Auto-determinação, direitos humanos, não discriminação, equidade, coesão social, saúde (e saúde mental), educação, capacitação, trabalho, ciência (e evidência), dignidade, confiança, inclusão, participação, abertura à/ao outra/o, diversidade, cooperação, ética, cidadania, responsabilidade, solidariedade e bem-estar.
A 22.04.1974 muitas pessoas, país e Mundo fora, em diferentes contextos e com diferentes proveniências, partilhavam da aspiração e do desejo de verem possibilitados e cumpridos em Portugal estes 22 valores. Faltavam, como hoje, 3 dias para o dia 25 de Abril. Dia em que em 1974 se lhe acrescentou a liberdade, a democracia e a Paz. Dia em que de 1975 a 2022, o celebramos e, ao celebrá-lo, nos recordamos que estes 25 valores se constroem todos os dias, por e com todas as pessoas, por e em todos os contextos.
Eu pude estudar esta ciência que é a psicologia numa Universidade também e muito pelo 25 de Abril. Não apenas porque a abertura que trouxe, permitiu, finalmente, um outro olhar para esta ciência e possibilitou a sua emergência, contributo e desenvolvimento na sociedade portuguesa. Também porque pertenço a uma geração (e a um contexto) que é, porventura, das que mais se pode transformar face às possibilidades que teria pelos valores acima… Num conceito da psicologia, uma geração cuja zona de desenvolvimento potencial foi bastante expandida por um país a acreditar nas suas pessoas e a dar-lhes condições, com dificuldades é certo, para se desenvolverem, florescerem e se cumprirem.
Hoje continuo a estudar e no meu pequeno (mas devido) contributo a fazer e a praticar esta ciência (psicologia) com a certeza (e responsabilidade) de que partilha grande parte dos 25 valores acima. De que partilha e de que para eles procura contribuir, estando próxima das pessoas e das comunidades, ao longo de todo o ciclo de vida, em cada um dos contextos, nos acontecimentos de vida mais significativos, sejam eles “positivos” ou geradores de sofrimento psicológico.
Uma ciência (e uma prática) que também se procura afirmar pela presença na sociedade, não apenas mas também pela opinião, pela informação, pelo comentário e pela literacia que procura promover. Por isso, e pelo seu simbólico num país também antes encerrado a este nível, partilho hoje este “Afirmar os psicólogos nos media 2021”, onde se reúnem contributos meus e de colegas dos órgãos da Ordem dos Psicólogos Portugueses (Ana Meira, Carla Fernandes, Carla Rocha, Filipe Fernandes, Francisco Barrocas, Francisco Miranda Rodrigues, Gaspar Ferreira, Jaime Ferreira da Silva, Joana Amen, Marco Santos, Marisa Alexandre, Miguel Ricou, Paula Domingues, Paulo Cunha, Raquel Raimundo, Renata Benavente, Renato Gomes Carvalho e Sofia Ramalho.
Um nosso contributo para a memória e inscrição destes valores. Para a sua co-construção, todos os dias em todos os contextos, também com o contributo das psicólogas e psicólogos.