A 21 de Outubro de 1879, Thomas Edison apresentou, formalmente, o pedido de patente para um projecto – a lâmpada incandescente – que viria a transformar a vida das pessoas. Creio-o um momento simbólico e creio-o, particularmente, num momento em que algum obscurantismo parece querer, metaforicamente, um regresso a alguma penumbra.
Num momento em que por cá e um pouco por todo o Mundo a saúde, particularmente a saúde mental, e o bem-estar são desafiados (veja-se as administrações hospitalares do Reino Unido a classificarem a “saúde mental como uma emergência nacional”), dados e informação científica sobre esta área, particularmente nas/os jovens (onde os desafios são muito significativos) é, julgo, como que uma “patente para uma lâmpada incandescente”, 144 anos depois.
É, também por isso, que venho partilhar o Ebook “Saúde Mental dos Jovens”. Coordenado pela Tania Gaspar, pelo Fábio Botelho Guedes e pelas Ana Cerqueira e Margarida Gaspar de Matos, resulta de um estudo colaborativo da World Health Organization sobre o bem-estar de adolescentes (6º, 8º, 10º e 12º anos), envolvendo 51 países e promovido em Portugal pela Aventura Social – Associação, com colaboração de um conjunto de entidades, incluindo a Ordem dos Psicólogos Portugueses.
Os seus resultados sublinham o agravamento dos problemas de saúde mental e bem-estar, nomeadamente no que se refere às preocupações, relações interpessoais e expectativas futuras. Procuram detalhar e discutir as causas (e consequências), para melhor informar políticas públicas.
Conta com um capítulo (“Estatuto socioeconómico, saúde mental e bem-estar em adolescentes em contexto de pandemia”; página 45-67) para o qual contribui com as/os autoras/es e a que se juntaram, ainda, a Marta Barata e a Sofia Sousa. Artigo que analisa, especificamente, o impacto da condição sócio-económica na saúde mental e bem-estar, que surgem penalizados em populações com os mais baixos níveis, procurando, também, apresentar e reflectir outras variáveis que os condicionam, mais uma vez, para melhor informação às políticas públicas, numa matéria particularmente sensível.
Perguntava a Margarida Gaspar de Matos na sessão de apresentação o que podemos fazer para que esta informação chegue mais e com maior impacto a decisoras/es. Três curtas sugestões, tornar e manter “salientes” os determinantes sociais da saúde, bem-estar e sucesso educativo. Envolver todo o ecossistema no processo de investigação e acção. E, particularmente, reforçar um esforço e empenho conjunto de promoção da confiança, que permita mais possibilidade, quando justificada, de mudança e mais envolvimento e compromisso na mesma de todos. Todos.
Muito obrigado por este trabalho. Muito obrigado por terem procurado o meu contributo e por me darem esta oportunidade.