“Ir ao inferno e voltar”, título forte da peça da jornalista Vânia Maia, publicada na Revista Visão de 14 de Maio último que tratou o tema de quem recuperou da COVID-19 e do que vivem e viveram as pessoas que enfrentam a doença.

Reportagem na qual fui convidado a abordar uma “consequência” que importa termos sempre presente pelo que representa e pelo que implica: a estigmatização. Estigmatização que “pode ser potencialmente mais perigosa e devastadora do que a própria doença”.

Num momento em que a doença parece cada vez mais atingir franjas mais vulneráveis da população portuguesa, também por mais expostas e por terem menos meios de protecção, importa termos presente que não escolhendo o vírus quem atinge, as suas consequências (directas e, sobretudo, indirectas) podem ser e são muitas vezes bem distintas de pessoa para pessoa.
Que todas/os – cidadãos, decisoras/es e mobilizadoras/es sociais – tenhamos isso presente quando comunicamos sobre a COVID-19 ou quando se desenham as estratégias de prevenção e intervenção.
Só assim o inferno pode ser um pouco menos inferno.