Categories
COVID-19 Desafios da Psicologia

1 página…

Mais de 350 anos separam o nascimento de Miguel de Cervantes e Jorge Luis Borges.

Romancistas e poetas maiores da língua castelhana, trataram o imaginário e os pormenores como poucos. Em 1944 Borges escreveu “Funes, o Memorioso” conto que retrata um homem que tem uma memória “absoluta”, que tudo lembra e recorda ao mais ínfimo pormenor. Por tudo lembrar, nada é passível de generalização, nada é identitário.

Funes dista léguas do D. Quixote. Nas personagens, porque D. Quixote não tinha uma memória, antes uma imaginação “absoluta”. Nas obras, porque a sua investidura sobre os moinhos de vento é narrada por Cervantes numa única página das cerca de 700, página que resultou identitária para a obra, exemplo de como, invariavelmente, existem pormenores decisivos nas estórias.

Creio que ao olharmos as muitas páginas e tudo lembrarmos do que foi o contributo da Ordem dos Psicólogos Portugueses na crise que vivemos, o momento “investidura” corresponderá à reestruturação da sua equipa e à resposta que a partir daí pode ser planificada e suportada em articulação com a direcção e restantes órgãos sociais, grupos de trabalho e grupos informais de psicólogos.

Este é o mote de um artigo que escrevi para a série “Crónicas de uma Pandemia” da APDH que aqui partilho.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *