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Trends

Ontem voltei a Évora para reflectir com cerca de 200 jovens o conceito de trabalho e o que ele significa hoje e poderá significar no futuro. Manhã cedo, na viagem, pensei sobre a “falácia do trabalho árduo” e a ideia que permanece, culturalmente intrincada, que se nos esforçarmos e dedicarmos mais seremos capazes. Não me entendam mal, o compromisso, a dedicação e o empenho são muito importantes e, quem me conhece reconhecerá que são elementos fundamentais no que sou enquanto pessoa e profissional. Mas, o “trabalho árduo” não permite tudo, não resolve tudo e, fundamentalmente, não torna abordagens/práticas inadequadas correctas. A ideia do “trabalho árduo” pode ser uma enorme falácia.

Sermos com isto consequentes, creio, implica termos capacidade de nos questionar, de olhar ao redor e, essencialmente, de estarmos abertos a mudar. Sermos com isto consequentes, creio, implica também percebermos tendências e compararmos como se alteram de contexto para contexto e tempo para tempo. Por estes dias fiz este exercício com as “Top Psychology Trends” da American Psychological Association, anualmente publicadas desde de 2018, comparando as desse ano com as de 2024 (que aqui partilho) e como se relacionam com os desafios/características da psicologia em Portugal.

Ora, se para 2018 se considerava a psicologia como “mais popular que nunca”, em 2024 assume-se “a elevada procura de cuidados em saúde mental e como podem novas práticas clínicas e a tecnologia apoiar na resposta a esta maior procura”, bem como o “crescimento das psicólogas e psicólogos em contexto escolar” e no “ensino superior”. Se em 2018 se salientava “o custo e impacto de locais de trabalho não saudáveis”, em 2024 sublinha-se o papel da psicologia na promoção de locais de trabalho garantes de “propósito, significado e estabilidade”. Se em 2018 se referia o crescimento do impacto da “psicologia aplicada” e o foco na “defesa, desenvolvimento e abertura da ciência”, em 2024 destaca-se o papel da psicologia “no combate à desinformação em ano eleitoral”, na intervenção junto do “uso de substâncias” e no “desenvolvimento cerebral e promoção do envelhecimento saudável”.

Mas mais, se em 2018 se destacava a urgência que a “igualdade de género” representava para a psicologia, em 2024 sublinha-se como a psicologia pode apoiar a promoção da “inclusão e equidade” nos contextos de trabalho ou nas políticas públicas. Ou, se em 2018 se destacavam “os determinantes (sociais) da saúde e bem-estar”, o papel da psicologia numa ideia de “saúde mais global” e se pensava a “personalização de intervenções” e como a “tecnologia revolucionaria as práticas”, em 2024 aborda-se o impacto e papel da psicologia na “Inteligência Artificial generativa” e como “serão valorizadas, também monetariamente, as tecnologias e aplicações em saúde mental”.

Questionarmo-nos, olharmos ao redor e mudar, quando mudarmos nos aproxima de um melhor contributo.

Venha daí 2024 e obrigado por nos irmos encontrando, aqui e/ou noutro lugar.

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