Hoje passam 30 meses da data em que escrevi o 1º artigo da rubrica “Ao redor”. Chamei-lhe “Nós e os nossos Mundos” e terminava com uma proposta: “Pensemos neste espaço o que nos rodeia, singelo contributo para refletirmos como juntas/os podemos, a cada dia, ser mais resilientes e parte de uma sociedade mais coesa.”
“Nesse dia, sabia dos desafios complexos do país e do Mundo nesse momento e sabia, também, que estariam para vir outros, não menos complexos e não totalmente previsíveis. Estávamos a 24 de Fevereiro de 2021 e não previa que, exactamente um ano depois, se entrasse numa escalada da invasão pela Federação Russa da Ucrânia e se iniciasse uma Guerra na Europa (…) É por isso, pensando no presente, mas sobretudo no futuro, que 63 artigos depois desse primeiro, aqui partilho um pedido e um compromisso.”
“30 meses ao redor, um pedido e um compromisso”, 64º artigo da rubrica “Ao redor” (Revista Sábado) parte do pedido de complementarmos o discurso sobre a necessidade de promovermos crescimento económico, “com a necessidade de promovermos, simultaneamente, a equidade e a segurança, incluindo psicológica, de pessoas e comunidades, como vectores fundamentais para, num quadro de direitos humanos, democracia e multilateralismo e de protecção do meio ambiente, contribuirmos para a possibilidade de bem-estar e para a coesão social.”
Afirma-o possível, como a redução significativa das desigualdades nas últimas 3 décadas demonstrou, mas desafiante, particularmente no que se refere a determinadas dimensões e a “iniquidades internas”, por ex. em Portugal, onde “o ritmo de decréscimo da desigualdade tem sido relativamente baixo no que se refere aos rendimentos e permanecem desfasamentos significativos na saúde, educação, habitação ou no acesso à recreação, cultura ou ao desporto pelo nível de rendimentos, localização (por vezes dentro da mesma cidade) ou pertença comunitária.”
Nele abordo ainda como “a ascensão das chamadas “democracias iliberais” e o retorno do autoritarismo em alguns países condicionam a segurança, incluindo a psicológica, e a igualdade, como fundamentos base das sociedades” essenciais “à promoção do bem-estar e da coesão social.”
Assumo, finalmente, o compromisso de, “enquanto este espaço e esta rubrica me for permitida, continuar a disponibilizar contributos, a partir de um olhar que procuro que seja informado pela ciência, para que este pedido seja tema e desígnio e de como é possível continuarmos e acelerarmos o caminho percorrido nestas áreas em Portugal e no Mundo.”
São particularmente significativos os “impactos da desigualdade e da insegurança psicológica nas pessoas e sua possibilidade de bem-estar, nas comunidades e seu desenvolvimento e na sociedade e sua coesão social” (…) “Por isso, este meu pedido, a quem me lê e também à minha ciência e profissão. Por isso, este meu compromisso, como responsável desta rúbrica e enquanto psicólogo.”