A 24 de Novembro – 1 mês antes da noite de Natal – uma sonda da NASA iniciou uma viagem de aproximadamente 1 ano com um objectivo extraordinário: embater num asteroide a 11 milhões de km do planeta Terra com o intuito de se estudar a possibilidade de alteração da sua rota e utilizar essa informação para desenvolver potenciais soluções para situações futuras de asteroides em rota de colisão com a Terra. O DART representa um empreendimento colectivo com vista a garantir maior controlo sobre algo profundamente incerto (rotas de asteroides), procurando-se maior previsibilidade e segurança para o planeta.
Assentando no documento produzido e disponibilizado pela Ordem dos Psicólogos Portugueses, o artigo disponibiliza um conjunto de informações sobre “como manter a saúde psicológica e financeira” no período do Natal. No meu contributo procuro focar questões essenciais que, conforme o DART, se baseiam no reforço da segurança e da previsibilidade: a importância do estabelecimento de expectativas (e orçamento) realistas; da organização, preventiva da impulsividade; do controlo; da necessidade de equilíbrios que deem menos espaço à emergência de situações geradoras de stresse e ansiedade, típicas de acontecimentos significativos como o Natal; da necessidade, finalmente, de aproveitarmos o momento para reforçar o sentimento de pertença e de partilha.
Aproveitei também esta oportunidade para afirmar que o Natal de cada um/a de nós é diferente e, por vezes, muito desafiante, procurando naturalizar o facto de que nem sempre (para todas as pessoas) o Natal é um momento (apenas) feliz e que muitas sentem duplamente este facto: 1) porque, por algum motivo (perdas, lembranças, separações, religiosos, outras dificuldades) pode ser um período exigente; 2) porque não se cumpre com a ideia colectiva de período de alegria onde parece só existir espaço de validação desse sentimento.
“Não temos de sentir culpa ou peso quando se acha que no Natal não é tudo bom”, disse, procurando que nestes dias (em rigor, como em todos os outros dias), valorizemos e respeitemos a diversidade e naturalizemos diferentes reacções e estados emocionais, validando-os. Que nestes dias promovamos o auto e hetero-cuidado e contribuamos para transformar culturas de não cuidado em culturas de cuidado. Se assim for senti-lo-emos também duplamente: 1) reforçaremos a nossa conexão, atenção e cuidado com outras/os, factores protectores da nossa saúde psicológica e bem-estar; 2) mitigaremos a importância de questões mais materiais associadas ao Natal (prendas e não apenas), prevenindo situações potencialmente geradoras de ansiedade e stresse.