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Ao redor... (Revista Sábado) Desafios da Psicologia Educação

9 décadas Vs. 9 meses – A saúde mental como matéria-prima do tempo que vive(re)mos (Ao redor…; Sábado; 19.04.2022)

Um pouco mais de 9 décadas separam o ano de nascimento do Gil da sua bisavó, a pessoa mais velha da sua genealogia. Olhando através das gerações, conforme convencionadas, a sua bisavó pertence à geração S (Silent) e atravessou as gerações Baby Boomers (das suas avós e dos avôs), X (do seu tio), Y (da sua mãe e pai), Z (das suas primas e primos mais velhos), a (do seu irmão) e a geração ainda sem nome que previsivelmente caracterizará as pessoas que como ele nasceram em 2021. Em 9 décadas, a sua bisavó viveu a II Guerra Mundial, a Guerra Colonial, a Guerra Fria e o Terrorismo. Viveu a Grande Depressão, a crise do subprime e períodos de forte expansão económica, também em Portugal. Viveu a emergência e queda do Estado Novo, o 25 de Abril de 1974 e a integração de Portugal na União Europeia. Viveu a transformação dos direitos humanos, a democratização das sociedades, a globalização e um recente questionar dos direitos e (re)emergência do autoritarismo. Viveu as transformações nos transportes, incluindo as idas à Lua e ao Espaço, e de comunicação/conectividade, do telefone à televisão, da internet às redes sociais e realidade virtual. A minha avó Felismina viveu tudo isto e muito mais, em mais de 9 décadas. O Gil, meu filho mais novo, viveu, consigo e comigo, nos seus nove meses de vida, a pandemia COVID-19, as primeiras viagens comerciais ao espaço, o relatório da ONU que confirma as primeiras mortes em contexto de guerra com decisão exclusiva da inteligência artificial (sem intervenção humana) e a Guerra na Ucrânia. 9 meses que comparam com 9 décadas confirmando a aceleração do momento que vivemos. Um tempo de enorme complexidade, volatilidade, ambiguidade, incerteza e, claro, imprevisibilidade. Um tempo em que a saúde mental das pessoas está naturalmente ameaçada e impactada no exacto momento em que, mercê todas as previsíveis transformações e toda a necessidade de adaptação, reacção à adversidade e aos acontecimentos de vida, muito dela necessitamos.

Não me canso de sublinhar que, conforme sucede com a paz (muito mais que a ausência de guerra), quando falamos de saúde mental não falamos de doença mental ou mesmo da sua ausência. Falamos, de acordo com a definição da Organização Mundial da Saúde, de “um estado de bem-estar em que os indivíduos podem cumprir as suas capacidades, lidar com as adversidades da sua vida, trabalhar de forma produtiva e contribuir para a sua comunidade”. No fundo, falamos de um estado de bem-estar que permite o florescimento e a adaptação e que resulta de um conjunto de determinantes (biológicos, psicológicos, sociais), do desenvolvimento de competências e da disponibilidade de recursos para viver o dia-a-dia. De recursos internos e de autocuidado, de recursos externos, de heterocuidado e suporte social e de ajuda especializada, quando tal se justifica. Não me canso de sublinhar porque, infelizmente, creio ainda não inscrito junto da sociedade, das instituições às pessoas, passando pelas decisoras e pelos decisores, onde, creio, por vezes persistir um viés que opõe, em polos, a doença mental à ausência de doença mental e não à saúde mental.

É, também, por ausência desta inscrição que considero particularmente relevante e até corajoso que instituições da sociedade civil invistam na saúde mental e contribuam para a afirmação conceptual da saúde mental e do quão fundamental é a sua promoção, no presente e para o futuro das pessoas, das comunidades e do país. Assim o fez a Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) que, com o apoio da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP), apresentou no passado dia 11 de Abril (candidaturas até 19 de Junho) um programa dirigido a serviços de saúde/psicologia de instituições de ensino superior públicas,que se baseia no conceito de saúde mental e investe (até 100.000 euros) em projectos que apostem na sua promoção, a par da promoção da literacia, do desenvolvimento de competências socioemocionais e da resiliência (não apenas na recuperação, mas na resiliência) no contexto do ensino superior.

Um programa profundamente responsivo à hoje significativa e abundante evidência científica que confirma a premência e pertinência deste investimento, com o propósito de servir de estímulo ao futuro e a novas e boas práticas nestes domínios, baseadas na articulação interinstitucional e entre serviços, no envolvimento das e dos participantes no desenho e avaliação dos projectos e na sua transferibilidade e sustentabilidade.

Um programa profundamente responsivo, também, porque a população jovem foi desproporcionalmente afectada pela pandemia (como aliás havia sido na crise socioeconómica do início da década anterior), quer a nível económico e social, quer psicológico. Se antes da pandemia 15 a 25% dos e das estudantes universitárias sofria com problemas na área da saúde mental (com um aumento da prevalência e da gravidade nos anos que a antecederam) e 44% apresentava um “nível inadequado ou problemática de literacia em saúde (e saúde mental)”, a pandemia agravou significativamente este cenário com 55% das e dos estudantes a relatarem que a “sua saúde mental piorou” nestes últimos dois anos, 38% dos e das quais referindo que isso condicionou o seu desempenho académico (com impacto nos muitos preocupantes níveis de insucesso e abandono no Ensino Superior em Portugal) e 28% que, em consequência, fez medicação relativa a estes problemas, quase metade sem qualquer consulta ou prescrição nesse sentido (por dificuldade de acesso a cuidados nesta área).

Um programa profundamente responsivo, finalmente, à necessidade de diminuirmos a rigidez na análise de quais as competências mais úteis para o nosso futuro pessoal e profissional, de produtividade e de bem-estar. À sobrevalorização de competências técnicas, o ensino superior deverá responder com a promoção de competências socioemocionais e facilitadoras (como a autoestima, a autorregulação emocional, a capacidade de adaptação e resolução de problemas, a empatia e altruísmo, a cooperação ou a capacidade de trabalho em equipa), hoje, embora já menos, ainda subvalorizadas, e com a promoção da saúde mental, atributos que preparam as pessoas e sociedades para o futuro.

Um pouco por tudo isto creio fundamental que a geração do Gil, desafiada que será pela imprevisibilidade e incerteza do futuro próximo e menos próximo, necessitará de uma comunidade, um país e um Mundo que invistam na promoção da confiança (em nós, nas outras e outros e nas instituições), da coesão social, da universalização e generalização dos direitos (humanos) e do bem-estar. Invistam na literacia, na resiliência e na saúde mental, de cada individuo e da sociedade.

Na verdade, aqui e ali, no Mundo ao redor, a saúde mental é hoje uma matéria-prima fundamental que importa, não apenas preservar, mas estimular, enquanto recurso fundamental ao presente e futuro. Enquanto ferramenta essencial aos complexos e tremendos desafios societais que enfrentaremos. O programa “Saúde Mental no Ensino Superior” é um contributo da FLAD e da OPP que nos deve mobilizar para este desígnio colectivo: acreditar que seremos capazes de construir um futuro com maior produtividade, equidade e possibilidade de bem-estar de todas e todos, desígnio para o qual a população jovem é essencial.

 

Tiago Pereira

in Sábado (Ao redor…); 19.04.2022

https://www.sabado.pt/opiniao/convidados/tiago-pereira/detalhe/9-decadas-vs-9-meses—a-saude-mental-como-materia-prima-do-tempo-que-viveremos

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3 dias para o 25.4.2022

Auto-determinação, direitos humanos, não discriminação, equidade, coesão social, saúde (e saúde mental), educação, capacitação, trabalho, ciência (e evidência), dignidade, confiança, inclusão, participação, abertura à/ao outra/o, diversidade, cooperação, ética, cidadania, responsabilidade, solidariedade e bem-estar.

A 22.04.1974 muitas pessoas, país e Mundo fora, em diferentes contextos e com diferentes proveniências, partilhavam da aspiração e do desejo de verem possibilitados e cumpridos em Portugal estes 22 valores. Faltavam, como hoje, 3 dias para o dia 25 de Abril. Dia em que em 1974 se lhe acrescentou a liberdade, a democracia e a Paz. Dia em que de 1975 a 2022, o celebramos e, ao celebrá-lo, nos recordamos que estes 25 valores se constroem todos os dias, por e com todas as pessoas, por e em todos os contextos.

Eu pude estudar esta ciência que é a psicologia numa Universidade também e muito pelo 25 de Abril. Não apenas porque a abertura que trouxe, permitiu, finalmente, um outro olhar para esta ciência e possibilitou a sua emergência, contributo e desenvolvimento na sociedade portuguesa. Também porque pertenço a uma geração (e a um contexto) que é, porventura, das que mais se pode transformar face às possibilidades que teria pelos valores acima… Num conceito da psicologia, uma geração cuja zona de desenvolvimento potencial foi bastante expandida por um país a acreditar nas suas pessoas e a dar-lhes condições, com dificuldades é certo, para se desenvolverem, florescerem e se cumprirem.

Hoje continuo a estudar e no meu pequeno (mas devido) contributo a fazer e a praticar esta ciência (psicologia) com a certeza (e responsabilidade) de que partilha grande parte dos 25 valores acima. De que partilha e de que para eles procura contribuir, estando próxima das pessoas e das comunidades, ao longo de todo o ciclo de vida, em cada um dos contextos, nos acontecimentos de vida mais significativos, sejam eles “positivos” ou geradores de sofrimento psicológico.

Uma ciência (e uma prática) que também se procura afirmar pela presença na sociedade, não apenas mas também pela opinião, pela informação, pelo comentário e pela literacia que procura promover. Por isso, e pelo seu simbólico num país também antes encerrado a este nível, partilho hoje este “Afirmar os psicólogos nos media 2021”, onde se reúnem contributos meus e de colegas dos órgãos da Ordem dos Psicólogos Portugueses (Ana Meira, Carla Fernandes, Carla Rocha, Filipe Fernandes, Francisco Barrocas, Francisco Miranda Rodrigues, Gaspar Ferreira, Jaime Ferreira da Silva, Joana Amen, Marco Santos, Marisa Alexandre, Miguel Ricou, Paula Domingues, Paulo Cunha, Raquel Raimundo, Renata Benavente, Renato Gomes Carvalho e Sofia Ramalho.

Um nosso contributo para a memória e inscrição destes valores. Para a sua co-construção, todos os dias em todos os contextos, também com o contributo das psicólogas e psicólogos.

 

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Da gratidão… FLAD/OPP Saúde Mental no Ensino Superior

Ao contrário de quando nos confrontamos com sofrimento psicológico – onde o presente parece aprisionar-nos entre um passado de “mágoa e/ou culpa“ e um futuro “impossível” – ontem senti-me grato. Grato por um presente que sucede a um passado de desenvolvimento e concretização de uma ideia. Grato num presente a olhar para um futuro que contará com o estímulo do programa que resultou dessa ideia. Grato por participar neste processo da primeira às futuras horas e em fazer este caminho com a Liliana Valpaços, com o apoio de toda a equipa e administração da  (liderada pela Dr.ª Rita Faden) e com o Francisco Miranda Rodrigues, a Ana Isabel Lage Ferreira (júri) e tantas outras pessoas da Ordem dos Psicólogos Portugueses. Grato e orgulhoso por me ter cabido a sua apresentação.

Nela, mais que pormenorizar o edital (abaixo), procurei, a partir da “genealogia viva” do Gil (meu 2º filho), revisitar 9 décadas de gerações, da sua bisavó (Silent Generation) à sua geração ainda sem nome. 9 décadas de mudanças em Portugal e no Mundo que comparam com os seus 9 meses de vida num tempo de COVID-19, de lançamento da Space-X (viagens comerciais ao espaço), do relatório da ONU que regista a 1ª morte humana em contexto guerra decidida exclusivamente pela IA e da Guerra na Ucrânia. 9 meses que nos confrontam com o acelerar do tempo e com a complexidade, ambiguidade, volatilidade, incerteza e imprevisibilidade do que nos espera, um tempo de forte ameaça à saúde mental num momento em que dela muito necessitaríamos para nos adaptarmos com bem-estar às adversidades e aos acontecimentos de vida. Reflecti, ainda, sobre a visão e coragem da FLAD, ao, com o nosso apoio, financiar projectos de serviços de saúde/psicologia de instituições do ensino superior públicas (até 3 com pelo menos 1 de regiões interiores | 100.000€) a partir de 4 pressupostos: base na melhor evidência disponível e por isso centrados na prevenção, promoção de literacia, saúde (mental) e de competências sócioemocionais; focados na promoção resiliência (não apenas na recuperação); considerando a saúde mental e sua promoção e não apenas a doença mental ou a sua ausência; com propósito de servir de estímulo ao futuro e a novas e boas práticas neste domínio.

Na sessão interveio ainda a Diana Aguiar Vieira, PhD, houve um debate moderado pela Sara Antunes de Oliveira entre a Cheila Tomás Marques (estudante) e a Mariana do Canto e Castro (Diretora de RH), encerrando com a Sr.ª Ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Elvira Fortunato a reforçar a importância de se aprofundarem as respostas, também de prevenção, na área da saúde mental no ensino superior (sessão completa em: https://lnkd.in/dfnv2nQ8).

Ps. Informações (e formulário de candidatura – até 19.06.22) sobre o Programa FLAD/OPP Saúde Mental no Ensino Superior em: https://lnkd.in/dsQix_et

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COVID-19 Educação Psicologia

Estado da Educação – Edição 2021

Ontem, Dia de São Valentim, vimos (sentimos?) nas ruas mais manifestações visíveis de carinho, afecto e amor. Talvez algumas destas nos tenham estimulado a evocar uma célebre fotografia de um beijo nas ruas de Paris de R. Doisneau (1950). Esta foto, parte do nosso imaginário, fez muito pela ideia romântica da cidade Luz e foi um marco da carreira de um fotógrafo que, como poucos, retratou a vida social e uma “cultura de rua”, também de crianças e jovens de diferentes origens sócio-económicas, o que lhe valeu existirem muitas Escolas em França com o seu nome, celebrando-o.

Noutra evocação, esta pessoal, trago Doisneau porque o associo, em virtude da forma como fotografou as crianças nas ruas e nas Escolas, a um outro momento/retrato que acompanho há uma década com interesse pessoal (cidadão) e profissional (a partir da ciência psicológica): a publicação pelo CNE do Estado da Educação. A edição de 2021, a cuja leitura/consulta convido  retrata um 2020 com indicadores positivos, de um caminho de décadas que tem vindo a ser feito na Educação em Portugal, mas fortemente desafiados pelo impacto do 1º ano de pandemia, particularmente nas crianças e jovens com maiores vulnerabilidades. Neste sentido, além dos tradicionais indicadores, uma componente significativa do Estado da Educação 2020 nas suas partes II (Educação em tempo de pandemia: Estudos do CNE), III (Testemunhos) e IV (Reflexões) trata os impactos da pandemia na Educação (e não apenas), tendo a parte IV um artigo (A saúde mental dos alunos e dos profissionais na escola: Escolas como ecossistemas de bem-estar, saúde e aprendizagem) da responsabilidade da Margarida Gaspar de Matos onde participo com o Osvaldo Santos e a Sofia Ramalho.

Na página oficial de Doisneau são partilhadas respostas suas a um questionário de Proust com décadas (faleceu em 1994). À pergunta “O que mais gosta nas/os amigas/os?” responde “A cumplicidade incondicional”. Também aqui tratamos uma cumplicidade incondicional entre (possibilidade de) bem-estar – saúde – aprendizagem. Cumplicidade apenas cumprível com um contínuo investimento, hoje de urgência reforçada, na prevenção, promoção e recuperação, quando necessário, de cada um dos vértices deste importante – também longitudinalmente – virtuoso triângulo da Educação. Apenas cumprível se assumirmos as conclusões da Summit de Saúde Mental de Atenas (organizada pela OMS em Julho), partilhadas por vários países Europeus (incluindo Portugal), que reforçam a necessidade de colocar a “saúde mental no coração da agenda de recuperação pós-COVID-19”, “repensando os seus serviços no sentido de abordagens holísticas e humanas”, assegurando práticas “participadas” e de “elevada qualidade” e, não menos e importante, priorizando “crianças e jovens, particularmente impactadas com disrupções nos seus processos educativos e vida social”.

Sejamos, tanto quanto possível, incondicionais neste investimento e nesta urgência.

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COVID-19 Educação Psicologia

Geração COVID

Geração.

Um Amigo enviou-me um artigo: “Geração COVID – Como está a pandemia a afectar o cérebro (e comportamento) das crianças”. Bebés nascidos em pandemia com piores desempenhos na motricidade (fina) e em competências de comunicação. Crianças, na linguagem, funções executivas, desenvolvimento cognitivo e emocional. Efeitos do isolamento, do stress (também de cuidadoras/es), de menores oportunidades para brincar, das máscaras, fecho de Escolas e, particularmente, efeitos desiguais intensificados em contexto de vulnerabilidades económicas e sociais. “A magnitude é massiva”, milhões de bebés e crianças no Mundo. Centenas de milhar em Portugal.

Uma (outra) emergência de saúde pública que leva Deoni a defender a urgência de estimularmos cuidadoras/es formais e informais a brincar e amar as crianças. Uma (outra) emergência que implicou, implica e implicará permanente empenho para, de acordo com a melhor informação/recursos disponíveis, conciliarem-se medidas de saúde sanitárias com medidas de saúde psicológica.

Tenho-o defendido. Temo-lo, sempre, defendido.

Assim o fiz numa peça que partilho da SÓNIA BENTO (Sábado), sobre vacinação de crianças contra a COVID-19 e de situações de discriminação relatadas face a crianças (ainda) não vacinadas. Nela procuro lembrar as “múltiplas razões e realidades individuais e familiares, e não apenas o não querer, que justificam os números do processo de vacinação das crianças”, quando em Janeiro terão existido mais crianças infectadas/os (e/ou em isolamento) que em toda a pandemia, impossibilitando a sua vacinação. Quando existiram poucas oportunidades de vacinação de crianças, particularmente as mais pequenas (além da capacidade e da motivação, que deve ser estimulada, a oportunidade é fundamental ao comportamento). Lembro, ainda, que devemos “ter presente que a percentagem de crianças vacinadas em Portugal é significativa quando comparada com países que estão a recomendar/permitir a vacinação destas faixas etárias”, tal como noutras idades o que, com o comportamento das pessoas, tem permido que tenhamos sido um dos países da Europa com menores restrições nas últimas semanas (também nas Escolas) apesar da elevada incidência.

Finalmente aboredei “a compreensão das dúvidas e das incertezas” como garante da “confiança e facilitadores do estabelecimento de um diálogo esclarecedor”, sendo fundamental a empatia e a compreensão por oposição à estigmatização ou discriminação, ineficazes na promoção e estímulo à adesão a comportamentos.

Volto ao “Pai Motorista”: “Momento em que, compreendendo-se as restrições ainda necessárias, é fundamental um especial empenho e esforço para intencionalizarmos a promoção da possibilidade de relação como factor fundamental à saúde psicológica e bem-estar, presente e futuro”. Em Setembro passado, hoje e no futuro.

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Educação Ordem dos Psicólogos Portugueses Psicologia

2022

“Apesar dos passos positivos, há um longo caminho a percorrer” pelo que devemos comprometer-nos a “trabalhar conjuntamente e com urgência e propósito para assegurar cuidados de qualidade na área da saúde mental a todas as pessoas em qualquer lugar do Mundo.” A. Guterres, ao assinalar o Dia Mundial da Saúde Mental (10.10), sinalizou a grande preponderância, visibilidade e reconhecimento da saúde mental, para o qual contribuiu um 2º ano (2021) de forte incerteza, perdas diversas e de aprofundamento de desigualdades, consequência de uma pandemia que acresce desafio aos já enormes e complexos desafios societais contemporâneos, bem como o facto de persistir um longo caminho por fazer nesta matéria.

Numa possível “fotografia” portuguesa do tema, participei num trabalho da Clara Soares e da Mariana de Almeida Nogueira (Revista Visão) intitulado “Ansiedade, depressão, fobias: A epidemia escondida na saúde mental” e numa peça da Sónia Bento (Sábado) intitulada “Celebridades fazem da saúde mental um negócio” que, contribuindo e resultando (em simultâneo) da visibilidade descrita, pensa o crescente interesse de celebridades, marcas e “negócios” em torno da saúde mental e bem-estar, com o bom e o menos bom que isso pode comportar, conforme procuro reflectir. Uma e outra peça a sinalizar, também, que “apesar dos passos positivos, há um longo caminho a percorrer” e uma transição a cumprir, conforme há dias referido e defendido pelo Presidente da República. Uma e outra peça a sublinhar o papel da psicologia no momento que vivemos e nesta transição, justa, necessária e urgente.

Mas, também aqui (na visão do contributo da psicologia) e estando nós a iniciar um novo ano, creio importante sublinhar que “apesar dos passos positivos, há um longo caminho a percorrer”. Que, apesar da maior percepção hoje do seu papel na prevenção, na promoção de saúde mental e na intervenção em problemas neste âmbito, há um longo caminho para o reconhecimento mais amplo (e respectiva consequência) do papel desta ciência do comportamento em dimensões mais vastas da saúde, bem-estar e qualidade de vida, do relacionamento e da cooperação, da educação e investigação, do trabalho e da economia, da gestão de (grandes) dados, comunicação ou mudança, da equidade e coesão social e do desenho de políticas (públicas). De reconhecimento, mais amplo, do seu contributo ímpar para os objectivos do desenvolvimento sustentável.

Da minha parte, neste 2022, assumo-o como objectivo e compromisso: tendo oportunidade, contribuir para o papel da nossa Ordem dos Psicólogos Portugueses no aprofundar dos passos positivos na área da saúde mental, mas, também, para avançarmos no caminho a percorrer, particularmente no papel que a psicologia pode (e tem como dever) assumir no caminho de erradicação da pobreza, de combate a todas as formas de exclusão, de resposta à complexa crise climática e de promoção da Paz.

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Da não-complacência com o bullying…

…porque

“possível não significa provável”.

J. Steinberger foi uma das autoras do 6º relatório do IPCC. Tem-se destacado por um activismo muito próprio em torno da crise climática, porque, diz, o “nosso vocabulário revela-se insuficiente para descrever a perigosidade e urgência do nosso presente” e a mudança, sendo “possível não significa [que seja] provável”.

O seu exemplo e a importância que atribui às palavras, estimula a minha reflexão sobre áreas em que penso a distância de uma atitude “não-x” a uma atitude “anti-x” (aqui o escrevi sobre o racismo). Também nas práticas agressivas ou, mais especificamente, no bullying em crianças e jovens o podemos reflectir. Também aqui, o vocabulário que usamos não descreve normalmente a sua perigosidade e as mudanças que devem ainda acontecer, pese embora melhorias até 2019, não tornam esse possível em provável. Pelo contrário, os recentes encerramentos das Escolas e o seu impacto no desenvolvimento de competências sócio-emocionais, os perigos e desafios associados ao cyberbullying, os maiores problemas e dificuldades de saúde psicológica nas crianças/jovens e a hoje maior desigualdades e exclusão devem mobilizar-nos para uma atenção preventiva ao fenómeno e para a sua priorização ao nível da sociedade civil. Impelir-nos a atitudes “activas” face ao fenómeno e não “indiferentes”.

Isso procurei frisar no meu contributo que partilho no Bom Dia Portugal da RTP do passado dia 20.10, Dia de Combate ao Bullying. Sublinhando a importância das respostas concertadas ao nível de toda a Escola (não exclusivas das vítimas, agressoras/es e observadoras/es) e a criação de uma cultura de não-complacência (não aceitação) das práticas de bullying, que enquadrei nos seus 3 componentes-chave: repetição; desequilíbrio de forças e de poder; e intencionalidade clara de provocar sofrimento na(s) outra(s) ou outro(s). Procurei, também, assinalando sinais a que devemos estar atentas/os e frisando a importância da comunicação, aprofundar o papel das observadoras e observadores na atitude de não-complacência (actuando para não validar junto de quem agride a agressão e de quem é vítima a inexistência de apoio), das mães, pais e cuidadoras/es no geral (considerando sempre estes fenómenos e não atribuindo bondade aos mesmos – “fazem parte do desenvolvimento”).

Procurei, neste sentido, contribuir para uma reflexão de não minimização destas situações no presente e futuro das crianças e jovens, desincentivando posturas de inacção e estimulando atitudes preventivas e de construção de espaços de compreensão (embora sem aceitação) das práticas agressivas (para se actuar sobre causas), de empatia e de resolução de conflitos não violenta. Isso terá impacto hoje e amanhã em futuros papéis de vida destas crianças e jovens, nas suas relações de cuidado, de amizade, amorosas ou de trabalho.

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Meu filho…

Quando hoje te deixei na Escola para o teu 1º dia do 1º ano de escolaridade pensei nos 32 anos que separam este momento de quando eu o fiz. Desse Setembro de 1989 ao de 2021, há um conjunto imenso de transformações na nossa sociedade e na nossa Escola.

Com todos os desafios que se lhe colocam e com todo o caminho que há por percorrer, o sistema educativo português é espaço de políticas (públicas) de qualidade e com resultados. Sou-lhes grato e, de certa forma, devedor. Por isso, mas também porque creio que a confiança (em nós, nas outras e nos outros e nas instituições) será decisiva para maior coesão social na resposta aos desafios societais complexos que enfrentaremos, reflticto sobre este simbólico momento.

Avançamos significativamente na escolaridade da população recuperando de um atraso significativo que penalizou gerações e gerações. Implementamos políticas de alargamento progressivo da escolaridade obrigatória, prevenção do insucesso e redução do abandono escolar precoce. Procuramos construir escolas inclusivas, promover competências sócio-emocionais e desenvolver cidadãs e cidadãos mais preparados e responsivos às e aos outros e aos desafios que o futuro nos reserva. Nem tudo se fez bem. Mas muito, por vezes com poucos recursos mas com dedicação e abnegação de muitas pessoas, se conseguiu.

A meio caminho (2005) entre os Setembros de 1989 e 2021, entrei na Escola de 1º ciclo onde fiz o meu estágio curricular e onde trabalhei nos anos subsequentes como psicólogo. Tenho perspectiva sobre o papel da ciência psicológica e da presença de psicólogas e psicólogos nos contextos escolares e da forma como sustentaram a implementação e sucesso destas políticas. Hoje somos imprescindíveis nas Escolas e somos muitas e muitos mais que em 2005. Amanhã teremos que ser ainda mais e, essencialmente, ter recursos para garantir maior eficácia na nossa intervenção, pela maior autonomia, continuidade e compreensão do papel e com melhor articulação de intervenções na Escola, na comunidade e na saúde, com enfoque no SNS e nos cuidados de saúde primários como defendemos no seu 42º aniversário que hoje se cumpre.

Conciliar, com mais exigência, medidas sanitárias com a promoção do bem-estar e da saúde psicológica, deve ser hoje objectivo central. Em 2021 lutamos por uma Escola que responda às iniquidades, promova o bem-estar e acompanhe as expectativas de estudantes e das suas e seus cuidadores. Como lutamos por políticas públicas promotoras de equidade, bem-estar e respondam às expectativas da população, utilizando eficazmente os limitados recursos disponíveis.

Que sintas, na Escola e não apenas, espaço para cresceres, floresceres, desfrutares da relação com as outras e os outros e com o que te rodeia e te sentires bem no que és e desejas ser, meu filho. Hoje. Sempre.

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Crescer-19 (Ao redor…; Sábado; 01.06.2021)

“É como se tivesse aqui [apontando para o peito] um balão que se vai enchendo, enchendo, enchendo.” Recordo esta frase de uma menina que, com os seus 9 anos, procurava, através de uma imagem, descrever aquilo que sentia e que as palavras que possuía não podiam descrever. Trabalhava então numa Escola – pequena de tamanho, mas grande em diversidade, complexidade e riqueza humana – e ainda no início do meu percurso profissional experienciava a importância da literacia em saúde psicológica e o quão fundamental é darmos um nome ao que sentimos (reconhecendo, do ponto de vista psicológico e até físico, as nossas emoções) para o organizar, compreender e para melhor lhe respondermos.

Recordo-as (a menina, a conversa, a Escola e a comunidade) a propósito de um testemunho de Abier Almasri da Human Rights Watch que afirma “precisarmos de um novo dicionário para descrever o que sentimos e o impacto psicológico” a propósito da situação que se vive(u) na Faixa de Gaza onde, às perdas diversas das pessoas e famílias, se associam “feridas emocionais” de quem sobrevive(u). Human Rights Watch que, poucos dias antes em relatório, apresentou dados que indicam que 9 em cada 10 crianças e jovens em idade escolar em todo o Mundo viram prejudicada a sua educação devido à pandemia que vivemos.

Não pretendo comparar os impactos de um conflito com décadas com a pandemia. Mas quero sublinhar que, se nas adultas e nos adultos a crise sócioeconómica concomitante exponencia os impactos da pandemia na saúde psicológica; as crianças e jovens sentem, não apenas as consequências daquele que é o impacto nas cuidadoras e nos cuidadores, mas também as que resultam de dois anos lectivos atípicos que acrescentam dificuldade e desafio à situação e intensificam os problemas de saúde psicológica com impacto na aprendizagem, motivação e comportamento, particularmente naquelas e naqueles com maiores vulnerabilidades. Consequências que abrem espaço a “feridas emocionais” se não organizadas e compreendidas. Se, enquanto sociedade, não lhes respondermos.

“Tens de escrever sobre a urgência nas Escolas (…) vi uma crise de ansiedade como nunca havia visto”, dizia-me uma psicóloga amiga com muitos anos de Escola(s). E depois outra e outro confirmando “a urgência nas Escolas” e as Escolas como lugar micro de uma realidade macro da sociedade. São-no sempre. Senti-o particularmente nos anos da crise sócioeconómica da última década, aquando do episódio que antes descrevi, e como dia-a-dia, entrava na (minha) Escola e impactava as crianças e jovens com quem trabalhava. Senti-o como hoje sentem as minhas e os meus colegas os impactos da pandemia COVID-19 e das suas múltiplas e diversas consequências.

É certo que a década que passou trouxe alterações, algumas positivas. Desde logo há hoje maior sensibilidade na Educação para a importância de desenvolvimento de competências sócioemocionais e para a promoção da capacidade de adaptação e resiliência de crianças e jovens. Há mais reconhecimento da importância da promoção da literacia em saúde e em saúde psicológica, nomeadamente no que se refere à compreensão/reconhecimento das emoções. Há, também, mais psicólogas e psicólogos, de forma mais contínua e regular nos contextos escolares. Psicólogas e psicólogos com papel mais amplo e cientificamente sustentado que, ao invés de apenas centrado em estratégias remediativas, se foca em políticas de prevenção e promoção que abrangem toda a comunidade educativa. Há ainda mais experiência e partilha de trabalho conjunto entre diversos agentes educativos, de uma concepção da educação inclusiva e do objetivo, ainda que não totalmente cumprindo, de “não deixar ninguém para trás”. Há, finalmente, resultados desta acção patentes por exemplo no nível de abandono escolar precoce em queda impressionante (6,5% no 1º trimestre), particularmente porque conjugada com o aumento da escolaridade obrigatória até ao 12º ano, e que faz jus ao trabalho dos diversos actores e da comunidade educativa.

Apesar disto, estudos no Reino Unido com resultados que em Portugal não surpreenderiam, indicam que quase 8 crianças e jovens em cada 10 revelam sentir impactos da pressão da Escola na “qualidade” da sua saúde psicológica e cerca de 93% dos professores e das professoras consideram que o sistema educativo coloca mais foco (e recursos) na performance académica das e dos estudantes que na sua possibilidade de bem-estar. Outro, em Portugal, que apenas 1 em cada 4 crianças brinca pelo menos 3 horas por dias conforme recomendado pela Organização Mundial da Saúde. Três indicadores (podiam ser outros) que podem servir-nos de base para entendermos o ciclo vicioso de não envolvimento com a Escola das crianças e jovens, particularmente aqueles e aquelas com maiores vulnerabilidades, que cedo podem sentir e sofrer desfasamentos diversos. São também ponto de partida – no momento que vivemos e no qual à ansiedade se junta o stresse, a agitação e preocupação, ou o medo e a apatia, resultante de períodos de isolamento físico (por vezes, realmente social) com exposição ainda mais significativa a iniquidades contextuais que vão desde as condições físicas das habitações, às oportunidades de relação e estimulação com outras crianças, jovens e adultas e adultos – para a necessidade de estratégias concertadas de recuperação, promoção, desenvolvimento e bem-estar junto de crianças e jovens.

Voltando ao Reino Unido, nos últimos dias de Theresa May enquanto Primeira-Ministra Britânica, foi anunciado um amplo programa de formação para todas as professoras e professores estarem mais sensíveis e capacitados para, precocemente, identificarem dificuldades e problemas de saúde psicológica nas e nos estudantes. Este programa resulta, também, de um debate público que se havia iniciado para um livro verde da prevenção que visa a prevenção “proactiva, preditiva e personalizada” para a saúde no Reino Unido na década de 2020 com enfoque no “desenvolvimento, aconselhamento, apoio e cuidados personalizados às crianças e jovens” e numa “maior protecção contra ameaças futuras”.

Já em Portugal, neste período (pós-)COVID-19 foi criado um grupo de trabalho multidisciplinar para produção de recomendações no âmbito de um plano de recuperação e consolidação de aprendizagens e, em linha com o pacto europeu para a saúde mental e bem-estar e com um estudo recente que afirma que 37% das e dos jovens entre os 18 e 24 anos solicitam mais acompanhamento na área da saúde mental, o Conselho Nacional de Saúde, a Federação Nacional de Associações Juvenis e a Direcção-Geral da Educação apresentaram recentemente a Agenda da Juventude para a Saúde 2030, que visa um forte impulso às dimensões da saúde psicológica, à prevenção e à promoção de competências. Resta, no entanto, concretizar um “Crescer-19”, uma mudança verdadeira e impactante através de uma agenda de prevenção e do desenvolvimento que, neste 01 de Junho de 2021, nos poderia guiar, impulsionando a “urgência na educação”, a inversão do actual ciclo pela possibilidade de activação e de garantia de propósitos e significados para o que vivemos e que, conforme o projecto do Reino Unido, se assumisse como uma agenda interministerial transversal, relacionando várias áreas e contextos, nomeadamente articulando mais eficaz e eficientemente a acção e os recursos da educação com a saúde, trabalho e segurança social ou desporto e juventude, prolongando e projectando o conjunto de acções além dos tradicionais anos e ciclos lectivos e para os múltiplos contextos de vida das crianças e jovens.

Na verdade, aqui e ali, no Mundo ao redor, ao contrário do Dia da Criança que se comemora em dias distintos de país para país, em qualquer lugar do Mundo onde exista uma criança colocam-se desafios ao seu desenvolvimento e bem-estar hoje, devido à pandemia, mais complexos. Desafios que merecem um “Crescer-19”, uma agenda de prevenção e promoção, investimento fundamental para um futuro com crianças, jovens e adultas e adultos com mais possibilidade de se cumprirem, de floresceram e expressarem o seu potencial, com mais saúde psicológica, com maior capacidade de adaptação e resiliência e com maior potencial de bem-estar.

 

Tiago Pereira

in Sábado (Ao redor…); 01.06.2021

https://www.sabado.pt/opiniao/convidados/tiago-pereira/detalhe/crescer-19

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COVID-19 Educação

Esta semana…

Termina agora mais uma semana recheada de vigorosos debates públicos. Das novas etapas e regras do “plano de desconfinamento” à saída de Portugal da lista verde do Reino Unido, passando por uma marquise em Lisboa e pelo Plano 21|23 Escola+. Temas bastante diversos mas que confluem, com a pandemia como pano de fundo, na possibilidade de bem-estar e na qualidade de vida.

Até poucos dias antes de eu nascer foi Ministro de Estado e da Qualidade de Vida Gonçalo Ribeiro Telles, talvez a personalidade que mais pensou o direito à paisagem e o espaço e a sua utilização como relevantes na qualidade de vida. Penso em como ecoaria a polémica marquise na sua reflexão e lembro uma frase sua numa entrevista ao “Expresso” onde “confessava” ter perdido uma filha (ainda jovem) e como isso “ajuda a perceber onde estamos, as fragilidades que temos” e que “todos temos os mesmos problemas e as mesmas dificuldades” embora não se podendo “resolver de igual maneira”. Os mesmos problemas e dificuldades potenciais a necessitarem de apoio / suporte diferenciado algo que, ainda que faltando conhecer em detalhe, é procurado no Plano de investimento para Recuperação das aprendizagens, também pela recuperação do bem-estar das/os alunas/os, apresentado esta semana (o 21|23 Escola+).

Além de ter proposto um “Crescer-19”, no final da semana passada, no 8º Encontro Psicologia em Contexto Educativo organizado pelo Politécnico de Leiria, numa conferência intitulada “Reflexões sobre o passado e as implicações e resposta à pandemia COVID-19 no papel e contributo da Psicologia em contextos educativos”, abordava em 3 “actos” a evolução da percepção e do papel da ciência psicológica e das psicólogas e dos psicólogos na resposta aos desafios do país, comparando os impactos da crise sócioeconómica da última década nos contextos educativos face à pandemia COVID-19 e o quanto se discutiu e recorreu à Psicologia nesse momento face a hoje.
Com tanto caminho ainda por percorrer, o já percorrido foi imenso e com resultados tangíveis – por exemplo no abandono escolar precoce. Como imensos são os desafios pela frente e a responsabilidade que este caminho nos confere (a nós psicólogas/os) num cientificamente sustentado contributo e em equipa para o bem-estar e para a qualidade de vida, sem deixar ninguém para trás.