticas do uso do medo, ódio e do nós vs. outras/os.”
“Mobilizarmo-nos contra a violência doméstica é uma forma de promovermos a liberdade, aumentando as condições para cada ser humano se procurar cumprir, também nas suas relações (…) Que 2024 veja essa acção. Que 2024 seja o ano que precisamos.”