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COVID-19 Desafios da Psicologia

Auto-estradas cooperantes…

Acabado de mudar de ano de vida, ocorre-me uma expressão (“ainda sou do tempo”) ao pensar o trabalho de S. Simard.

Uma ecologista florestal que estuda a comunicação das árvores e cujo trabalho tem contribuído para avançarmos de um paradigma em que as árvores nas florestam supostamente competiriam pela água/nutrientes disponíveis (ainda sou desse tempo), para uma imagem da floresta enquanto uma colecção de árvores que comunicam e cooperam formando uma “autoestrada escondida” de sistemas com feedback e com apoio das árvores (momentaneamente) mais fortes às árvores (momentaneamente) mais frágeis, principal riqueza (pela resiliência) da floresta.
Pensei muito nesta imagem quando reflectia sobre a minha participação na 2ªF passada, na 3ª sessão do Encontro do Urbanismo 2020 – Preparar as cidades para os riscos globais, coordenado pelo João Ferrão e organizado pelo CIUL/Câmara Municipal de Lisboa.

Nesta 3ª sessão (“Compreender a cidade a partir das emoções geradas pela pandemia”) reflecti com a Clara Cardoso, o Jorge Barroso Dias e com a Teresa Caldas de Almeida como se organizou a cidade no tempo que vivemos e como poderemos promover “autoestradas cooperantes” a partir dos lugares, cidades. Aqui deixo caso tenham interesse.

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COVID-19 Desafios da Psicologia

Entrevista MENTAL 4All

“These are extremely high-quality organs.”

Assim adjectiva D. Segev os órgãos resultantes de mortes por falta de oxidação cerebral devida a overdose, um dos tipos de morte que mais os protege.

Num extraordinário twist refere que, ao negro da crise de consumo de opioides que resultou em 67000 mortos por overdose nos EUA em 2018 (em parte responsável pelos EUA terem 3 anos consecutivos de diminuição da esperança média de vida da população, algo sem paralelo desde a I Guerra Mundial e em claro contraciclo com outros países), se junta cor… A doação de órgãos resultantes de overdose aumentou de 1 em cada 100 em 2000 para 1 em cada 8 órgãos doados em 2017, tendo “salvado” milhares de vidas e impactado milhares de famílias.

Pensar estes twists, além de permitir leituras mais profundas do que nos rodeia, permite-nos promover a empatia enquanto competência fundamental à solidariedade, cooperação e ao respeito e valorização da diversidade. Reflectir estes twists, permite, não esquecendo o negro da crise que vivemos e do aprofundamento de desigualdades e dificuldades de pessoas, comunidades e organizações, ver nela cor… Por exemplo na oportunidade de promoção de literacia em saúde psicológica.

O MENTAL tem-no feito e aqui partilho o meu contributo em conversa com a Ana Pinto-Coelho.

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COVID-19 Debate à 5ª Desafios da Psicologia

Debate à 5ª – Comunicação e literacia em saúde (psicológica)

“Não! Só podes estar a mentir ou a querer passar por diferente. Ou então tiveste um problema com chocolate no teu passado. Ou isso ou nunca provaste chocolate realmente bom.”

Assim começava uma newsletter que recebi de um projecto jornalístico que acompanho. Dizia que este tipo de reacção é a que muitas pessoas assexuais recebem quando dizem não gostar de sexo, sublinhando que para 1 a 7% da população as relações amorosas não conduzem, inevitavelmente, ao interesse/desejo sexual.

Amanhã decorrerá o 10º #debateà5a. Live da Ordem dos Psicólogos Portugueses por mim promovido e moderado que procura aprofundar temas que cruzam (desafios da) sociedade e contributos da ciência psicológica com o mote de promover mais perspectivas. Esta edição,”Comunicação e literacia em saúde (psicológica)”, conta com Ana Rita Goes e Osvaldo Santos.

A newsletter promovia um artigo que lembra a importância da comunicação e da literacia em saúde (psicológica) e o seu impacto na forma como nos olhamos e cuidamos e como olhamos e cuidamos, empaticamente, de outros. No momento que vivemos creio que à “explosão” de informação deveria corresponder uma “explosão” de literacia. Sobre isso reflectiremos.

16.07.20; 22h; aqui para o último #debateà5a desta fase. A eles regressarei e, espero, regressaremos, em Setembro.

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COVID-19 Debate à 5ª

Debate à 5ª – Estudar, ensinar e investigar a Psicologia, hoje

Perdemos Morricone, fabuloso compositor que nos deixou 6 décadas de produção de míticas bandas sonoras (do “O bom, o mau e o vilão”, passando pelo muito marcante “Era uma vez na América” ao recente “Os 8 odiados”).

Filmes, mais filme, pela música de alguém que dizia que o “segredo [da sua] produtividade [era] não saber fazer mais nada na vida”.

Amanhã decorrerá o 9º #debateà5a. Live da Ordem dos Psicólogos Portugueses por mim promovido e moderado que procura aprofundar temas que cruzam (desafios da) sociedade e contributos da ciência psicológica com o mote, simples, de promover mais perspectivas. Esta edição, intitulada “Estudar, ensinar e investigar a Psicologia, hoje”, conta com António Gomes, Marta Moreira Marques e Saul Neves de Jesus.

Morricone tinha a meu ver outro segredo: a capacidade de adaptação e resposta aos desafios de cada filme, sempre acrescentando-lhe em benefício de quem como eu os via.

Algo, creio, com paralelo com as últimas 6 décadas de desenvolvimento da ciência psicológica, também pela sua adaptação e resposta aos complexos desafios da sociedade nos últimos anos e à pandemia nos últimos meses.

Sobre isso reflectiremos, pensando o estudo, ensino e investigação da Psicologia hoje, voltados para o futuro e para o compromisso com a promoção da equidade e do bem-estar.

09.07.20; 22h; aqui

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Acabaram as aulas. E agora? (03.07.2020)

Com o final das actividades lectivas de um ano lectivo atípico, aproximam-se as férias de parte significativa das famílias. Se em 2019 o tema que as sobressaltou foi a greve dos motoristas (e as potenciais quebras de abastecimento de combustíveis), em 2020 a pandemia que vivemos e as suas consequências sanitárias e sócio-económicas pairarão sobre o Verão e terão, inevitavelmente, forte impacto na planificação e concretização das férias das famílias.

Na próxima sexta-feira, no webinar “Acabaram as aulas. E agora?” promovido pela Porto Editora no âmbito do projecto “Pais & Alunos” discutirei com Joana Appleton Figueira e com Pedro Strecht as “férias em tempos de COVID-19” e as dúvidas de pais e cuidadores.

Reflectiremos sobre como compatibilizar as “brincadeiras” e o “espaço exterior” com comportamentos pró-saúde. Pensaremos o medo, o risco e os seus papéis. Focaremos a “urgência” das férias (do quebrar da rotina) pós período de confinamento, procurando contribuir para as, talvez, mais desafiantes mas mais importantes férias de muitas famílias.

O debate será moderado pelo jornalista Paulo Farinha.

Mais informações e inscrições aqui

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COVID-19 Psicologia

Portugal vence a COVID-19 (TSF)

No início da semana que agora termina, a TSF emitiu o seu 6º episódio do “Portugal Vence a COVID-19”.

Programa que nasce de uma parceria da TSF com a Fundação Manuel António da Mota e a Mota-Engil e que visa a promoção à 11ª edição do Prémio Manuel António da Mota, que este ano distinguirá instituições com intervenção relevante na pandemia que vivemos e nas suas consequências, nomeadamente “nas áreas do combate à pobreza e exclusão social, saúde, educação, emprego, inovação e empreendedorismo social, inclusão digital e tecnológica e apoio à família.”

A Ordem dos Psicólogos Portugueses foi uma das instituições reconhecida pelo seu contributo no período que vivemos e, por isso, selecionada pela TSF para este “Portugal Vence a COVID-19”.

Assim, a partir do meu papel de coordenador do gabinete de crise COVID-19 da OPP, participei neste trabalho da jornalista Sara de Melo Rocha que aqui partilho.

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COVID-19 Desafios da Psicologia

1 página…

Mais de 350 anos separam o nascimento de Miguel de Cervantes e Jorge Luis Borges.

Romancistas e poetas maiores da língua castelhana, trataram o imaginário e os pormenores como poucos. Em 1944 Borges escreveu “Funes, o Memorioso” conto que retrata um homem que tem uma memória “absoluta”, que tudo lembra e recorda ao mais ínfimo pormenor. Por tudo lembrar, nada é passível de generalização, nada é identitário.

Funes dista léguas do D. Quixote. Nas personagens, porque D. Quixote não tinha uma memória, antes uma imaginação “absoluta”. Nas obras, porque a sua investidura sobre os moinhos de vento é narrada por Cervantes numa única página das cerca de 700, página que resultou identitária para a obra, exemplo de como, invariavelmente, existem pormenores decisivos nas estórias.

Creio que ao olharmos as muitas páginas e tudo lembrarmos do que foi o contributo da Ordem dos Psicólogos Portugueses na crise que vivemos, o momento “investidura” corresponderá à reestruturação da sua equipa e à resposta que a partir daí pode ser planificada e suportada em articulação com a direcção e restantes órgãos sociais, grupos de trabalho e grupos informais de psicólogos.

Este é o mote de um artigo que escrevi para a série “Crónicas de uma Pandemia” da APDH que aqui partilho.

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Colaborar e comunicar em tempos de mudança e incerteza (ISPA; 26.05.2020)

Rui Marques, presidente do Instituto Padre António Vieira e da Academia Ubuntu, referiu-se recentemente à Era que vivemos e que no dia-a-dia construímos, como a “Era do risco”. Vivemos, diz, “sucessivos ciclos de medo, ora da invasão de estrangeiros, ora do terrorismo, ora agora da pandemia”.

Vivemos na, mas também, da incerteza. Incerteza em grande medida resultante dos que hoje são os grandes desafios societais da “Era do risco” e da mudança particularmente veloz resultante, também, da actual revolução tecnológica.

Com este cenário, creio que a todas/os resulta evidente a importância que a ciência psicológica assume e assumirá na compreensão destes fenómenos e no apoio aos processos de adaptação que deles, necessariamente, resultarão.

Assim, e em plena vivência de uma pandemia que levou, literalmente, meio mundo ao confinamento, creio difícil imaginar um contexto mais pertinente a uma reflexão sobre como “Colaborar e comunicar em tempos de mudança e incerteza”, a partir da Psicologia (da sua investigação, da sua prática).

Debate promovido pelo ISPA, aqui disponível: https://lnkd.in/dd26JGV

Obrigado Pedro Almeida, pelo convite, pelo estímulo e pelo interessante painel e reflexão.

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Entrevista Psis21 Especial COVID-19 (Ordem dos Psicólogos Portugueses; Maio de 2020)

– Qual o objectivo da criação de um Gabinete de Crise dentro da estrutura da OPP para a pandemia COVID-19? 

Tendo em consideração a informação disponível e o desfasamento temporal face à evolução do vírus e da doença noutros países (incluindo na Europa), cedo percebemos o fortíssimo impacto que teria no quotidiano do país e as suas consequências directas e indirectas. Nesse momento já trabalhávamos com a DGS na elaboração de um primeiro documento sobre comunicação de riscos e crise baseada na percepção de riscos e entendemos que, enquanto associação pública profissional de uma área tão relevante nas áreas do comportamento, saúde pública e psicológica, teríamos que assegurar condições para reforçar a colaboração com as autoridades (de saúde, de educação, …) e com decisores; disponibilizar conteúdos e conhecimento, contribuindo para a literacia da população e para a informação do debate público sobre temas relevantes, directa ou indirectamente, relacionados com a COVID-19 e as suas consequências; manter toda a nossa resposta aos membros, sem quebra das nossas atribuições, criando / reforçando medidas de apoio e desenvolvendo e disponibilizando ferramentas de apoio à prática.

Neste sentido, entendeu-se importante a criação de um gabinete de crise como estrutura de operacionalização de um plano específico de resposta à crise que vivemos que, articulado com a Direcção da OPP, teve e tem capacidade e competência para reajustar, do ponto de vista das prioridades e da afectação de recursos, a equipa da OPP, os diferentes órgãos sociais, grupos de trabalho, mobilizando também outras colaborações com psicólogas/os ou outras entidades.

– Qual a estratégia adoptada a nível interno? 

Numa atitude que procuramos sempre de total abertura e transparência com todas/os, priorizando a segurança de cada trabalhador/a, começámos por preparar a organização para o teletrabalho, para as novas necessidades daí decorrentes e para as relacionadas com o papel da organização na situação de crise. Esta estratégia implicou a flexibilização das equipas, tendo-se criado uma Task Force específica para coordenação e apoio à produção de conteúdos para sociedade em geral e para psicólogas/os e que incluiu FAQ, documentos de apoio e propostas de conteúdo para diferentes produtos gráficos ou vídeo (coordenada pela Andresa Oliveira e que conta total, parcial ou pontualmente com a Ana Faria, Catarina Silva, Edite Queiroz, Joana Monteiro, Sara Cabaço e Sofia Nobre).

Foi também reforçada a equipa da formação coordenada pela Patrícia Vieira. Esta equipa foi responsável pela rápida passagem de toda a formação da OPP (efectivos e psicólogos juniores) para formato à distância, acompanhando o crescimento muito significativo dos números de formação e-learning (com a sua gratuitidade) e b-learning (sessões síncronas). Além das actividades de formação, a equipa passou a acompanhar os Fóruns OPP entretanto criados (10), as formações associadas às linhas de aconselhamento psicológico do SNS 24 (LAP SNS24), de informação e outras linhas de apoio e o acompanhamento e gravação dos webinars disponibilizados pela OPP (20). Finalmente, reforçou-se a equipa de comunicação e imagem, coordenada pelo Duarte Zoio, para melhorar a resposta de produção e design de documentação e outros produtos gráficos e vídeo.

Além deste reforço, sentimos necessidade de reestruturar as equipas de atendimento e apoio ao membro (coordenada pelo Bruno Soares) e área financeira (coordenada pela Esmeraldina Contramestre), no sentido de se assegurar todo o atendimento à distância, a distribuição de correio, a emissão de facturas e outros documentos de pagamento e o envio de vinhetas profissionais e outros documentos aos membros, ainda que a partir de fora das instalações da OPP. Procurámos, ainda, melhorar a capacidade de resposta aos membros em áreas relacionadas com a actividade profissional, ética ou de acompanhamento aos apoios às linhas de informação e LAP SNS24, através de uma equipa coordenada pelo Pedro Félix. Finalmente, realce para todo o suporte da equipa de informática (coordenada pelo Bruno Rodrigues), essencial ao assegurar da (infra)estrutura que permitiu disponibilizar rapidamente todas as ferramentas de apoio ao trabalho à distância à equipa da OPP, além do reforço das plataformas que permitiram, imediatamente, o incremento da resposta aos membros, por exemplo nas áreas de formação, desenvolvimento profissional ou de autocuidado (fóruns).

A flexibilidade, atrás referida, foi chave no redesenho da estrutura e na reafectação dos recursos, viabilizando a capacitação da resposta específica da OPP à situação de crise sem que isso pusesse e ponha em causa qualquer das suas atribuições, mantendo-se todos os principais processos e apoios aos membros operacionais e tendo-se mesmo criado, reforçado e facilitado outros – também ao nível da gratuitidade de minutas, da facilitação de processos de mudança de estado ou de pedido de declarações.

– E do ponto de vista externo – quais foram os eixos estratégicos e de que forma se articularam?

A separação interno vs externo poderá não ser a mais descritiva da forma como estamos hoje organizados. Em todo o caso, além do reforço de ferramentas para a prática profissional das/os psicólogas/os nesta fase, procurando dar um contributo para o desafio que se lhes colocavam e colocam, foram estabelecidas parcerias estratégicas que permitiram reforçar o impacto, a eficácia, a disseminação e o alcance da nossa acção.

Além das autoridades e decisores (a seguir detalhadas), procuramos colaborações estratégicas com órgãos de comunicação social (OCS), como foram exemplo as parcerias com a TSF (Sem medo do medo) ou Rádio Renascença (Quarto do fundo), que acresceram às diversíssimas participações de psicólogas/os nos OCS neste período. Procuramos, também, parcerias com entidades para a produção de documentação específica para determinadas áreas ou ‘populações’, como são exemplos as associações patronais ou sindicatos, a Federação Nacional de Associações Juvenis, o SICAD ou a FENACERCI. Ainda, colaboramos com instituições na criação de linhas de aconselhamento psicológico, potenciando a formação preparada e disponibilizada para a LAP SNS24 e apoiando a identificação de psicólogas/os com as características solicitadas, como as linhas criadas pela Ordem dos Farmacêuticos, pela Associação de Profissionais Licenciados de Optometria e Câmara Municipal de Lisboa. Finalmente, reforçámos parcerias com associações internacionais, como as nossas congéneres de Angola, Cabo Verde e Moçambique, a EFPA ou um grupo informal de mais de 50 associações profissionais dos cinco continentes, resultante da SummitInternacional realizada em Novembro de 2019, em Lisboa.

Uma nota final para o investimento realizado no reforço dos Diálogos da Psicologia e na criação de três novos formatos live da OPP (Conversa à 3ª; Debate à 5ª e País em Pandemónio) com o último destes programas a ser claramente dirigido para a sociedade.

– De que forma foi feita uma concertação do trabalho da OPP com as entidades oficiais, nomeadamente Ministério da Saúde e Direcção Geral da Saúde?

Foram várias as formas e os momentos dessa concertação. Como atrás referido, desde antes dos primeiros casos em Portugal existiu uma colaboração directa com a DGS, trabalho que continuou e que se intensificou dando origem a documentos conjuntos da DGS / OPP sobre comunicação para decisores e mobilizadores sociais, autocuidado de profissionais de saúde, horários de actividades para crianças e adolescentes e  um webinar conjunto sobre o papel das/os psicólogas/os na crise que vivemos. Além destes contributos, a OPP procurou adoptar uma postura responsável de agente promotor de comportamentos pró-saúde e pró-sociais, seguindo sempre as recomendações das autoridades e sublinhando a importância de que todas/os assim o fizessem.

A colaboração com o Ministério da Saúde (MS) não se restringiu à DGS, tendo sido desenvolvidos trabalhos com a SPMS (Linha de Informação COVID-19 e LAP SNS24) e com o próprio MS, com quem articulámos em áreas políticas, apresentando contributos específicos sobre a estratégia seguida nas áreas da saúde psicológica / mental relativamente à situação que vivemos e viveremos e tendo a OPP estado representada pelo seu Bastonário nas reuniões periódicas do MS de acompanhamento e discussão da situação do país. Destaque ainda para colaborações com o Ministério da Educação visando a partilha de documentação, a criação de produtos conjuntos (autocuidado de professores e educadores) e um produto vídeo para o projecto #EstudoemCasa), com o Instituto de Segurança Social e para a participação de inúmeras/os psicólogas/os em representação da OPP em órgãos de consulta que têm contribuído para este momento do país, como é o caso do Conselho Nacional de Saúde.

– Esperava uma adesão tão grande dos psicólogos/as aos reptos que foram sendo lançados, nomeadamente no que diz respeito à angariação de profissionais para a Linha de Informação COVID-19 do SNS24 e depois para a Linha de Aconselhamento Psicológico do mesmo SNS24, criada de raiz ou para a rede de Agentes OPP para a Promoção de Comportamentos Pró-Saúde e Pró-Sociais?

Esta é talvez a pergunta mais simples de responder. Sim, sinceramente esperava. E esperava na medida em que desde cedo recebemos inúmeras manifestações de psicólogas/os no sentido de se disponibilizarem para algum apoio, em linha, com o que já havíamos assistido aquando dos graves incêndios de 2017 e com uma dimensão identitária da profissão – a procura de apoio ao outro, em particular nos momentos de especial dificuldade ou vulnerabilidade. Este movimento resultou em 800 colegas a manifestarem interesse em menos de 24h para reforçar a Linha de Informação COVID-19 do SNS24 (a SPMS seleccionou 200 e destes 63 transitaram para a LAP SNS24) e em termos hoje mais de 550 agentes OPP para a promoção de comportamentos pró-saúde e pró-sociais.

Devem realçar-se os mais de 80 projectos submetidos à via verde de apoio à investigação sobre o que vivemos, criada pela OPP, parte deles provenientes das instituições de ensino superior que, em Portugal, estão a formar as/os futuras/os psicólogas/os e sinal da participação da ciência psicológica na construção de evidência nesta área. Tal como creio devermos reconhecer o conjunto significativo de projectos que vimos serem criados por ou tendo a participação de psicólogas/os, numa clara demonstração do envolvimento da nossa classe profissional na resposta às necessidades das pessoas, das comunidades e do país.

– No que diz respeito à sociedade civil, o que foi feito? Considera que depois do trabalho realizado pela OPP e pelos psicólogos a nível nacional, que houve um aumento da percepção da relevância da Psicologia na gestão de crises como esta?

Devemos ter presente que a nossa leitura, a este nível, será sempre enviesada, ainda que existam elementos factuais que devem ser reflectidos. Desde logo, o número de iniciativas da OPP neste período (cerca de 650), a capacidade de produção e disponibilização de documentos ou outros produtos (cerca de 200) e os dados relativos a notícias e ao alcance das mesmas – os melhores números de sempre da OPP.

Estes dados corresponderão, certamente, a um reconhecimento da ciência psicológica no apoio à compreensão dos fenómenos que vivemos, do seu papel nas questões relacionadas com o comportamento dos indivíduos e da sociedade (incluindo a percepção do risco e as dimensões emocionais) e com a importância da saúde psicológica. No entanto, a este reconhecimento, também dos decisores, continua a não corresponder a existência de recursos condizentes com o potencial e a importância da resposta, sendo necessário um significativo crescimento do número de psicólogas/os nos cuidados de saúde primários onde existem hoje 2,5 (!) por cada 100.000 pessoas.

Ao reconhecimento deveria, ainda, corresponder uma maior participação da Psicologia ao longo de todo o ciclo de vida e contextos das pessoas, pois é promovendo competências e recursos (psicológicos) – na primeira infância, na Escola/Universidade, na comunidade/cidade, no local de trabalho, na prática desportiva ou em qualquer instituição onde esteja inserida, no contexto da saúde e em momentos de maior vulnerabilidade – que se preparam as comunidades para serem mais resilientes às adversidades e as pessoas para vivenciarem e ‘resistirem’ aos acontecimentos de vida mais negativos.

– Do ponto de vista pessoal, qual a maior lição que retirou do trabalho realizado enquanto coordenador deste Gabinete de Crise da OPP para a pandemia COVID-19?

É uma “lição prática”, no sentido em que guardarei sempre em mim como um exemplo concreto, adaptado a uma organização, do que atrás referi. Que quando existem competências (instaladas) e recursos (internos, de cada trabalhador/a; e externos, com as ferramentas disponibilizadas e com o reforço do trabalho em equipa, dos canais de comunicação e até dos momentos conjuntos de lazer) estamos mais capazes de enfrentar as adversidades e de nos adaptarmos às situações daí decorrentes. Assim foi com a equipa da OPP e creio que, assim tendo sido, tivemos mais e melhores condições de cumprir o papel que penso competir a uma associação pública profissional de Psicologia num desafio de saúde pública como o que enfrentamos e cujas consequências perdurarão. Guardarei esta equipa, as suas competências, resiliência, energia e empenho e, com ela, um exemplo concreto da importância da prevenção e da promoção de desenvolvimento e competências, objecto maior da Psicologia. Guardarei o seu e nosso contributo que, sendo muito distinto da exigência do das/os psicólogas/os dos Hospitais, das Estruturas Residenciais de Pessoas Idosas ou dos que trabalham directamente com as populações com maiores vulnerabilidades, julgo poder orgulhar-nos… Orgulhar-nos e, bem, representar a Psicologia e as/os psicólogas/os portuguesas/es.

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COVID-19

“Ir ao inferno e voltar” – Revista Visão (14.05.2020)

“Ir ao inferno e voltar”, título forte da peça da jornalista Vânia Maia, publicada na Revista Visão de 14 de Maio último que tratou o tema de quem recuperou da COVID-19 e do que vivem e viveram as pessoas que enfrentam a doença.

Reportagem na qual fui convidado a abordar uma “consequência” que importa termos sempre presente pelo que representa e pelo que implica: a estigmatização. Estigmatização que “pode ser potencialmente mais perigosa e devastadora do que a própria doença”.

Num momento em que a doença parece cada vez mais atingir franjas mais vulneráveis da população portuguesa, também por mais expostas e por terem menos meios de protecção, importa termos presente que não escolhendo o vírus quem atinge, as suas consequências (directas e, sobretudo, indirectas) podem ser e são muitas vezes bem distintas de pessoa para pessoa.

Que todas/os – cidadãos, decisoras/es e mobilizadoras/es sociais – tenhamos isso presente quando comunicamos sobre a COVID-19 ou quando se desenham as estratégias de prevenção e intervenção.

Só assim o inferno pode ser um pouco menos inferno.