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Os incêndios e a crise climática.

Acordamos com um Portugal em estado de alerta. Estado semelhante ao que, com excepção da Área Metropolitana de Lisboa (em contingência), o país vivia há exactamente 2 anos. Uma pandemia por um vírus em 2020. O risco imenso de grandes incêndios rurais pela gravosa conjugação de factores climatéricos em 2022. Fenómenos diversos, é certo, mas hoje mais prováveis num Mundo e, particularmente, num Portugal fortemente exposto às consequências da crise climática que vivemos.

Fenómenos diversos, dizia, mas análogos no que remete ao papel do comportamento e da tomada de decisão das pessoas. No que remete para a importância da resiliência individual e colectiva às adversidades, e sua promoção. Para a relevância dos factores de protecção e dos impactos diferenciados em populações com especiais vulnerabilidades. Para a necessidade de decisoras e decisores informarem as suas políticas e decisões na melhor evidência científica disponível e comunicarem com a população de forma clara, transparente, empoderadora e não culpabilizante. Fenómenos diversos, é certo, mas que apelam à psicologia, enquanto ciência e prática, na sua prevenção, no desenho das respostas aos problemas e na intervenção/reparação dos seus impactos nas pessoas, famílias e comunidades.

Na 6ªF, com o país ainda em contingência, junto com o Alexandre Évora e a Andreia Palmeirim (Jornal do Meio Dia; CNN Portugal), discutimo-lo no que se refere aos incêndios. Do contributo da psicologia no momento da prevenção, à compreensão do comportamento e apoio à mudança. Da sua centralidade na promoção da resiliência das pessoas e comunidades, ao treino e testagem de protocolos de actuação, cada vez mais essenciais face ao que o presente e futuro nos reserva. Da sua essencialidade no apoio às populações, qualquer que seja a idade ou condição, mas, particularmente, junto de populações mais vulneráveis: quem revive catástrofes e situações (potencialmente) traumáticas; as e os “profissionais” envolvidos; algumas pessoas mais velhas que, por vezes, vêem a sua identidade, sentido de pertença e autonomia abaladas pela perda de uma casa (ou terreno); as crianças, cuja protecção, a par da compreensão e intencionalização da comunicação, é fundamental. Discutimos o caminho a percorrer, mas também o percorrido, com o reconhecimento, hoje maior, da necessidade de olhar os incêndios também no seu impacto nas pessoas e comunidades e no reforço nos agentes de protecção civil de psicólogas/os para auxílio à decisão e acção.

Partilho este momento. Como partilho a recordação de um vídeo. Imagem alaranjada. Uma mulher, descalça, com uma pequena mangueira. Um oficial da GNR diz-lhe: “Minha senhora, tem que sair daqui” e… “Ai, eu não saio daqui. Tenho os meus animais”. O incêndio lá vinha e, com ele, a perda, o tal momento que tudo muda. Um monstro alimentado por uma crise climática que, passo a passo, elimina o “natural” da expressão “catástrofe natural”. Nem natural nem, cada vez mais, rara. Preparemo-nos. Garantamos agenciamento.

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Comportamento Desafios da Psicologia Tomada de Decisão

Planeta Azul…

A 7 de Dezembro de 1972 o Apollo 17 saiu da órbita terrestre a caminho da Lua. Nesse dia, de costas para o Sol, a sua tripulação teve a iluminação perfeita para fazer a primeira fotografia (a cores) integral do Planeta Terra, fotografia icónica que estimulou a ideia do “Planeta Azul”. Passavam exactamente 960 dias do primeiro “dia da Terra”, quando a 22.04.1970 mais de 20 milhões de pessoas haviam respondido ao apelo do senador (e activista ambiental) Gaylord Nelson, juntando-se nas ruas para um enorme fórum nacional que Gaylord ambicionava “educativo e generalizado” aos EUA. Para alguns meios é, ainda hoje, considerada a maior manifestação de um único dia de sempre. Sendo-o ou não, originou o importante “Dia da Terra” (do Planeta Azul) que a 22 de Abril último cumpriu 50 anos.

A inscrição “colectiva” destes momentos é importante à reflexão do passado, presente e à projecção do futuro, particularmente em áreas e desafios societais em que a dimensão intergeracional de acção é fundamental – como acontece com a crise climática. Destes momentos, como parte da “construção colectiva” dos desafios e da resposta aos mesmos.

No último magazine da EFPA (European Federation of Psychologists’​ Associations), reflicto sobre esta ideia a partir de contributos da psicologia e de duas participações minhas: a) na COP26 de Glasgow onde integrei a comitiva que representou a Global Psychology Alliance, abordando o tema dos contributos de cada país (incluindo Portugal), ciência (incluindo a psicológica) e pessoa (da e do decisor ao e à cidadã comum) a partir da ideia das partes (COP = Conferência das Partes) para a crise climática (https://efpa.magzmaker.com/march_2022/climate_change); b) na 5ª Conferência da EFPSA (European Federation of Psychology Students’​ Associations) “Breaking walls, Building bridges” (“Quebrando muros, Construindo pontes”) abordando a forma como a ciência psicológica – a par de outras áreas profissionais/científicas – podem ser parte e contribuir para as políticas sociais, a intervenção comunitária e como a compreensão do comportamento humano e da tomada de decisão é, hoje, essencial ao desenho de políticas públicas dirigidas aos principais desafios societais (https://efpa.magzmaker.com/march_2022/efpa_s_corner).

Da “impaciência” de Saramago à “insurreição” de Frei Bento Domingues contra “tudo o que está mal”, importa mobilizar todas as “partes” e usar do sentido de urgência do momento. A psicologia é parte, parte importante. A consciência (colectiva) e a inspiração também. Porque problemas complexos e sem fronteiras precisam de respostas congregadoras, transnacionais e inspiradoras… Conforme é o Dia da Terra, a foto do Planeta Azul e a missão Apollo-Soyuz que, comemorando o fim das missões Apollo (com a 17ª), teve como objectivo afirmar a relação pacífica entre EUA e URSS, com tripulações de duas naves dos “blocos” a visitaram a “outra” nave/bloco, trocando presentes, galhardetes e sementes de cada país. Congregando-se. Inspirando-se.

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Visão é significado; Significado é história.

Como eu, certamente têm autoras/es, cantoras/es, séries, filmes ou lugares a que, ao regressarem, sentiram terem gostado menos que quando os leram, ouviram, viram ou sentiram na primeira vez. Assim senti com a série “True Detective”, cuja 1ª temporada é (a meu ver) muito mais interessante que a 2ª e que tem num episódio uma frase de imenso impacto em mim que aqui destaco: “visão é significado; significado é história”. Se assim foi com a série, assim não é com a “minha aldeia” (Lapas), onde permanece parte significativa da minha família e parte do significado (da [minha] história), conceito de uma importância e complexidade extrema, pelo que releva e revela do que nos sucede e damos valor, e porque não sendo objectivo (não existe fora de nós e não é absoluto) também não é subjectivo (não resulta da construção de uma única pessoa).

Uma parte deste significado é co-construída e partilhada também por rituais repetidos, entre comunidades e gerações. Um, a leitura, ora profunda ora de soslaio, do jornal local que a cada 6ª feira entrava nas casas de tantas pessoas da minha aldeia e, em cima daquela mesa (como de tantas outras da aldeia) passava dias até ser substituído pelo novo que chegava na semana seguinte. Falo do jornal “O Almonda”, semanário com 5394 edições, sempre presente no meu dia-a-dia e imaginário de infância/juventude e portador de notícias e informações que me eram indiferentes, claro está, mas também de algumas das melhores (dos meus próprios resultados desportivos aos filmes que chegariam à cidade na semana seguinte) e das piores notícias daqueles momentos (talvez de sempre).

E sim, são mais de 100 anos de edições semanais, iniciadas no duplamente simbólico 1918 – ano do final da I Guerra Mundial e de início da pandemia da gripe pneumónica. Curiosamente, 104 anos depois, uma entrevista (contributo) minha fez capa da edição de 01.04.22 destacando que a “Pandemia e [a] guerra na Ucrânia agravam saúde mental dos portugueses”. Outra pandemia e outra guerra, mais de 100 anos depois, a lembrarem-nos com violência e sofrimento que a história pode repetir-se e o quanto as consequências da repetição resultam da forma como (com que recursos e vulnerabilidades) enquanto pessoas, comunidade e sociedade chegamos às crises e adversidades. Na entrevista reflicto sobre estes aspectos, destacando o que podemos fazer, ao que devemos estar atentas/os, que estratégias podemos mobilizar e que apoios são essenciais disponibilizar. Discuti o acolhimento de pessoas em situação de refugiada/o, as crianças/jovens, o futuro e como é essencial promover a saúde mental.

Um pequeníssimo (mas empenhado e emocionado) contributo meu para a minha comunidade conforme os que recebi, alguns de pessoas que sei que agora me leram. Também porque creio que a visão (futuro) também é o significado que damos à nossa história (passado), reconhecendo o seu papel e retribuindo como posso para a co-construção desse significado. Partilhado, significativo.

 

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Construir a Paz…

“O único discurso sem lugar aqui [na Assembleia da República] é o discurso de ódio, o de negar a dignidade humana seja a quem for, de insultar o outro só porque é diferente, de incitar à violência e à perseguição”. Parte da primeira intervenção enquanto Presidente da Assembleia da República de Augusto Santos Silva, intervenção que, além das deputadas e deputados, creio que todos e todas devemos ouvir e sobre ela reflectir. “Estes tempos difíceis, complexos, são temos propícios a toda a espécie de manipulações, de preconceitos e de messianismos, tempos em que pode prosperar o populismo com as simplificações abusivas, as exclusões sumárias, a negação do pluralismo e da diversidade, a estigmatização dos vulneráveis, a culpabilização das vítimas e a substituição do debate pelo insulto”, disse ainda, num apelo que creio certeiro à construção de um espaço de diálogo, cooperação, civilidade, respeito pelos direitos, pela diversidade e de cuidado com outras e outros. Um espaço, afinal, de construção e promoção de Paz.

Assim mesmo defini a Paz em conversa com o jornalista Ricardo Alexandre para o “Conselho de Guerra” (TSF) de 24.03.22. Como, mais que a ausência de guerra. Como algo sobre o qual todos os dias devemos conversar. Como algo que todos os dias, em todos os contextos, podemos e devemos co-construir. Como algo para o qual todas e todos temos um papel, da nossa casa (enquanto modelos de comportamento para crianças/jovens), às Escolas/Universidades ou aos locais de trabalho, disseminando formas não violentas de resolução de conflitos; empatia, compaixão e perdão; a valorização dos direitos humanos, da ética e do interesse colectivo e a promoção da confiança (em nós, nas outras e outros e nas instituições).

Conversa que teve com mote a trilogia de documentos da @Ordem dos Psicólogos Portugueses Conversar sobre a Paz: Como todas e todos podemos ajudar a construir a Paz; Como podem as crianças/jovens (e mães/pais, cuidadoras/es, professoras/es e educadoras/es) ajudar a construir a Paz; Como podem os psicólogos e psicólogas ajudar a construir a Paz (https://www.ordemdospsicologos.pt/pt/p/psicologia-construir-a-paz).

Conversa que, finalmente, procurou sublinhar a importância da promoção e preservação de um espaço de coesão harmoniosa, onde os princípios humanitários são prioritários e existe uma equidade na valorização das pessoas, assente em ideias de liberdade, justiça, participação democrática e de possibilidade de auto-determinação e de cumprimento do potencial das pessoas. Um espaço, também, de não complacência e não legitimação da violência e da discriminação. De coesão, capaz de prevenir que o mal-estar de pessoas e da sociedade, que decorre de crises sucessivas e de riscos significativos que enfrenta(re)mos, não seja politizado e utilizado no sentido de fragilizar instituições e a sociedade e de vulnerabilizar mais, pessoas já de si vulneráveis. De coesão, enquanto garante de um futuro com possibilidade de bem-estar para todas e todos.

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Comportamento COVID-19 Psicologia

Sim ou não?

Aceita um desafio? Experimente escrever num motor de busca (Google, por ex.) “yes or no” [sim ou não]. No meu caso devolve-me 3 080 000 000 resultados. Os primeiros três são de ligação a sites com rodas (tipo “roda da sorte ou azar”) que, com um clique, giram para decidirem (por nós e pelo acaso) um sim ou um não para uma pergunta façamos. Simples ou complexa. Seja de sim ou não ou não seja de sim ou não.

Estou certo de que nos últimos tempos foi confrontada/o com questões para as quais lhe pediram um sim ou não, mesmo que não as considerasse questões de sim ou não. Tão certo quanto de que a crescente polarização da sociedade (de causas múltiplas mas onde as novas formas de acesso e partilha de informação assumem centralidade) e a vivência de um longo período de incerteza/imprevisibilidade, estimulam a procura de um sim ou não para questões complexas e com nuances, reforçando “sins” e “nãos” a questões que não podem dessa forma ser respondidas.

Procurei afirmá-lo à Rita Costa da TSF quando, alguns dias antes da “reunião do Infarmed” de ontem, me perguntou se deveria ou não terminar a publicação do boletim diário da situação epidemiológica em Portugal. Na intervenção, que partilho, procuro reflectir sobre a forma como, efectivamente, junto de algumas pessoas, a exposição permanente a informação sobre a COVID-19 constitui um risco para a sua saúde psicológica, potenciando situações de stress, ansiedade ou depressão. Mas, também, sobre o facto da existência, disponibilização e publicação diária dos dados não ser, por si só, desencadeadora destas situações e, ainda, que a retirada ou ausência desta informação pode, também e em certas situações, produzir efeitos perniciosos nas dimensões mencionadas, na confiança e na diminuição de comportamentos de autoprotecção (das/os próprias/os) e heteroprotecção (das/os outras/os).

Em todo o caso, defendi que existem hoje dados e motivos para que, em simultâneo com alterações previstas nas medidas de prevenção/protecção definidas, se repense estrategicamente o modelo de comunicação de risco/crise para esta fase/momento, incluindo as matrizes e boletins existentes mas, sendo decididas alterações, devem estas ser clara e cabalmente enquadradas e explicadas, estimularem previsibilidade e reforçarem o controlo pelas pessoas, não permitindo, ainda, que a ausência de (boa) informação deixe espaço para má informação.

Apesar dos 15 meses volvidos, recordo parte da pronúncia do Supremo Tribunal de Justiça do Brasil quando voltou a “obrigar” o governo à publicação diária de dados da COVID-19: “À consagração constitucional de publicidade e transparência corresponde a obrigatoriedade do Estado em fornecer as informações necessárias à sociedade. O acesso às informações consubstancia-se em verdadeira garantia instrumental ao pleno exercício do princípio democrático.”

Transparência, clareza e confiança. Responsabilidade, coesão e democracia. Em Novembro de 2020, hoje e para o futuro. No Brasil, em Portugal e para o Mundo.

 

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Natal e saúde psicológica (e financeira)

A 24 de Novembro – 1 mês antes da noite de Natal – uma sonda da NASA iniciou uma viagem de aproximadamente 1 ano com um objectivo extraordinário: embater num asteroide a 11 milhões de km do planeta Terra com o intuito de se estudar a possibilidade de alteração da sua rota e utilizar essa informação para desenvolver potenciais soluções para situações futuras de asteroides em rota de colisão com a Terra. O DART representa um empreendimento colectivo com vista a garantir maior controlo sobre algo profundamente incerto (rotas de asteroides), procurando-se maior previsibilidade e segurança para o planeta.

Pensei no DART quando conversei com a jornalista Sara Dias de Oliveira para a sua peça que partilho intitulada “Preparativos e compras de Natal – A contagem decrescente começou”, trabalho publicado na Notícias Magazine de 04.12, onde também participa a Susete Lourenço.

Assentando no documento produzido e disponibilizado pela Ordem dos Psicólogos Portugueses, o artigo disponibiliza um conjunto de informações sobre “como manter a saúde psicológica e financeira” no período do Natal. No meu contributo procuro focar questões essenciais que, conforme o DART, se baseiam no reforço da segurança e da previsibilidade: a importância do estabelecimento de expectativas (e orçamento) realistas; da organização, preventiva da impulsividade; do controlo; da necessidade de equilíbrios que deem menos espaço à emergência de situações geradoras de stresse e ansiedade, típicas de acontecimentos significativos como o Natal; da necessidade, finalmente, de aproveitarmos o momento para reforçar o sentimento de pertença e de partilha.

Aproveitei também esta oportunidade para afirmar que o Natal de cada um/a de nós é diferente e, por vezes, muito desafiante, procurando naturalizar o facto de que nem sempre (para todas as pessoas) o Natal é um momento (apenas) feliz e que muitas sentem duplamente este facto: 1) porque, por algum motivo (perdas, lembranças, separações, religiosos, outras dificuldades) pode ser um período exigente; 2) porque não se cumpre com a ideia colectiva de período de alegria onde parece só existir espaço de validação desse sentimento.

“Não temos de sentir culpa ou peso quando se acha que no Natal não é tudo bom”, disse, procurando que nestes dias (em rigor, como em todos os outros dias), valorizemos e respeitemos a diversidade e naturalizemos diferentes reacções e estados emocionais, validando-os. Que nestes dias promovamos o auto e hetero-cuidado e contribuamos para transformar culturas de não cuidado em culturas de cuidado. Se assim for senti-lo-emos também duplamente: 1) reforçaremos a nossa conexão, atenção e cuidado com outras/os, factores protectores da nossa saúde psicológica e bem-estar; 2) mitigaremos a importância de questões mais materiais associadas ao Natal (prendas e não apenas), prevenindo situações potencialmente geradoras de ansiedade e stresse.

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Honestidade e… Uma conversa/convite.

“Honestidade”, 5º artigo da rubrica “Ao redor…” (Sábado) resulta “do meu pensamento e leitura da investigação da ciência comportamental sobre um tema muito complexo, multifactorial e que impacta significativamente a sociedade, a honestidade.”

Pretende reflectir sobre algumas das suas dimensões, nomeadamente a sua relação com a confiança e a coesão e com a (ir)racionalidade e a forma como entre diferentes pessoas (ou na mesma pessoa diferentes temas/tempos) a desonestidade pode ser racionalizada.

Explora o “fudge factor” descrito pela equipa do psicólogo D. Ariely – com quem eu e o Francisco Miranda Rodrigues temos uma conversa/convite em aberto (adiado pela pandemia quem sabe para 2022) – como o que permite beneficiar com a desonestidade enquanto simultaneamente nos consideramos honestos e cuja compreensão dá-nos “pistas para prevenir a desonestidade, desde a pequena à grande que deslaça sociedades”.

Prevenção “mais eficaz e menos custosa” e que pode ser promovida se: intencionalizada “a utilização do conhecimento e da ciência, facilitando, salientando e reforçando o comportamento honesto”; com mais saúde psicológica e, logo, com pessoas mais abertas, empáticas e disponíveis para as/os outras/os.

Artigo aqui

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Comportamento COVID-19 Psicologia

Pecado?

Pecado? “It´s a Sin”, série que retrata os anos 80 de uma Londres a “lidar” com um vírus (HIV) e uma doença (SIDA) ainda bastante desconhecidos e muito assentes em preconceitos por “associados” e por impactarem significativamente a comunidade masculina homo e bissexual.

A série reflecte, bem a meu ver, as suas graves consequências de saúde pública – de saúde individual; de “violência auto-infligida” pela vivência da doença como consequência (castigo) dos seus actos; de “violência hetero-infligida” de quem nela validava preconceitos e ideias/crenças face à diversidade (orientação sexual mas não apenas).

Sempre foi e é assim. Humanas/os que somos, tendemos a procurar no que nos rodeia (informação e experiência) o que possa confirmar aquilo em que acreditamos, particularmente em matérias que nos “confrontam”.

Assim foi com a ideia de incumprimento pelos cidadãos das medidas neste 2º dever de recolhimento obrigatório que trespassou no debate público, mote para o diálogo da passada semana com a Carla Rocha (parceria RR/OPP) que partilho e que tocou ainda o que hoje difere e, particularmente, a importância e o retorno de olharmos/atendermos a quem nos rodeia, particularmente às/aos de nós mais vulneráveis e mais expostos à pandemia e às suas diversas consequências.

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Comportamento COVID-19 Desafios da Psicologia

estar ou não estar, eis a questão.

“O desinfectante acaba com o vírus (…) como injectar para dentro ou fazer uma limpeza?”.

A cara de Birx, quando viu Trump dizê-lo e sugerir a “irradiação do corpo com luz ultravioleta” como tratamentos da COVID-19, diz tudo do momento que viveu e que vivemos.

Momento em que apesar (?) do acesso crescente a informação, a desinformação galopa e pessoas por todo o Mundo morrem por ingerirem metanol ou dióxido de cloro com este fim.

Momento em que as redes sociais, vivendo como Christakis & Fowler assinalam no “Connected” da conexão e contágio, propagam a uma velocidade até 6 vezes superior desinformação face (à aborrecida) informação.

Momento em que mediadores como jornalistas,cientistas ou médicos são ultrapassados pelo suposto “igual para igual” e “tudo é válido” do motor de busca.

Junte-se-lhe, como reflectido no “the social dilemma”, softwares com fins discutíveis que a cada dia melhoram com base em dados e no conhecimento sobre as “vulnerabilidades”, tomada de decisão e comportamento das pessoas.

Urge que promovamos literacia comportamental, de tomada de decisão e potencial de inoculação aos cidadãos. Sem eles, sem decisores sensibilizados e sem psicólogos a contribuir (até pela nossa responsabilidade nesta matéria), a balança não se equilibrará a mal das pessoas e da sociedade.

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Comportamento COVID-19 Psicologia

Da disponibilidade…

Amígdalas cerebelosas. Duas pequenas esferas de neurónios, parte do nosso sistema límbico. Cruciais às emoções e,assim, ao nosso comportamento, decisões, bem-estar.

Partilham nome com as amígdalas da garganta que, ao inflamar (em crise), provocam amigdalites.

Não estão descritas ‘amigdalites cerebelosas’ para crises que nos provocam ‘inflamações’ de emoções. Não estão, mas existem. Em algumas pessoas agora mesmo e a propósito do muito desafiante COVID-19. Não estão, mas previnem-se: ´lutando contra´ os nossos ´enviesamentos de disponibilidade´ de informação (quantos responderiam Espanha se perguntasse qual o país da península ibéria com maior risco de pobreza?); ’lutando contra’ contágios e atitudes nossas de “consideração extrema” ou de “desconsideração extrema” das situações, procurando, construindo e partilhando informação fidedigna actualizada (DGS/OMS); dando ‘nome’ às nossas emoções ‘negativas’(aos medos, ansiedades), reconhecendo-as (algo que só por si provoca a sua diminuição), aceitando-as, ultrapassando-as, ‘desinflamando-as´.

Porque enfrentar este grande desafio chamado COVID-19 a todos compete.